Inglaterra, 1982.


Músicos:
Peter Gabriel – vocais principais, CMI, Linn programming, teclados e percussão
Jerry Marotta – baterias
Tony Levin – baixo, vocais de apoio
Larry Fast – teclados, percussão eletrônica e programming (exceto faixa 6)
David Rhodes - guitarras elétricas, vocais de apoio.
John Ellis – guitarras elétricas, vocais de apoio (exceto faixas 5, 6 e 7)
Stephen Paine – teclados (apenas na faixa 4)
David Lord – piano e teclados (apenas nas faixas 6, 7 e 8)
Peter Hammill – vocais de apoio (apenas nas faixas 4, 5 e 6)
Jill Gabriel – vocais de apoio (apenas na faixa 2)
Ekome Dance Company – percussão (apenas na faixa 1)


Músicas:
1. The rhythm of the heat - 5:15
2. San Jacinto - 6:22
3. I have the touch - 4:33
4. The family and the fishing net - 7:02
5. Shock the monkey - 5:31
6. Lay your hands on me - 6:03
7. Wallflower - 6:29
8. Kiss of life - 4:17


Peter Gabriel   

Peter Gabriel 4

 
Dados da resenha:
Autor: Ricardo (Steve Hillage); recebida em: 13/06/2005.
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Pela segunda vez consecutiva Peter Gabriel lança seu quarto álbum solo de estúdio por mais de 2 anos sem gravar. “Peter Gabriel 4” foi executado pelos selos Geffen, Virgin e Charisma Records em setembro de 1.982 estando nas mãos do público e da crítica e pela primeira vez na carreira de Gabriel resultando em 9 compactos teve a edição por recomendação da gravadora Geffen (ou manipulação ?) que fosse adotado um título que foi sugerido como “Security”, isso significa que somente as edições americanas que contém o tal título enquanto que as demais ainda prevalecem aquele padrão que Gabriel adotou desde o seu primeiro disco em “Peter Gabriel I” (1.977) contendo apenas o seu nome e nada mais, por outro lado é uma pena que a partir de então descaracterizou um pouco a originalidade de Gabriel e posteriormente os álbuns seguintes receberiam também títulos. Gabriel, entretanto, não foi o único artista a tentar designar essa forma de tratamento para títulos em seus álbuns, o “Led Zeppelin”, o “Soft Machine” se designavam apenas por números em determinadas ocasiões ou até o cantor brasileiro Roberto Carlos são (e continua sendo) outros exemplos.

A edição de “PG4” também recebeu pela segunda vez a versão com Gabriel cantando em alemão onde é encontrado o título “Deutsches álbum”, sinais de que o país deve ter tido uma impressão muito boa de Gabriel no álbum anterior que foi gravado “Peter Gabriel 3” (1.980). Em CD foi lançado em 1.990, 1.999 e 2.002 e as versões saíram tanto remasterizada (como em SACD) tendo uma grande maioria dos ouvintes muito satisfeitos especialmente na versão remasterizada de 2.002 (as outras 2 anteriores não são muito aprovadas pelos ouvintes). Para os brasileiros a edição saiu em edição nacional em vinil na época e foi relançado em 1.988 e 1.989 sendo que é possível encontrá-lo também no disquinho lançado em 1.994, 1.999 e 2.002. No mesmo ano de 1.982 também seriam realizados os trabalhos dos seguintes artistas conhecidos por Gabriel: o “Genesis” com um álbum duplo ao vivo intitulado como “Three sides live”, e os álbuns solos de Phil Collins em “Hello, I must be going!”, o baixista e guitarrista Mike Rutherford em “Acting very strange”, o guitarrista Steve Hackett em “Highly strung”, o guitarrista e instrumentista Anthony Phillips em “Private parts and pieces III: Antiques”.

Após a turnê do álbum “PG3” que foi aproximadamente até novembro de 1.980, Gabriel teve em vista no ano posterior em 2 atividades que ocupasse o ano de 1.981: a primeira delas seria a elaboração e gravações iniciais do álbum “PG4”, a segunda foi a elaboração de um script para a confecção de um possível filme chamado “The lamb lies down on Broadway” (último álbum de Peter Gabriel lançado em 1.975 que participou no “Genesis” saindo neste ano sendo a banda que fundou em 1.968 na Inglaterra) do qual a banda se reuniria com Gabriel para regravar as faixas deste trabalho e Gabriel se representaria como o personagem principal (evidentemente sem sombra de dúvidas!!!!) interpretando o Rael. Gabriel e o “Genesis” até tentaram abraçar a idéia investindo algo em torno de 5 milhões de dólares até que eles entraram numa situação muito delicada como que num beco sem saída; eles perderam o patrocínio com os investidores das filmagens sobre daquilo que pretendiam realizar, tentaram até executar eles mesmos, mas desistiram e perdendo suas esperanças naquilo que desejavam.

Aqui vale uma ressalva sobre este acontecimento: no ano de 1.982 quando Gabriel excursionou em apresentações (algumas que incluíam até mesmo o hindu Ravi Shankar, instrumentista mundialmente conhecido em tocar cítaras) pelo WOMAD (World of Music, Arts and Dance – Mundo da música, arte e dança) antes do lançamento de “PG4” ele teve prejuízos com determinados festivais. Portanto, é incerto saber se o tal script e mais os prejuízos de Gabriel com os festivais do WOMAD foram justamente os 2 somados para que ocorresse a tão “famosa” reunião do “Genesis” com Peter Gabriel em 2 de outubro de 1.982 no Milton Keynes (resultou inclusive num álbum triplo ao vivo pirata sendo um objeto muito raríssimo, além de um vídeo da época e de grande procura para os colecionadores destes artistas). Um outro aspecto interessante sobre essa reunião é que quando o “Genesis” registrou um vídeo de “Three sides live” observa-se Phil Collins respondendo perguntas de admiradores do grupo e de Gabriel numa espécie de radio broadcasting até que um deles questiona Collins se Gabriel retornaria algum dia ao “Genesis”; Collins em contrapartida aparenta estar seguro na sua resposta, mas muito duvidoso, pois embora o vídeo é de 1.982 a entrevista feita foi ocorrida na turnê de 1.981 do grupo quando lançou o álbum “Abacab” naquele ano. A apresentação em forma de reunião também contou com a presença do guitarrista Steve Hackett (que saiu na banda em 1.977) e dos músicos Chester Thompson nas baterias (que substituía Collins nas baterias em apresentações ao vivo) e Darry Stuemmer nas guitarras e baixo (que substituía Rutherford com seus instrumentos). Foram apresentadas músicas que compreendiam a época de Gabriel no “Genesis” que iam desde “The musical box” do “Nursery crime” (1.971) indo até “Back in NYC” do álbum “The lamb...” assim como outras do “Genesis” sem Gabriel como “Follow you, follow me” por exemplo, do álbum “And then there were three” (1.978) e fora algumas músicas de Gabriel em sua carreira solo como “Solsbury hill” do “Peter Gabriel I” (1.977), “On the air” do álbum “Peter Gabriel 2” (1.978) e entre outras mais. Como também se não bastasse e para a alegria de todo aquele público (que possivelmente deveria estar muito eufórico) Gabriel fez encenações teatrais de alguns de seus sucessos na época que estava no “Genesis”. O festival neste caso deve ter sido bom para Gabriel porque ele pôde tomar fôlego no que viria pela frente, pois o “PG4” ainda tinha um mês de lançamento (setembro de 1.982) depois que ocorreu a reunião em outubro daquele ano de 1.982 e conseqüentemente o músico estaria através se apresentando com o material que tinha gravado até em momento chegando ao final de 1.983 num constante ritmo de apresentações.

Os músicos pela quarta vez passam por uma outra troca de formações sendo que o baixista Tony Levin novamente estaria presente pelo quarto álbum consecutivo alem de ajudar nos vocais de apoio. Levin inclusive estava numa época que ao mesmo tempo gravava um álbum pertencente a uma banda muito fundamental que surgiu nos finais dos anos 60, o “King Crimson”, fundado pelo guitarrista Robert Fripp (que colaborou nos 3 primeiros álbuns solos de Gabriel) retornando novamente nos anos 80 e dando apoio com seu instrumento para as gravações de “Beat” (que no fundo é de uma trilogia proposta pelo grupo durante esta década). Nas baterias continuaria também Jerry Marotta que ao mesmo seria reforçado nas percussões por Morris Pert (presente no álbum anterior) além da participação do Ekome Dance Company (pelo que se sabe o “PG4” é um dos únicos registros de que se tem notícia de sua participação em termos de discografia, além de uma coletânea de vários artistas chamado “The best of music and rhythm” de 1.983 onde está presente uma faixa de Gabriel que não pode ser inclusa em “PG4” chamado “Across the river”) e o próprio Gabriel que usufrui recursos eletrônicos em meio dos instrumentos acústicos destes outros participantes.

As guitarras elétricas tiveram a presença de David Rhodes (que participou no álbum anterior) e é reforçado por John Ellis que já havia gravado com o “The Vibrators” e “Sunset Bombers” e Peter Hammill. Nos instrumentos de sopros foi convidado Roberto Laneri que participou apenas de algumas gravações e sessions com o baixista jazzista Charles Mingus. Nos teclados e sintetizadores estão presentes Larry Fast (que também estava com Gabriel desde o seu primeiro álbum de estréia), ajudando Gabriel na elaboração de programações das percussões eletrônicas, além de ser reforçado por Stephen Paine que até então havia feito uma gravação com uma banda pop britânica chamada “The Korgis” que encerrou suas atividades em 1.986 e David Lord que já havia colaborado com John Renbourn, Roy Harper e a banda “The Korgis”. Gabriel também tem reforços nos vocais de fundo de Peter Hammill, que foi um dos fundadores do “Van Der Graaf Generator” e sendo uma banda de progressivo sinfônico que foi concorrente do “Genesis” e pertencente ao mesmo selo da banda de Gabriel, a Charisma Records, além de terem excursionado juntos em algumas apresentações na Europa no início dos anos 70. Hammill gravou um álbum solo no mesmo ano de “PG4” que tem a colaboração de Ellis. E reforçando os vocais de fundo está também a esposa de Gabriel, Jill Gabriel, diferente da última ocasião quando apenas se encontrava como compositora no “PG2”, precisamente na música “Mother of violence”.

Contendo 8 faixas (metade delas acima da casa dos 6 minutos de duração) a grande verdade é que nem sempre todos os músicos citados estão participando em todas as faixas a salvo de Levin, Marotta, Fast, Rhodes e Ellis que mais participam, além de Gabriel é claro.

Apesar de não ter uma repercussão completamente idêntica com o álbum anterior “PG4” é um álbum que contém uma boa satisfação do público, o molde como foi conduzido por Gabriel em sua elaboração se torna nítida o envolvimento dele com a música de terceiro mundo (que ele apostou inicialmente no álbum anterior na forma de ritmo, percussão e a faixa “Biko”, considerado um dos épicos e hinos de Gabriel aclamados pelo público do artista). Aqui o músico conseguiu curiosamente realizar a façanha pela primeira vez de atingir o primeiro posto das paradas inglesas em termos de vendas na época, lembrando que o “PG3”, álbum anterior é muito mais adorado do que esse e atingiu a quarta posição no caso na época de seu lançamento. O rock progressivo ? Da mesma maneira como o anterior também não existe, o que contém que diferencia além da boa presença da música e sonoridade evidente de terceiro mundo, há uma constante presença de elementos sonoros eletrônicos que auxiliam muito na percussão e ritmo das músicas (resultado de um equipamento utilizado por Gabriel chamado Fairlight CMI – Computer Musical Instrument sendo ajudado por Fast, Paine e Lord que existe no álbum muito freqüentemente do início ao fim) e fora àquela iniciativa de Gabriel em investir na percussão acústica sem a presença de elementos metálicos que compreendem as baterias e percussão incidental geral. A sonoridade chega até de certa forma soar como bandas do tipo “Devo”, “B-52´s”, “Culture Club”, “The Go-Go´s” e entre outras que são da categoria do New Wave, uma tendência na época no início dos anos 80 que estava sendo muito tocada nas FMs da época, mas no fundo não é do tipo convencional porque há o envolvimento da sonoridade da música de terceiro mundo. Alguns fãs chegam a associar algo um tanto parecido como em “Graceland” (1.986) de Paul Simon ou o “Nothing like sun” (1.987) do cantor Sting, que foi fundador do “The Police”, como por exemplos. A forma de sonoridade sombria, selvagem, agressiva e obscura presente no álbum anterior não é tão exagerada na presença deste trabalho, talvez porque a presença dos elementos sonoros eletrônicos permitiram se tornar algo um pouco mais descontraído tornando um modo por vezes até característico meio dançante (fator que pode ter contribuído por alguns fãs de Gabriel não gostarem muito deste álbum em relação ao anterior), evidentemente não a ponto de ser dance eletrônico ou algo parecido. Gabriel concentrou temas mais relacionados à tortura, relacionamento familiar, invasão de progresso humano, política humana, espiritualidade e energia e entre outros. Ao ser questionado numa entrevista se Gabriel fez uso de drogas na elaboração deste trabalho ele respondeu que a única coisa que ele comeu foi apenas um guisado deixando-o doente por alguns dias.

Na turnê do álbum era possível observar Gabriel maquiado no rosto e executando mais de 50% das faixas deste álbum e isto sendo confirmado no álbum ao vivo “Plays live” (1.983) que sairia no ano posterior após este trabalho de estúdio, isso sem contar que serviu em parte para um material que Gabriel executou em sua primeira trilha sonora chamada “Birdy – Asas da Liberdade” (1.985) de um filme de Alan Parker que estão presentes os atores Nicholas Cage e Mattew Modine, isso sem contar que “PG4” foi indicado para concorrer ao Grammy daquele ano. Tanto a remasterização como o formato em SACD é aprovado pela maioria dos ouvintes que já escutaram e possuem este álbum, vem ainda com fotos inéditas embora um dos únicos aspectos negativos das versões de CD atuais é de Gabriel não ter sido mais abusado novamente com faixas bônus que foram lançadas na época em compactos como “Soft dog”, “Across the river” (aqui neste caso é possível escutar em versão ao vivo do segundo álbum ao vivo de Gabriel “Secret world live” (1.994)) e sem contar a versão que é cantada por Gabriel completamente em alemão (a mesma fórmula que ele adotou no álbum anterior), e também uma boa pedida muito divertida para quem gostaria (ou gosta do idioma) de aprender alemão, pois Gabriel não fala alemão da forma de alguém de outro idioma que aprendeu ou está aprendendo e sim como se ele tivesse a pronúncia das palavras que devem ser ditas ao pé-da-letra (geralmente os dicionários de idiomas diferentes colocam entre parênteses como é a forma da pronúncia de uma determinada palavra); claro que Gabriel contou com uma pessoa pra consultar a forma de falar em alemão e o responsável que colaborou nos 2 álbuns que Gabriel gravou em alemão foi Horst Konigstein.

Gravado em sua casa e em estúdio, a produção do trabalho sofreu a quarta mudança e Steve Lilywhite é substituído por David Lord que ao mesmo tempo também toca sintetizadores em algumas faixas deste álbum de Gabriel. Detalhe: Lord atuou num álbum chamado “Dumb waiters” (1.980) em que Stephan Paine também está presente antes que eles participassem de “PG4”. Pode ser difícil, mas pode ocorrer uma possibilidade de que a substituição de Lilywhite possa ter feito diferença ? Talvez sim ou talvez não. Só realmente ao que diga a sonoridade resultada deste álbum não ser tão conceituado como o anterior, mas de qualquer maneira, Lord já conhecia Gabriel desde a época da turnê de “PG3” e cumpriu o papel dele como produtor e seguindo a maneira de como Gabriel desde o seu álbum de estréia sempre inovando na música, ao mesmo tempo em que Lord é auxiliado por Neal Perry.

A capa do álbum traz pela primeira vez um visual completamente colorido (tanto na capa como na contracapa), já que desde que Gabriel estreou estava sempre presente as cores que variavam do preto ao branco (apesar da imagem do carro azul em “PG1”, Gabriel está dentro dele em tons abstratos de cores acinzentadas). Curiosamente também pela primeira vez não observa uma imagem de Gabriel na capa e sim de alguém mascarado (de alguma tribo inclusive) e até um tanto meio assustadora a máscara que usa (imagine encontrando na real alguém de frente com uma mascara destas...) e dificilmente dá pra saber ao que se passa, algo realmente muito selvagem. Parece que é um mascarado com uma espécie de bola de cristal a sua frente e ao lado esquerdo ele está segurando alguma coisa (lembra o formato de um orelhão de rua!!!). Também é difícil saber o que representa na foto da contracapa, parece ser a mesma coisa mascarada, mas fotografada diagonalmente e no canto tem duas fotografias que aparenta ser Gabriel mordendo alguma coisa. A versão americana geralmente tem uma espécie de adesivo no canto superior direito com a palavra “Security”, a alemã tem o dizer “Deutsches álbum” em cor clara abaixo da palavra “Peter Gabriel” que geralmente é impressa no canto superior esquerdo, a japonesa tem uma tarja negra vertical de ponta a ponta com dizeres em japonês e por finalmente a inglesa (que é a mesma da versão brasileira) só tem o dizer “Peter Gabriel” e nada mais e já nas versões masterizadas em CD não possuem coisa alguma escrita. Provavelmente esta mudança que ocorreu foi porque Gabriel não optou pela empresa Hipgnosis que havia feito as suas outras capas anteriores e conseqüentemente isto “quebrou” um pouco a sua monotonia e rotina, por outro lado é uma pena isto ter acontecido, mas isto deve ter acontecido pelo fato de que o conteúdo sonoro do material é devido ao resultado que se escuta com boa presença da música de terceiro mundo (que em determinados momentos lembram até algo feito por comunidades tribais, mesmo com a presença de música eletrônica). A capa foi na verdade um resultado de vídeo elaborado por David Gardner, Malcom Poynter possivelmente sugerido pelo próprio Gabriel ao mesmo tempo em que foi auxiliado a montagem gráfica por Ron Hart.


“The rhythm of the heat” – Gabriel começa o álbum com uma faixa que tem uma estrutura musical completamente bem de um estilo tribal. A primeira música que pode vir à cabeça do ouvinte quando escuta pela primeira vez este álbum é a “Biko” do álbum anterior. Tudo isso é devido já que há a presença de percussionistas da Ekome Dance Company que só gravaram esta faixa, assim como também a “Across the river” que havia saído em um compacto e editado numa coletânea chamada “The best of music and rhythm” (1.983). Não se sabe sobre o paradeiro destes músicos, apenas que são africanos, de Ghana, país britânico que teve sua independência em 1.957 com uma forte presença de tradição tribal cultural e especialmente religiosa. Além dos percussionistas serem o destaque principal da faixa Gabriel ora contrabalanceia os seus vocais junto com um coro vocal da frase “Drawn across the plainland” até “Help open to the sun” ajudado por Rhodes e Ellis que citam inúmeras vezes o nome da faixa e ocasionalmente de forma sussurrada. Gabriel mantém uma expectativa muito grande para o ouvinte à medida que ele vai cantando as letras da música de uma maneira muito introspectiva e que inclui em algumas frases o músico declarando por meio de sussurros no segundo refrão. Sem contar a palavra “soul” que significa “alma” em inglês que é por meio de grito por 2 vezes e em especial na segunda vez na última frase da música “The rhythm has my sooooooooooooooooouuuuuuuuuuuuuuuulllllllllllllllllll” parecendo não querer terminar de completar a palavra em seu brado, esta é inclusive uma das partes que mais emocionam os ouvintes que gostam desse álbum (a frase significa “O ritmo tem minha alma” em inglês que se subentende que é como se Gabriel “disponibiliza-se” a sua alma para a música que é justamente o meio pelo qual ele sobreviveu), e também da faixa que é uma das mais adoradas do trabalho visto porque em coisa de aproximadamente 1 minuto de duração a sonoridade soa de uma selvageria e agressividade tamanha que parece interminável visto que os percussionistas predominam na música nestes instantes finais como que se fossem uma orquestra sinfônica de apenas a predominância de percussões tanto acústicas como as eletrônicas (ora se esquecem que não há a presença da percussão eletrônica programada por Gabriel e Fast) lembrando como se fosse uma furiosa tempestade de um ritual de percussão aclamando por uma forte rajada pesada de chuvas, raios e trovões (parece algo que como se fosse um inferno e lembrando que “heat” significa “calor, fervor, quentura” em inglês) até que repentinamente elas se cessam abruptamente de vez finalizando a faixa (Gabriel e Marotta tocam surdos). Estão presentes também Marotta, Levin, Fast. O início da mesma que inicia de uma forma muito lenta e um tanto calma que apresentam percussões discretas lembrando algo como que uma máquina industrial em funcionamento e que aos poucos vão ficando crescente em meio a um baixo (é tocado por diversas vezes na mesma nota e no mesmo tom da música) e aos poucos o ouvinte vai percebendo que ela tem uma estrutura bem de um estilo tribal africano e também quando a melodia vai dando espaço quando Gabriel cita por algumas vezes o nome da faixa próximo do meio da faixa depois de citar a primeira vez em grito a palavra “soul” que não é tão exagerado o prolongamento do que há existente na segunda vez. Observe que quando Gabriel cita a terceira frase da faixa em “High up on the red rock” ao fundo tem um ruído que lembra um código morse. Gabriel se baseou na escrita desta faixa através de um estudo de um psiquiatra suíço conhecido mundialmente como Carl Gustav Jung, falecido em 1.961 que estudou culturas aborígines e sobre a paranóia humana que é vista crescendo de uma forma a ponto de deixar o ser humano completamente louco. Parece que o propósito de Gabriel é justamente este da maneira que ele cita a palavra “soul”; o mesmo convida o ouvinte a entrar num mundo de valores espirituais, testemunhos de sobrevivência seria alguém do mundo ocidental viver e sentir como é ser alguém do mundo oriental e especial da África. Uma pena Gabriel não ter feito com que ela resistisse em seu set-list depois da turnê de “PG4” e que ganhou pelo menos uma versão ao vivo em “Plays live” e uma outra para a trilha sonora de “Birdy”. Alguns espectadores que assistiram a época que Gabriel fez a turnê de “PG4” comentam que chegava na casa dos 10 minutos de duração visto que era a primeira música das apresentações onde se observava uma parte introdutória um pouco mais tensa, densa e estendida e fora o solo de percussão mais próximo do final que tinha o dobro do tempo da original.

San Jacinto – depois de um destaque de percussões do final da faixa anterior, Gabriel segue o seu repertório em “PG4” agora em direção a uma outra tribo; a de índios nativos americanos. A faixa retrata a respeito de uma raça que tem os seus sentimentos sendo perdidos de sua própria cultura americana (os Estados Unidos no passado possuíam durante o decorrer dos séculos uma quantidade enorme de índios que foram perdendo espaço para o homem branco, e ainda continuam perdendo!!! – a mesma coisa que ocorreu (e ocorre) no Brasil desde a época de seu descobrimento em 1.500, sem contar no restante de toda a América Latina antes mesmo dos europeus chegarem no outro lado do Atlântico) e fora a perda de identidade e eles se vêem sendo invadidos cada vez mais pela modernização e industrialização do homem branco. No enredo desta faixa, Gabriel faz o papel de um velho índio nativo (no primeiro tema da música o músico cita as frases como se estivesse fazendo uma simples conversação) e vai contanto e lamentando o declínio de seu povo e a perda de sua sagrada e santa terra para a cultura moderna até que o mesmo aclama a frase “I hold the line” que significa “Eu mantenho a linha (divisa)” em inglês por algumas vezes, induzindo no futuro que acredita na esperança, este nativo vai dramatizando em seu enredo a forma como a modernização vai tomando conta de seu espaço ora conquistado num outro tempo indo de carro ao encontro de uma montanha num táxi e percebendo o desenvolvimento de casas com piscinas e homens brancos atualizando o local para receberem turistas em lojas de nomes intitulados como "Bull Steakhouse" ou “Geronimo´s disco” Será que a modernização do homem branco através dos séculos ajudou a paises que tinham uma predominância indígena muito forte a terem esperança? A frase “We will live” que significa “Nós viveremos” em inglês dá a entender que a raça nativa na ocasião interpreta que persistirá e preservará o seu estilo próprio de vida da qual está em sintonia com o mundo natural. Percebe-se mais uma vez como Gabriel tem um sentimento humano muito grande, em se preocupar com causas humanas, já abordado em especial no álbum anterior. Na época da turnê de “PG4” comenta-se que quando Gabriel antes de executar esta faixa (que é ainda tocada em algumas apresentações até hoje) esclarecia ao público presente que foi um índio que lhe contou a história de seu povo e então resultando a gravação de “San Jacinto”. Algumas palavras demonstram o quanto a faixa é relacionada a algo de indígenas nativos como em “...buffalo robe... Red paint - eagle feathers - coyote calling” que significa “...roupão de búfalo...pintura vermelha – penas de águia – coiote uivando” em inglês. Para os curiosos San Jacinto é uma cidade americana que fica no estado americano da Califórnia a (detalhe: chefiada nos dias atuais pela prefeita Chris Carlson-Buydos) 128 quilômetros de Los Angeles e 144 quilometros de San Diego e próximo do Aeroporto de Palm Springs. Além disso, é o nome de um rio texano e da segunda montanha mais alta do sudoeste da Califórnia e nos pés da montanha existem muitas reservas indígenas que moram até hoje por lá. Um outro aspecto que também pode estar associado a respeito do nome é a batalha de San Jacinto que ocorreu aproximadamente em abril de 1.836 quando ocorreu um conflito entre mexicanos e americanos para consolidar a independência do estado do Texas para beneficiar o continente americano. Os componentes que participam desta faixa são Levin, Marotta, Ellis, Rhodes, Fast e nos vocais de apoio, Jill Gabriel, esposa de Gabriel que pode ser percebida o seu vocal especialmente entre as frases “Letting go of life” e “Medicine man...” dizendo palavras de algum idioma possivelmente da língua nativa. A faixa é razoavelmente estruturada com a abertura de sintetizadores de Fast junto com o teclado CMI que Gabriel também toca lembrando algo como um carrilhão que predomina numa forma seqüencial em mais da metade da faixa e meio a uma sonoridade de riffs chineses. O tecladista Patrick Moraz que participou do álbum “Relayer” (1.975) do “Yes” gravou um álbum solo chamado “Human interface” (1.987) onde na faixa “Light elements” lembra muito parecido a estrutura principal destes elementos sonoros. O “Genesis” também gravou uma introdução na música “The grand parade of lifeless packing” do álbum duplo “The lamb lies down on Broadway” (1.975) um tanto parecido, sem contar que na faixa “Ballad of Big” do álbum “And then there were three” (1.978) tem um relacionamento sobre tribo indígena. Observe que também Levin lembra em alguns toques e riffs de baixo algo que ele fez gravou no “King Crimson” no álbum “Discipline” (1.981) na faixa “The sheltering sky”. No tema final da faixa (a mais tranqüila) percebe-se Gabriel fazendo um vocal lembrando alguém idoso (o nativo que faz o enredo de “San Jacinto”), e nas apresentações ao vivo era possível ver Gabriel a partir da frase “We will walk” com toda iluminação apagada exceto uma única luz se direcionando ao músico e o mesmo brincava com o público refletindo a luz sobre eles em um espelho; momento memorável pelo visto (e a música que é também muito adorada pelos fãs de Gabriel), e em algumas apresentações a música chegava na casa dos 10 minutos de duração. Algumas canções ao longo do tempo que foram gravadas por Gabriel também tem momentos que dividem uma proximidade com a “San Jacinto” como “Mercy Street” do álbum “So” (1.986) ou “Come talk to me” do álbum “Us” (1.992). Há uma versão ao vivo que foi registrada em “Plays live”, uma outra que serviu de material para o filme “Birdy”, e outra que saiu em um tributo chamado “Leaves from the tree” (2.002).

“I have the touch” – a equipe musical é composta por Levin, Fast, Marotta, Ellis, Rhodes e Gabriel. Em termos de sonoridade é praticamente um tanto repetitiva do início ao fim visto que há um programming de percussão eletrônica elaborado por Gabriel onde o acústico que é muito discreto é feito por Marotta. Apesar de ter elementos eletrônicos percussivos é uma faixa que mantém uma simpatia dos ouvintes de Gabriel lembrando um estilo meio que techno-funk (eletrônico em especial), chegando ser dançante às vezes, pois é considerado uma das melodias pop deste álbum e lembra até algo que o “Devo” fez, por exemplo, em “Speed racer” no álbum “Oh no, it´s Devo” (1.982). Diz a respeito sobre a necessidade humana de se tocarem uns ao outros, isto é, o contato físico entre as pessoas, independente qualquer que seje a forma de contato físico. O próprio nome da faixa procura definir isso e significa “Eu tenho o toque” em inglês, fora as frases “I´m wanting contact” e “I need contact”que significam “Eu estou esperando contato”, “Eu necessito de contato” em inglês. Imagine um indivíduo envolto a um ambiente onde ele não possa fazer tais contatos, isso faz com que ele possa acabar ficando doentio e uma ameaça à sociedade. Alguns filmes que retratam personagens que vivem sozinhos em florestas, fins de mundos e até aprisionados são alguns exemplos típicos (ao mesmo tempo que para eles a sociedade também é uma ameaça sob a sua forma de pensar e agir). Algumas pessoas que usufrui métodos de meditação onde o objetivo é estar isolado chegam a ficar neuróticas porque a um dado momento sentem a necessidade de contato físico com outros seres humanos. Algumas pesquisas sobre a respeito do assunto chegaram a algumas conclusões curiosas onde existem certos povos chegam a se tocarem uns aos outros por 200 vezes num intervalo de almoço enquanto que os britânicos realizam a proeza em apenas 2 vezes!!!! Um outro aspecto que pode ser interpretado em relação as letras da música é sobre a sedução onde o homem procura criar meios de tocar a pessoa que deseja utilizando formas, tentativas e vícios como em especial no quarto refrão “Pull my chin, stroke my hair, scratch my nose, hug my knees, Try drink, food, cigarette, tension will not ease , I tap my fingers, fold my arms, breathe in deep, cross my legs, Shrug my shoulders, stretch my back - but nothing seems to please” que significa “Puxe meu queixo, acaricie meu cabelo, arranhe meu nariz, abrace meus joelhos, Experimente bebida, comida, cigarro, que a tensão não aliviará, Eu bato meus dedos, dobro meus braços, respiro fundo, cruzo minhas pernas, Encolha os ombros meus ombros, estire minha parte de trás - mas nada parece agradar” em inglês. Curiosamente Gabriel faria algo falando a respeito de vícios e mudanças posteriormente em “Sledgehammer” no álbum “So”. Sobre as versões desta faixa: saiu em um compacto na época, além de sair em uma versão ao vivo em “Plays live” (foi tocada apenas na turnê de “PG4” e uma única vez em novembro de 1.986), uma que saiu em 1.985, outra em 1.987, além das trilhas sonoras “Phenomenon” (neste caso aparece até com letras extras) que tem o ator principal John Travolta e Robert Duvall e “The Craft – Jovens bruxas” (1.996) só que nesse caso é interpretado pela banda “Heather Nova”.

“The family and the fishing net” – é a maior faixa do álbum com pouco mais de 7 minutos de duração. Tem uma característica meio que lembrando experimentalismo musical e que tranqüilamente poderia ser adequada no álbum anterior “PG3” se houvesse espaço para incluí-la no álbum além de Gabriel se ele já havia composto na época (foi elaborada depois do lançamento de “PG3”). O mais engraçado é que seqüencialmente ela está entre as 2 faixas mais pop do álbum, “I have the touch” e “Shock the monkey”. O destaque aqui fica por conta dos guitarristas David Rhodes e John Ellis que por coisa de minutos eles lembram uma sonoridade muito parecida com o que Robert Fripp costuma fazer na sua carreira musical (lembrando que Fripp participou dos 3 primeiros álbuns de Gabriel, tanto como músico como produtor musical), a seção mediana instrumental da faixa demonstra muito isso e pode ser considerada a mais experimental do álbum. Musicalmente Gabriel retorna de uma maneira bem tribal que logo de início da introdução da faixa os teclados e sintetizadores são tocados de uma maneira lembrando flautas de tradição etiopianas e ao longo da faixa ela vai ficando aos poucos crescente com a entrada dos outros músicos e tendo Gabriel que mais dá uma sensação de que está narrando do que cantando. A pergunta é: onde está o saxofonista Roberto Laneri ? Esta é inclusive a única faixa da qual nos créditos do álbum indicam que ele está presente, o detalhe, sobretudo é que em meio de uma “tonelada” de tratamentos sonoros, especialmente pelo uso do instrumento CMI que Gabriel recorreu em especial neste álbum, fica muito difícil de saber ao certo onde ele está tocando o seu instrumento. O outro fator é que é provável que os timbres do saxofone sofreram tratamentos sonoros o que dificulta ainda mais a sua presença. Estão presentes Marotta, Fast, Levin, Stephan Paine reforçando os tratamentos sonoros e Peter Hammill ajudando nos vocais de apoio em uma boa parte dos refrões e coro. Repare que o título tem uma mesma palavra no título, “family” que está presente no “PG3” com o nome “Family snapshot”, embora os assuntos que retratam as faixas não tem nada uma ver com a outra. Aqui neste caso são sobre problema de descriminação e preconceito sexual, escassez, relacionamento e reunião familiar, mas voltada a alguma espécie de sacrifício e ritual como na frase “Vows of sacrifice, headless chickens, Dance in circles, they the blessed” que significa “Votos de sacrifício, galinhas sem cabeças, Dança em círculos, eles os abençoados” em inglês e também em casamento “Icing on the warm flesh cake... In the darkness, till the cake is cut, Passed around, in little pieces” que significa “Resfriando o bolo morno de carne. Na escuridão, até o bolo é cortado, Passado ao redor em pequenos pedaços” em inglês, lembrando que este “bolo de carne” que Gabriel se refere é um bolo de casamento. Aqui no caso do enredo um bolo de casamento não quer dizer necessariamente se seje doce, salgado, com sabor ou não. Observe que também entre as frases “And the talk goes on, Memories crash on tireless waves” lembra uma sonoridade muito parecida com a faixa “One these, hope” do álbum da trilha sonora “Passion – A ultima tentação de Cristo” (1.989). Existe uma versão que foi registrada no álbum ao vivo “Plays live” e Gabriel manteve esta faixa em suas apresentações durante a década de 80. Existe uma versão que foi gravada pela banda “Primus” no álbum “Rhinoplasty” (1.998); alías o “Primus” deve gostar de Gabriel, pois eles gravaram uma versão de “Intruder” do “PG3” no álbum “Miscellaneous Debris” (1.992).

“Shock the monkey” – praticamente é o “hit” do álbum, foi lançado em 6 compactos e um em edição alemã (todos eles na boa maioria vinham com uma outra faixa inédita chamada “Soft dog”), chegou ao posto americano do Top 30 e foi também indicada para a premiação do Grammy de 1.982 como melhor canção sem contar que é uma das faixas adoradas do álbum e do público de maneira geral em relação aos trabalhos que Gabriel já lançou em sua carreira, além de que desde a sua publicação o músico vem executando em apresentações ao vivo nos dias atuais. Tanto o público que conhece Gabriel assim como o desconhece tem simpatia por esta melodia e a boa maioria se identifica muito em trechos quando Gabriel arrasta a palavra “Shhhhhhhhhock” por 3 vezes consecutivas nos refrões que contém a mesma, assim como próximo do final que Gabriel junto com Hammill dizem repetidamente “Shock the monkey to life – Shock the monkey”. Tem até que uma estrutura musical bem definida; como Gabriel investiu neste álbum no instrumento CMI, ele não perdoou a faixa do início ao fim em usufruir do instrumento e o resultado alcançado foi que é provavelmente a música que Gabriel já executou que contém mais presenças deste instrumento, a melodia em si demonstra o instrumento querendo até “cantar a música” e o acorde principal é o que mantém a melodia muito gostosa e ora até dançante (lembrando que o álbum “PG4” possui grande quantidade de elementos eletrônicos e percussivos) não desperdiçando um único segundo. A mesma melodia principal até que poderia ter sido substituída por uma seção de metais, que é justamente os que os teclados do CMI sugerem na melodia, mesmo assim isso não desfavoreceu Gabriel em seu propósito ao gravar esta música; faixas como “Sledgehammer” do “So” e “Kiss the frog” do “Us” (1.992) seriam algumas melodias “seguidoras” a exemplo no que resultou a “Shock the monkey”. Estão presentes: Levin, Marotta, Fast, Rhodes e Hammill (em alguns refrões, no coro e em especial próximo do final da faixa onde Gabriel é observado fazendo “falsettos” dizendo insistentemente o nome da faixa). Tanto esta faixa como “I have the touch” não tem característica que associa a sonoridade de terceiro mundo visto que possui uma melodia puramente pop. Liricamente é um tanto meio confusa a sua narrativa, parece dizer algo relacionado sobre experiência com macacos (demonstra também o quanto Gabriel e ativista e se preocupa com a natureza), mas ao mesmo tempo também ciúme (que faz parte da natureza animal) e identificação sexual como nas duas primeiras frases “Cover me when I run, cover me through the fire” que significa “Cubra me quando eu correr, cubra me através do fogo”, as mesmas frases também sugerem algo relacionado a uma fuga, ou alternativa de escapar de uma rotina. Parece que também Gabriel fez um aparato nestas letras da mesma forma como em “The rhythm of the heat” sobre o relacionamento do psiquiatra Carl Jung. Há também uma conotação muito suspeita sobre o “shock” era na verdade a palavra “spank” pois caso o nome da faixa fosse “Spank the monkey” isso significa na gíria masculina “Bater uma punheta” em inglês. Hilário, mas nada que impedisse que fosse assim que Gabriel quisesse entitular o nome desta faixa nesta maneira, mas ele poderia correr um sério risco de gravar uma música que as pessoas achassem legal e a censura inglesa impedir que chagassem aos ouvidos das pessoas. Foi lançado uma versão em “Plays live” assim como há 2 versões de tributos gravadas nos álbuns “Leaves from the tree” (2.002) e “The string quartet tribute to Peter Gabriel” (2.004).

“Lay your hands on me” – uma das faixas que para desgosto do público foi executada até as apresentações do músico em 1.988 e foi retirada então do seu set-list. É uma das poucas músicas deste álbum de Gabriel que o público se identifica em termos de estúdio; isto é, os fãs de Gabriel gostam dela ao vivo, tanto quem já foi em apresentações ao vivo de Gabriel como já assistiram em vídeo puderam conferi-lo caindo deitado nos braços do público próximo ao palco (há uma foto na contra-capa de “Plays live” que pode ser observado este detalhe e provavelmente deva ser a “Lay your hands on me” que estava sendo executada e foi lamentavelmente não foi inclusa neste álbum ao vivo). Gabriel não “voava”, se jogava ou se atirava ao público como outros roqueiros, ele já realizava a proeza desde os tempos da turnê de “PG2”, ficava na extremidade do palco próximo do público, se virava de costas, amolecia o corpo (que deveria estar muito relaxado) caindo de uma forma muito espontânea como que se fosse alguém desmaiando e caindo ao chão de costas. Para o público isso representava que Gabriel confiava e acreditava nas pessoas, passava energia positiva como se ele pretendesse fazer parte das vidas destas pessoas e ainda mais para aqueles espectadores que estavam próximos de Gabriel e até mesmo para aqueles que o seguravam, imagine a emoção grande destas pessoas que puderam ter esta sensação bem de perto. No caso de “Lay your...” geralmente ele caia no público nas últimas frases da música bem como o título que demonstra esta confiança de Gabriel como seu público, pois “Lay down...” significa “Ponha suas mãos em mim” em inglês, assim como I am willing - lay your hands on me, I am ready - lay your hands on me, I believe - lay your hands on me, over me, over me” que significam “Eu estou disposto - ponha suas mãos em mim, Eu estou pronto - ponha suas mãos em mim, Eu acredito - ponha suas mãos em mim, acima de mim, acima de mim” em inglês. Os elementos de terceiro mundo estão presentes nesta faixa, apresentando a persistência de instintos primitivos e rituais, Gabriel quando interpreta passa a idéia de ser uma espécie de um pai de santo (um curandeiro, ou coisa parecida) logo nos dois refrões da música; na primeira frase ele também passa a impressão de que como se estivesse cantando numa forma de um músico de rap (mais tarde em “Ovo” (2.000) Gabriel executaria uma melodia chamada “The story of Ovo” que é puramente algo relacionado ao meio rap), mas não de forma excessiva ou exagerada porque pode ser interpretado como se ele apenas estivesse conversando normalmente do que cantando. Diz a respeito de desespero, depressão e esperança onde todos estes temas são construídos por uma melodia de música em que novamente as percussões junto com parte das baterias que vão se tornando muito triunfantes à medida que vai se encontrando aos momentos finais da faixa. Marotta é ajudado por Pert que se apresenta a partir desta sexta música do “PG4” (assim como na última faixa do álbum) e em contrapartida é a única faixa do disco que não está presente o tecladista Larry Fast onde já se encontra no caso tocados os sintetizadores David Lord junto com Gabriel. Estão presentes Levin, Rhodes (que reforça no coro junto com Peter Hammill e obviamente Peter Gabriel).

“Wallflower” – é praticamente a “balada” do álbum, sendo uma das favoritas dos ouvintes de Gabriel do “PG4”. Foi tocada apenas na turnê do álbum “So” e editada em um compacto na época do lançamento do álbum. Estão presentes os músicos Marotta, Fast, Lord, Levin, Rhodes ajudando Gabriel a manter uma melodia muito maliciosa e tranqüila praticamente do início ao fim da faixa que se inicia muito calmamente devido a grande quantidade de teclados tendo até um deles que surge com um ruído lembrando até uma flauta executado por Lord e tendo Gabriel tocando o piano e vai ficando muito pouco crescente, mas não exageradamente à medida que vai surgindo a sua melodia aos poucos. É provavelmente uma das faixas que não contem muitos elementos percussivos eletrônicos e sim acústicos. Liricamente pelo que Gabriel descreve na faixa é relacionado a algo sobre tortura e aprisionamento, alguns fãs do músico associam como que desde presos políticos, soldados rendidos por tropas inimigas, pessoas doentes e presidiários inocentes que foram julgados no lugar de indivíduos errôneos como nas primeiras linhas das frases “6x6 - from wall to wal, Shutters on the windows, no light at all, Damp on the floor you got damp on the bed” que significa “6 por 6 - de parede em parede, Venezianas nas janelas, nenhuma claridade total, Umedeça o chão você se umedece na cama” em inglês. O “6 x 6” é como se fosse o tamanho do aposento onde se encontra o torturado. Sobre presos políticos, diga-se de passagem, que foi baseado em cima do polonês anticomunista chamado Lech Walesa, nascido em 1.943 que durante o início dos anos 80 foi líder da solidariedade polonesa negociando com o governo polenês muitas concessões na união dos trabalhadores e muito perseguido pelas autoridades radicais polonesas, algo muito parecido como Stephan Biko, na África do Sul que foi assassinado em 1.977 (e Gabriel dedicou uma faixa de muito sucesso que se encontra no álbum “PG3”). Detalhe: Walesa foi também um ex-metalúrgico (seria uma espécie de Luis Inácio “Lula” da Silva, atual presidente brasileiro ?), e em 1.983 ele ganhou o premio Nobel da Paz daquele ano pelo seu trabalho em dele assegurar o direito dos trabalhadores para estabelecer as próprias organizações. As letras da música também sugerem evocar sentimentos de desespero e fracasso, mas no final das contas inspira esperança e dever como na última linha "I will do what I can do" que significa “Eu irei fazer o que eu posso fazer” em inglês. Futuramente algumas canções próximas de “Wallflower” viriam como “Don´t give up” do álbum “So” ou “Blood of Eden” do “Us” (1.992). Existe uma pequena versão instrumental que foi aproveitada para material na trilha sonora que Gabriel fez em “Birdy”, a capa inclusive do álbum parece ser muito representativa em relação a esta faixa.

“Kiss of life” – é a menor faixa do álbum com pouco mais de 4 minutos de duração. Nunca foi tocada no set-list de Gabriel e foi editada em um compacto na época de “PG4”, mas foi uma faixa que com mesmo esta tentativa de ser lançada em compacto foi muito esquecida com o passar do tempo. É uma das mais contraídas do álbum com uma estrutura de melodia bem de um ritmo caribenho, mas tem uma “levada” bem dançante meio que de lambada, salsa e lembrando algo até mesmo a nacionalidade brasileira, alguns fãs associam também a ritmos puramente brasileiros visto que Gabriel já chegou a gravar uma parte do álbum “So” no pais tropical. Os fãs de Gabriel de uma maneira geral aparentam não gostar muito desta faixa porque ela “fugiu” um pouco do esquema que Gabriel se conteve mais aos elementos africanos e tribais as outras demais faixas. Os participantes são Rhodes, Levin, Marotta, Pert, Fast, Lord e Ellis. Há um bom entrosamento entre as guitarras tocadas por Rhodes e as baterias e percussões feitas por Marotta e Pert. Aparentemente a faixa retrata algo relacionado ao beijo de uma mulher como logo de início nas frases “See me a big woman, big woman look how you dance, See me a big woman, big woman caught in a trance” que significa “Me veja uma grande mulher, olhar de uma grande mulher como você dança, Me veja uma grande mulher, a grande mulher estava em transe” em inglês. As letras também aparentam transmitir outros sentimentos como toque, criação, amor e criação. Observe que futuramente Gabriel gravaria uma faixa que teria um título muito parecido como esse no álbum “Us” que no caso a música se chamaria “Kiss the frog”. Há também um relacionamento entre esta faixa com a “Wallflower” e “The rhythm of the heat” pois as mesmas coincidentemente contém a palavra “spirit” que significa “espírito” em inglês.