Inglaterra, 1978.


Músicos:
Peter Gabriel - vocais principais, teclados, sintetizadores
Bayete - teclados (2,4,6 e 7)
Roy Bittan - teclados (1,3,5,6,10,11)
Larry Fast - sintetizadores e efeitos sonoros (1,2,5,7,10)
Jerry Marotta - baterias, percussão e vocais de fundo
Tony Levin - Baixo, vocais de fundo
Sidney McGinnis - guitarras elétricas e acústicas, violões acústicos, vocais de fundo (exceto em 7)
Robert Fripp - guitarras elétricas e acústicas, violões (1,3,5,8,10)


Músicas:
1. On the air - 5:33
2. D.I.Y. - 2:34
3. Mother of violence - 3:24
4. A wonderful day in a one-way world - 3:35
5. White shadow - 5:18
6. Indigo - 3:31
7. Animal magic - 3:28
8. Exposure - 4:14
9. Flotsam and Jetsam - 2:18
10. Perspective - 3:27
11. Home sweet home - 4:39


Peter Gabriel   

Peter Gabriel 2

 
Dados da resenha:
Autor: Ricardo (Steve Hillage); recebida em: 17/03/2005.
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Peter Brian Gabriel nasceu em 13 de fevereiro de 1.950 (detalhe: Steve Hackett que pertenceu ao "Genesis" é um dia mais velho que Gabriel!!!!) nasceu em Surrey, Inglaterra, e iniciou sua infância em aulas de piano devido a sua mãe e suas tias que faziam aulas de canto (o que reforça extremamente a carreira do músico relacionado meramente como um cantor), mas foi perdendo o interesse quando adolescente em termos de interesses com instrumentos para tocar percussão e baterias, e tendo ao mesmo tempo descobrindo que o canto também era forma de como ele se identificava mais fortemente na música. Ele ingressou num colégio chamado Chaterhouse em 1.963, por onde ele conheceu outros colegas que tinham interesses em formar uma bandinha junto com Anthony Banks, Anthony Phillips, Michael Rutherford, além de John Silver e Chris Stewart (estes 2 últimos que eram pertencentes em bandas que eles pertenciam mas ajudaram parcialmente em sessões músicais com os demais) que foi batizada como "From Genesis to Revelation", por uma manipulação de um produtor chamado Jonathan King (mas tão logo se denominariam apenas "Genesis"), em 1.968.

A partir do ano seguinte eles iniciariam a carreira em que com Gabriel se extenderia até 1.975 gravando 7 albums (6 de estúdio e 1 ao vivo). Gabriel se tornou o cantor do grupo e conhecido pelo público e a crítica, mais do que os outros demais companheiros da banda porque nas músicas em apresentações ao vivo ele representava os personagens através de fantasias e máscaras o que tornava o "Genesis" uma atração musical muito interessante e criativa gerando numa espécie de teatro musical. Por um lado isso era muito bom para a banda (e para Gabriel inclusive) porque isso causava um reconhecimento e sucesso que ia ficando cada vez maior, mas por outro era muito péssimo porque a boa parte do público e crítica observavam mais o desempenho de Gabriel do que os outros demais companheiros da banda, resultando num sério conflito de interesses de que os mesmos acreditavam que estavam tocando não como uma banda e sim como se fosse para um cantor que tinha banda. As coisas começaram a ficar muito tensas entre os músicos e Gabriel no ano de 1.974 quando ficou muito indeciso em elaborar o seu último album no grupo chamado "The lamb lies down on Broadway" (1.975) - duplo , por sinal; e que praticamente as letras são todas feitas por Gabriel, além do enredo do trabalho que diz a respeito de um jovem porto riquenho chamado Rael na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, iniciando-se numa manhã no distrito (bairro) de Manhattan e ao despertar da cidade, o jovem Rael sai do metrô de onde ele pichou as letras bem grandes de seu nome e separadas R-A-E-L e no meio das atividades de trabalho de baixo nível de vida que ocorrem ao durante ao longo do dia (talvez referindo-se aos trabalhos do tipo informais como camelôs e vendedores ambulantes, por exemplo) um cordeiro se deita no meio de uma rua na Broadway. A medida que a música do album vai sendo transmitida ao ouvinte a história vai se progredindo em meio de muitos personagens surrealistas e suas emoções que vão também surgindo. Gabriel também percebeu com o tempo algo muito importante do relacionamento humano e que ocorre no cotidiano na vida real e é justamente sobre o preconceito racial existente entre as Américas já que a América do Norte é praticamente desenvolvida diferente da América Latina que é subdesenvolvida (do México em direção sul do globo) e isto porque Gabriel é inglês e tendo o mesmo idioma característico dos americanos.

Gabriel também chegou a ser convidado na época por William Friedkin para fazer o filme "O exorcista" junto com a atriz Linda Blair, e ao mesmo tempo pelo que se sabe ele estava começando a ficar conturbado na sua vida pessoal e afetiva (sua filha Anna havia nascido recentemente e a sua esposa Jill adoecera razoavelmente lhe causando uma preocupação muito grande a este respeito). Ele define entre palavras que "pretendia dar um tempo no Genesis" para com ele mesmo e com a sua família assim que finalizasse a turnê do album "The lamb..." (o baterista da banda, Phil Collins, assumiria os vocais e o lugar de Gabriel no album seguinte em "A trick of the tail" (1.976)). Após a sua saída no grupo por quase 2 anos, e estando mais preparado emocionalmente e musicalmente, eis que os fãs do "Genesis" tem uma surpresa, em fevereiro de 1.977, sai o primeiro album do músico. Não era nada muito parecido com o que ele havia feito no "Genesis" tinha ainda assim muitas passagens sonoras que ainda lembrava a banda, mas algo havia mudado na filosofia de pensar de Gabriel em relação na forma de fazer a sua música. Será que este período afastado da música causou alguma reflexão e algum efeito sobre isso ? São outras estórias esse album.

Gabriel aproveita o embalo e entao eis que surge então "Peter Gabriel 2" (ou "Peter Gabriel II") que é pela lógica e óbvio o segundo album do cantor Peter Gabriel em que um dia pertenceu a uma banda de rock progressivo de estilo sinfônico: aquela chamada "Genesis" cativando milhões de ouvintes desde a época de sua fundação em 1.968. Aqui no caso deste trabalho Peter Gabriel registra esse album já em carreira solo como músico após a sua saída na banda em abril de 1.975 (a última apresentação de Gabriel com o grupo foi em Saint Etiene, na França) sendo as gravações que se iniciariam em novembro de 1.977 (neste ano Peter Gabriel estreiava como comentado anteriormente na sua carreira solo lançando o primeiro album entitulado com apenas o seu nome "Peter Gabriel", ou o mais conhecido pelo album do carro, já que o músico aparece na capa dentro de um carro azul - também chamado de "car" para facilitar a referência do trabalho) e se extenderiam até fevereiro de 1.978 (comenta-se que foi fruto de um resultado de 6 semanas), resultando na apresentação de 2 compactos e num album com um total de 11 músicas que estaria sendo disponível para o público e a crítica em maio daquele ano.

Popularmente também é chamado de "scratch" que significa "arranhão" em inglês devido a capa do album mostrando Gabriel fazendo um arranhão com os dedos de suas mãos. Um adendo a respeito sob o título do album: Peter Gabriel lançava os tabalhos originalmente sem alguma palavra. A palavra "Peter Gabriel" é apresentada porque as edições nesse caso são americanas. Foi lançado pela gravadora Charisma Records, a mesma quando o "Genesis" estreiou nesta gravadora tendo o proprietário Tony Stratton-Smith no album "Trespass" (1.970), além de sair pela Atlantic Records e Virgin Records. Em CD foi lançado em 1.990, 1.999 e 2.002 (somente importados) e as versões saiu tanto remasterizada como SACD, a opinião do público é muito dividida entre o melhor e o pior. Sobre a edição em SACD: foi gravado em estéreo e não em 5.1, mas dá pra observar minuciosos detalhes nunca escutados em outros formatos musicais já fabricados. A grande verdade é que Peter Gabriel deve ter pensado em querer fazer uma versão neste formato apenas para ganhar mais dinheiro e não se preocupando muito com artistas como o "Pink Floyd" em "The dark side of the moon" (1.973) ou "Eagles" em "Hotel California" (1.976) como exemplos nestes casos que tomaram parte de seu tempo razoavelmente e gastaram para fazer tranquilamente um resultado certeiro de seus SACDs destes trabalhos.

Aqui no Brasil o album saiu até então em edição nacional em vinil. Repare inclusive que naquele ano de 1.978, também seriam realizados as gravações dos albums "And then there were three" do "Genesis", album este inclusive que da mesma forma Peter Gabriel passou por uma época de transição quando ele realizou e estreiou em "PG1" pois a banda estava passando de um quarteto resultando num trio, com a saída de Steve Hackett nas guitarras. O grupo também curiosamente da mesma forma que se resultou o "PG2" com Gabriel um tanto perdido no resultado de sua música para apresentar ao público e a crítica, "And then..." segue o mesmo exemplo, claro que com idéias, propósitos e afinidades muito diferentes. Por falar em Hackett, este também estava lançando (da mesma forma que Gabriel) no mesmo ano o seu segundo trabalho entitulado como "Please, don´t touch!". E ainda tem mais uma outra inacreditável dupla coincidência: Anthony Phillips, fundador do "Genesis" e guitarrista original do grupo (que foi com o tempo substituído por Hackett) estava lançando o seu segundo album solo chamado "Wise and after event" no mesmo ano de 1.978. Alguma premeditação por parte de todos estes profissionais genesianos muito adorados ?

Os músicos como de praxe no album anterior ora ou eram selecionados pelo músico ou eram indicados para Gabriel. Os principais colaboradores de "PG2" são: Roy Bittan que já colaborou até então com Bruce Springsteen, David Bowie e Jackson Browne e toca teclados na maioria das faixas e em contrapartida a boa minoria é executada por um músico chamado Bayet. Nas baterias Gabriel foi muito esperto numa mudança, o responsável que está presente aqui (mesmo um tanto desconhecido antes de se integrar com Gabriel) é Jerry Marotta, que substitui o baterista Allan Schwartzberg e mais o percussionista Jim Maelen, sendo estes 2 últimos que foram participantes do "PG1" (Gabriel economizou pelo menos suas finanças em contratação de músico, já que Marotta é um profissional acima da média em relação ao instrumento que ele executa). No baixo Gabriel deu preferência em continuar com a espontaneidade e competência profissional de Tony Levin (que por sinal está com Gabriel até hoje tanto se apresentando no restante dos albums solos de Gabriel como nas apresentações ao vivo do cantor). O baixista já havia colaborado com inúmeros de artistas e em especial na categoria do jazz como "Buddy Rich & His Big Band", Herbie Mann, Deodato, Phoebe Snow, e entre outros conhecidos no mundo do rock e do pop como Carly Simon, Paul Simon, Alice Cooper,Lou Reed, Ringo Starr e entre muitos. As guitarras e violões acústicos são preenchidas por 2 músicos: 1) Robert Fripp que foi o fundador do "King Crimson" e após o seu anúncio de fim de atividades com a banda em setembro de 1.975 (mesmo ano que Gabriel encerrou suas atividades no "Genesis"!!!), esteve trabalhando com diversos artistas como David Bowie, Brian Eno, "Hall & Oates" e "Blondie" e tendo um interesse na parte de produção musical quando começou a atuar ao lado de Gabriel no "PG1" (aqui ele é o produtor do album junto com Gabriel). 2) Sidney McGinnis que vinha tocando junto com Barry Manilow antes de fazer o seu registro aqui em "PG2" e substituindo Steve Hunter no album anterior de Gabriel. Os sintetizadores e tratamentos e efeitos sonoros foram aplicados pelo americano Larry Fast (ele está presente em pelo menos na metade das faixas deste album), que já havia colaborado no album anterior de Gabriel. Fast foi o fundador e idealizador do "Synergy" estreando na sua carreira musical com o album "Electronic realizations for Rock Orchestra" (1.975) que tinha de cara intencionalmente gravar a sua música na categoria de eletrônico. Detalhe: Gabriel colaborou na elaboração dos títulos das faixas do album "Cords" (1.978) por sinal gravado após a uma turnê dele próprio para Fast. Observe que uma boa parte dos músicos são americanos pois Gabriel comentou que embora a Inglaterra fosse a "escola" do rock progressivo, entrentanto não é a "escola" do rock propriamente dito e isso em vista de que ele se sentiria muito mais a vontade de poder separar determinadas coisas que sempre desejou não se atando a um padrão musical tanto se tratando de música como músicos. O album pela quantidade que é apresentada de músicos e faixas varia mais nas participações dos guitarristas e tecladistas. O baixista (Levin) e baterista/percussionista (Marotta) são os únicos que não mudam suas participações no trabalho de acordo com o decorrer do andamento das músicas, exceto quando eles realmente não fazem participações (uma única faixa por sinal!!!).

Em "PG2" muda muito com relação ao album anterior, este agora se encontra de uma maneira feita com um Gabriel bem mais roqueiro que de costume desde os seus tempos no "Genesis" e sendo provavelmente o último album que ele gravaria nos anos 70 englobando o rock, o público só poderia observar algo bem parecido e moderno mais tarde em "So" (1.986) - só não venderia tanto quanto este último. Acredita-se que Gabriel neste trabalho pode ter seguido espertamente uma tendência musical que estava muito fortemente sendo apresentada na época em termos musicais: o punk, além do new wave; eis inclusive que as estruturas musicais do album não são complexas e sendo que as faixas estão na casa entre os 3-5 minutos de duração. Está um tanto mais denso, obscuro, sombrio embora sofra algumas variações musicalmente. O experimentalismo musical está muito fortemente presente se o ouvinte prestar muita atenção no trabalho (possivelmente porque Robert Fripp, guitarrista que foi pertencente ao "King Crimson" estava trabalhando com outros artistas fazendo e até aconselhando a outros artistas a usufruirem do experimentalismo musical) O rock progressivo, por exemplo, aquilo que Gabriel vinha trabalhando no "Genesis" é pouquíssimo apresentado. O público e a crítica inclusive entre os 4 primeiros albums (que não são entitulados, tendo apenas o nome do cantor - e as vezes até mesmo os outros demais de sua discografia) não consideram como uma obra-prima do músico, muitos admiradores observam que aqui ele está um tanto "perdido" e sem muita inspiração, espontaneidade e confiaça no que estava gravando, visto que no album seguinte, "Peter Gabriel 3" (1.980) também conhecido como "melt", ou seja "derretido" (e muitíssimo adorado pelo público) já a partir de então define o seu jeito e estilo de fazer música.

A grande verdade é que este trabalho está entre 2 trabalhos completamente muito diferenciados: o "PG1" é um marco de Gabriel como sua fase de transição de sua saída no "Genesis" e investindo como um artista solo que mesmo ainda ter sido feito numa forma que os fãs visse como uma "estranheza" ainda tinha alguns momentos que lembrava o "Genesis", e já no "PG3" mostra um Gabriel que registra definitivamente uma música que ele a partir desse trabalho investiria musicalmente de uma forma muito pesada trabalhando com a música de terceiro mundo. Algo parecido já ocorreu com outros artistas como o "Rush" em "Caress of steel" (1.975), ou o "Yes" em "Drama" (1.980), não que seje trabalhos puramente odiados pelos fãs, mas que causam uma sensação de estranheza pelo resultado de suas sonoridades fazendo até mesmo os artistas em determinados casos reconhecerem que não conseguiram satifazer a grande parte de seus ouvintes. Detalhe: o próprio Gabriel reconheceu que não gostou muito do resultado deste album, apesar de que atingiu o posto de número 10 nas paradas inglesas. O resultado não muito satisfatório em termos comerciais fez com que a Atlantic Records perdesse o seu interesse com o artista sendo que a Mercury Records seria a interessada no album posterior.

Uma coisa é bem certa: os vocais do músico jamais haviam soado e soarão parecidos em quaisquer albums que ele teria (ou terá) feito em toda a sua carreira, não pelo menos desta forma que ele resultou neste trabalho. Gabriel inclusive fez apresentações que eram observadas em underground do estilo característico desse gênero musical e até mesmo o seu comportamento pessoal como músico nas apresentações já não eram as mesmas iguais as que ele fazia no "Genesis", ou seja, já não fazia papeis teatrais iguais a que ele representava em diversos personagens em diversas faixas que o "Genesis" havia gravado com Gabriel apenas a exceção de uma música chamada "Me and my Teddy bear" (que gerou num compacto) que ele aparecia no palco com um ursinho de pelúcia ("Teddy bear" é o significa de "ursinho de pelúcia" em inglês). O seu estilo de se vestir também era bem de propício de um punk, vestindo jalecos, calças de couro, botas e o cabelo era visto muito curtinho e chegando até a ficar completamente careca. Para o agrado do público ele em determinado momento ficava de costas ao público e se jogava no meio dos espectadores que teriam por alguns instantes o gostinho de segurá-lo antes que ele retornasse novamente ao palco. Detalhe: é possivel observar uma foto de Gabriel nessa situação numa foto da contracapa do album "Plays live" (1.983). As apresentações deste album se extenderiam até o ano de 1.979 antes que Gabriel retornasse aos estúdios para as gravações de "PG3"; 2 convidados muito especiais seriam recebido por Gabriel nos palcos e nada mais era que Phil Collins e Chester Thompson, ambos os 2 percussionistas também oriundos do "Genesis". Ao longo da carreira de Gabriel foi também um album em que as músicas aqui pouco apareciam no set-list do cantor (vide por exemplo nos albums solos ao vivo de Gabriel). Certamente para muitos não é recomendado como um album para iniciar a escutar a carreira de Peter Gabriel em se tratando de albums de estúdio.

A capa do album foi feita através de fotografias tiradas por Peter Chistopherson da notável empresa chamada Hipgnosis, a mesma que já elaborou para o "Pink Floyd", "Yes", "Flash" e entre outros. Aqui uma outra coincidência deste album de Gabriel com o "Cords" de Fast: as fotografias observadas foram tiradas quase que próximas do mesmo local e na mesma época antes que saisse "PG2". Elas foram tiradas em Nova York, Estados Unidos, numa esquina da 22th Street próximo do West Side Highway (esta última referência, aonde aparecem os viadutos, que segundo constam na geografia de arruamentos atualmente demolidos). Na época estava ocorrendo uma rigorosa tempestade de neve, tanto que é percebido Gabriel andando pela rua embaixo dos viadutos da West Side Highway ao longo de montes de neve aparados e amontoados nas calçadas. Como já comentado anteriormente muitos admiradores de Gabriel que consideram o album "dark" podem reparar que as fotografias foram tiradas em preto e branco, o que induz a imaginar que a música segue um mesmo sentimento criado por Gabriel (e ajudado por Fripp) em termos musicais relacionados com esse album. A agressividade do arranhão (será também o resultado que Gabriel sentiu na finalização do trabalho ?) feito por Gabriel (comenta-se que até um bolo com o característico arranhão foi feito no dia de seu aniversário no ano posterior do lançamento de "PG2") também induz uma forma sombria que pode até ser percebido mesmo na expressão de seu olhar, já na foto da contracapa Gabriel parece ter hilariamente a forma como ele está com o corpo meio contorcido aparenta que ele estava sentido alguma dor (sentimental com a música ?) como se até estivesse sofrendo um ataque cardíaco. Fotografias muito selvagens por sinal, da forma como foram clicadas. No CD remasterizado mais recentemente é possível encontrar algumas fotos de Gabriel em estúdio e em apresentações ao vivo e uma muito interessante dele sentado de frente a um piano acústico tocando junto com Robert Fripp (este inclusive que nunca gostou muito de ser fotografado dentro de estúdio). O design foi elaborado por Colin Elgie que também colaborou com "Wishbone Ash", "Renaissance", "The Alan Parsons Project", Justin Hayward (vocalista e guitarrista do "The Moody Blues") e até o "Genesis" em "A trick of the tail" (1.976).

A produção foi feita sob a responsabilidade de Robert Fripp, já comentado anteriormente com a colaboração própria de Peter Gabriel no que resultou na sonoridade já esclarecida e muito criticada pelo público. É muito provável que este album foi feito sob uma forma de resultar num experimentalismo já que Fripp depois que encerrou as atividades do "King Crimson" na metade dos anos 70 esteve colaborando além de tocar o seu instrumento principal, a guitarra, também começou a ter um profundo interesse na parte de produção musical. O experimentalismo de Fripp não era uma novidade na época, o guitarrista marcou nessas condições de fazer música a partir de um album solo feito em duo com o ex-integrante e fundador do "Roxy Music", Brian Eno, através do disco "No pussyfooting" (1.973) e pelo visto arriscou a fazer o experimentalismo com outros artistas na época até mesmo antes e no período de gravações de "PG2" como "Sixty-Six shades of Lipstick" (1.975) de Keith Tippett (foi inclusive um pianista que tocou no "King Crimson"), o "Heroes" (1.977) de David Bowie, "Along the red ledge" (1.978) de "Hall & Oates" e entre outros.

Mesmo que Gabriel não tenha ficado satisfeito (e não teve decepção alguma com Fripp em termos pessoais) com o resultado do trabalho (possivelmente pelo fator da produção que finalizou a obra) é seguro que aqui neste caso deve ter servido de experiência ao cantor para que algum dia ele pudesse criar idéias ou distribui-las para outros artistas que poderiam trabalhar com o mesmo e admirar a sua música como um todo. Parece que Fripp adicionou ecos, efeitos de som, um tanto de graves na sonoridade, os vocais um tanto distantes junto com os instrumentistas que participaram do album. Mas não poderíamos considerar que o cantor se tornou uma "vítima" das idealizações de Fripp com a produção deste trabalho porque o mesmo deveria ter em pensamento que queria fazer possivelmente algo distante daquilo que fez nos seus tempos com o "Genesis". Alguns fãs de Gabriel julgam Fripp o culpado deste resultado, mas não dá pra classificar essa hipótese pois Gabriel não continuaria com a ajuda de Fripp no album posterior e também se desenteria relativamente com este profissional da música. Uma pergunta: comentam-se que o album foi gravado em 6 semanas, ja falado anteriormente; Fripp é um artista que tem o costume de que quando vai gravar um album, cria em muito pouco tempo. Será que a pressa talvez não tenha sido a grande vilã deste resultado também ?

Se o ouvinte perceber nos outros albums que Gabriel já criou conseguirá destinguir o quanto é distante as idéias de Gabriel em relação aos outros produtores e o de Fripp, ou seja, o disco soa mais como se fosse um album de Fripp do que um de Gabriel. Fripp em conjunto com Gabriel auxiliado também por Steve Short, Ed Sprigg, Michael Getlin e Steve Tayler (não é possível compreender pra que este bando de colaboradores ajudando Fripp e Gabriel na produção do disco), e em contra-partida está alguém que fez uma presença muito fundamental na coordenação do album e provavelmente esquecido para muitos daqueles que sempre acompanharam Gabriel desde os seus tempos aúreos no "Genesis"; este nada menos é Richard McPhail. Para quem não sabe McPhail é um conhecido de Gabriel desde os tempos em que ele frequentava ainda adolescente o Chaterhouse, e quando o "Genesis" foi formado, este seria como se fosse o sexto integrante da banda, mas era mais que um auxiliador geral do conjunto e também um promoter da banda. Ele deixou de acompanhar o grupo em fevereiro de 1.973, sendo que até uma dedicatória foi feita em homenagem a ele no album "Genesis live" (1.973), sendo um fiel escudeiro inclusive da banda até nos maus momentos que eles passaram juntos.


"On the air" - o primeiro lado deste disco começa com uma faixa que apresenta um Peter Gabriel bem roqueiro (na verdade o Peter Gabriel que observamos bem mais roqueiro, se extende ainda na faixa seguinte). Lembra um pouco da sonoridade um tanto mais hard da "New song" do grupo "the Who" no album "Who are you" (1.978). É a maior faixa do album com pouco mais de 5:30 minutos de duração que apesar do título que significa "No ar", aparenta ser alguma coisa que esteje "velejando", voando ou flutuando, mas na verdade trata de ser nada menos de algo que nos nossos dia-a-dia costumam a estar no meio aos nossos redores e até para respirar!!! São as frequências de ondas, mas neste caso não são as de televisão ou de telefonia móvel (wireless) por exemplo, e sim as broadcasting, de radiodifusão (ondas de rádio). Gabriel está nesta faixa aparentemente retratando de uma estação de rádio (e uma rádio pirata e amadora, por sinal), o Mozo que ele se refere precisamente na última frase da música, "I want everybody to know that Mozo is here", que significa "Eu quero que todos saibam que Mozo está aqui" em inglês é um DJ (disc-joquei) que fica numa cabina próximo de um rio, Mozo está perdido e justamente grita no microfone para justamente todos saberem que ele está nas proximidades. A música confirma que é uma estação de rádio : "Every night, I'm back at the shack", nesta frase o "shack" é a "cabine" onde fica o radialista ou o locutor(a). A impressão que se tem parece de ser um manifesto como pode ser percebido no coro que repete as palavras "On the air", Gabriel inclusive parece até a gritar isto porque ele está em meio de guitarras distorcidas de Fripp e McGinnis e a um ritmo meio de estilo punk, com os sintetizadores de Fast e os teclados de Bittan bem daqueles de finais de anos 70. Diga-se ser um manifesto porque o Mozo é um indivíduo desclassificado pela sociedade e a estação de rádio neste caso ainda mais quando "Made from the trash...", o "trash" se refere a uma rádio do tipo alternativa para que Mozo possa fazer a sua justiça para com os ouvidos das outras pessoas. O tema rádio inclusive curiosamente já havia sido feito no album anterior, "PG1" na faixa "Here comes the flood" mas ai é um outro caso a parte. Um outro detalhe que dá a entender é que o Mozo talvez seje o personagem Rael (também é um indivíduo que é rejeitado da sociedade de uma maneira geral) que é o principal do album "The lamb..." quando Gabriel ainda se encontrava no "Genesis". Repare também na atuação na forma de como é feito o baixo de Levin aproximadamente um minuto antes do término da faixa, é como se ele estivesse solando uma guitarra elétrica (a guitarra acompanha as notas de Levin). Em alguns encartes das letras deste album foram impressas ao invés de Mozo, o nome Bozo. Há uma versão desta faixa no album "Plays live".

"D.I.Y" - outra faixa que no embalo Gabriel fez espertamente se unindo no final da anterior e segue ao mesmo estilo bem de um Gabriel roqueiro e ainda com energia somada a sonoridade punk. São iniciais que significam "Do it yourself", ou seja "Faça você mesmo". É o indivíduo ter o objetivo de não deixar as opiniões dos outros influenciarem na sua própria conduta de pensar sobre quem ele é, o que pretende e a forma como irá desenvolver as suas coisas; acreditar nelas como seje melhor pra ele. Ou seja, entre palavras: Seja você mesmo. Isso porque a sociedade não tolera ou suporta pessoas individualistas que vêem e agem de uma forma completamente oposta e contrária sobre o que eles tem em mente. Gabriel tinha um propósito de sair do "Genesis", talvez aqui nesta faixa ele revele o seu porquê baseado sobre essa forma de agir do ser humano. Com uma estrutura musicalmente de rock, há um destaque válido para Levin que com o baixo ele toca a faixa como tocando as notas em forma crescente de escalar em do-re-mi..., e acompanha Bayete nos teclados, Fast nos sintetizadores (ele parece aguardar os músicos nos momentos finais para o início desta faixa) e McGinnis nos violôes e mandolin. Um outro detalhe demonstrando um Gabriel roqueiro e punk e quando ele grita "Hey!" antes de citar as inúmeras vezes a palavra "D.I.Y". É outra faixa que ficou registrada numa versão ao vivo em "Plays live". Saiu também nos 2 compactos que fizeram parte na época do lançamento de "PG2", sendo um deles numa versão diferente.

"Mother of violence" - uma das "baladas" do album, talvez esta seje uma das faixas mais tranquilas do album inteiro porque não tem nem sequer baterias ou percussão, e baixo (a única faixa deste trabalho que não estão presentes Jerry Marotta e Tony Levin respectivamente) e apenas uma dupla participação de Fripp com a guitarra elétrica ao fundo (ele se apresenta mais próximo do fim da faixa) acompanhando o violão acústico de McGinnis. Tem uma sonoridade de como alguem que estivesse tranquilamente tocando um violão acústico em frente a um local de ambiente muito calmo e numa noite suave e fresca e em boa parte da turnê da apresentação deste album era possível observar Gabriel sentando bem de frente ao público e sequer também era tocado o piano, ficando apenas os instrumentos de corda. Gabriel utilizou um simples efeito sonoro na introdução da faixa um simples inseto que é executado por John Tims. Ao mesmo tempo que Gabriel inseriu esse efeito, a idéia foi usufruida por Phil Collins em seu album de estréia "Face value" (1.981) na faixa "The roof is leaking" (que tem uma melodia e sonoridade nos mesmos moldes de "Mother of violence"). Um outro fato curioso é que existe uma parceria de Jill Gabriel na composição desta faixa (é a única que inclusive se tem notícia que foi também composta por sua esposa na época). Jill seria observada fazendo presença nos vocais de fundo de "Peter Gabriel 4- Security" (1.982). Gabriel conheceu Jill ainda adolescente desde os tempos da Chaterhouse e um pouco antes que o "Genesis" foi fundado. Eles namoraram desde aquela época se casaram, tiveram 2 filhas, Anna e Melaine até o lançamento de "PG2". O casamento entre ambos durou até 1.983 quando a família se afastou de Gabriel já que o mesmo constantemente por parte de seu profissionalismo necessitava viajar mundo afora. Desde os tempos aureos que Gabriel esteve no "Genesis", a banda necessitou fazer turnês em muitos países da Europa, assim como do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, e por mais incrível que parece por essas razões é provável que Gabriel quando deixou o "Genesis" estivesse sofrendo pressão não apenas por parte de seus companheiros do grupo sendo visado como um elemento principal que surgia na imprensa, crítica e público, como também da família que aos poucos parecia se afastar de suas responsabilidades de representar um marido e um pai. Durante a ausência de quase 2 anos sem lançar algo, Gabriel se dedicou piamente com a família o tempo necessário antes que saisse "PG1". A faixa descreve sobre medo e uma população amendrontada, sufocada e indefesa por algum desconforto do dia-a-dia; este pelo que se refere é a violência, como no próprio título da faixa já sugere e que perfura e agride qualquer ser humano ou qualquer coisa. A melhor defesa às vezes é uma boa ofensa. Se defender é enfrentar e sentir de perto o medo, a violência, e a ofensa é também enfrentar e sentir de perto o medo, a violência. A autodefesa é exatamente aquilo que muitas vezes o ser humano necessita. É um tanto díficil dizer com precisão aonde a ameaça está presente nesta pequena faixa que possui menos de 3 minutos de duração sabe-se que entretanto deve estar em várias situações : "TV dinner, TV news", nas televisões por exemplo, ou dentro da própria casa e da família "Fear, Fear, she's the mother of violence" que significa "Medo, medo, ela é a mãe da violência". Poucas canções do tipo Gabriel gravou na sua carreira como "Wallflower" do "PG4", ou "Mercy street" do "So" como por exemplos. Saiu também em compacto.

"A wonderful day in a one-way world" - Gabriel sai da tranquilidade absoluta para uma melodia mais ritmica, uma melodia que tem um ritmo bem de um estilo reggae, tem um jeito até daquelas canções de estilo bonitinhas que é sempre inevitável qualquer artista compor. O interessante desta faixa é que existe na melodia o coro principal (acompanhando Gabriel, são Levin e Marotta) que se o ouvinte se simpatiza com a faixa ele inevitávelmente canta junto com a música: "Have a wonderful day in our one-way world, one way, one day", que é evidentemente justamente a frase que pertence ao título da faixa. Gabriel soa aqui mais ou menos próximo de músicos de calibre igual a Bob Dylan ou Paul Simon. Tony Levin e Jerry Marotta retornam e agora eles irão a partir daqui finalizar o album com suas presenças até o final do album "PG2", e os músicos participantes neste caso são Bayete nos teclados e McGinnis nas guitarras. A faixa retrata sobre o tema sociedade capitalista e justamente percebe-se a partir da frase "No respect for supermen in the supermarket", que significa "Nenhum respeito para os super-homens no supermercado" em inglês, o "supermercado" é justamente o que centra nesta canção o capitalismo. Ou seja uma boa maioria da população mundial convive em um mundo industrializado, onde que para se sobreviver de sua alimentação o indivíduo necessita ir em algum supermercado (tanto faz seje um hiper-mercado ou uma minúscula mercearia) e adquirir a sua necessidade importante e básica e isso que torna a sociedade um dos motivos de ser capitalista, o que é muito incomum a grande maioria das pessoas irem direto no campo em busca de suas alimentações para a sua própria sobrevivência, a salvo daqueles que vivem exclusivamente disso. No caso da canção o personagem parece estar sozinho no supermercado, confuso sem ter como poder ser atendido, a sensação frágil de uma sociedade sem ter como ser ajudada inclusive "Looking round the store, it was all deserted", que significa "Procurando ao redor da loja, estava toda deserta" em inglês; e não é só isso, vivemos o consumismo obviamente sempre em função do dinheiro, depender do capitalismo é depender de sobreviver dignamente com o dinheiro. "One way, one day" que significa "Um caminho, um dia" em inglês, e dar a entender de que o indivíduo não pode aguardar que todas as coisas possam ser solucionadas apenas nas sextas-feiras e nos finais de semana e sim durante a mesma. Gabriel cita inclusive o físico Albert Einstein (aquele velhinho que é flagrado com uma fotografia que aparece com a língua de fora falecido em 1.955, o elaborador da famosa "Teoria da Relatividade") em que o personagem que está perdido no supermercado, encontra com um velhinho (o físico aqui no caso) que não se preocupa muito em abrir sua mente para outras idéias e sim para a sua teoria "My name is Einstein, do you know time is a curve?" que significa "Meu nome é Einstein, você sabe que o tempo é uma curva?" em inglês, o "tempo" e a "curva" são pertencentes a sua "Teoria da Relatividade"; isso o torna o tal sujeito ainda mais nervoso e neurótico. Resumindo Gabriel passa também uma mensagem (apesar da letra não ser muito grande) da seguinte forma: Dor - Sonho - Reflexão - População - Poder - Mudanças - Felicidade. Observe que num ano de 1.978, não era muito comum e frequentemente dizer e escrever sobre entidades políticas de alto escalão, o mundo passava sim num ano como esses por várias mudanças (inclusive na música), mas não era tão recitado sugerido pelos artistas mais futuramente.

White shadow - apesar de ter uma duração de tempo na casa de 5 minutos, muitos fãs de Peter Gabriel consideram esta como uma das faixas épicas do album (diferente do que sentem com relação as 2 primeiras deste album) considerando como algo que lembra inclusive Peter Gabriel quando estava no "Genesis", alguns fãs de Gabriel vão mais além comparando como se fosse um resumo de "Firth of fifth" do album "Selling England by the pound" (1.974) (!?), não estruturalmente, mas melodicalmente; ao que parece talvez os que estes fãs estão se referindo seje o tema instrumental no meio da "Firth of fifth" onde Hackett fica solando com a guitarra junto com Rutherford. Se considerar ao nivel desta o "Genesis" o ouvinte também observará que a música aqui neste caso é semi-instrumental, da mesma forma que "Firth of fifth" foi realizada no album "Selling...". Novamente existe o reforço de sintetizadores de Fast e os teclados de Bittan e as guitarras de McGinnis e Fripp (este último inclusive toca violão acústico nesta faixa e faz o solo de guitarra elétrica no final). Os ouvintes gostam também da entrada de introdução desta música, assim como o final da mesma tocado por Fripp e Fast. Considerada como uma das canções misteriosas e enigmáticas do album e parece retratar sobre morte e anjo e situações negativas. A morte que subentende-se que seje a cor preta é neste caso a cor branca já que "white" do título é "branca" em inglês e o anjo neste caso que poderia retratar uma figura de algo voando é neste caso uma sombra, já que "shadow" do título é "sombra" em inglês.

"Indigo" - aqui inicia-se o outro lado do album junto com os 2 tecladistas Bayete e Bittan (o único caso por sinal apresentado no album) e apenas McGinnis nas guitarras elétricas. É uma faixa relativamente tranquila e suave e sem muita agressividade. Era inclusive já conhecida pelos ouvintes que acompanharam Gabriel em seu primeiro album onde já esboçava a mesma com o lançamento de "PG1" e na elaboração do album "PG2" numa época inclusive que ocorria uma turnê americana e fora apresentada com um outro título chamado "A song without words" tendo a mesma melodia, embora a seção mediana e as letras eram diferentes e uma versão destas foi registrado numa gravação pirata de "Live at the Roxy" de 1.977. Alguns ouvintes chegaram a testemunhar Gabriel dizendo antes que a música fosse executada foi escrita para o seu pai. A canção parece retratar sobre a estória de um ermitão que finalmente está se rendendo e aceitando naturalmente a sua realidade e a sua própria morte e algo relacionado a alguma cirurgia "Where I can hide them, now I'm open wide", que significa "Onde eu posso esconde-las, agora eu estou aberto largamente" em inglês. Gabriel deve estar referindo que a morte é a exalação final, um relaxamento para toda a eternidade; um sentimento muito triste ocorrido no inverno quando os dias aparentam ser mais curtos e não sentir energia para continuar sabendo que o indivíduo irá passar por essa fase e sentir depois um alívio. No momento que se for, o mesmo sentirá uma fé que será ajudado mas no momento até então não encontrará uma solução. O curiosos é que Gabriel havia retratado algo relacionado associando a morte na faixa anterior. Subentende-se que ele quer comentar a respeito do assunto neste album.

"Animal magic" - outra faixa que Gabriel gravou também bem estilo rock e com um jeito meio indo para uma sonoridade punk, melódico por sinal (como as outras já comentadas). Tem conotações que retratam uma espécie de forças armadas que no caso seria o exército britânico descrevendo ações que os soldados fazem como "I learned how to hunt in the night, I learned about camouflage" que significa "Eu aprendi como caçar na noite, Eu aprendi sobre a camuflagem" em inglês; ou seja, espiar o inimigo e as outras pessoas, pintar o rosto e o corpo de tinta e usufruir de roupas a caráter do estilo camuflada, algumas das ações como estas que tornam homens como esses em verdadeiros animais mágicos que é o título da faixa. Os seres humanos conseguem adquirir contato com suas formas primitivas anteriores de vida para sobrevivência. Gabriel também incentiva nas letras que os homens se ajunte a estes outros indivíduos experientes e ganhar experiência como na frase "Join the professionals and learn to fight" que significa "Filie aos profissionais e aprenda a lutar" em inglês. Alguns fãs também aceitam a idéia de que a faixa tem algo a ver com masculinidade, assumir verdadeira sexualidade, pois a seriedade das forças armadas no fundo só aceita os indivíduos que são verdadeiramente homens (ou mulheres) e empenhar o seus verdadeiros papéis como vieram ao mundo independentemente seja qual sexo. Musicalmente não conta com a presença de guitarras, apenas um forte reforço de teclados executados por Bayete e sintetizadores executados por Fast e Gabriel, especialmente de pianos elétricos.

"Exposure" - possivelmente esta é sem sombra de dúvidas a faixa mais experimental do album coordenada e "gerenciada" completamente por Robert Fripp (que já comentado anteriormente foi o produtor do album). O resultado do nome da faixa resultou inclusive no título do primeiro album solo de Robert Fripp lançado em 1.979, além de contar com uma versão que no caso está uma mulher chamada Terre Roche, além de Gabriel é claro ali presente, mas aparentemente soletrando as letras da palavra "Exposure". Os mesmos músicos presentes aqui também estão naquela versão (pura coincidência ?). Obviamente que neste último caso é uma outra estória !!! Aqui a faixa tem a autoria de Gabriel e Fripp e é praticamente instrumental a salvo de 2 frases e mais nada (uma delas que é minúscula!!!). Gabriel incita só a palavra "Exposure" mas de uma forma que ele vai dizendo num tom de voz grave (parece que ele usufrui do vocoder, mas aparentemente é o seu próprio vocal sendo interpretado) até tentar chegar ao seu vocal agudo e sendo cada vez mais selvagem, agressivo, sombrio e assustador de uma maneira que tanto a sonoridade da faixa como o vocal resultou num meio muito minimalista instrumentalmente como linhas de baixo e baterias que acompanham as guitarras num ritmo meio funk. Fripp apresenta uma sonoridade própria com os seus Frippertronics que o artista desenvolveu durante o seu crescimento e amadurecimento profissional com relação a guitarra e aparelhagens de gravação e é muito comum nos seus albuns solos tanto no album "Exposure", ou até em outros como "God save the Queen/Under heavy manners" (1.980) ou em "Let the power fall" (1.981) como exemplos, isso antes que ele retornasse com o ressurgimento de sua banda de origem, o "King Crimson", novamente em 1.981 com o trabalho "Discipline" (que Levin também está presente). Esta faixa soa por vezes mais do que algum album que Fripp elaborou na sua carreira durante este período do que um album de Gabriel, a cominação dela seria até muito mais ideal e interessante se esta música no caso estivesse no album posterior em "PG3" que ali inclusive foi um album satisfatório que Gabriel gravou até então durante a sua carreira como músico (e ousadamente na música).

"Flotsam and Jetsam" - é a menor faixa do album com pouco mais de 2 minutos de duração. Uma canção muito simples numa levada meio country, mas não muito convencional ao que pelo menos pode se perceber através das guitarra (em slide guitar) de McGinnis. A pergunta é: quem está tocando o piano ? O vocal de Gabriel aqui também aparece um tanto distante mas em contrapartida os toques de baixo de Levin são perfeitos e muito nítidos. Uma canção muito ignorada pelo público de Gabriel e até ele próprio que chegou a ser tocada inesperadamente na turnê de 2.002 do album "Up" em algumas pouquíssimas apresentações. Retrata algo sobre humidade e tempestade e curiosamente foi escrita por Gabriel antes de "Here comes the flood" do "PG1" (que neste caso retrata nitidamente sobre tempestade). Lembra algo de por-do-sol, com alguns cais e barcos espalhados nos arredores das docas de alguém querendo resgatar e salvar algo, ou algum indivíduo como na frase (citada 4 vezes) "If only I could touch you..." que significa "Se eu pudesse apenas tocar em você" em inglês. O Flotsam flutua, e o Jetsam atira algo pra fora do barco como se fosse para aliviar o peso (ou uma responsabilidade). Se as letras se fossem mais extendidas e com um pouco mais de música a faixa seria até que uma das mais simpáticas do trabalho deixando de ser um pouco mais discreta na forma de como ela foi feita, ela poderia inclusive fazer parte do album "PG1" porque tem uma sonoridade que se adapta neste primeiro disco de Gabriel.

"Perpective" - mais uma outra faixa de Gabriel bem roqueiro e em moldes meio de sonoridade punk, chega a lembrar algo meio parecido com o cantor David Bowie e em melodias que Gabriel chegou a fazer antes e depois de "PG2" como em "Modern love" do "PG1" ou "Big time" do "So". Aqui Gabriel tem a presença de um saxofonista chamado Timmy Capello. O "PG2" apresenta pela primeira vez sopros de saxofone (e quase que no final do trabalho) tanto nesta faixa como também na próxima. Participam também Bittan nos teclados, Fast nos sintetizadores, Fripp e Mcginnis nas guitarras. É bastante repetitiva, citando diversas vezes a frase "I need perspective" que significa "Eu preciso de perspectiva" em inglês, algo de muita importância ao indivíduo. Aparentemente temos aqui um Gabriel preocupado com a ecologia, tratando a respeito de uma grande indústria de plantas químicas como nos versos "I used to be an industrial giant, Sitting in a garden full of chemical plants" que significa "Eu costumava ser um gigante industrial, sentado em um jardim repleto de plantas químicas" em inglês; ele (o empresário) começa a tomar mais consiência se sentindo culpado pelo fato de que ele está abusando dos recursos naturais da Mãe Natureza que neste caso ele cita na música como "Gaia", Oh Gaia, if that's your name". Para quem não sabe "Gaia" foi um nome dado pelos antigos gregos à Deusa da Terra e por um pesquisador cientista britânico chamado James Lovelock, durante os anos 70 numa de suas apresentações, e tendo como um objetivo retratar a Terra como um organismo vivo com mecanismos gerados e regulados por processos vitais conhecidos como homeostase. As letras dessa música aparentam ter uma advertência que sem uma visão repleta das coisas corremos o risco de perder tudo, a perspectiva como o próprio nome da faixa sugere. observe também que em se tratando de detalhes ecológicos e pertencentes a Mãe Natureza temos algumas palavras nos títulos das faixas deste album como "Air", "Day", "World", "Animal" e o barulho do inseto em "Mother of violence". Saiu na época no primeiro compacto antes do lançamento de "PG2".

"Home sweet home" - a última faixa participam: desta vez Bittan nos teclados e McGinnis nas guitarras com Gabriel tocando órgão elétrico. Possivelmente talvez esta além de encerrar o album seje também a faixa mais dramática do album, com um Gabriel muito inspirado na forma tanto de ter escrito a música (parece que alguem até ajudou ele na escrita) e na forma de interpretá-la. A forma de como foi tocada também está atrelada a isso tudo porque é relativamente lenta com um objetivo de manter o ouvinte mais atento na dramatização de seu vocal, especialmente quando ele vai dizendo e progredindo nas palavras do título "Home sweet home". Observe que "Home" ("lar" em inglês) tem diferença com "House" ("casa" em inglês): lar é algo que a pessoa possui verdadeiramente e casa é algo que a pessoa necessariamente pode não possuir. Diga-se de passagem que as letras dessa música foram tiradas de uma notícia de jornal a que Gabriel leu de um acontecimento ocorrido a respeito de uma mulher que salta pra fora da janela com seu bebê em seus braços. Como era casada o viúvo utilizou o dinheiro do seguro que ele conseguiu torrando em um cassino, e numa dessas ele ganhou bastante, mas apesar de tudo a estória no fundo tem um fim triste de como se fosse ter tudo que sempre se sonhou ao mesmo tempo que se tem uma perda dolorosa (no caso a morte da mulher e sua criança). Gabriel consegue transmitir ao ouvinte justamente isso nas palavras do título da canção e ainda cada vez mais que o cantor vai chegando próximo dos finais da faixa. Gabriel representou também algo que ele sentiu na sua vida real: ele e Jill Gabriel perderam um filho numa época de gestação nos tempos que ele estavam no "Genesis".