
Inglaterra, 1980.
Músicos:
Peter Gabriel - vocal principal, piano,
sintetizadores
Phil Collins - baterias
Jerry Marotta - baterias, percussão
Morris Pert - percussão
John Giblin - baixo
Larry Fast - baixo sintetizador.
Tony Levin - stick, baixo, vocais de fundo
Dick Morrisey - saxofone
David Rhodes – guitarras elétricas, vocais de
fundo
Paul Weller, Robert Fripp, Dave Gregory -
guitarras elétricas
Kate Bush – vocais de fundo
Músicas:
1. Intruder – 4:52
2. No self control – 3:52
3. Start – 1:20
4. I don't remember – 4:35
5. Family snapshot – 4:25
6. And through the wire – 4:56
7. Games without frontiers – 4:01
8. Not one of us – 5:19
9. Lead a normal life – 4:12
10. Biko – 7:25
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Peter Gabriel
Peter Gabriel
3
Dados da resenha:
Comente e veja outras opiniões
aqui.
Em 1.979, quando Peter
Gabriel estava prestes a finalizar a turnê de
seu segundo álbum solo intitulado como “Peter
Gabriel 2” (1.978), ou também conhecido
popularmente como “Scratch” que significa
"arranhão" em inglês devido à capa do álbum
mostrando Gabriel fazendo um arranhão com os
dedos de suas mãos, surgiria naquele ano esboços
de um terceiro álbum intitulado como “Peter
Gabriel 3” e também popularmente seria conhecido
como “Melt” já que na capa do trabalho
apareceria o rosto de Gabriel parcialmente
derretido, como sugere a palavra em inglês.
“PG3” estaria em mãos do público e da crítica em
maio de 1.980 (quase 2 anos após o lançamento de
“PG2”) e com o material que Gabriel possuía
nesta época foram lançados 5 compactos e um
álbum do “PG3” editado puramente com
exclusividade na Alemanha cantado por Gabriel
inteiramente em alemão.
Gravado em estúdio e também na sua residência,
foi lançado pela Charisma Records, a mesma que
manteve Gabriel desde os seus tempos no “Genesis”,
banda da qual fundou no final dos anos 60, além
de sair pela Mercury Records, Geffen Records e
Virgin Records. Aqui vai uma informação com
respeito à gravadora Atlantic Records: existem 2
hipóteses dela não ter manifestado o seu
interesse quando “PG3” foi lançado em mercado; o
primeiro pelo fato de que o álbum anterior “PG2”
mesmo ter alcançado uma boa posição nas paradas
inglesas alcançado o posto n.10, ainda assim a
Atlantic Records se sentiu insegurança em
continuar com Gabriel, o segundo por ela já ter
em posse o prévio material que Gabriel iria
realizar em “PG3”. Com essa desistência
antecipada, a gravadora simplesmente não
percebeu que fez um dos seus maiores vacilos com
o músico sendo que a Mercury Records teve a
felicidade de ter um álbum que representasse a
década de 80. Em CD foi lançado em 1.990, 1.999
e 2.002 e as versões saíram tanto remasterizada
tendo uma grande maioria dos ouvintes muito
satisfeitos. Para a felicidade dos brasileiros a
edição saiu em edição nacional em vinil na época
e foi relançado em 1.988 e 1.989 (atenção:
muitas unidades saíram sem as letras portanto, é
preciso um mero esforço na procura se a pessoa
quer que venha este encarte junto com o disco),
sendo que é possível encontrá-lo também no
disquinho lançado em 1.992.
Veja que naquele ano de 1.980, também seriam
realizados as gravações dos álbuns "Duke" do "Genesis",
álbum que o grupo já se encontrava como trio e
não um quinteto originalmente. Ao mesmo tempo
temos também Steve Hackett, guitarrista dos
tempos áureos do “Genesis” quando ainda estava
Gabriel lançando seu álbum solo chamado “Defector”,
o guitarrista original e fundador do “Genesis”,
Anthony Phillips lançando o álbum “Private Parts
& Pieces II: Back to the Pavilion”, sem contar
com a estréia de Mike Rutherford, outro membro
fundador do “Genesis” e contrabaixista/guitarrista
do grupo lançando “Smallcreep´s day”. Este
último artista inclusive convidou Phillips para
ajudá-lo na sua estréia deste seu álbum.
O ano de 1.980 para Gabriel implicaria numa
mudança muito importante em sua vida, ele
fundaria o WOMAD (World of Music, Arts and Dance
– Mundo da música, arte e dança) que seriam
festivais representativos trazendo artistas
através do mundo promovendo a arte da música e
cultura na sua forma tradicional e original do
próprio país, não necessariamente uma música
folk em si, mas sim, a música que retrata uma
determinada raça humana de uma determinada nação
mundial independentemente do continente do
planeta, tudo porque foi muito inspirado sobre
este trabalho que Gabriel experimentou com
respeito à música africana. Isso também
implicaria que Gabriel neste mesmo ano fundaria
um selo chamado Real World Records. Nomes muito
incomuns seriam com o tempo associados com Peter
Gabriel, que em um dia os ouvintes do “Genesis”,
de uma banda britânica de rock progressivo até
começariam a dar uma chance de poder ingressar a
sua admiração ainda mais por Gabriel com
artistas sensacionais que pertenceriam a este
selo, meramente focado exclusivamente a chamada
música de terceiro mundo; alguns exemplos como o
paquistanês Nusrat Fathed Ali Khan, o senegalês
Doudou N´Diaye Rose, a tibetana Yungchen Lhamo,
o queniano Ayub Ogada e até mesmo a brasileira
Daude que estreou recentemente em 2.003 com o
lançamento do álbum “Neguinha te amo”
representando o Brasil pela primeira vez no selo
fundado por Gabriel desde 1.980.
Nesta década e as subseqüentes Gabriel seria um
artista que mundialmente, sendo um roqueiro mais
associado pelos ouvintes que conhecem e tiveram
oportunidade de conhecer sua música, seria um
representante de forças ativistas com relação à
raça humana, ou seja, participaria de grandes
festivais, como por exemplo, o da Anistia
Internacional e também dos Direitos Humanos
realizados especialmente na década de 80.
Estaria ao lado nestas apresentações com outros
grandes nomes como Sting do “The Police”, Bono
Vox do “U2”, Bryan Adams, Trace Chapman e entre
outros. O ano de 1.980 também indicava que algo
estava mudando, talvez porque estava entrando
obviamente uma outra década, e ao mesmo tempo no
mundo da música neste ano alguns artistas
estavam lançando trabalhos que chamariam muito a
atenção dos ouvintes, álbuns em que o temor,
medo e drama eram temas centrados que tornariam
álbuns conceituais aclamados por muitos
admiradores. Eis alguns: “Scary monsters” de
David Bowie, “Black box” de Peter Hammill
fundador da banda de rock progressivo “Van Der
Graaf Generator” sendo do mesmo selo de Gabriel
e do “Genesis” a Charisma Records, “Remain in
light” do “Talking Heads” em parceria de David
Byrne e Brian Eno em sua totalidade, “Closer” do
“Joy Division” de Ian Curtis que tão logo
formaria o conhecido “New Order”, o “Boy” de
“U2” que estaria estreando uma banda muito
prestigiada mundialmente, o “Crocodiles” do
“Echo and the Bunnymen” que também seguiria
algumas características similares como a do “U2”
e o “The Doors”, banda americana formada nos
anos 60 por um artista mundialmente conhecido
como um dos poetas do rock, Jim Morrisson. O
mesmo também válido para o álbum “A” do “Jethro
Tull” não muito comentado pelos fãs desta banda
e até o “Drama” do “Yes” “assustando” os
ouvintes com uma sonoridade completamente
diferente do que a banda era sem o fundador Jon
Anderson; repare inclusive que as duas bandas
citadas há pouco foram concorrentes muito
fortíssimos do “Genesis” mesmo com a presença de
Peter Gabriel no “Genesis”.
Os músicos também sofreram mudanças e
substituições novamente e daqueles que
permaneceram no “PG2” foi Tony Levin (o único
músico que permanece até hoje nos dias atuais
com Gabriel em todos os álbuns que foram
lançados) dividindo o seu espaço pela primeira
vez desde o álbum de estréia de Gabriel em
“Peter Gabriel I” (1.977), com um outro baixista
chamado John Giblin que foi fundador de um grupo
com algum propósito de sonoridade em rock
progressivo chamado “Metro”, e trabalhando com
diversos artistas como Mãe McKenna, Gary Boyle,
Ducan Browne, Colin Blunstone, Jon Anderson (do
“Yes”) e participando de uma banda de fusion
chamada “Brand X” antes de fazer sua presença em
“PG3”.
Nas baterias Jerry Marotta permanece da mesma
forma com Levin e ele também é reforçado por um
convidado que Gabriel fez questão que
participasse no álbum e nada menos que Phil
Collins, baterista que se ingressou no “Genesis”
em “Nursery crime” (1.971); Gabriel convidou
Collins quando ele fez uma turnê final do álbum
“PG2” em 1.979 e no ano em que começaria as
gravações de “PG3”. Ao mesmo tempo os 2
bateristas dividem espaço para um percussionista
chamado Morris Pert que já havia gravado com
Bryan Ferry (fundador do “Roxy Music”), Mike
Oldfield, Rod Argent, Nik Turner, Jon Anderson e
além de bandas como o “Caravan”, “Isotope”,
“Brand X” e entre outros.
As guitarras e violões foram executados também
por vários músicos estando presente David Rhodes
que foi conhecido e convidado através de um
grupo chamado “Random Hold” do qual colaborava;
Paul Weller que foi líder do grupo de rock “The
Jam” estreando em 1.977 com o álbum “In the
city” mesmo ano em que Gabriel lançava o “PG1”;
Dave Gregory que também era ainda desconhecido
no meio cultural musical, mas que se integrou
numa banda de rock chamada “XTC” e finalmente
Robert Fripp, líder do “King Crimson” que já
estava com Gabriel desde o álbum de estréia e
desta vez ele se comporta apenas como músico e
não produtor e músico ao mesmo tempo como
ocorreu em “PG2”, e ele continuou na mesma
linhagem atuando com o experimentalismo musical
ainda assim depois que foi lançado “PG2” e
lançando um álbum solo no mesmo ano que de “PG3”
em 1.980 intitulado como “God save the Queen/Under
heavy manners”.
Os instrumentos de sopro, que no caso é o
saxofone que está presente no álbum foi
executado por Dick Morrissey, sendo este aqui o
músico mais idoso e mais experiente dos demais
apresentados em “PG3” (ele nasceu em 9 de maio
de 1.940) com uma carreira abrangente mais
associada ao jazz, ao fusion, ao Be-Bop e também
é claro ao rock iniciando em 1.964 no álbum
“Sonny blues (Ronnie Scott´s)” com Sonny Stitt
estando também com George Fame, J.J. Jackson até
que em 1.969 funda um conjunto de fusion chamado
“If” estreando no ano posterior com o lançamento
do álbum “If 2” até que o grupo suspende suas
atividades em 1.976 e Morrissey conseqüentemente
retornou a colaborar com outros artistas como
Chris Rainbow, Aléxis Korner, Jon Anderson e
entre outros até ser chamado por Gabriel para
participar de “PG3”; nos sintetizadores e
efeitos sonoros encontra-se Larry Fast que já
estava com Gabriel desde o seu álbum de estréia
e pela primeira vez uma pessoa do sexo feminino
apresenta-se neste trabalho cujo nome é nada
menos que a conhecida Kate Bush (não é parente
do presidente americano George Bush!!! - diga-se
de passagem e rumores que durante as gravações e
elaboração deste terceiro álbum de Gabriel, o
músico teve um caso de romance com Kate Bush,
mas até então não se sabe se isso foi verdadeiro
ou não, portanto fica apenas a cargo de
curiosidade). É verdade que Jill Gabriel, esposa
de Gabriel tem seu crédito em uma faixa no álbum
anterior chamada “Mother of violence”, mas nesse
caso ela não participa da gravação e sim da
composição, no caso de Bush ela participa no
álbum de Gabriel reforçando os vocais de fundo.
Bush estreou na carreira musical aos 20 anos de
idade com o lançamento do álbum “Kick inside” em
1.978 e pouco depois sendo convidada por Gabriel
a participar deste seu terceiro álbum solo.
Gabriel além de interpretar os vocais de seu
álbum, toca piano elétrico nas faixas das quais
o ouvinte observa.
Umas curiosidades entre alguns músicos: uma boa
parte dos participantes deste trabalho tinham
pouco mais de 20 anos de idade sendo Bush,
Weller, Gregory, Rhodes e Giblin. Pert, Collins
e Giblin pertenceram a uma mesma banda de fusion,
fundada por Collins estando presentes num álbum
que coincidentemente o grupo gravou também em
1.980 (o mesmo que o de “PG3”) chamado “Do they
hurt ?”. Morrissey, Giblin, Pert participaram
também no mesmo ano de 1.980 em um álbum solo de
Jon Anderson, fundador do “Yes” chamado “Song of
seven” num momento em que ele havia se retirado
do grupo tornando por um outro lado o “Yes” um
tanto polêmico com o lançamento de “Drama”
(lançado também em 1.980!!!) sem o vocalista
original mais ai já são outras estórias todos
esses casos.
Não diferente dos outros 2 álbuns anteriores,
Gabriel não hesita em diferenciar este seu
trabalho com os outros 2 e parece que aqui há
algo que ele conseguiu se identificar consigo
mesmo além de ter uma aprovação muito forte pela
maioria dos ouvintes e a crítica e ainda
compensando aquilo que ele havia feito no álbum
anterior em “PG2” quando os fãs acharam um
resultado muito denso, obscuro e sombrio e ainda
mais pelo fato de que criticava a produção feita
por Robert Fripp em meio ao experimentalismo que
está existente ali naquele trabalho. Gabriel
naquele caso também deve ter sem sombra de
dúvidas ter seguido uma tendência que estava
ocorrendo naquela época que era o advento punk e
mais o new wave. O “PG3” também se resultou como
se fosse o lado de uma ponte onde a passagem
seria o “PG2” e o outro lado da mesma ponte
seria o “PG1”, isso fez com que a partir daí
Gabriel já estaria possivelmente convicto de que
não havia mais dúvidas de que ele poderia
trabalhar com muito mais tranqüilidade fazendo
algo completamente diferente de quando estava na
banda que criou, o “Genesis”, dando a largada
para a música de terceiro mundo.
Muito dificilmente o “Genesis” conseguiria
resistir ao longo do tempo se caso Gabriel
estivesse se diversificando da forma como estava
fazendo ao se ingressar em carreira solo e ainda
mais no caso deste álbum que não tem nada a ver
com coisas já feitas no “Genesis” na época de
Gabriel. Para se ter uma idéia, o rock
progressivo aqui quase não há, não existem
aquelas historinhas que Gabriel representavam e
continham personagens, não há temas focados em
romance, amor, paz, alegria, felicidade e algo
parecido e sim para temas muito mais sérios e
por ora até assustadores para algumas pessoas,
como invasões territoriais e pessoais, amnésia,
suicídio, guerra entre raças humanas,
assassinatos, dor, loucura e por ai vai, temas
que retratam o mundo contemporâneo inclusive que
ocorria naquela época do lançamento de “PG3”. E,
além disso, os temas que Gabriel retrata nas
músicas são feitos de uma forma perfeita em
termos de sonoridades, os músicos e Gabriel soam
de uma maneira que funcionam como um relógio
devidamente sincronizado em trabalhando em
compromisso em conjunto para a satisfação do
ouvinte. As guitarras soam de uma maneira muito
frias e selvagens, as baterias e percussão
também às vezes são assustadoras, arrepiantes,
mas, sobretudo criativas, pois como se não
bastasse Gabriel sugeriu uma coisa muito incomum
não observada em qualquer álbum de qualquer
músico; estes instrumentos não apresentam as
partes metálicas como cymbals e pratos e quase
ruído algum semelhante, ou seja, são observados
mais os sons das caixas, bumbos, ton-tons,
surdos em especial; imagine, por exemplo, que
não deve ter sido muito simples para Collins,
Marotta e Pert não se exaltarem em tocar as
partes metálicas nos ensaios, o ouvinte
inclusive pela primeira vez ao escutar o álbum
questionará e estranhará essa falta de partes
metálicas se é do tipo que quer escutar mais
atenciosamente, além de pensar que no tempo
rítmico que determinada música vai sendo tocada
em momento acreditará que escutará instrumentos
pertencentes destes instrumentos (partes
metálicas) e algo que normalmente é percebido
pela grande maioria das pessoas no dia a dia nas
rádios executadas por outros artistas.
Possivelmente com este resultado permitiu-se
perceber que Gabriel, o público e a crítica
aprovaram uma alternativa de se executar a
música de terceiro mundo. Gabriel chegou a
declarar após a turnê do álbum “PG3” que quando
finalizou a gravação estava muito mais confiante
com ele mesmo (e realmente ele estava com a
razão) e só não pode enfocar sua criatividade
aqui no “PG2” por falta de espaço devido ao
experimentalismo que estava mais fortemente
presente naquele trabalho. Criatividade igual a
essa de Gabriel (que é o caso das baterias e
percussão) demonstra o quanto que é possível
ultrapassar os limites da música em um mundo que
a imaginação é criada muitas vezes é um ponto
positivo de um ser humano. Alguns efeitos
sonoros também ajudam a manter a sonoridade do
álbum de uma forma muito abstrata, não tornando
o álbum alegre e isso sem contar com os vocais
de Gabriel que completam o modo de como este
álbum foi gravado. É evidente que Gabriel estava
entrando aqui na década de 80 onde muitos
ouvintes geralmente retratam como uma das piores
décadas que resultou o rock numa forma puramente
comercial em se criar melodias muito fáceis sem
ousadia, veja que até o “Genesis” também se
entregou ao puro comercialismo na década de 80,
mas no caso de Gabriel ele aparenta ter
“vencido” este detalhe porque a criatividade
falou mais alto (mesmo posteriormente o
lançamento de “PG3”) para Gabriel a década de 80
teve vida na sua forma de fazer música. Aqui vão
algumas perguntas: será que Gabriel procurou
fazer isso tudo numa forma de retribuir aquilo
que foi feito no álbum anterior em “PG2” devido
ao resultado final especialmente em se
trabalhando com o experimentalismo? Será que
Gabriel percebeu que a música de terceiro mundo
era algo que dava bom retorno financeiro a um
artista? Será que Gabriel já tinha em mente em
realizar algo parecido e só neste momento seria
satisfatório para ser executado?
Realmente algo aqui aconteceu, mas o que ninguém
talvez possa saber a não ser o próprio Gabriel,
mas um registro demonstrando uma criatividade e
iniciativa até então mais esforçada o que
resultou a colocar o álbum próximo do Top 20
americano e alcançando a quarta posição dos
álbuns mais vendidos na Inglaterra, país de
origem de Gabriel tornando o disco como um dos
mais adorados pelos ouvintes e sendo considerado
e retratado como uma das principais obras-primas
do cantor em carreira solo. Em “PG3” era
possível observar que algumas das faixas foram
executadas com uma razoável freqüência durante
os anos 80 nas apresentações ao vivo de Gabriel,
na turnê de lançamento de Gabriel era possível
observá-lo completamente careca, sinal de que
era em razão a algum protesto em favor de causas
humanas em especial sobre os assuntos que
retratavam o álbum como um todo, e ora pra
reforçar a situação ele era visto em muitas
ocasiões vestido completamente de roupas pretas,
o que demonstra mais ainda uma forma meio
assustadora, agressiva e selvagem de como se
resultou este trabalho.
Mais da metade deste álbum foi registrado ao
vivo no primeiro trabalho de Gabriel, “Plays
live” (1.983), além de servir em uma pequena
base também para sua primeira trilha sonora
chamada “Birdy – Asas da liberdade” (1.985), um
filme de Alan Parker onde contracenam Nicholas
Cage e Mattew Modine. Pela primeira vez desde
quando ele se integrou no “Genesis” e no mundo
cultural musical, conseguiu realizar um trabalho
tendo autoria de 100% de todas as letras e a
música e além também de ser um dos primeiros
músicos ao lado do americano Stevie Wonder
(afirma-se seguramente que Wonder foi o segundo
a utilizar este instrumento) a usufruir do
instrumento Fairlight CMI (Computer Musical
Instrument) numa época em que os sintetizadores
mais avançados de tecnologia eram mais
explorados e este aqui no caso consiste
basicamente de um computador com um teclado do
qual ruídos originais podem ser digitalizados e
criar melodias em forma de música, a “Shock the
monkey” do álbum posterior, “Peter Gabriel 4”
(1.982) – conhecido como “Security”, talvez é
uma das canções de Gabriel que mais possui a
presença deste instrumento, além de retratar as
faixas procurando manter as letras na primeira
pessoa do singular (Eu) em sua grande maioria
nas 10 faixas que fazem parte do trabalho.
A remasterização do trabalho em CD é aprovada
com muita tranqüilidade pela boa maioria dos fãs
de Gabriel trazendo fotos inéditas da época
quando foi realizado “PG3”. O único aspecto
negativo do disquinho é que Gabriel além de não
mencionar quem é quem em cada faixa (visto a
sucinta quantidade de músicos participantes) e
também não abusou em se tratando de trazer algum
material bônus no disquinho em faixas como
“Shosholoza” que é uma canção tradicional
africana e apareceu em um dos compactos na
época, ou de “I go swimming” que era
originalmente instrumental depois recebeu letras
e só foi lançada no primeiro álbum ao vivo de
Gabriel, “Plays live”, ou de “Seascape” que
seria uma espécie de “rascunho” de “We do what
we're told (Milgram´s 37)” que estaria mais
tarde no álbum “So”, ou de “Walk through the
fire” que pertenceu a uma trilha sonora de muito
sucesso chamada “Against in the odds” (1.984) do
filme chamado “Hard to hold” ou entitulado como
“Paixões violentas” onde contracenam atores
conhecidíssimos como Jeff Bridges, Rachel Ward e
James Woods e o tema principal da trilha sonora
a música “Against...” foi composta por Phil
Collins !!!!
Como citado anteriormente Gabriel executou um
álbum em alemão, ou seja, cantado inteiramente
em alemão pela primeira vez, saindo com
exclusividade na Alemanha; quem é fã de Gabriel
que já tem o trabalho executado nesta forma,
aconselha se não tiver oportunidade de conseguir
encontrar de ao menos escutá-lo, pois está
perfeita a sua interpretação no idioma em
alemão. O que diferencia neste caso em edição
alemã é o seguinte dizer na capa encontrado em
letras minúsculas “Ein deutsches album” escritas
na cor verde, além do nome “Peter Gabriel” (a
edição americana tem o dizer “Peter Gabriel”
escrito em amarelo); e como se não bastasse na
época saiu curiosamente um compacto com uma
versão alemã da faixa de “Here comes the flood”
do “PG1” entitulado nesse caso como “Jetzt kommt
die flut”, um investimento que deve ter tido uma
seriedade muito grande da parte de Gabriel pois
no álbum posterior em “PG4” e foi lançado o
álbum inteiro também cantado inteiramente em
alemão.
A capa novamente foi elaborada pela empresa
Hipgnosis a mesma que participou dos outros 2
álbuns anteriores de Gabriel e com uma afinidade
de artistas como “Pink Floyd”, “Synergy”
(projeto fundado por Larry Fast que participa
aqui com Gabriel), “Brand X” (projeto fundado
por Phil Collins que participa aqui com
Gabriel), “Strawbs”, “Hawkwind”, “10CC”, “UFO”,
“Yes” e entre muitos outros. Pela forma de como
foi composto e elaborado o álbum praticamente
representa a forma selvagem, sombria, fria e
assustadora de como Gabriel resultou neste
trabalho. Observe que inclusive pela terceira
vez consecutiva o artista está aparecendo em
imagens de preto e branco (tanto na frente como
atrás da capa); claro que no caso de “PG1” o
carro é de cor azul, mas Gabriel aparece pelo
lado de dentro em fotografia preto e branco.
Comenta-se que Gabriel teve uma dificuldade
enorme em fazer a escolha da capa visto que
havia aproximadamente 60 opções de escolha; como
Gabriel escolheu uma ele aproveitou o momento e
deu uma pequena manipulada própria em uma das
fotografias resultando no que é observado na
capa de “PG3”. Já dito anteriormente a edição
inglesa não contém escrita alguma, enquanto que
a americana observa-se o nome “Peter Gabriel”
escrito em letras amarelas (a alemã como já se
sabe escrito em letras verdes). A versão
americana tem o nome “Peter Gabriel” no canto
superior esquerdo (a versão brasileira é desta
forma) enquanto que saíram outras no lado
direito e algumas das versões inclusive a alemã
pode observar o selo redondo com a fotografia da
capa. No CD remasterizado podem ser encontrados
fotos da época e da turnê realizada na época
deste trabalho.
A produção teve pela terceira vez consecutiva
também mudança: desta vez é o produtor Steve
Lilywhite que é o responsável pela execução
desta atividade neste trabalho de Gabriel.
Lilywhite trabalhou ao lado de artistas como “Nucleus”,
“Golden Earring”, “Status Quo”, “Siouxsie & the
Banshees”, “XTC”, e seria também ao mesmo tempo
em que tivesse esta única participação sua (e
muito aprovada pelo público por sinal) em “PG3”
sendo o único álbum que ele fez seu registro com
Gabriel, o produtor da famosíssima banda
irlandesa “U2” no lançamento de “Boy” no mesmo
ano de “PG3” e já comentado anteriormente. A
troca da produção de Fripp por Lilywhite
realmente foi muito estratégica pelo visto,
Gabriel não guardou rancor algum por Fripp
embora até ter admitido que não gostou muito do
resultado de “PG2” executado por Fripp de ter
sido o produtor no álbum anterior (e também o
guitarrista ao mesmo tempo), aqui o guitarrista
participa e após o lançamento de “PG3” e no ano
seguinte em 1.981, Fripp iniciaria as gravações
no retorno de sua banda que fundou no final dos
anos 60, o “King Crimson”, re-estreando o grupo
no álbum “Discipline” tendo a participação de
Tony Levin no baixo e que está presente aqui
também neste trabalho de Gabriel e a partir de
então excursionaria ao mesmo tempo tanto com
Gabriel solo como com o “King Crimson” (até hoje
nos dias atuais). Lilywhite tem um reforço na
produção e este nada menos de Hugh Padgham na
época muito inexperiente e iniciando a carreira
apenas havia participado na banda “Split Enz”,
no “XTC” e no “Yes” no álbum “Drama” (o único
inclusive que possui a sua presença em termos de
engenharia de produção de áudio e ao mesmo tempo
que é o único sem a presença de Jon Anderson, um
dos mentores deste grupo de rock progressivo,
forte concorrente do “Genesis” durante os anos
70). Aqui vai uma ressalva a respeito deste
profissional: não se sabe como através de que
maneira ele chegou aqui neste álbum de Gabriel,
sabe-se, entretanto que através das sessões de
gravações feitas do trabalho onde Collins
participou, ele foi convidado pelo baterista e
cantor na época do “Genesis” a vir a atuar como
produtor e engenheiro de som a partir de 1.981
tanto na elaboração e lançamento do álbum
“Abacab” da ex-banda de Gabriel, assim como ao
mesmo tempo que Collins iniciaria sua carreira
solo em 1.981 com o lançamento do álbum “Face
value”. Possivelmente Gabriel deve ter
dispensado Padgham por observar que este
profissional estava muito interessado (e até
hoje) na música pop, coisa que durante a
carreira de Gabriel o pop não foi explorado de
uma forma estrondosamente exagerada ao extremo
(a exceção do “So” que é uma situação à parte e
uma outra estória) visto que Gabriel deveria
imaginar que Padgham poderia ser uma espécie de
Jonathan King, o fundador do “Genesis” desde os
tempos do Chaterhouse nos anos 60 que tinha uma
forte adoração pela música pop e manipulou
praticamente Peter Gabriel e seus companheiros
da banda a fazerem coisas que no fundo na época
em que foi gravado e lançado o álbum estréia do
“Genesis”, “From Genesis to Revelation” (1.969)
fizeram contrariados pela vontade própria de
King em especial.
“Intruder” – aqui inicia o primeiro lado do
disco onde se retrata muito mais no que compete
aos problemas do próprio indivíduo e como afeta
o mesmo, os fãs de Gabriel poderão a partir
daqui perceber que a grande parte de suas letras
retratam na primeira pessoa do singular (Eu).
“Intruder” foi uma das faixas que iniciavam boa
parte dos shows de Gabriel durante o ano de
1.980 e o público percebia que ele e o restante
da banda surgiam na parte de trás da multidão em
meio de espaços em cor branca, com lanternas
debaixo do queixo e pra complementar o cantor se
vestia de roupas escuras e se encontrava
completamente careca (antes que ele fosse
observado novamente careca próximo de 1.999
quando o “Genesis” fez uma espécie de
“reunião”), algo muito arrepiante para os
espectadores na época. Há quem imagina que a
faixa está relacionada sobre a sua forma
estrutural musical em algo relacionado a poder,
mas na verdade representa algo relacionado a
alguma coisa assustadora originando medo, temor,
invasão e como o próprio nome já sugere é um
“intruso, invasor”. Muitos fãs aceitam ser a
hipótese de uma invasão de privacidade na sua
própria residência “I know something about
opening windows and doors, I know how to move
quietly to creep across creaky wooden floors”
que significa “Eu sei uma maneira de abrir
janelas e portas, Eu sei como movimentar
silenciosamente e rastejar através de pisos de
madeira rangentes” em inglês, ou seja, por mais
que as pessoas possam encontrar as mais diversas
formas difíceis para se protegerem de pessoas
quem venham invadir os seus espaços, os intrusos
(ladrões, assassinos, invasores ou algo
semelhante) saberão como encontrar um meio de
enganar a segurança, como na frase “Intruder´s
happy in the dark” que significa “Intruso está
feliz na escuridão” em inglês e isso implica
também às vezes que o indivíduo por ora de tão
tamanha a segurança que ele aplica em seu espaço
pertencente se torne tão paranóico a ponto de
imaginar que existe alguém dentro de onde vive
sendo que não existe ninguém que esteja dentro
da área que ele ache estando sendo invadida em
momento e ainda mais como se não bastasse o
horário é especialmente à noite (preferencial de
um intruso comum). As letras finalizam com um
invasor conquistando o seu objetivo “Intruder
come and leave his mark” que significa “Intruso
vem (venha) e deixe sua marca”. E o invasor vai
mais além especialmente para quem é do sexo
feminino que parece induzir que ele está
retratando sobre um maníaco sexual, um voyeur ou
um estrupador como incita a seguinte frase “I
like the touch and the smell of all the pretty
dresses you wear” que significa “Eu gosto de
tocar e cheirar todos os vestidos bonitos que
você veste”. No fundo o tal invasor talvez nem
tenha o objetivo de fazer um roubo, assalto,
assassinato ou violência sexual e sim apenas
desfrutar os seus momentos ali dentro do local
com a vítima a ponto de apenas deixá-la
amedrontada e aterrorizada porque sabe que elas
se resultarão nesta forma de comportamento. E a
outra sensação do indivíduo é causar um
desconforto porque quando o invasor se for não
há um outro lugar sossegado que a pessoa possa
continuar a viver. Gabriel aqui consegue atingir
um ouvinte em sua emoção que relaciona ao medo
especialmente quando se escuta a faixa num
período tarde da noite e com as luzes do
ambiente completamente apagadas como do jeito de
um gostinho de um desses tipo “serial-killers”
se bobear (se tampouco é este o objetivo que
Gabriel teve ao escrever esta música).
Musicalmente a faixa tem uma estrutura que
futuramente chega a lembrar a “Mama” do álbum
“Genesis” (1.983) do “Genesis” que um dia
Gabriel foi integrante, além de “Golden
promisses” do álbum “Black box” solo de Peter
Hammill do “Van Der Graaf Generator” e até
impressionantemente partes da faixa-título do
álbum “Thriller” (1.982) do cantor Michael
Jackson. A forma aparentemente das baterias que
exerce uma tamanha força feita por Collins
provavelmente lhe rendeu como uma espécie de
lição que o baterista aproveitou o embalo logo
de cara na estréia de sua carreira solo com o
álbum “Face value” na faixa “In the air tonight”
(é a primeira do álbum inclusive!!!!). Aqui vai
uma curiosidade sobre o “Face value”: até a
faixa “The roof is leaking” tem um ambiente
muito semelhante com a “Mother of violence” de
Gabriel em “PG2” demonstrando o quanto que
Gabriel é um bom “professor” de criatividade e
música. Percebe-se de início um ritmo contendo
baterias tocada de uma forma muito fria e seca
(já que o ouvinte perceberá que não tem partes
metálicas) que aos poucos vai recebendo alguns
efeitos sonoros de alguns ruídos (alguma coisa
que está sendo puxada, cortada e rasgada –
talvez arames de proteção). Gabriel então se
apresenta com os seus vocais muito ásperos no
meio de sintetizadores que induzem algo
assombroso de algum fantasma ou coisa parecida.
A parte em o cantor canta “Intruder´s happy in
the dark” e especialmente a última palavra
quando ele entende um pouco mais
“daaaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrk” é muito
adorada pelos fãs do músico além dos gritos “aaaaahhhhhhhhhhhhhhhaaaaaaaaaa”;
observe que Gabriel suspira inclusive na frase
“The sense of isolation inspires, inspires me”.
O xilofone no meio das baterias que é algo
relacionado à percussão tocado por Pert é muito
pouco comentado, às vezes chega a lembrar o que
Jamie Muir fez na sua participação no “King
Crimson” em “Larks tongues in aspic” (1.973),
mas a boa maioria dos ouvintes só se dá conta
mais na presença da parte mais percussiva na
faixa seguinte. No final escuta-se Gabriel
assobiando parte da melodia (há quem diga que
foi o produtor Lilywhite que fez o assobio neste
final) no meio dos barulhos de arames e então a
faixa ao poucos finaliza-se com o ritmo seco de
baterias que deu entrada no álbum “PG3”. Uma
versão ao vivo está disponibilizada em “Plays
live” e, além disso, a banda “Primus” fez uma
versão cover desta faixa que se encontra em um
EP chamado “Miscellaneous Debris” (1.992) da
qual quem já escutou gostou muito e achou melhor
do que a original de Gabriel (!?) e curiosamente
neste EP tem também uma cover de “Have a cigar”,
do álbum “Wish you were here” (1.975) do “Pink
Floyd”.
“No self control” – é uma faixa que retrata um
tema abordando sobre um paciente desordeiro
compulsivo obsessivo (doença conhecida como
OCD), comete um erro fatal, luta contra si mesmo
e percebe que impossível resistir na ação, se
lamenta como alguém incapaz de parar de fazer
coisas ruins e ficar amedrontado e assustado
quando várias pessoas vêm ao seu encontra para
puni-lo das coisas que fez de ruim. Ajunta
gravidades como paranóia, esquizofrenia,
alucinação, algo bem característico do psíquico
de uma pessoa e o que ainda mais soma a isso
tudo é também o suicídio dependendo da situação
do indivíduo, o que motiva a um descontrole
próprio como sugere a faixa que significa
“Nenhum controle de si” já que busca por
inúmeras alternativas para resolver, mas até em
momento não consegue encontrar alguma que tem a
frase tornando um Gabriel completamente
dramático na representação “I don´t know how to
stop” que significa “Eu não sei como parar”
citada diversas vezes em inglês. Em uma
entrevista logo após a turnê de “PG3” que se
estendeu até outubro de 1.980, Gabriel comentou
que elaborou esta faixa devido à tentação no uso
de drogas (alucinógenas no caso) que até então
na época ele confessou que usufruiu por duas
vezes, a primeira foi quando o músico tinha 17
anos, mas provavelmente foi apenas no intuito de
“curiosidade” que milagrosamente não deu
continuidade talvez porque naquela época ele
estava dando muito mais importância com a música
e ao “Genesis”. A segunda ocasião foi na turnê
mais recente do álbum “PG2” foi um tanto mais
delicada a situação a ponto de Gabriel sentir
seu corpo como a de um bêbado e ter seu coração
a disparar muito rapidamente. Não se sabe ao
certo, mas Gabriel se conscientizou por meio de
duas formas: 1) vontade própria e aconselhamento
de quem confidenciou bem de perto a situação de
Gabriel 2) uma conversa com pessoas do
Samaritano inglês, o mesmo trabalho feito por
voluntários brasileiros que participam do CVV –
Centro de Valorização da Vida, quem compartilham
os momentos de vida que a pessoa está vivendo em
momento e buscar suas próprias reflexões e
soluções em uma simples conversa telefônica e é
justamente o que acontece aqui nas letras de
Gabriel no terceiro refrão da faixa “Got to pick
up the phone, I will call any number, I will
talk to anyone...” que significa “Consegui pegar
o telefone, Eu ligarei em algum número, Eu
falarei com alguém...” em inglês, gente como
Kurt Cobain ou Ian Curtis sofreram algo
parecido, mas lamentavelmente foram vencidos
pelo descontrole próprio. Nos outros refrões o
personagem já tem problema de fome e insônia
respectivamente “Got to get some food .....Got
to get some sleep” que siginificam “Consegui
arranjar alguma comida....consegui ter uma
dormida”. Imagine quantas coisas somadas iguais
a essas, quantas preocupações somadas além
destas possam tornar alguém completamente fora
do contexto da realidade, em ficar perdido
completamente sem ter como, quem e quando voltar
a sua normalidade. Musicalmente tem uma
estrutura um tanto semelhante com a da faixa
anterior sobre a forma que são tocados os
instrumentos musicais; os destaques são as
marimbas tocadas por Pert, a guitarra elétrica
tocada por Rhodes como se fossem um trompete no
momento em que ele faz riffs de guitarra e a voz
de Gabriel é claro que também reforçando a
selvageria, agressividade e temor que
representam em sua letras através de seus
vocais. Esta faixa tem uma versão ao vivo em
“Plays live”, assim como foi tocada durante toda
a década de 90 e foi também selecionada para
fazer parte de uma trilha sonora de um seriado
criado em 1.994 da NBC chamado “Homicide: Life
on the Street” do diretor Barry Levinson.
“Start” – é a menor faixa do álbum com pouco
menos de 1:30 minutos de duração. Instrumental
ela praticamente é como se fosse uma introdução
da faixa seguinte como se fosse uma espécie de
interlúdio. Provavelmente mesmo com um tamanho
muito pequeno é a melodia mais calma e tranqüila
do álbum todo e o destaque é inteiramente de
Morrissey no saxofone do início ao fim sendo
este músico o principal que vai mantendo um
ambiente sonoro gostoso até deixar em
expectativa o ouvinte tendo no fundo um teclado
e simples linhas de toques do baixo. Gabriel
deve ter colocado esta faixa com um simples
intuito de preencher o álbum, e geralmente é um
tanto ignorada e adorada pelos ouvintes deste
álbum, por outro lado mesmo sendo calma e
tranqüila a melodia é no fundo um tanto “fria”.
O “Genesis” gravou uma faixa chamada “Guide
vocal” (embora possui letras) no álbum “Duke”
que dá a sensação de ser uma espécie de
introdução da faixa posterior “Man of our times”
e também possui praticamente o mesmo tempo de
duração desta instrumental de Gabriel.
“I don´t remember” – a tranqüilidade e calmaria
repentinamente são interrompidas pelas baterias
recebendo o baixo de Levin, que por sinal o
baixista é um dos destaques da faixa devido à
forma que ele toca como se fosse numa espécie de
loop em meio a toques de baixo em formas de
riffs repetitivos, os ouvintes gostam muito
desta faixa justamente por essa presença de
Levin fazer essas linhas de baixo desta maneira.
Tão logo as guitarras surgem, que pela forma de
como foi gravada existem 2 guitarristas
aparentemente tocando (Weller e Gregory) sendo
um fazendo a guitarra base e o outro a guitarra
solo e são executadas de uma maneira que parece
que rasgando algo e ora é observado como se
fossem choques elétricos. A canção no fundo tem
até que uma estrutura muito simples e repetitiva
e lembra algo que o “Genesis” faria na
instrumental “Second home by the sea” do álbum “Genesis”.
Observe também que Gabriel dá algumas
resmungadas durante a faixa e alguns gritos como
se fosse estar com medo ou receio de alguma
coisa, algo que esteja lhe incomodando e lhe
preocupando ao mesmo tempo, isso sem contar
novamente que próximo do final da faixa ele
interpreta de uma maneira muito selvagem e com
muita raiva. O final da faixa mantém o ouvinte
sob o efeito de um ruído sonoro que é uma
espécie de alarme. A faixa retrata a respeito de
um indivíduo que sofre de amnésia ou de alguém
que se preocupa com si (ou não ?) sobre seu
passado e o mesmo e é perseguido pelas
autoridades onde no refrão principal da faixa “I
don't remember, I don't recall, I got no memory
of anything at all” que significa “Eu não me
lembro, eu na me recordo, eu fiquei sem
memorizar de tudo quanto é coisa” em inglês.
Percebe-se que quanto mais o indivíduo (até
Gabriel representando nos vocais) prediz em
citar as frases, ele vai ficando cada vez mais
neurótico tomado conta pelo nervosismo, como que
se alguém cobrasse perguntas sem respostas e que
correrão o risco de ficarem sem respostas!!!! O
próprio ser humano em si no seu dia a dia sofre
com isso (os seres humanos possuem uma “amnésia
natural” de não se recordarem de determinadas
coisas), mesmo uma pessoa em condições normais,
de forma natural, não lembrar de algo que ora
possa ser de grande ou pouca importância em sua
vida; quando o indivíduo é questionado por algo
que não se recorda e se é uma personalidade
delicada, o mesmo age como se estivesse em meio
de um confessionário para posteriormente ser
julgado. Observe que parece que Gabriel criou
uma espécie de seqüência onde em “Intruder”
representa um invasor que gosta de assustar as
pessoas depois tem-se “No self control” que
retrata o desordeiro que faz coisas erradas
(poderia ser o invasor) e finalmente em “I don´t
remerber” que é detido e se esquece de tudo
aquilo que fez anteriormente. No vídeo desta
música observa-se Gabriel correndo de pessoas
malucas e estranhas vestidas com ternos em
branco. Uma versão se encontra ao vivo no “Plays
live”, além de sair num primeiro compacto antes
mesmo que o álbum “PG3” estivesse nas lojas. Um
australiano chamado Daryl Braithwaite gravou
esta faixa de Gabriel que está num álbum
intitulado como “Edge” (1.988).
“Family snapshot” – possivelmente esta é uma das
faixas de “PG3” que Gabriel trabalhou muito bem
mais porque justamente é a que contém mais
letras além de não repetir em refrãos e ao mesmo
tempo em que é muito adorada, apreciada e bem
recebida pelo público. A inspiração de Gabriel
em termos de letras é a mais rica aqui podendo
ser até um dos pontos culminantes do trabalho o
que tornou sendo uma das faixas que Gabriel vez
ou outra ainda apresenta no momento presente. É
considerada como a “balada” do “PG3”, uma das
músicas que também além de cativar os ouvintes
gera em uma emoção muito enorme. Só para se ter
uma idéia durante a década de 80 quando Collins
(que participa deste álbum e está tocando
baterias nesta faixa) em sua carreira solo foi
questionado sobre ter atuando em “PG3”, ele
comentou que gostou muito da faixa e gostaria de
fazer e escrever algo parecido como em “Family
snapshot”. Gabriel baseou as letras com muita
inteligência em cima de uma história real sobre
um psicopata chamado Arthur Bremmer que
premeditou um atentado contra o governador do
estado do Alabama nos Estados Unidos em 16 de
maio de 1.972 num comício, algo muito parecido
com o assassinato do presidente americano John
Fitzgerald Kennedy que foi atingido por 2
disparos (uma na garganta e outra na cabeça)
feitos por Lee Harvey Oswald em 22 de novembro
de 1.963 em Dallas, no estado do Texas. No caso
de Wallace em relação a Kennedy a situação foi
diferente uma porque não ocorreu a morte e foi
atingido no estômago e outras 2 pessoas também
ficaram feridas que ocorreu em 1.972 e a outra
porque no caso de Kennedy o acontecimento se deu
por fins políticos, e o de Wallace por Bremmer
com a obsessão de se tornar famoso como na frase
“I don't really hate you, I don't care what you
do, We were made for each other, Me and you" que
significa “Eu não odeio você, Eu não me incomodo
no que você faz, Nós somos feitos um para o
outro, Eu e você” em inglês. No caso de Bremmen
a premeditação do assassinato foi muito mais
fácil e mais esperta o suficiente para observar
no noticiário noturno da televisão a ponto de
que a grande maioria das redes de canais de
televisão estariam ali no dia que Wallace
fizesse a sua passeata “All you people in TV
land” que significa “Todo pessoal em um mundo da
TV” em inglês. Gabriel pensou inclusive em
retratar as letras baseadas no caso Kennedy, mas
ele desistiu da idéia porque ele acredita que
este assassinato tem muito mais pessoas
envolvidas e não apenas Oswald (como alguém de
dentro da CIA e o FBI, por exemplo), e já o de
Wallace é certo de que seje apenas Bremmer e
mais ninguém. Incrivelmente como Gabriel
descreve a precisão deste atentado em detalhes
desde a observação do político vindo em sua
direção, a sua concentração no tiro e a
realização do disparo nesta faixa que se percebe
nas frases “They're coming 'round the corner
with the bikers at the front...And the
governor's car is not far behind...Cos there he
is-the man of the hour, standing in the
limousine...Holding my breath, Release the
catch, And I let the bullet fly” que significa
“Eles estão chegando próximo da esquina com
ciclistas na frente...E o carro do governador
não está tão distante atrás...Porque lá está o
homem do momento, permanecendo na
limusine...Prendendo minha respiração, Realizo a
tramóia, E deixo a bala voar” em inglês. Por que
o psicopata Bremmer resolveu premeditar a
cometer um assassinato igual a este sobre a
forma de chamar a atenção de muitas pessoas ?
Porque na realidade o segredo está na última
frase citada “And I let the bullet fly” de uma
forma que é como se Bremmer estivesse olhando
bem de frente aos olhos de Wallace dando o tiro
e em coisa de instantes ele recordar a sua
triste infância que ele teve com seus pais que
nunca davam uma atenção a Bremmer quando criança
(último refrão da faixa). Imagine uma situação
tamanha em então que causar um alarde igual a
estes se qualquer familiar não iria prestar
atenção só no falta de tentar não acreditar que
tal calamidade foi causada por um ente próximo
da família e ainda mais quando o mesmo mora num
mesmo teto. Será que Bremmer era no fundo um
psicopata ? Já citado anteriormente é no último
refrão da faixa onde há frases que demonstram o
quanto um indivíduo igual a este era muito
deprimido a quem estava próximo como demonstra
as frases “Come back Mum and Dad, You're growing
apart, You know that I'm growing up sad, I need
some attention” que significa “Voltem mãe e pai,
vocês estão crescendo separadamente, vocês sabem
que eu estou crescendo entristecido, Eu preciso
de um pouco de atenção” em inglês. Observe que
possivelmente os pais de Bremmer estariam
divorciados. Em relação sobre atentado e
assassinatos, Gabriel certa vez comentou numa
entrevista logo após a turnê de “PG3” que
observou um documentário do ex-presidente
americano Ronald Reagan num comício onde por
trás dele tinham muitos cristãos evangélicos que
pareciam pregar raivosamente contra
homossexuais, pessoas a favor do aborto, hippies
e qualquer um que o presidente pudesse
demonstrar uma contrariedade de pensamento sobre
estes cristãos (e até mesmo Reagan) não
demonstrando nenhum conservadorismo religioso
por parte destas pessoas e sim ódio, preconceito
e raiva. Vale lembrar que em dezembro de 1.980,
o ex-integrante e fundador do “The Beatles”,
John Lennon, seria assassinado por um fã da
banda chamado Mark David Chapman, além de que no
ano seguinte em 1.981 ocorreriam 2 outros
atentados com pessoas conhecidas: o presidente
americano Ronald Reagan e o Papa João Paulo II
(falecido em abril de 2.005); veja que todos
estes episódios chocaram e comoveram o mundo
inteiro. Será que os atiradores escutaram esta
faixa de Gabriel depois que o álbum “PG3” foi
lançado em maio de 1.980 ? Musicalmente a faixa
pode não ser uma das melhores coisas que Gabriel
compôs, mas as letras praticamente fazem os fãs
não se incomodarem nem um pouco se ela possui
uma estrutura simples. Ela inicia muito
calmamente com Gabriel tocando o piano e aos
poucos ele vai desenvolvendo a música fazendo
com que os outros instrumentos vão surgindo
deixando a faixa de uma forma tensa que as
baterias e o saxofone também acabam se
apresentando até que quando Gabriel diz a
palavra “flyyyyyyyyyyyyyyyyy” desta maneira
volta à calmaria e aos poucos o cantor vai
ficando novamente sozinho apenas com o piano e
então finalizando a música. Em uma das
apresentações da turnê na Inglaterra, Gabriel
anunciou que iria tocar a “Family snapshot”
então quando tocou a primeira nota um público
antecipado começou a aplaudir o músico até que
ele parou agradeceu a platéia se concentrou e
tocou a primeira nota e novamente o público
retornou a aplaudir o músico até que ele
interrompeu agradecendo novamente mais tímido e
assim sucessivamente mais outras 3 vezes a mesma
situação pra enfim tocar a música de vez. Existe
uma versão ao vivo no álbum “Plays live” e o
trecho introdutório da música foi reaproveitado
no álbum da trilha sonora “Birdy”. Repare que
inclusive Gabriel utilizará a palavra “family”
novamente em outro título de música, no próximo
álbum, “PG4” intitulando como “The family and
the fishing net”.
“And through the wire” – é uma das faixas que
não é muito adorada pelos fãs, mas ainda assim
ela assume uma estrutura musical característica
da entrada dos anos 80. O destaque é Weller nas
guitarras que tem novamente Gabriel retornando
de uma forma agressiva em termos de sonoridade
em meio a um ritmo funk. Lamentavelmente
pouquíssimos fãs percebem que Gabriel aqui neste
caso contribuiu tocando um tamborim e as partes
metálicas, apesar de serem muito discretas na
faixa (e em especial no álbum inteiro do “PG3”),
aparecem o que torna uma possibilidade de uma
boa parte dos fãs de Gabriel talvez não adorarem
por este motivo, ou seja, tirou o álbum de um
objetivo e uma rotina por completo. Um outro
motivo a desgosto dos ouvintes pode ser que
Gabriel exagera dizendo diversas vezes o nome do
título da faixa. Uma das frases que o público
gosta muito é a frase “I want you” em que ele
estende um pouco mais as 3 palavras quando canta
e é preenchida pela melodia principal da
introdução da faixa que inicia com um piano ao
fundo junto com um teclado mantendo o ouvinte em
expectativa; a outra é a frase final “We get so
strange across the border” no qual cita diversas
vezes bem melancolicamente sem contar que
Gabriel parece ter na voz uma energia elétrica
como se fosse falar igual a um choque elétrico.
A música também lembra muito aquilo que Gabriel
havia feito em “Modern love” em “PG1” ou
“Perspective” em “PG2”. Para muitos é um tanto
confusa, tem um meio termo: para uns a faixa
retrata algo a respeito de comunicações, o poder
da tecnologia (“Wire” significa fio/cabo é
expresso neste caso como telefone), sobre um
mundo em que vivemos onde dependemos de
conversar através do telefone (ou internet) em
que ao mesmo tempo aproxima as pessoas sejam de
diferentes lugares, nações ou raças, também
afasta os seres humanos como, por exemplo, fazer
compras sem ter o mínimo de confiança ou ser não
ser bem atendido por um robô ou pessoa que atua
numa central de telemarketing ou SACs (Serviços
de Atendimento ao Consumidor). É também imaginar
e esperar que as expressões do rosto das pessoas
possam ser da mesma forma como é do outro lado
que responde. Para outros fãs de Gabriel a faixa
representa algo sobre um assassino obsessivo por
alguém “I talk in pictures not in words,
overloaded with everything we said” que
significa “Eu falo em fotografias e não em
palavras, sobrecarregadas em tudo que nós
dissemos” em inglês. Difícil definir, mas se o
objetivo de Gabriel pelo contexto geral do álbum
em termos de assuntos e temas é mais possível
que seje referente ao assassino no caso. O que
acreditava-se que as músicas de Gabriel neste
álbum só haviam sido gravadas em exclusividade
apenas em alemão, se enganou, porque existe uma
versão cover desta faixa que foi gravada por um
francês chamado Jean-Claude Bono num álbum que
gravou em 1.983 intitulado como “Bono” e a faixa
neste caso se chama “Par le trou du voyeur” onde
curiosamente está presente o guitarrista Steve
Hillage (junto com a sua parceira Miquette
Giraudy, que é francesa também!!!) e que foi do
“Gong”, esta por sinal uma banda francesa
fundado pelo australiano Daevid Allen.
“Games without frontiers” – o outro lado do
disco aborda com assuntos relacionados com
causas sociais e inicia com uma faixa em que
Gabriel retira da rotina a aquilo que
consistiria em não utilizar as partes metálicas
das baterias e percussão, a mesma situação da
faixa anterior, mas nesse caso aqui é uma
percussão eletrônica que apresenta os ruídos de
partes metálicas das percussões; pela primeira
vez Gabriel usufrui de equipamento eletrônico
como o drum-machine. Saiu no primeiro compacto
na época antes do álbum “PG3”, alem de mais um
outro segundo e mais um terceiro lançado em
edição alemã. Sob essas condições pela primeira
vez durante a carreira solo de Gabriel ele
consegue entrar nas paradas americanas e é
atinge a quarta colocação na Inglaterra. Diga-se
de passagem, que a faixa já havia sido escrita
por Gabriel desde a época de “PG1” intitulado
como “Massive attack” e mais tarde
posteriormente foi melhorada em termos musicais.
Retrata a respeito de uma espécie de jogo
chamado “It's a Knockout” (Gabriel cita
inclusive esta frase na música) que surgiu nos
anos 70 que tem como objetivo uma interatividade
(ou uma “guerra” saudável) entre nações onde as
pessoas se vestem a caráter (fantasias em
especial) dependendo de seu país de origem
“Dressing up in costumes, playing silly games”
que significa “Vestindo se em trajes a rigor
(fantasias, roupas a caráter), brincando de
jogos tolos” em inglês. Ao mesmo tempo
imagina-se as letras tratam sobre conflitos
entre raças, preconceitos, desavenças entre as
mesmas tanto culturalmente como socialmente o
que isto tornaria a originar uma guerra entre as
nações (ou de guerras e conflitos que já
existiram ao redor do planeta). São observados
diversos nomes de pessoas na faixa de nações ao
redor do mundo: Hans, Lotte, Jane, Willi, Suki,
Leo, Sacha, Britt, Adolf, Enrico (“Adolph builds
a bonfire, and Enrico plays with it” - estes 2
últimos os ouvintes associam como o nazista
Adolf Hitler e Enrico Franco da Guerra Civil
espanhola), André, Chiang Ching, Lin Tai Yu,
entretanto os nomes são incitados como de
crianças e não de adultos, ou seja, crianças
fazendo guerras (mas neste caso trata-se de
competição) porque quando elas crescerem ao
longo do tempo as mesmas tentarão se refletir
que o mundo é muito melhor para se viver em paz
e harmonia. O destaque é de Kate Bush (os
ouvintes gostam muito, especialmente para tentar
descobrir o que ela está falando nesta frase que
não é em inglês) que canta a frase “Jeux sans
frontieres” em francês que significa “Jogos sem
fronteiras”, o título da faixa, o mesmo jogo
também já existiu na França com o nome que Bush
canta. Musicalmente a faixa que já comentado
anteriormente apresenta Gabriel preparando-se no
estúdio como se fosse gravar a faixa (“One, two,
one two, four”) e colocando uma percussão
eletrônica que tem um ritmo meio de funk junto
com uma outra percussão acústica e as guitarras
que é meio estilo reagge. Depois da parte meio
reagge existente nos 2 refrões da faixa quando
Gabriel diz as 4 frases contendo a palavra
“whistling” que significa “assobiando” em inglês
(“Whistling tunes we hid in the dunes by the
seaside” por exemplo), observa-se um assobio que
na verdade é um sintetizador sendo tocado pelo
próprio Gabriel e percebe-se que é um assobio
bem característico de como se fosse uma melodia
de uma tropa do exército marchando, por exemplo.
Uma das canções memoráveis do músico que
atravessou a década de 80 tocando nas FMs o
quanto foi possível.
“Not one of us” – esta é uma das faixa que tem
um público dividido. Retrata algo sobre
alienação e etnia em explorar como um grupo ou
raça pode reagir com outros grupos ou raças não
observam ou agem de uma forma muito idêntica e
sim completamente diferentes. As letras aqui no
caso retrata sobre alguém sendo rejeitado,
separado ou excluído de uma multidão justamente
por causa de sua raça, ou crença religiosa ou
também porque ela pensa completamente diferente
de toda a humanidade existente no planeta como
se fosse um alienígena o que torna o mesmo numa
situação muito infeliz e triste como sugere na
faixa “It's only water in a stranger's tear” que
significa “É apenas água numa lágrima de um
estranho” em inglês. Há também a opressão social
contra o indivíduo porque a verdade doa a quem
doer e muito claro quando Gabriel cita "How can
we be in if there is no outside?" que significa
“Como nós podemos estar dentro se não há nada do
lado de fora?” em inglês. Musicalmente a faixa
apresenta Gabriel meio rindo de algo junto com
mais alguém e confuso com alguma coisa até que
entram as guitarras junto com o baixo e o vocal
de Gabriel novamente meio selvagem
“Aaaaaaaaaahhhhhhhhhhaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh” e
surgindo junto com as baterias de uma forma
crescente lembrando até uma tribo “O-oo-oo-oo-oo-oo-oo-oo-oo....”
quando por finalmente ele surge citando as
letras da faixa. Destaque para o tema final que
vai ficando de forma meio crescente e ás vezes
lembra um trem chegando. O mesmo tema foi
reutilizado na trilha sonora “Birdy” e a faixa
foi tocada no set-lit de Gabriel durante toda a
década de 80.
“Lead a normal life” – é uma faixa
semi-instrumental do álbum com Gabriel citando 6
frases e mais nada durante os seus pouco mais de
4 minutos de duração. É outra faixa que divide
muito o público sobre a sua adoração, talvez por
ela ser relativamente instrumental e muito
simples como os ouvintes pensam tornando a mesma
uma composição fraca do álbum sem muita coisa
interessante, o curioso é que da forma que foi
gravada não aparenta ser uma canção que
representasse os anos 80 em que Gabriel estava
entrando aqui com a chegada deste álbum e, além
disso, saiu em 2 compactos gravados pelo músico.
Embora tem elementos que estão atrelados ao
experimentalismo, a melodia em si é muito calma
e tranqüila. Aqui nós temos 2 destaques que
praticamente prevalecem à música
instrumentalmente: o primeiro são as marimbas
tocadas por Pert em boa extensão da faixa e que
formam a melodia junto a simples notas de piano
tocadas por Gabriel quando repentinamente o
músico canta as frases de uma maneira de como
que se estivesse fazendo uma conversação natural
com o ouvinte, posteriormente as marimbas junto
com as notas de piano retornam e novamente são
interrompidas por alguns gritos muito distantes
de Gabriel. A melodia retorna novamente pela
terceira vez e observa-se ruídos de guitarra
aparentemente de Robert Fripp com seus
frippertronics em meio de sons que ora lembra o
que ele faria no “King Crimson” no álbum
“Discipline” no meio da faixa “Thela Hun Ginjeet”,
ora lembrando aqueles ruídos de vídeo-game
finalizando a faixa. Liricamente tem um
significado muito grande para as pessoas que
gostam de Gabriel e são muito emotivas. Gabriel
aqui pode ser caracterizado como um ser humano
que se preocupa muito com as doenças humanas e
neste caso a faixa retrata sobre a sanidade
mental de um indivíduo. Repare que não é a mesma
situação que ele retrata sobre doenças
relacionadas com a mente em “No self control”,
“I don´t remember” ou “Family snapshot”, aqui é
completamente diferente, parece que a insanidade
e esquizofrenia são as principais causas do
sofrimento do personagem da faixa e mesmo ela
tendo 6 frases (Gabriel já havia retratado algo
semelhante na faixa “Humdrum” do “PG1” sobre
defender as pessoas dos psicanalistas só que ali
a letra já é um tanto maior diferente daqui que
contem uma quantidade menor de texto) não deixa
de criar uma forma que torne a faixa também um
ambiente pesado na forma de tema, pois afinal a
esquizofrenia e insanidade são palavras que
criam um temor no ser humano, ou seja, quem
desejaria ter uma personalidade dessas? O
tratamento é puramente delicado se for muito bem
avaliado que faz com que a pessoa dependendo do
caso ser levado em sanatórios e o ambiente de
locais como estes tem de abrigar
confortavelmente estas pessoas que possuem
sintomas citados anteriormente como, por
exemplo, na frase “It's nice here with a view of
the trees” que significa “É legal aqui com a
vista das árvores”, sem contar que o local onde
estão os profissionais que abrigam estas pessoas
tem uma grande esperança de que a ajuda seja
qual for necessária elas saiam e vão embora
deste local de tratamento com uma saúde muito
melhor. Foi tocada apenas na turnê do álbum na
época. É um tipo de faixa que lamentavelmente
não foi reaproveitada na trilha sonora do filme
“Birdy” que tem muito a ver o enredo da estória
com o tema desta música.
“Biko” – a maior faixa do álbum com quase 7:30
minutos de duração, além de ser a vedete do
álbum é também provavelmente considerada como um
dos épicos criados por Gabriel em sua carreira
solo dando uma vital importância na carreira
deste músico até então. É também uma das músicas
que incentivou Gabriel a atuar com a música de
terceiro mundo porque ao invés de apresentar o
rock, categoria da qual Gabriel iniciou a sua
carreira no “Genesis”, o músico apresenta uma
melodia puramente africana contendo tanto cantos
e corais tradicionais e a percussão (quase não
apresenta baterias, apenas em pequenos momentos
eventuais e ainda assim dando a impressão de ser
apenas percussão comum) e pode ser considerada
como uma canção muito representativa que se
encaixou no mundo do rock inclusive porque é
adorada e cantada tanto por aquelas pessoas que
são ou não fãs de Gabriel, assim como aquelas
que conhecem ou não a carreira musical de
Gabriel, ainda que emotiva muitos ouvintes sobre
a forma de como foi elaborada musicalmente. O
tema de “Biko” retrata novamente de assassinato
que completa os assuntos que Gabriel tentou
corresponder com lógica neste álbum: invasão,
desordem, paranóia, suicídio, amnésia, atentado,
guerra entre raças, insanidade e assim por
diante. “Biko” é ao mesmo tempo tanto um
atentado como assassinato e da mesma forma que
compõe o enredo de “Family snapshot” que foi um
acontecimento verídico, aqui também foi um outro
acontecimento real, mas que gerou muito mais
polêmica mundial (do que no caso de “Family
snapshot”) e correndo notícias mundo afora dando
mais abertura para que a humanidade começasse a
pensar diferente com mais união, pois era de um
ativista africano chamado Steven Biko (Gabriel
tornou esta canção num tributo e ao mesmo tempo
um protesto em favor a Biko), torturado e
assassinado dentro de uma cela de prisão
(aparentemente Biko havia sido preso pelas
autoridades policiais considerado pela justiça
local interpretado como um “baderneiro” pelo que
ele considerava ser justo a ser feito pela raça
negra) em 12 de setembro de 1.977 (1 dia depois
da data do atentado que chocou o mundo nos
Estados Unidos em 2.001 !!!!!!!!) na África do
Sul, justamente onde ele estava liderando um
movimento contra o regime do Apartheid (algo
como separar a raça branca da raça negra –
detalhe: o continente africano praticamente é
predominado em sua grande parte pela raça
negra), sendo que as autoridades da polícia
secreta da África do Sul sabiam das causas da
morte, mas argumentavam que era sobre uma doença
e causas naturais, isso contribuiu ainda mais
com a ira e a raiva da multidão e das pessoas ao
redor do mundo (comenta-se que Gabriel estava
confortavelmente dentro de uma banheira quando
escutou a notícia). Gabriel cita na faixa
detalhes no início da faixa em seu primeiro
refrão sobre o fatal acontecimento dizendo data
e local “September '77, Port Elizabeth weather
fine, It was business as usual, In police room
619”. Biko sacrificou sua vida aos direitos da
desvantagem humana e a desigualdade social e
política e não foi em sacrifício em benefício de
uma raça, mas sim da raça humana de maneira
geral. Biko é um exemplo de personalidade com
mesmos ideais que estava muito próximo de um
outro líder ativista americano também
assassinado em 1.968 nos Estados Unidos chamado
Martin Luther King Junior. “Biko” é um claro
exemplo que demonstra que o “Genesis” não
conseguiria expressar e interpretar esta música
que Gabriel escreveu porque não tem proposta
alguma de uma banda que fazia rock progressivo e
o fundador da mesma, Gabriel demonstrava
propostas com a música de terceiro mundo e o
“Genesis” se tivesse gravado coisa semelhante
correria o risco de ser duramente muito
criticado tanto pelo público como pela crítica.
Pode se perceber o quanto de interesse Gabriel
estava tendo sobre causas sociais e se
preocupando com as mesmas como deixa claro na
frase “When I try and sleep at night, I can only
dream in red. The outside world is black and
white with only one color dead” que significa
“Quando eu tento dormir a noite, Eu posso apenas
sonhar avermelhado. O mundo afora é preto e
branco somente com uma cor morta” em inglês, ou
seja, ele se refere que o “avermelhado” é
referente ao sangue de alguém que nesse caso é
assassinado e induzindo que este assassinato
teve uma raça com uma determinada cor de pele
extinta de uma maneira geral. Desde que foi
escrita por Gabriel e executada em “PG3” foi
tocada na maioria das turnês que o músico
organizou e até tocada nos dias atuais, saindo
em 2 compactos da época e sendo um deles na
versão alemã e um outro que saiu em 1.987 devido
à representação que Gabriel fez estando no show
da Anistia Internacional que iniciou em junho de
1.986 (nessa época Gabriel havia lançado o álbum
“So”) e estendendo no ano posterior (o Brasil
também recebeu Gabriel nesta época).
Musicalmente a faixa tem uma estrutura
relativamente muito simples que inicia com um
canto africano com uma melodia demonstrando
pessoas tristes em protesto até que a percussão
inicie numa forma rítmica muito simples que será
repetitiva até o final da faixa e recebendo
Gabriel nos vocais com acordes de guitarras bem
selvagens citando nos 3 refrões as palavras
“Yihla Moja” que em africano significa algo mais
ou menos parecido como “deixe o espírito
descer”. No meio da faixa na parte instrumental
pode se observar à sonoridade de uma flauta de
fole escocesa tocando a melodia de “Biko” muito
entristecedora. Próximo do final da faixa
observa-se um outro canto sul africano muito
triste conhecido como “Die Stem” cantado
novamente para o encerramento da faixa que se
observa uma batida seca, áspera e dura que é
como se fosse uma porta de prisão (ou cela de
delegacia) do responsável que assassinou Biko
finalizando de vez o álbum “PG3”. Detalhe:
apesar das percussões serem simples, no fundo
elas são realmente muito “secas” não sendo muito
recomendadas para escutar em volume alto com
fones de ouvido e especialmente aqueles que são
meio forma lembrando uma espécie de “agulha”
entrando direto no orifício auricular podendo
causar profundas dores nos tímpanos e levando a
surdez o ouvinte com o passar do tempo. Existe
uma versão ao vivo de “Biko” em “Plays live”.
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