Inglaterra, 1980.


Músicos:
Peter Gabriel - vocal principal, piano, sintetizadores
Phil Collins - baterias
Jerry Marotta - baterias, percussão
Morris Pert - percussão
John Giblin - baixo
Larry Fast - baixo sintetizador.
Tony Levin - stick, baixo, vocais de fundo
Dick Morrisey - saxofone
David Rhodes – guitarras elétricas, vocais de fundo
Paul Weller, Robert Fripp, Dave Gregory - guitarras elétricas
Kate Bush – vocais de fundo 


Músicas:
1. Intruder – 4:52
2. No self control – 3:52
3. Start – 1:20
4. I don't remember – 4:35
5. Family snapshot – 4:25
6. And through the wire – 4:56
7. Games without frontiers – 4:01
8. Not one of us – 5:19
9. Lead a normal life – 4:12
10. Biko – 7:25


Peter Gabriel   

Peter Gabriel 3

 
Dados da resenha:
Autor: Ricardo (Steve Hillage); recebida em: 26/04/2005.
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Em 1.979, quando Peter Gabriel estava prestes a finalizar a turnê de seu segundo álbum solo intitulado como “Peter Gabriel 2” (1.978), ou também conhecido popularmente como “Scratch” que significa "arranhão" em inglês devido à capa do álbum mostrando Gabriel fazendo um arranhão com os dedos de suas mãos, surgiria naquele ano esboços de um terceiro álbum intitulado como “Peter Gabriel 3” e também popularmente seria conhecido como “Melt” já que na capa do trabalho apareceria o rosto de Gabriel parcialmente derretido, como sugere a palavra em inglês. “PG3” estaria em mãos do público e da crítica em maio de 1.980 (quase 2 anos após o lançamento de “PG2”) e com o material que Gabriel possuía nesta época foram lançados 5 compactos e um álbum do “PG3” editado puramente com exclusividade na Alemanha cantado por Gabriel inteiramente em alemão.

Gravado em estúdio e também na sua residência, foi lançado pela Charisma Records, a mesma que manteve Gabriel desde os seus tempos no “Genesis”, banda da qual fundou no final dos anos 60, além de sair pela Mercury Records, Geffen Records e Virgin Records. Aqui vai uma informação com respeito à gravadora Atlantic Records: existem 2 hipóteses dela não ter manifestado o seu interesse quando “PG3” foi lançado em mercado; o primeiro pelo fato de que o álbum anterior “PG2” mesmo ter alcançado uma boa posição nas paradas inglesas alcançado o posto n.10, ainda assim a Atlantic Records se sentiu insegurança em continuar com Gabriel, o segundo por ela já ter em posse o prévio material que Gabriel iria realizar em “PG3”. Com essa desistência antecipada, a gravadora simplesmente não percebeu que fez um dos seus maiores vacilos com o músico sendo que a Mercury Records teve a felicidade de ter um álbum que representasse a década de 80. Em CD foi lançado em 1.990, 1.999 e 2.002 e as versões saíram tanto remasterizada tendo uma grande maioria dos ouvintes muito satisfeitos. Para a felicidade dos brasileiros a edição saiu em edição nacional em vinil na época e foi relançado em 1.988 e 1.989 (atenção: muitas unidades saíram sem as letras portanto, é preciso um mero esforço na procura se a pessoa quer que venha este encarte junto com o disco), sendo que é possível encontrá-lo também no disquinho lançado em 1.992.

Veja que naquele ano de 1.980, também seriam realizados as gravações dos álbuns "Duke" do "Genesis", álbum que o grupo já se encontrava como trio e não um quinteto originalmente. Ao mesmo tempo temos também Steve Hackett, guitarrista dos tempos áureos do “Genesis” quando ainda estava Gabriel lançando seu álbum solo chamado “Defector”, o guitarrista original e fundador do “Genesis”, Anthony Phillips lançando o álbum “Private Parts & Pieces II: Back to the Pavilion”, sem contar com a estréia de Mike Rutherford, outro membro fundador do “Genesis” e contrabaixista/guitarrista do grupo lançando “Smallcreep´s day”. Este último artista inclusive convidou Phillips para ajudá-lo na sua estréia deste seu álbum.

O ano de 1.980 para Gabriel implicaria numa mudança muito importante em sua vida, ele fundaria o WOMAD (World of Music, Arts and Dance – Mundo da música, arte e dança) que seriam festivais representativos trazendo artistas através do mundo promovendo a arte da música e cultura na sua forma tradicional e original do próprio país, não necessariamente uma música folk em si, mas sim, a música que retrata uma determinada raça humana de uma determinada nação mundial independentemente do continente do planeta, tudo porque foi muito inspirado sobre este trabalho que Gabriel experimentou com respeito à música africana. Isso também implicaria que Gabriel neste mesmo ano fundaria um selo chamado Real World Records. Nomes muito incomuns seriam com o tempo associados com Peter Gabriel, que em um dia os ouvintes do “Genesis”, de uma banda britânica de rock progressivo até começariam a dar uma chance de poder ingressar a sua admiração ainda mais por Gabriel com artistas sensacionais que pertenceriam a este selo, meramente focado exclusivamente a chamada música de terceiro mundo; alguns exemplos como o paquistanês Nusrat Fathed Ali Khan, o senegalês Doudou N´Diaye Rose, a tibetana Yungchen Lhamo, o queniano Ayub Ogada e até mesmo a brasileira Daude que estreou recentemente em 2.003 com o lançamento do álbum “Neguinha te amo” representando o Brasil pela primeira vez no selo fundado por Gabriel desde 1.980.

Nesta década e as subseqüentes Gabriel seria um artista que mundialmente, sendo um roqueiro mais associado pelos ouvintes que conhecem e tiveram oportunidade de conhecer sua música, seria um representante de forças ativistas com relação à raça humana, ou seja, participaria de grandes festivais, como por exemplo, o da Anistia Internacional e também dos Direitos Humanos realizados especialmente na década de 80. Estaria ao lado nestas apresentações com outros grandes nomes como Sting do “The Police”, Bono Vox do “U2”, Bryan Adams, Trace Chapman e entre outros. O ano de 1.980 também indicava que algo estava mudando, talvez porque estava entrando obviamente uma outra década, e ao mesmo tempo no mundo da música neste ano alguns artistas estavam lançando trabalhos que chamariam muito a atenção dos ouvintes, álbuns em que o temor, medo e drama eram temas centrados que tornariam álbuns conceituais aclamados por muitos admiradores. Eis alguns: “Scary monsters” de David Bowie, “Black box” de Peter Hammill fundador da banda de rock progressivo “Van Der Graaf Generator” sendo do mesmo selo de Gabriel e do “Genesis” a Charisma Records, “Remain in light” do “Talking Heads” em parceria de David Byrne e Brian Eno em sua totalidade, “Closer” do “Joy Division” de Ian Curtis que tão logo formaria o conhecido “New Order”, o “Boy” de “U2” que estaria estreando uma banda muito prestigiada mundialmente, o “Crocodiles” do “Echo and the Bunnymen” que também seguiria algumas características similares como a do “U2” e o “The Doors”, banda americana formada nos anos 60 por um artista mundialmente conhecido como um dos poetas do rock, Jim Morrisson. O mesmo também válido para o álbum “A” do “Jethro Tull” não muito comentado pelos fãs desta banda e até o “Drama” do “Yes” “assustando” os ouvintes com uma sonoridade completamente diferente do que a banda era sem o fundador Jon Anderson; repare inclusive que as duas bandas citadas há pouco foram concorrentes muito fortíssimos do “Genesis” mesmo com a presença de Peter Gabriel no “Genesis”.

Os músicos também sofreram mudanças e substituições novamente e daqueles que permaneceram no “PG2” foi Tony Levin (o único músico que permanece até hoje nos dias atuais com Gabriel em todos os álbuns que foram lançados) dividindo o seu espaço pela primeira vez desde o álbum de estréia de Gabriel em “Peter Gabriel I” (1.977), com um outro baixista chamado John Giblin que foi fundador de um grupo com algum propósito de sonoridade em rock progressivo chamado “Metro”, e trabalhando com diversos artistas como Mãe McKenna, Gary Boyle, Ducan Browne, Colin Blunstone, Jon Anderson (do “Yes”) e participando de uma banda de fusion chamada “Brand X” antes de fazer sua presença em “PG3”.

Nas baterias Jerry Marotta permanece da mesma forma com Levin e ele também é reforçado por um convidado que Gabriel fez questão que participasse no álbum e nada menos que Phil Collins, baterista que se ingressou no “Genesis” em “Nursery crime” (1.971); Gabriel convidou Collins quando ele fez uma turnê final do álbum “PG2” em 1.979 e no ano em que começaria as gravações de “PG3”. Ao mesmo tempo os 2 bateristas dividem espaço para um percussionista chamado Morris Pert que já havia gravado com Bryan Ferry (fundador do “Roxy Music”), Mike Oldfield, Rod Argent, Nik Turner, Jon Anderson e além de bandas como o “Caravan”, “Isotope”, “Brand X” e entre outros.

As guitarras e violões foram executados também por vários músicos estando presente David Rhodes que foi conhecido e convidado através de um grupo chamado “Random Hold” do qual colaborava; Paul Weller que foi líder do grupo de rock “The Jam” estreando em 1.977 com o álbum “In the city” mesmo ano em que Gabriel lançava o “PG1”; Dave Gregory que também era ainda desconhecido no meio cultural musical, mas que se integrou numa banda de rock chamada “XTC” e finalmente Robert Fripp, líder do “King Crimson” que já estava com Gabriel desde o álbum de estréia e desta vez ele se comporta apenas como músico e não produtor e músico ao mesmo tempo como ocorreu em “PG2”, e ele continuou na mesma linhagem atuando com o experimentalismo musical ainda assim depois que foi lançado “PG2” e lançando um álbum solo no mesmo ano que de “PG3” em 1.980 intitulado como “God save the Queen/Under heavy manners”.

Os instrumentos de sopro, que no caso é o saxofone que está presente no álbum foi executado por Dick Morrissey, sendo este aqui o músico mais idoso e mais experiente dos demais apresentados em “PG3” (ele nasceu em 9 de maio de 1.940) com uma carreira abrangente mais associada ao jazz, ao fusion, ao Be-Bop e também é claro ao rock iniciando em 1.964 no álbum “Sonny blues (Ronnie Scott´s)” com Sonny Stitt estando também com George Fame, J.J. Jackson até que em 1.969 funda um conjunto de fusion chamado “If” estreando no ano posterior com o lançamento do álbum “If 2” até que o grupo suspende suas atividades em 1.976 e Morrissey conseqüentemente retornou a colaborar com outros artistas como Chris Rainbow, Aléxis Korner, Jon Anderson e entre outros até ser chamado por Gabriel para participar de “PG3”; nos sintetizadores e efeitos sonoros encontra-se Larry Fast que já estava com Gabriel desde o seu álbum de estréia e pela primeira vez uma pessoa do sexo feminino apresenta-se neste trabalho cujo nome é nada menos que a conhecida Kate Bush (não é parente do presidente americano George Bush!!! - diga-se de passagem e rumores que durante as gravações e elaboração deste terceiro álbum de Gabriel, o músico teve um caso de romance com Kate Bush, mas até então não se sabe se isso foi verdadeiro ou não, portanto fica apenas a cargo de curiosidade). É verdade que Jill Gabriel, esposa de Gabriel tem seu crédito em uma faixa no álbum anterior chamada “Mother of violence”, mas nesse caso ela não participa da gravação e sim da composição, no caso de Bush ela participa no álbum de Gabriel reforçando os vocais de fundo. Bush estreou na carreira musical aos 20 anos de idade com o lançamento do álbum “Kick inside” em 1.978 e pouco depois sendo convidada por Gabriel a participar deste seu terceiro álbum solo. Gabriel além de interpretar os vocais de seu álbum, toca piano elétrico nas faixas das quais o ouvinte observa.

Umas curiosidades entre alguns músicos: uma boa parte dos participantes deste trabalho tinham pouco mais de 20 anos de idade sendo Bush, Weller, Gregory, Rhodes e Giblin. Pert, Collins e Giblin pertenceram a uma mesma banda de fusion, fundada por Collins estando presentes num álbum que coincidentemente o grupo gravou também em 1.980 (o mesmo que o de “PG3”) chamado “Do they hurt ?”. Morrissey, Giblin, Pert participaram também no mesmo ano de 1.980 em um álbum solo de Jon Anderson, fundador do “Yes” chamado “Song of seven” num momento em que ele havia se retirado do grupo tornando por um outro lado o “Yes” um tanto polêmico com o lançamento de “Drama” (lançado também em 1.980!!!) sem o vocalista original mais ai já são outras estórias todos esses casos.

Não diferente dos outros 2 álbuns anteriores, Gabriel não hesita em diferenciar este seu trabalho com os outros 2 e parece que aqui há algo que ele conseguiu se identificar consigo mesmo além de ter uma aprovação muito forte pela maioria dos ouvintes e a crítica e ainda compensando aquilo que ele havia feito no álbum anterior em “PG2” quando os fãs acharam um resultado muito denso, obscuro e sombrio e ainda mais pelo fato de que criticava a produção feita por Robert Fripp em meio ao experimentalismo que está existente ali naquele trabalho. Gabriel naquele caso também deve ter sem sombra de dúvidas ter seguido uma tendência que estava ocorrendo naquela época que era o advento punk e mais o new wave. O “PG3” também se resultou como se fosse o lado de uma ponte onde a passagem seria o “PG2” e o outro lado da mesma ponte seria o “PG1”, isso fez com que a partir daí Gabriel já estaria possivelmente convicto de que não havia mais dúvidas de que ele poderia trabalhar com muito mais tranqüilidade fazendo algo completamente diferente de quando estava na banda que criou, o “Genesis”, dando a largada para a música de terceiro mundo.

Muito dificilmente o “Genesis” conseguiria resistir ao longo do tempo se caso Gabriel estivesse se diversificando da forma como estava fazendo ao se ingressar em carreira solo e ainda mais no caso deste álbum que não tem nada a ver com coisas já feitas no “Genesis” na época de Gabriel. Para se ter uma idéia, o rock progressivo aqui quase não há, não existem aquelas historinhas que Gabriel representavam e continham personagens, não há temas focados em romance, amor, paz, alegria, felicidade e algo parecido e sim para temas muito mais sérios e por ora até assustadores para algumas pessoas, como invasões territoriais e pessoais, amnésia, suicídio, guerra entre raças humanas, assassinatos, dor, loucura e por ai vai, temas que retratam o mundo contemporâneo inclusive que ocorria naquela época do lançamento de “PG3”. E, além disso, os temas que Gabriel retrata nas músicas são feitos de uma forma perfeita em termos de sonoridades, os músicos e Gabriel soam de uma maneira que funcionam como um relógio devidamente sincronizado em trabalhando em compromisso em conjunto para a satisfação do ouvinte. As guitarras soam de uma maneira muito frias e selvagens, as baterias e percussão também às vezes são assustadoras, arrepiantes, mas, sobretudo criativas, pois como se não bastasse Gabriel sugeriu uma coisa muito incomum não observada em qualquer álbum de qualquer músico; estes instrumentos não apresentam as partes metálicas como cymbals e pratos e quase ruído algum semelhante, ou seja, são observados mais os sons das caixas, bumbos, ton-tons, surdos em especial; imagine, por exemplo, que não deve ter sido muito simples para Collins, Marotta e Pert não se exaltarem em tocar as partes metálicas nos ensaios, o ouvinte inclusive pela primeira vez ao escutar o álbum questionará e estranhará essa falta de partes metálicas se é do tipo que quer escutar mais atenciosamente, além de pensar que no tempo rítmico que determinada música vai sendo tocada em momento acreditará que escutará instrumentos pertencentes destes instrumentos (partes metálicas) e algo que normalmente é percebido pela grande maioria das pessoas no dia a dia nas rádios executadas por outros artistas.

Possivelmente com este resultado permitiu-se perceber que Gabriel, o público e a crítica aprovaram uma alternativa de se executar a música de terceiro mundo. Gabriel chegou a declarar após a turnê do álbum “PG3” que quando finalizou a gravação estava muito mais confiante com ele mesmo (e realmente ele estava com a razão) e só não pode enfocar sua criatividade aqui no “PG2” por falta de espaço devido ao experimentalismo que estava mais fortemente presente naquele trabalho. Criatividade igual a essa de Gabriel (que é o caso das baterias e percussão) demonstra o quanto que é possível ultrapassar os limites da música em um mundo que a imaginação é criada muitas vezes é um ponto positivo de um ser humano. Alguns efeitos sonoros também ajudam a manter a sonoridade do álbum de uma forma muito abstrata, não tornando o álbum alegre e isso sem contar com os vocais de Gabriel que completam o modo de como este álbum foi gravado. É evidente que Gabriel estava entrando aqui na década de 80 onde muitos ouvintes geralmente retratam como uma das piores décadas que resultou o rock numa forma puramente comercial em se criar melodias muito fáceis sem ousadia, veja que até o “Genesis” também se entregou ao puro comercialismo na década de 80, mas no caso de Gabriel ele aparenta ter “vencido” este detalhe porque a criatividade falou mais alto (mesmo posteriormente o lançamento de “PG3”) para Gabriel a década de 80 teve vida na sua forma de fazer música. Aqui vão algumas perguntas: será que Gabriel procurou fazer isso tudo numa forma de retribuir aquilo que foi feito no álbum anterior em “PG2” devido ao resultado final especialmente em se trabalhando com o experimentalismo? Será que Gabriel percebeu que a música de terceiro mundo era algo que dava bom retorno financeiro a um artista? Será que Gabriel já tinha em mente em realizar algo parecido e só neste momento seria satisfatório para ser executado?

Realmente algo aqui aconteceu, mas o que ninguém talvez possa saber a não ser o próprio Gabriel, mas um registro demonstrando uma criatividade e iniciativa até então mais esforçada o que resultou a colocar o álbum próximo do Top 20 americano e alcançando a quarta posição dos álbuns mais vendidos na Inglaterra, país de origem de Gabriel tornando o disco como um dos mais adorados pelos ouvintes e sendo considerado e retratado como uma das principais obras-primas do cantor em carreira solo. Em “PG3” era possível observar que algumas das faixas foram executadas com uma razoável freqüência durante os anos 80 nas apresentações ao vivo de Gabriel, na turnê de lançamento de Gabriel era possível observá-lo completamente careca, sinal de que era em razão a algum protesto em favor de causas humanas em especial sobre os assuntos que retratavam o álbum como um todo, e ora pra reforçar a situação ele era visto em muitas ocasiões vestido completamente de roupas pretas, o que demonstra mais ainda uma forma meio assustadora, agressiva e selvagem de como se resultou este trabalho.

Mais da metade deste álbum foi registrado ao vivo no primeiro trabalho de Gabriel, “Plays live” (1.983), além de servir em uma pequena base também para sua primeira trilha sonora chamada “Birdy – Asas da liberdade” (1.985), um filme de Alan Parker onde contracenam Nicholas Cage e Mattew Modine. Pela primeira vez desde quando ele se integrou no “Genesis” e no mundo cultural musical, conseguiu realizar um trabalho tendo autoria de 100% de todas as letras e a música e além também de ser um dos primeiros músicos ao lado do americano Stevie Wonder (afirma-se seguramente que Wonder foi o segundo a utilizar este instrumento) a usufruir do instrumento Fairlight CMI (Computer Musical Instrument) numa época em que os sintetizadores mais avançados de tecnologia eram mais explorados e este aqui no caso consiste basicamente de um computador com um teclado do qual ruídos originais podem ser digitalizados e criar melodias em forma de música, a “Shock the monkey” do álbum posterior, “Peter Gabriel 4” (1.982) – conhecido como “Security”, talvez é uma das canções de Gabriel que mais possui a presença deste instrumento, além de retratar as faixas procurando manter as letras na primeira pessoa do singular (Eu) em sua grande maioria nas 10 faixas que fazem parte do trabalho.

A remasterização do trabalho em CD é aprovada com muita tranqüilidade pela boa maioria dos fãs de Gabriel trazendo fotos inéditas da época quando foi realizado “PG3”. O único aspecto negativo do disquinho é que Gabriel além de não mencionar quem é quem em cada faixa (visto a sucinta quantidade de músicos participantes) e também não abusou em se tratando de trazer algum material bônus no disquinho em faixas como “Shosholoza” que é uma canção tradicional africana e apareceu em um dos compactos na época, ou de “I go swimming” que era originalmente instrumental depois recebeu letras e só foi lançada no primeiro álbum ao vivo de Gabriel, “Plays live”, ou de “Seascape” que seria uma espécie de “rascunho” de “We do what we're told (Milgram´s 37)” que estaria mais tarde no álbum “So”, ou de “Walk through the fire” que pertenceu a uma trilha sonora de muito sucesso chamada “Against in the odds” (1.984) do filme chamado “Hard to hold” ou entitulado como “Paixões violentas” onde contracenam atores conhecidíssimos como Jeff Bridges, Rachel Ward e James Woods e o tema principal da trilha sonora a música “Against...” foi composta por Phil Collins !!!!

Como citado anteriormente Gabriel executou um álbum em alemão, ou seja, cantado inteiramente em alemão pela primeira vez, saindo com exclusividade na Alemanha; quem é fã de Gabriel que já tem o trabalho executado nesta forma, aconselha se não tiver oportunidade de conseguir encontrar de ao menos escutá-lo, pois está perfeita a sua interpretação no idioma em alemão. O que diferencia neste caso em edição alemã é o seguinte dizer na capa encontrado em letras minúsculas “Ein deutsches album” escritas na cor verde, além do nome “Peter Gabriel” (a edição americana tem o dizer “Peter Gabriel” escrito em amarelo); e como se não bastasse na época saiu curiosamente um compacto com uma versão alemã da faixa de “Here comes the flood” do “PG1” entitulado nesse caso como “Jetzt kommt die flut”, um investimento que deve ter tido uma seriedade muito grande da parte de Gabriel pois no álbum posterior em “PG4” e foi lançado o álbum inteiro também cantado inteiramente em alemão.

A capa novamente foi elaborada pela empresa Hipgnosis a mesma que participou dos outros 2 álbuns anteriores de Gabriel e com uma afinidade de artistas como “Pink Floyd”, “Synergy” (projeto fundado por Larry Fast que participa aqui com Gabriel), “Brand X” (projeto fundado por Phil Collins que participa aqui com Gabriel), “Strawbs”, “Hawkwind”, “10CC”, “UFO”, “Yes” e entre muitos outros. Pela forma de como foi composto e elaborado o álbum praticamente representa a forma selvagem, sombria, fria e assustadora de como Gabriel resultou neste trabalho. Observe que inclusive pela terceira vez consecutiva o artista está aparecendo em imagens de preto e branco (tanto na frente como atrás da capa); claro que no caso de “PG1” o carro é de cor azul, mas Gabriel aparece pelo lado de dentro em fotografia preto e branco. Comenta-se que Gabriel teve uma dificuldade enorme em fazer a escolha da capa visto que havia aproximadamente 60 opções de escolha; como Gabriel escolheu uma ele aproveitou o momento e deu uma pequena manipulada própria em uma das fotografias resultando no que é observado na capa de “PG3”. Já dito anteriormente a edição inglesa não contém escrita alguma, enquanto que a americana observa-se o nome “Peter Gabriel” escrito em letras amarelas (a alemã como já se sabe escrito em letras verdes). A versão americana tem o nome “Peter Gabriel” no canto superior esquerdo (a versão brasileira é desta forma) enquanto que saíram outras no lado direito e algumas das versões inclusive a alemã pode observar o selo redondo com a fotografia da capa. No CD remasterizado podem ser encontrados fotos da época e da turnê realizada na época deste trabalho.

A produção teve pela terceira vez consecutiva também mudança: desta vez é o produtor Steve Lilywhite que é o responsável pela execução desta atividade neste trabalho de Gabriel. Lilywhite trabalhou ao lado de artistas como “Nucleus”, “Golden Earring”, “Status Quo”, “Siouxsie & the Banshees”, “XTC”, e seria também ao mesmo tempo em que tivesse esta única participação sua (e muito aprovada pelo público por sinal) em “PG3” sendo o único álbum que ele fez seu registro com Gabriel, o produtor da famosíssima banda irlandesa “U2” no lançamento de “Boy” no mesmo ano de “PG3” e já comentado anteriormente. A troca da produção de Fripp por Lilywhite realmente foi muito estratégica pelo visto, Gabriel não guardou rancor algum por Fripp embora até ter admitido que não gostou muito do resultado de “PG2” executado por Fripp de ter sido o produtor no álbum anterior (e também o guitarrista ao mesmo tempo), aqui o guitarrista participa e após o lançamento de “PG3” e no ano seguinte em 1.981, Fripp iniciaria as gravações no retorno de sua banda que fundou no final dos anos 60, o “King Crimson”, re-estreando o grupo no álbum “Discipline” tendo a participação de Tony Levin no baixo e que está presente aqui também neste trabalho de Gabriel e a partir de então excursionaria ao mesmo tempo tanto com Gabriel solo como com o “King Crimson” (até hoje nos dias atuais). Lilywhite tem um reforço na produção e este nada menos de Hugh Padgham na época muito inexperiente e iniciando a carreira apenas havia participado na banda “Split Enz”, no “XTC” e no “Yes” no álbum “Drama” (o único inclusive que possui a sua presença em termos de engenharia de produção de áudio e ao mesmo tempo que é o único sem a presença de Jon Anderson, um dos mentores deste grupo de rock progressivo, forte concorrente do “Genesis” durante os anos 70). Aqui vai uma ressalva a respeito deste profissional: não se sabe como através de que maneira ele chegou aqui neste álbum de Gabriel, sabe-se, entretanto que através das sessões de gravações feitas do trabalho onde Collins participou, ele foi convidado pelo baterista e cantor na época do “Genesis” a vir a atuar como produtor e engenheiro de som a partir de 1.981 tanto na elaboração e lançamento do álbum “Abacab” da ex-banda de Gabriel, assim como ao mesmo tempo que Collins iniciaria sua carreira solo em 1.981 com o lançamento do álbum “Face value”. Possivelmente Gabriel deve ter dispensado Padgham por observar que este profissional estava muito interessado (e até hoje) na música pop, coisa que durante a carreira de Gabriel o pop não foi explorado de uma forma estrondosamente exagerada ao extremo (a exceção do “So” que é uma situação à parte e uma outra estória) visto que Gabriel deveria imaginar que Padgham poderia ser uma espécie de Jonathan King, o fundador do “Genesis” desde os tempos do Chaterhouse nos anos 60 que tinha uma forte adoração pela música pop e manipulou praticamente Peter Gabriel e seus companheiros da banda a fazerem coisas que no fundo na época em que foi gravado e lançado o álbum estréia do “Genesis”, “From Genesis to Revelation” (1.969) fizeram contrariados pela vontade própria de King em especial.


“Intruder” – aqui inicia o primeiro lado do disco onde se retrata muito mais no que compete aos problemas do próprio indivíduo e como afeta o mesmo, os fãs de Gabriel poderão a partir daqui perceber que a grande parte de suas letras retratam na primeira pessoa do singular (Eu). “Intruder” foi uma das faixas que iniciavam boa parte dos shows de Gabriel durante o ano de 1.980 e o público percebia que ele e o restante da banda surgiam na parte de trás da multidão em meio de espaços em cor branca, com lanternas debaixo do queixo e pra complementar o cantor se vestia de roupas escuras e se encontrava completamente careca (antes que ele fosse observado novamente careca próximo de 1.999 quando o “Genesis” fez uma espécie de “reunião”), algo muito arrepiante para os espectadores na época. Há quem imagina que a faixa está relacionada sobre a sua forma estrutural musical em algo relacionado a poder, mas na verdade representa algo relacionado a alguma coisa assustadora originando medo, temor, invasão e como o próprio nome já sugere é um “intruso, invasor”. Muitos fãs aceitam ser a hipótese de uma invasão de privacidade na sua própria residência “I know something about opening windows and doors, I know how to move quietly to creep across creaky wooden floors” que significa “Eu sei uma maneira de abrir janelas e portas, Eu sei como movimentar silenciosamente e rastejar através de pisos de madeira rangentes” em inglês, ou seja, por mais que as pessoas possam encontrar as mais diversas formas difíceis para se protegerem de pessoas quem venham invadir os seus espaços, os intrusos (ladrões, assassinos, invasores ou algo semelhante) saberão como encontrar um meio de enganar a segurança, como na frase “Intruder´s happy in the dark” que significa “Intruso está feliz na escuridão” em inglês e isso implica também às vezes que o indivíduo por ora de tão tamanha a segurança que ele aplica em seu espaço pertencente se torne tão paranóico a ponto de imaginar que existe alguém dentro de onde vive sendo que não existe ninguém que esteja dentro da área que ele ache estando sendo invadida em momento e ainda mais como se não bastasse o horário é especialmente à noite (preferencial de um intruso comum). As letras finalizam com um invasor conquistando o seu objetivo “Intruder come and leave his mark” que significa “Intruso vem (venha) e deixe sua marca”. E o invasor vai mais além especialmente para quem é do sexo feminino que parece induzir que ele está retratando sobre um maníaco sexual, um voyeur ou um estrupador como incita a seguinte frase “I like the touch and the smell of all the pretty dresses you wear” que significa “Eu gosto de tocar e cheirar todos os vestidos bonitos que você veste”. No fundo o tal invasor talvez nem tenha o objetivo de fazer um roubo, assalto, assassinato ou violência sexual e sim apenas desfrutar os seus momentos ali dentro do local com a vítima a ponto de apenas deixá-la amedrontada e aterrorizada porque sabe que elas se resultarão nesta forma de comportamento. E a outra sensação do indivíduo é causar um desconforto porque quando o invasor se for não há um outro lugar sossegado que a pessoa possa continuar a viver. Gabriel aqui consegue atingir um ouvinte em sua emoção que relaciona ao medo especialmente quando se escuta a faixa num período tarde da noite e com as luzes do ambiente completamente apagadas como do jeito de um gostinho de um desses tipo “serial-killers” se bobear (se tampouco é este o objetivo que Gabriel teve ao escrever esta música). Musicalmente a faixa tem uma estrutura que futuramente chega a lembrar a “Mama” do álbum “Genesis” (1.983) do “Genesis” que um dia Gabriel foi integrante, além de “Golden promisses” do álbum “Black box” solo de Peter Hammill do “Van Der Graaf Generator” e até impressionantemente partes da faixa-título do álbum “Thriller” (1.982) do cantor Michael Jackson. A forma aparentemente das baterias que exerce uma tamanha força feita por Collins provavelmente lhe rendeu como uma espécie de lição que o baterista aproveitou o embalo logo de cara na estréia de sua carreira solo com o álbum “Face value” na faixa “In the air tonight” (é a primeira do álbum inclusive!!!!). Aqui vai uma curiosidade sobre o “Face value”: até a faixa “The roof is leaking” tem um ambiente muito semelhante com a “Mother of violence” de Gabriel em “PG2” demonstrando o quanto que Gabriel é um bom “professor” de criatividade e música. Percebe-se de início um ritmo contendo baterias tocada de uma forma muito fria e seca (já que o ouvinte perceberá que não tem partes metálicas) que aos poucos vai recebendo alguns efeitos sonoros de alguns ruídos (alguma coisa que está sendo puxada, cortada e rasgada – talvez arames de proteção). Gabriel então se apresenta com os seus vocais muito ásperos no meio de sintetizadores que induzem algo assombroso de algum fantasma ou coisa parecida. A parte em o cantor canta “Intruder´s happy in the dark” e especialmente a última palavra quando ele entende um pouco mais “daaaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrk” é muito adorada pelos fãs do músico além dos gritos “aaaaahhhhhhhhhhhhhhhaaaaaaaaaa”; observe que Gabriel suspira inclusive na frase “The sense of isolation inspires, inspires me”. O xilofone no meio das baterias que é algo relacionado à percussão tocado por Pert é muito pouco comentado, às vezes chega a lembrar o que Jamie Muir fez na sua participação no “King Crimson” em “Larks tongues in aspic” (1.973), mas a boa maioria dos ouvintes só se dá conta mais na presença da parte mais percussiva na faixa seguinte. No final escuta-se Gabriel assobiando parte da melodia (há quem diga que foi o produtor Lilywhite que fez o assobio neste final) no meio dos barulhos de arames e então a faixa ao poucos finaliza-se com o ritmo seco de baterias que deu entrada no álbum “PG3”. Uma versão ao vivo está disponibilizada em “Plays live” e, além disso, a banda “Primus” fez uma versão cover desta faixa que se encontra em um EP chamado “Miscellaneous Debris” (1.992) da qual quem já escutou gostou muito e achou melhor do que a original de Gabriel (!?) e curiosamente neste EP tem também uma cover de “Have a cigar”, do álbum “Wish you were here” (1.975) do “Pink Floyd”.

“No self control” – é uma faixa que retrata um tema abordando sobre um paciente desordeiro compulsivo obsessivo (doença conhecida como OCD), comete um erro fatal, luta contra si mesmo e percebe que impossível resistir na ação, se lamenta como alguém incapaz de parar de fazer coisas ruins e ficar amedrontado e assustado quando várias pessoas vêm ao seu encontra para puni-lo das coisas que fez de ruim. Ajunta gravidades como paranóia, esquizofrenia, alucinação, algo bem característico do psíquico de uma pessoa e o que ainda mais soma a isso tudo é também o suicídio dependendo da situação do indivíduo, o que motiva a um descontrole próprio como sugere a faixa que significa “Nenhum controle de si” já que busca por inúmeras alternativas para resolver, mas até em momento não consegue encontrar alguma que tem a frase tornando um Gabriel completamente dramático na representação “I don´t know how to stop” que significa “Eu não sei como parar” citada diversas vezes em inglês. Em uma entrevista logo após a turnê de “PG3” que se estendeu até outubro de 1.980, Gabriel comentou que elaborou esta faixa devido à tentação no uso de drogas (alucinógenas no caso) que até então na época ele confessou que usufruiu por duas vezes, a primeira foi quando o músico tinha 17 anos, mas provavelmente foi apenas no intuito de “curiosidade” que milagrosamente não deu continuidade talvez porque naquela época ele estava dando muito mais importância com a música e ao “Genesis”. A segunda ocasião foi na turnê mais recente do álbum “PG2” foi um tanto mais delicada a situação a ponto de Gabriel sentir seu corpo como a de um bêbado e ter seu coração a disparar muito rapidamente. Não se sabe ao certo, mas Gabriel se conscientizou por meio de duas formas: 1) vontade própria e aconselhamento de quem confidenciou bem de perto a situação de Gabriel 2) uma conversa com pessoas do Samaritano inglês, o mesmo trabalho feito por voluntários brasileiros que participam do CVV – Centro de Valorização da Vida, quem compartilham os momentos de vida que a pessoa está vivendo em momento e buscar suas próprias reflexões e soluções em uma simples conversa telefônica e é justamente o que acontece aqui nas letras de Gabriel no terceiro refrão da faixa “Got to pick up the phone, I will call any number, I will talk to anyone...” que significa “Consegui pegar o telefone, Eu ligarei em algum número, Eu falarei com alguém...” em inglês, gente como Kurt Cobain ou Ian Curtis sofreram algo parecido, mas lamentavelmente foram vencidos pelo descontrole próprio. Nos outros refrões o personagem já tem problema de fome e insônia respectivamente “Got to get some food .....Got to get some sleep” que siginificam “Consegui arranjar alguma comida....consegui ter uma dormida”. Imagine quantas coisas somadas iguais a essas, quantas preocupações somadas além destas possam tornar alguém completamente fora do contexto da realidade, em ficar perdido completamente sem ter como, quem e quando voltar a sua normalidade. Musicalmente tem uma estrutura um tanto semelhante com a da faixa anterior sobre a forma que são tocados os instrumentos musicais; os destaques são as marimbas tocadas por Pert, a guitarra elétrica tocada por Rhodes como se fossem um trompete no momento em que ele faz riffs de guitarra e a voz de Gabriel é claro que também reforçando a selvageria, agressividade e temor que representam em sua letras através de seus vocais. Esta faixa tem uma versão ao vivo em “Plays live”, assim como foi tocada durante toda a década de 90 e foi também selecionada para fazer parte de uma trilha sonora de um seriado criado em 1.994 da NBC chamado “Homicide: Life on the Street” do diretor Barry Levinson.

“Start” – é a menor faixa do álbum com pouco menos de 1:30 minutos de duração. Instrumental ela praticamente é como se fosse uma introdução da faixa seguinte como se fosse uma espécie de interlúdio. Provavelmente mesmo com um tamanho muito pequeno é a melodia mais calma e tranqüila do álbum todo e o destaque é inteiramente de Morrissey no saxofone do início ao fim sendo este músico o principal que vai mantendo um ambiente sonoro gostoso até deixar em expectativa o ouvinte tendo no fundo um teclado e simples linhas de toques do baixo. Gabriel deve ter colocado esta faixa com um simples intuito de preencher o álbum, e geralmente é um tanto ignorada e adorada pelos ouvintes deste álbum, por outro lado mesmo sendo calma e tranqüila a melodia é no fundo um tanto “fria”. O “Genesis” gravou uma faixa chamada “Guide vocal” (embora possui letras) no álbum “Duke” que dá a sensação de ser uma espécie de introdução da faixa posterior “Man of our times” e também possui praticamente o mesmo tempo de duração desta instrumental de Gabriel.

“I don´t remember” – a tranqüilidade e calmaria repentinamente são interrompidas pelas baterias recebendo o baixo de Levin, que por sinal o baixista é um dos destaques da faixa devido à forma que ele toca como se fosse numa espécie de loop em meio a toques de baixo em formas de riffs repetitivos, os ouvintes gostam muito desta faixa justamente por essa presença de Levin fazer essas linhas de baixo desta maneira. Tão logo as guitarras surgem, que pela forma de como foi gravada existem 2 guitarristas aparentemente tocando (Weller e Gregory) sendo um fazendo a guitarra base e o outro a guitarra solo e são executadas de uma maneira que parece que rasgando algo e ora é observado como se fossem choques elétricos. A canção no fundo tem até que uma estrutura muito simples e repetitiva e lembra algo que o “Genesis” faria na instrumental “Second home by the sea” do álbum “Genesis”. Observe também que Gabriel dá algumas resmungadas durante a faixa e alguns gritos como se fosse estar com medo ou receio de alguma coisa, algo que esteja lhe incomodando e lhe preocupando ao mesmo tempo, isso sem contar novamente que próximo do final da faixa ele interpreta de uma maneira muito selvagem e com muita raiva. O final da faixa mantém o ouvinte sob o efeito de um ruído sonoro que é uma espécie de alarme. A faixa retrata a respeito de um indivíduo que sofre de amnésia ou de alguém que se preocupa com si (ou não ?) sobre seu passado e o mesmo e é perseguido pelas autoridades onde no refrão principal da faixa “I don't remember, I don't recall, I got no memory of anything at all” que significa “Eu não me lembro, eu na me recordo, eu fiquei sem memorizar de tudo quanto é coisa” em inglês. Percebe-se que quanto mais o indivíduo (até Gabriel representando nos vocais) prediz em citar as frases, ele vai ficando cada vez mais neurótico tomado conta pelo nervosismo, como que se alguém cobrasse perguntas sem respostas e que correrão o risco de ficarem sem respostas!!!! O próprio ser humano em si no seu dia a dia sofre com isso (os seres humanos possuem uma “amnésia natural” de não se recordarem de determinadas coisas), mesmo uma pessoa em condições normais, de forma natural, não lembrar de algo que ora possa ser de grande ou pouca importância em sua vida; quando o indivíduo é questionado por algo que não se recorda e se é uma personalidade delicada, o mesmo age como se estivesse em meio de um confessionário para posteriormente ser julgado. Observe que parece que Gabriel criou uma espécie de seqüência onde em “Intruder” representa um invasor que gosta de assustar as pessoas depois tem-se “No self control” que retrata o desordeiro que faz coisas erradas (poderia ser o invasor) e finalmente em “I don´t remerber” que é detido e se esquece de tudo aquilo que fez anteriormente. No vídeo desta música observa-se Gabriel correndo de pessoas malucas e estranhas vestidas com ternos em branco. Uma versão se encontra ao vivo no “Plays live”, além de sair num primeiro compacto antes mesmo que o álbum “PG3” estivesse nas lojas. Um australiano chamado Daryl Braithwaite gravou esta faixa de Gabriel que está num álbum intitulado como “Edge” (1.988).

“Family snapshot” – possivelmente esta é uma das faixas de “PG3” que Gabriel trabalhou muito bem mais porque justamente é a que contém mais letras além de não repetir em refrãos e ao mesmo tempo em que é muito adorada, apreciada e bem recebida pelo público. A inspiração de Gabriel em termos de letras é a mais rica aqui podendo ser até um dos pontos culminantes do trabalho o que tornou sendo uma das faixas que Gabriel vez ou outra ainda apresenta no momento presente. É considerada como a “balada” do “PG3”, uma das músicas que também além de cativar os ouvintes gera em uma emoção muito enorme. Só para se ter uma idéia durante a década de 80 quando Collins (que participa deste álbum e está tocando baterias nesta faixa) em sua carreira solo foi questionado sobre ter atuando em “PG3”, ele comentou que gostou muito da faixa e gostaria de fazer e escrever algo parecido como em “Family snapshot”. Gabriel baseou as letras com muita inteligência em cima de uma história real sobre um psicopata chamado Arthur Bremmer que premeditou um atentado contra o governador do estado do Alabama nos Estados Unidos em 16 de maio de 1.972 num comício, algo muito parecido com o assassinato do presidente americano John Fitzgerald Kennedy que foi atingido por 2 disparos (uma na garganta e outra na cabeça) feitos por Lee Harvey Oswald em 22 de novembro de 1.963 em Dallas, no estado do Texas. No caso de Wallace em relação a Kennedy a situação foi diferente uma porque não ocorreu a morte e foi atingido no estômago e outras 2 pessoas também ficaram feridas que ocorreu em 1.972 e a outra porque no caso de Kennedy o acontecimento se deu por fins políticos, e o de Wallace por Bremmer com a obsessão de se tornar famoso como na frase “I don't really hate you, I don't care what you do, We were made for each other, Me and you" que significa “Eu não odeio você, Eu não me incomodo no que você faz, Nós somos feitos um para o outro, Eu e você” em inglês. No caso de Bremmen a premeditação do assassinato foi muito mais fácil e mais esperta o suficiente para observar no noticiário noturno da televisão a ponto de que a grande maioria das redes de canais de televisão estariam ali no dia que Wallace fizesse a sua passeata “All you people in TV land” que significa “Todo pessoal em um mundo da TV” em inglês. Gabriel pensou inclusive em retratar as letras baseadas no caso Kennedy, mas ele desistiu da idéia porque ele acredita que este assassinato tem muito mais pessoas envolvidas e não apenas Oswald (como alguém de dentro da CIA e o FBI, por exemplo), e já o de Wallace é certo de que seje apenas Bremmer e mais ninguém. Incrivelmente como Gabriel descreve a precisão deste atentado em detalhes desde a observação do político vindo em sua direção, a sua concentração no tiro e a realização do disparo nesta faixa que se percebe nas frases “They're coming 'round the corner with the bikers at the front...And the governor's car is not far behind...Cos there he is-the man of the hour, standing in the limousine...Holding my breath, Release the catch, And I let the bullet fly” que significa “Eles estão chegando próximo da esquina com ciclistas na frente...E o carro do governador não está tão distante atrás...Porque lá está o homem do momento, permanecendo na limusine...Prendendo minha respiração, Realizo a tramóia, E deixo a bala voar” em inglês. Por que o psicopata Bremmer resolveu premeditar a cometer um assassinato igual a este sobre a forma de chamar a atenção de muitas pessoas ? Porque na realidade o segredo está na última frase citada “And I let the bullet fly” de uma forma que é como se Bremmer estivesse olhando bem de frente aos olhos de Wallace dando o tiro e em coisa de instantes ele recordar a sua triste infância que ele teve com seus pais que nunca davam uma atenção a Bremmer quando criança (último refrão da faixa). Imagine uma situação tamanha em então que causar um alarde igual a estes se qualquer familiar não iria prestar atenção só no falta de tentar não acreditar que tal calamidade foi causada por um ente próximo da família e ainda mais quando o mesmo mora num mesmo teto. Será que Bremmer era no fundo um psicopata ? Já citado anteriormente é no último refrão da faixa onde há frases que demonstram o quanto um indivíduo igual a este era muito deprimido a quem estava próximo como demonstra as frases “Come back Mum and Dad, You're growing apart, You know that I'm growing up sad, I need some attention” que significa “Voltem mãe e pai, vocês estão crescendo separadamente, vocês sabem que eu estou crescendo entristecido, Eu preciso de um pouco de atenção” em inglês. Observe que possivelmente os pais de Bremmer estariam divorciados. Em relação sobre atentado e assassinatos, Gabriel certa vez comentou numa entrevista logo após a turnê de “PG3” que observou um documentário do ex-presidente americano Ronald Reagan num comício onde por trás dele tinham muitos cristãos evangélicos que pareciam pregar raivosamente contra homossexuais, pessoas a favor do aborto, hippies e qualquer um que o presidente pudesse demonstrar uma contrariedade de pensamento sobre estes cristãos (e até mesmo Reagan) não demonstrando nenhum conservadorismo religioso por parte destas pessoas e sim ódio, preconceito e raiva. Vale lembrar que em dezembro de 1.980, o ex-integrante e fundador do “The Beatles”, John Lennon, seria assassinado por um fã da banda chamado Mark David Chapman, além de que no ano seguinte em 1.981 ocorreriam 2 outros atentados com pessoas conhecidas: o presidente americano Ronald Reagan e o Papa João Paulo II (falecido em abril de 2.005); veja que todos estes episódios chocaram e comoveram o mundo inteiro. Será que os atiradores escutaram esta faixa de Gabriel depois que o álbum “PG3” foi lançado em maio de 1.980 ? Musicalmente a faixa pode não ser uma das melhores coisas que Gabriel compôs, mas as letras praticamente fazem os fãs não se incomodarem nem um pouco se ela possui uma estrutura simples. Ela inicia muito calmamente com Gabriel tocando o piano e aos poucos ele vai desenvolvendo a música fazendo com que os outros instrumentos vão surgindo deixando a faixa de uma forma tensa que as baterias e o saxofone também acabam se apresentando até que quando Gabriel diz a palavra “flyyyyyyyyyyyyyyyyy” desta maneira volta à calmaria e aos poucos o cantor vai ficando novamente sozinho apenas com o piano e então finalizando a música. Em uma das apresentações da turnê na Inglaterra, Gabriel anunciou que iria tocar a “Family snapshot” então quando tocou a primeira nota um público antecipado começou a aplaudir o músico até que ele parou agradeceu a platéia se concentrou e tocou a primeira nota e novamente o público retornou a aplaudir o músico até que ele interrompeu agradecendo novamente mais tímido e assim sucessivamente mais outras 3 vezes a mesma situação pra enfim tocar a música de vez. Existe uma versão ao vivo no álbum “Plays live” e o trecho introdutório da música foi reaproveitado no álbum da trilha sonora “Birdy”. Repare que inclusive Gabriel utilizará a palavra “family” novamente em outro título de música, no próximo álbum, “PG4” intitulando como “The family and the fishing net”.

“And through the wire” – é uma das faixas que não é muito adorada pelos fãs, mas ainda assim ela assume uma estrutura musical característica da entrada dos anos 80. O destaque é Weller nas guitarras que tem novamente Gabriel retornando de uma forma agressiva em termos de sonoridade em meio a um ritmo funk. Lamentavelmente pouquíssimos fãs percebem que Gabriel aqui neste caso contribuiu tocando um tamborim e as partes metálicas, apesar de serem muito discretas na faixa (e em especial no álbum inteiro do “PG3”), aparecem o que torna uma possibilidade de uma boa parte dos fãs de Gabriel talvez não adorarem por este motivo, ou seja, tirou o álbum de um objetivo e uma rotina por completo. Um outro motivo a desgosto dos ouvintes pode ser que Gabriel exagera dizendo diversas vezes o nome do título da faixa. Uma das frases que o público gosta muito é a frase “I want you” em que ele estende um pouco mais as 3 palavras quando canta e é preenchida pela melodia principal da introdução da faixa que inicia com um piano ao fundo junto com um teclado mantendo o ouvinte em expectativa; a outra é a frase final “We get so strange across the border” no qual cita diversas vezes bem melancolicamente sem contar que Gabriel parece ter na voz uma energia elétrica como se fosse falar igual a um choque elétrico. A música também lembra muito aquilo que Gabriel havia feito em “Modern love” em “PG1” ou “Perspective” em “PG2”. Para muitos é um tanto confusa, tem um meio termo: para uns a faixa retrata algo a respeito de comunicações, o poder da tecnologia (“Wire” significa fio/cabo é expresso neste caso como telefone), sobre um mundo em que vivemos onde dependemos de conversar através do telefone (ou internet) em que ao mesmo tempo aproxima as pessoas sejam de diferentes lugares, nações ou raças, também afasta os seres humanos como, por exemplo, fazer compras sem ter o mínimo de confiança ou ser não ser bem atendido por um robô ou pessoa que atua numa central de telemarketing ou SACs (Serviços de Atendimento ao Consumidor). É também imaginar e esperar que as expressões do rosto das pessoas possam ser da mesma forma como é do outro lado que responde. Para outros fãs de Gabriel a faixa representa algo sobre um assassino obsessivo por alguém “I talk in pictures not in words, overloaded with everything we said” que significa “Eu falo em fotografias e não em palavras, sobrecarregadas em tudo que nós dissemos” em inglês. Difícil definir, mas se o objetivo de Gabriel pelo contexto geral do álbum em termos de assuntos e temas é mais possível que seje referente ao assassino no caso. O que acreditava-se que as músicas de Gabriel neste álbum só haviam sido gravadas em exclusividade apenas em alemão, se enganou, porque existe uma versão cover desta faixa que foi gravada por um francês chamado Jean-Claude Bono num álbum que gravou em 1.983 intitulado como “Bono” e a faixa neste caso se chama “Par le trou du voyeur” onde curiosamente está presente o guitarrista Steve Hillage (junto com a sua parceira Miquette Giraudy, que é francesa também!!!) e que foi do “Gong”, esta por sinal uma banda francesa fundado pelo australiano Daevid Allen.

“Games without frontiers” – o outro lado do disco aborda com assuntos relacionados com causas sociais e inicia com uma faixa em que Gabriel retira da rotina a aquilo que consistiria em não utilizar as partes metálicas das baterias e percussão, a mesma situação da faixa anterior, mas nesse caso aqui é uma percussão eletrônica que apresenta os ruídos de partes metálicas das percussões; pela primeira vez Gabriel usufrui de equipamento eletrônico como o drum-machine. Saiu no primeiro compacto na época antes do álbum “PG3”, alem de mais um outro segundo e mais um terceiro lançado em edição alemã. Sob essas condições pela primeira vez durante a carreira solo de Gabriel ele consegue entrar nas paradas americanas e é atinge a quarta colocação na Inglaterra. Diga-se de passagem, que a faixa já havia sido escrita por Gabriel desde a época de “PG1” intitulado como “Massive attack” e mais tarde posteriormente foi melhorada em termos musicais. Retrata a respeito de uma espécie de jogo chamado “It's a Knockout” (Gabriel cita inclusive esta frase na música) que surgiu nos anos 70 que tem como objetivo uma interatividade (ou uma “guerra” saudável) entre nações onde as pessoas se vestem a caráter (fantasias em especial) dependendo de seu país de origem “Dressing up in costumes, playing silly games” que significa “Vestindo se em trajes a rigor (fantasias, roupas a caráter), brincando de jogos tolos” em inglês. Ao mesmo tempo imagina-se as letras tratam sobre conflitos entre raças, preconceitos, desavenças entre as mesmas tanto culturalmente como socialmente o que isto tornaria a originar uma guerra entre as nações (ou de guerras e conflitos que já existiram ao redor do planeta). São observados diversos nomes de pessoas na faixa de nações ao redor do mundo: Hans, Lotte, Jane, Willi, Suki, Leo, Sacha, Britt, Adolf, Enrico (“Adolph builds a bonfire, and Enrico plays with it” - estes 2 últimos os ouvintes associam como o nazista Adolf Hitler e Enrico Franco da Guerra Civil espanhola), André, Chiang Ching, Lin Tai Yu, entretanto os nomes são incitados como de crianças e não de adultos, ou seja, crianças fazendo guerras (mas neste caso trata-se de competição) porque quando elas crescerem ao longo do tempo as mesmas tentarão se refletir que o mundo é muito melhor para se viver em paz e harmonia. O destaque é de Kate Bush (os ouvintes gostam muito, especialmente para tentar descobrir o que ela está falando nesta frase que não é em inglês) que canta a frase “Jeux sans frontieres” em francês que significa “Jogos sem fronteiras”, o título da faixa, o mesmo jogo também já existiu na França com o nome que Bush canta. Musicalmente a faixa que já comentado anteriormente apresenta Gabriel preparando-se no estúdio como se fosse gravar a faixa (“One, two, one two, four”) e colocando uma percussão eletrônica que tem um ritmo meio de funk junto com uma outra percussão acústica e as guitarras que é meio estilo reagge. Depois da parte meio reagge existente nos 2 refrões da faixa quando Gabriel diz as 4 frases contendo a palavra “whistling” que significa “assobiando” em inglês (“Whistling tunes we hid in the dunes by the seaside” por exemplo), observa-se um assobio que na verdade é um sintetizador sendo tocado pelo próprio Gabriel e percebe-se que é um assobio bem característico de como se fosse uma melodia de uma tropa do exército marchando, por exemplo. Uma das canções memoráveis do músico que atravessou a década de 80 tocando nas FMs o quanto foi possível.

“Not one of us” – esta é uma das faixa que tem um público dividido. Retrata algo sobre alienação e etnia em explorar como um grupo ou raça pode reagir com outros grupos ou raças não observam ou agem de uma forma muito idêntica e sim completamente diferentes. As letras aqui no caso retrata sobre alguém sendo rejeitado, separado ou excluído de uma multidão justamente por causa de sua raça, ou crença religiosa ou também porque ela pensa completamente diferente de toda a humanidade existente no planeta como se fosse um alienígena o que torna o mesmo numa situação muito infeliz e triste como sugere na faixa “It's only water in a stranger's tear” que significa “É apenas água numa lágrima de um estranho” em inglês. Há também a opressão social contra o indivíduo porque a verdade doa a quem doer e muito claro quando Gabriel cita "How can we be in if there is no outside?" que significa “Como nós podemos estar dentro se não há nada do lado de fora?” em inglês. Musicalmente a faixa apresenta Gabriel meio rindo de algo junto com mais alguém e confuso com alguma coisa até que entram as guitarras junto com o baixo e o vocal de Gabriel novamente meio selvagem “Aaaaaaaaaahhhhhhhhhhaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh” e surgindo junto com as baterias de uma forma crescente lembrando até uma tribo “O-oo-oo-oo-oo-oo-oo-oo-oo....” quando por finalmente ele surge citando as letras da faixa. Destaque para o tema final que vai ficando de forma meio crescente e ás vezes lembra um trem chegando. O mesmo tema foi reutilizado na trilha sonora “Birdy” e a faixa foi tocada no set-lit de Gabriel durante toda a década de 80.

“Lead a normal life” – é uma faixa semi-instrumental do álbum com Gabriel citando 6 frases e mais nada durante os seus pouco mais de 4 minutos de duração. É outra faixa que divide muito o público sobre a sua adoração, talvez por ela ser relativamente instrumental e muito simples como os ouvintes pensam tornando a mesma uma composição fraca do álbum sem muita coisa interessante, o curioso é que da forma que foi gravada não aparenta ser uma canção que representasse os anos 80 em que Gabriel estava entrando aqui com a chegada deste álbum e, além disso, saiu em 2 compactos gravados pelo músico. Embora tem elementos que estão atrelados ao experimentalismo, a melodia em si é muito calma e tranqüila. Aqui nós temos 2 destaques que praticamente prevalecem à música instrumentalmente: o primeiro são as marimbas tocadas por Pert em boa extensão da faixa e que formam a melodia junto a simples notas de piano tocadas por Gabriel quando repentinamente o músico canta as frases de uma maneira de como que se estivesse fazendo uma conversação natural com o ouvinte, posteriormente as marimbas junto com as notas de piano retornam e novamente são interrompidas por alguns gritos muito distantes de Gabriel. A melodia retorna novamente pela terceira vez e observa-se ruídos de guitarra aparentemente de Robert Fripp com seus frippertronics em meio de sons que ora lembra o que ele faria no “King Crimson” no álbum “Discipline” no meio da faixa “Thela Hun Ginjeet”, ora lembrando aqueles ruídos de vídeo-game finalizando a faixa. Liricamente tem um significado muito grande para as pessoas que gostam de Gabriel e são muito emotivas. Gabriel aqui pode ser caracterizado como um ser humano que se preocupa muito com as doenças humanas e neste caso a faixa retrata sobre a sanidade mental de um indivíduo. Repare que não é a mesma situação que ele retrata sobre doenças relacionadas com a mente em “No self control”, “I don´t remember” ou “Family snapshot”, aqui é completamente diferente, parece que a insanidade e esquizofrenia são as principais causas do sofrimento do personagem da faixa e mesmo ela tendo 6 frases (Gabriel já havia retratado algo semelhante na faixa “Humdrum” do “PG1” sobre defender as pessoas dos psicanalistas só que ali a letra já é um tanto maior diferente daqui que contem uma quantidade menor de texto) não deixa de criar uma forma que torne a faixa também um ambiente pesado na forma de tema, pois afinal a esquizofrenia e insanidade são palavras que criam um temor no ser humano, ou seja, quem desejaria ter uma personalidade dessas? O tratamento é puramente delicado se for muito bem avaliado que faz com que a pessoa dependendo do caso ser levado em sanatórios e o ambiente de locais como estes tem de abrigar confortavelmente estas pessoas que possuem sintomas citados anteriormente como, por exemplo, na frase “It's nice here with a view of the trees” que significa “É legal aqui com a vista das árvores”, sem contar que o local onde estão os profissionais que abrigam estas pessoas tem uma grande esperança de que a ajuda seja qual for necessária elas saiam e vão embora deste local de tratamento com uma saúde muito melhor. Foi tocada apenas na turnê do álbum na época. É um tipo de faixa que lamentavelmente não foi reaproveitada na trilha sonora do filme “Birdy” que tem muito a ver o enredo da estória com o tema desta música.

“Biko” – a maior faixa do álbum com quase 7:30 minutos de duração, além de ser a vedete do álbum é também provavelmente considerada como um dos épicos criados por Gabriel em sua carreira solo dando uma vital importância na carreira deste músico até então. É também uma das músicas que incentivou Gabriel a atuar com a música de terceiro mundo porque ao invés de apresentar o rock, categoria da qual Gabriel iniciou a sua carreira no “Genesis”, o músico apresenta uma melodia puramente africana contendo tanto cantos e corais tradicionais e a percussão (quase não apresenta baterias, apenas em pequenos momentos eventuais e ainda assim dando a impressão de ser apenas percussão comum) e pode ser considerada como uma canção muito representativa que se encaixou no mundo do rock inclusive porque é adorada e cantada tanto por aquelas pessoas que são ou não fãs de Gabriel, assim como aquelas que conhecem ou não a carreira musical de Gabriel, ainda que emotiva muitos ouvintes sobre a forma de como foi elaborada musicalmente. O tema de “Biko” retrata novamente de assassinato que completa os assuntos que Gabriel tentou corresponder com lógica neste álbum: invasão, desordem, paranóia, suicídio, amnésia, atentado, guerra entre raças, insanidade e assim por diante. “Biko” é ao mesmo tempo tanto um atentado como assassinato e da mesma forma que compõe o enredo de “Family snapshot” que foi um acontecimento verídico, aqui também foi um outro acontecimento real, mas que gerou muito mais polêmica mundial (do que no caso de “Family snapshot”) e correndo notícias mundo afora dando mais abertura para que a humanidade começasse a pensar diferente com mais união, pois era de um ativista africano chamado Steven Biko (Gabriel tornou esta canção num tributo e ao mesmo tempo um protesto em favor a Biko), torturado e assassinado dentro de uma cela de prisão (aparentemente Biko havia sido preso pelas autoridades policiais considerado pela justiça local interpretado como um “baderneiro” pelo que ele considerava ser justo a ser feito pela raça negra) em 12 de setembro de 1.977 (1 dia depois da data do atentado que chocou o mundo nos Estados Unidos em 2.001 !!!!!!!!) na África do Sul, justamente onde ele estava liderando um movimento contra o regime do Apartheid (algo como separar a raça branca da raça negra – detalhe: o continente africano praticamente é predominado em sua grande parte pela raça negra), sendo que as autoridades da polícia secreta da África do Sul sabiam das causas da morte, mas argumentavam que era sobre uma doença e causas naturais, isso contribuiu ainda mais com a ira e a raiva da multidão e das pessoas ao redor do mundo (comenta-se que Gabriel estava confortavelmente dentro de uma banheira quando escutou a notícia). Gabriel cita na faixa detalhes no início da faixa em seu primeiro refrão sobre o fatal acontecimento dizendo data e local “September '77, Port Elizabeth weather fine, It was business as usual, In police room 619”. Biko sacrificou sua vida aos direitos da desvantagem humana e a desigualdade social e política e não foi em sacrifício em benefício de uma raça, mas sim da raça humana de maneira geral. Biko é um exemplo de personalidade com mesmos ideais que estava muito próximo de um outro líder ativista americano também assassinado em 1.968 nos Estados Unidos chamado Martin Luther King Junior. “Biko” é um claro exemplo que demonstra que o “Genesis” não conseguiria expressar e interpretar esta música que Gabriel escreveu porque não tem proposta alguma de uma banda que fazia rock progressivo e o fundador da mesma, Gabriel demonstrava propostas com a música de terceiro mundo e o “Genesis” se tivesse gravado coisa semelhante correria o risco de ser duramente muito criticado tanto pelo público como pela crítica. Pode se perceber o quanto de interesse Gabriel estava tendo sobre causas sociais e se preocupando com as mesmas como deixa claro na frase “When I try and sleep at night, I can only dream in red. The outside world is black and white with only one color dead” que significa “Quando eu tento dormir a noite, Eu posso apenas sonhar avermelhado. O mundo afora é preto e branco somente com uma cor morta” em inglês, ou seja, ele se refere que o “avermelhado” é referente ao sangue de alguém que nesse caso é assassinado e induzindo que este assassinato teve uma raça com uma determinada cor de pele extinta de uma maneira geral. Desde que foi escrita por Gabriel e executada em “PG3” foi tocada na maioria das turnês que o músico organizou e até tocada nos dias atuais, saindo em 2 compactos da época e sendo um deles na versão alemã e um outro que saiu em 1.987 devido à representação que Gabriel fez estando no show da Anistia Internacional que iniciou em junho de 1.986 (nessa época Gabriel havia lançado o álbum “So”) e estendendo no ano posterior (o Brasil também recebeu Gabriel nesta época). Musicalmente a faixa tem uma estrutura relativamente muito simples que inicia com um canto africano com uma melodia demonstrando pessoas tristes em protesto até que a percussão inicie numa forma rítmica muito simples que será repetitiva até o final da faixa e recebendo Gabriel nos vocais com acordes de guitarras bem selvagens citando nos 3 refrões as palavras “Yihla Moja” que em africano significa algo mais ou menos parecido como “deixe o espírito descer”. No meio da faixa na parte instrumental pode se observar à sonoridade de uma flauta de fole escocesa tocando a melodia de “Biko” muito entristecedora. Próximo do final da faixa observa-se um outro canto sul africano muito triste conhecido como “Die Stem” cantado novamente para o encerramento da faixa que se observa uma batida seca, áspera e dura que é como se fosse uma porta de prisão (ou cela de delegacia) do responsável que assassinou Biko finalizando de vez o álbum “PG3”. Detalhe: apesar das percussões serem simples, no fundo elas são realmente muito “secas” não sendo muito recomendadas para escutar em volume alto com fones de ouvido e especialmente aqueles que são meio forma lembrando uma espécie de “agulha” entrando direto no orifício auricular podendo causar profundas dores nos tímpanos e levando a surdez o ouvinte com o passar do tempo. Existe uma versão ao vivo de “Biko” em “Plays live”.