
Inglaterra, 1982.
Músicos:
Peter Gabriel – vocais principais, CMI,
Linn programming, teclados e percussão
Jerry Marotta – baterias
Tony Levin – baixo, vocais de apoio
Larry Fast – teclados, percussão eletrônica
e programming (exceto faixa 6)
David Rhodes - guitarras elétricas, vocais
de apoio.
John Ellis – guitarras elétricas, vocais de
apoio (exceto faixas 5, 6 e 7)
Stephen Paine – teclados (apenas na faixa
4)
David Lord – piano e teclados (apenas nas
faixas 6, 7 e 8)
Peter Hammill – vocais de apoio (apenas nas
faixas 4, 5 e 6)
Jill Gabriel – vocais de apoio (apenas na
faixa 2)
Ekome Dance Company – percussão (apenas na
faixa 1)
Músicas:
1. The rhythm of the heat - 5:15
2. San Jacinto - 6:22
3. I have the touch - 4:33
4. The family and the fishing net - 7:02
5. Shock the monkey - 5:31
6. Lay your hands on me - 6:03
7. Wallflower - 6:29
8. Kiss of life - 4:17
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Peter Gabriel
Peter Gabriel
4
Dados da resenha:
Comente e veja outras opiniões
aqui.
Pela segunda vez
consecutiva Peter Gabriel lança seu quarto álbum
solo de estúdio por mais de 2 anos sem gravar.
“Peter Gabriel 4” foi executado pelos selos
Geffen, Virgin e Charisma Records em setembro de
1.982 estando nas mãos do público e da crítica e
pela primeira vez na carreira de Gabriel
resultando em 9 compactos teve a edição por
recomendação da gravadora Geffen (ou manipulação
?) que fosse adotado um título que foi sugerido
como “Security”, isso significa que somente as
edições americanas que contém o tal título
enquanto que as demais ainda prevalecem aquele
padrão que Gabriel adotou desde o seu primeiro
disco em “Peter Gabriel I” (1.977) contendo
apenas o seu nome e nada mais, por outro lado é
uma pena que a partir de então descaracterizou
um pouco a originalidade de Gabriel e
posteriormente os álbuns seguintes receberiam
também títulos. Gabriel, entretanto, não foi o
único artista a tentar designar essa forma de
tratamento para títulos em seus álbuns, o “Led
Zeppelin”, o “Soft Machine” se designavam apenas
por números em determinadas ocasiões ou até o
cantor brasileiro Roberto Carlos são (e continua
sendo) outros exemplos.
A edição de “PG4” também recebeu pela segunda
vez a versão com Gabriel cantando em alemão onde
é encontrado o título “Deutsches álbum”, sinais
de que o país deve ter tido uma impressão muito
boa de Gabriel no álbum anterior que foi gravado
“Peter Gabriel 3” (1.980). Em CD foi lançado em
1.990, 1.999 e 2.002 e as versões saíram tanto
remasterizada (como em SACD) tendo uma grande
maioria dos ouvintes muito satisfeitos
especialmente na versão remasterizada de 2.002
(as outras 2 anteriores não são muito aprovadas
pelos ouvintes). Para os brasileiros a edição
saiu em edição nacional em vinil na época e foi
relançado em 1.988 e 1.989 sendo que é possível
encontrá-lo também no disquinho lançado em
1.994, 1.999 e 2.002. No mesmo ano de 1.982
também seriam realizados os trabalhos dos
seguintes artistas conhecidos por Gabriel: o
“Genesis” com um álbum duplo ao vivo intitulado
como “Three sides live”, e os álbuns solos de
Phil Collins em “Hello, I must be going!”, o
baixista e guitarrista Mike Rutherford em
“Acting very strange”, o guitarrista Steve
Hackett em “Highly strung”, o guitarrista e
instrumentista Anthony Phillips em “Private
parts and pieces III: Antiques”.
Após a turnê do álbum “PG3” que foi
aproximadamente até novembro de 1.980, Gabriel
teve em vista no ano posterior em 2 atividades
que ocupasse o ano de 1.981: a primeira delas
seria a elaboração e gravações iniciais do álbum
“PG4”, a segunda foi a elaboração de um script
para a confecção de um possível filme chamado
“The lamb lies down on Broadway” (último álbum
de Peter Gabriel lançado em 1.975 que participou
no “Genesis” saindo neste ano sendo a banda que
fundou em 1.968 na Inglaterra) do qual a banda
se reuniria com Gabriel para regravar as faixas
deste trabalho e Gabriel se representaria como o
personagem principal (evidentemente sem sombra
de dúvidas!!!!) interpretando o Rael. Gabriel e
o “Genesis” até tentaram abraçar a idéia
investindo algo em torno de 5 milhões de dólares
até que eles entraram numa situação muito
delicada como que num beco sem saída; eles
perderam o patrocínio com os investidores das
filmagens sobre daquilo que pretendiam realizar,
tentaram até executar eles mesmos, mas
desistiram e perdendo suas esperanças naquilo
que desejavam.
Aqui vale uma ressalva sobre este acontecimento:
no ano de 1.982 quando Gabriel excursionou em
apresentações (algumas que incluíam até mesmo o
hindu Ravi Shankar, instrumentista mundialmente
conhecido em tocar cítaras) pelo WOMAD (World of
Music, Arts and Dance – Mundo da música, arte e
dança) antes do lançamento de “PG4” ele teve
prejuízos com determinados festivais. Portanto,
é incerto saber se o tal script e mais os
prejuízos de Gabriel com os festivais do WOMAD
foram justamente os 2 somados para que ocorresse
a tão “famosa” reunião do “Genesis” com Peter
Gabriel em 2 de outubro de 1.982 no Milton
Keynes (resultou inclusive num álbum triplo ao
vivo pirata sendo um objeto muito raríssimo,
além de um vídeo da época e de grande procura
para os colecionadores destes artistas). Um
outro aspecto interessante sobre essa reunião é
que quando o “Genesis” registrou um vídeo de
“Three sides live” observa-se Phil Collins
respondendo perguntas de admiradores do grupo e
de Gabriel numa espécie de radio broadcasting
até que um deles questiona Collins se Gabriel
retornaria algum dia ao “Genesis”; Collins em
contrapartida aparenta estar seguro na sua
resposta, mas muito duvidoso, pois embora o
vídeo é de 1.982 a entrevista feita foi ocorrida
na turnê de 1.981 do grupo quando lançou o álbum
“Abacab” naquele ano. A apresentação em forma de
reunião também contou com a presença do
guitarrista Steve Hackett (que saiu na banda em
1.977) e dos músicos Chester Thompson nas
baterias (que substituía Collins nas baterias em
apresentações ao vivo) e Darry Stuemmer nas
guitarras e baixo (que substituía Rutherford com
seus instrumentos). Foram apresentadas músicas
que compreendiam a época de Gabriel no “Genesis”
que iam desde “The musical box” do “Nursery
crime” (1.971) indo até “Back in NYC” do álbum
“The lamb...” assim como outras do “Genesis” sem
Gabriel como “Follow you, follow me” por
exemplo, do álbum “And then there were three”
(1.978) e fora algumas músicas de Gabriel em sua
carreira solo como “Solsbury hill” do “Peter
Gabriel I” (1.977), “On the air” do álbum “Peter
Gabriel 2” (1.978) e entre outras mais. Como
também se não bastasse e para a alegria de todo
aquele público (que possivelmente deveria estar
muito eufórico) Gabriel fez encenações teatrais
de alguns de seus sucessos na época que estava
no “Genesis”. O festival neste caso deve ter
sido bom para Gabriel porque ele pôde tomar
fôlego no que viria pela frente, pois o “PG4”
ainda tinha um mês de lançamento (setembro de
1.982) depois que ocorreu a reunião em outubro
daquele ano de 1.982 e conseqüentemente o músico
estaria através se apresentando com o material
que tinha gravado até em momento chegando ao
final de 1.983 num constante ritmo de
apresentações.
Os músicos pela quarta vez passam por uma outra
troca de formações sendo que o baixista Tony
Levin novamente estaria presente pelo quarto
álbum consecutivo alem de ajudar nos vocais de
apoio. Levin inclusive estava numa época que ao
mesmo tempo gravava um álbum pertencente a uma
banda muito fundamental que surgiu nos finais
dos anos 60, o “King Crimson”, fundado pelo
guitarrista Robert Fripp (que colaborou nos 3
primeiros álbuns solos de Gabriel) retornando
novamente nos anos 80 e dando apoio com seu
instrumento para as gravações de “Beat” (que no
fundo é de uma trilogia proposta pelo grupo
durante esta década). Nas baterias continuaria
também Jerry Marotta que ao mesmo seria
reforçado nas percussões por Morris Pert
(presente no álbum anterior) além da
participação do Ekome Dance Company (pelo que se
sabe o “PG4” é um dos únicos registros de que se
tem notícia de sua participação em termos de
discografia, além de uma coletânea de vários
artistas chamado “The best of music and rhythm”
de 1.983 onde está presente uma faixa de Gabriel
que não pode ser inclusa em “PG4” chamado
“Across the river”) e o próprio Gabriel que
usufrui recursos eletrônicos em meio dos
instrumentos acústicos destes outros
participantes.
As guitarras elétricas tiveram a presença de
David Rhodes (que participou no álbum anterior)
e é reforçado por John Ellis que já havia
gravado com o “The Vibrators” e “Sunset Bombers”
e Peter Hammill. Nos instrumentos de sopros foi
convidado Roberto Laneri que participou apenas
de algumas gravações e sessions com o baixista
jazzista Charles Mingus. Nos teclados e
sintetizadores estão presentes Larry Fast (que
também estava com Gabriel desde o seu primeiro
álbum de estréia), ajudando Gabriel na
elaboração de programações das percussões
eletrônicas, além de ser reforçado por Stephen
Paine que até então havia feito uma gravação com
uma banda pop britânica chamada “The Korgis” que
encerrou suas atividades em 1.986 e David Lord
que já havia colaborado com John Renbourn, Roy
Harper e a banda “The Korgis”. Gabriel também
tem reforços nos vocais de fundo de Peter
Hammill, que foi um dos fundadores do “Van Der
Graaf Generator” e sendo uma banda de
progressivo sinfônico que foi concorrente do
“Genesis” e pertencente ao mesmo selo da banda
de Gabriel, a Charisma Records, além de terem
excursionado juntos em algumas apresentações na
Europa no início dos anos 70. Hammill gravou um
álbum solo no mesmo ano de “PG4” que tem a
colaboração de Ellis. E reforçando os vocais de
fundo está também a esposa de Gabriel, Jill
Gabriel, diferente da última ocasião quando
apenas se encontrava como compositora no “PG2”,
precisamente na música “Mother of violence”.
Contendo 8 faixas (metade delas acima da casa
dos 6 minutos de duração) a grande verdade é que
nem sempre todos os músicos citados estão
participando em todas as faixas a salvo de Levin,
Marotta, Fast, Rhodes e Ellis que mais
participam, além de Gabriel é claro.
Apesar de não ter uma repercussão completamente
idêntica com o álbum anterior “PG4” é um álbum
que contém uma boa satisfação do público, o
molde como foi conduzido por Gabriel em sua
elaboração se torna nítida o envolvimento dele
com a música de terceiro mundo (que ele apostou
inicialmente no álbum anterior na forma de
ritmo, percussão e a faixa “Biko”, considerado
um dos épicos e hinos de Gabriel aclamados pelo
público do artista). Aqui o músico conseguiu
curiosamente realizar a façanha pela primeira
vez de atingir o primeiro posto das paradas
inglesas em termos de vendas na época, lembrando
que o “PG3”, álbum anterior é muito mais adorado
do que esse e atingiu a quarta posição no caso
na época de seu lançamento. O rock progressivo ?
Da mesma maneira como o anterior também não
existe, o que contém que diferencia além da boa
presença da música e sonoridade evidente de
terceiro mundo, há uma constante presença de
elementos sonoros eletrônicos que auxiliam muito
na percussão e ritmo das músicas (resultado de
um equipamento utilizado por Gabriel chamado
Fairlight CMI – Computer Musical Instrument
sendo ajudado por Fast, Paine e Lord que existe
no álbum muito freqüentemente do início ao fim)
e fora àquela iniciativa de Gabriel em investir
na percussão acústica sem a presença de
elementos metálicos que compreendem as baterias
e percussão incidental geral. A sonoridade chega
até de certa forma soar como bandas do tipo
“Devo”, “B-52´s”, “Culture Club”, “The Go-Go´s”
e entre outras que são da categoria do New Wave,
uma tendência na época no início dos anos 80 que
estava sendo muito tocada nas FMs da época, mas
no fundo não é do tipo convencional porque há o
envolvimento da sonoridade da música de terceiro
mundo. Alguns fãs chegam a associar algo um
tanto parecido como em “Graceland” (1.986) de
Paul Simon ou o “Nothing like sun” (1.987) do
cantor Sting, que foi fundador do “The Police”,
como por exemplos. A forma de sonoridade
sombria, selvagem, agressiva e obscura presente
no álbum anterior não é tão exagerada na
presença deste trabalho, talvez porque a
presença dos elementos sonoros eletrônicos
permitiram se tornar algo um pouco mais
descontraído tornando um modo por vezes até
característico meio dançante (fator que pode ter
contribuído por alguns fãs de Gabriel não
gostarem muito deste álbum em relação ao
anterior), evidentemente não a ponto de ser
dance eletrônico ou algo parecido. Gabriel
concentrou temas mais relacionados à tortura,
relacionamento familiar, invasão de progresso
humano, política humana, espiritualidade e
energia e entre outros. Ao ser questionado numa
entrevista se Gabriel fez uso de drogas na
elaboração deste trabalho ele respondeu que a
única coisa que ele comeu foi apenas um guisado
deixando-o doente por alguns dias.
Na turnê do álbum era possível observar Gabriel
maquiado no rosto e executando mais de 50% das
faixas deste álbum e isto sendo confirmado no
álbum ao vivo “Plays live” (1.983) que sairia no
ano posterior após este trabalho de estúdio,
isso sem contar que serviu em parte para um
material que Gabriel executou em sua primeira
trilha sonora chamada “Birdy – Asas da
Liberdade” (1.985) de um filme de Alan Parker
que estão presentes os atores Nicholas Cage e
Mattew Modine, isso sem contar que “PG4” foi
indicado para concorrer ao Grammy daquele ano.
Tanto a remasterização como o formato em SACD é
aprovado pela maioria dos ouvintes que já
escutaram e possuem este álbum, vem ainda com
fotos inéditas embora um dos únicos aspectos
negativos das versões de CD atuais é de Gabriel
não ter sido mais abusado novamente com faixas
bônus que foram lançadas na época em compactos
como “Soft dog”, “Across the river” (aqui neste
caso é possível escutar em versão ao vivo do
segundo álbum ao vivo de Gabriel “Secret world
live” (1.994)) e sem contar a versão que é
cantada por Gabriel completamente em alemão (a
mesma fórmula que ele adotou no álbum anterior),
e também uma boa pedida muito divertida para
quem gostaria (ou gosta do idioma) de aprender
alemão, pois Gabriel não fala alemão da forma de
alguém de outro idioma que aprendeu ou está
aprendendo e sim como se ele tivesse a pronúncia
das palavras que devem ser ditas ao pé-da-letra
(geralmente os dicionários de idiomas diferentes
colocam entre parênteses como é a forma da
pronúncia de uma determinada palavra); claro que
Gabriel contou com uma pessoa pra consultar a
forma de falar em alemão e o responsável que
colaborou nos 2 álbuns que Gabriel gravou em
alemão foi Horst Konigstein.
Gravado em sua casa e em estúdio, a produção do
trabalho sofreu a quarta mudança e Steve
Lilywhite é substituído por David Lord que ao
mesmo tempo também toca sintetizadores em
algumas faixas deste álbum de Gabriel. Detalhe:
Lord atuou num álbum chamado “Dumb waiters”
(1.980) em que Stephan Paine também está
presente antes que eles participassem de “PG4”.
Pode ser difícil, mas pode ocorrer uma
possibilidade de que a substituição de Lilywhite
possa ter feito diferença ? Talvez sim ou talvez
não. Só realmente ao que diga a sonoridade
resultada deste álbum não ser tão conceituado
como o anterior, mas de qualquer maneira, Lord
já conhecia Gabriel desde a época da turnê de
“PG3” e cumpriu o papel dele como produtor e
seguindo a maneira de como Gabriel desde o seu
álbum de estréia sempre inovando na música, ao
mesmo tempo em que Lord é auxiliado por Neal
Perry.
A capa do álbum traz pela primeira vez um visual
completamente colorido (tanto na capa como na
contracapa), já que desde que Gabriel estreou
estava sempre presente as cores que variavam do
preto ao branco (apesar da imagem do carro azul
em “PG1”, Gabriel está dentro dele em tons
abstratos de cores acinzentadas). Curiosamente
também pela primeira vez não observa uma imagem
de Gabriel na capa e sim de alguém mascarado (de
alguma tribo inclusive) e até um tanto meio
assustadora a máscara que usa (imagine
encontrando na real alguém de frente com uma
mascara destas...) e dificilmente dá pra saber
ao que se passa, algo realmente muito selvagem.
Parece que é um mascarado com uma espécie de
bola de cristal a sua frente e ao lado esquerdo
ele está segurando alguma coisa (lembra o
formato de um orelhão de rua!!!). Também é
difícil saber o que representa na foto da
contracapa, parece ser a mesma coisa mascarada,
mas fotografada diagonalmente e no canto tem
duas fotografias que aparenta ser Gabriel
mordendo alguma coisa. A versão americana
geralmente tem uma espécie de adesivo no canto
superior direito com a palavra “Security”, a
alemã tem o dizer “Deutsches álbum” em cor clara
abaixo da palavra “Peter Gabriel” que geralmente
é impressa no canto superior esquerdo, a
japonesa tem uma tarja negra vertical de ponta a
ponta com dizeres em japonês e por finalmente a
inglesa (que é a mesma da versão brasileira) só
tem o dizer “Peter Gabriel” e nada mais e já nas
versões masterizadas em CD não possuem coisa
alguma escrita. Provavelmente esta mudança que
ocorreu foi porque Gabriel não optou pela
empresa Hipgnosis que havia feito as suas outras
capas anteriores e conseqüentemente isto
“quebrou” um pouco a sua monotonia e rotina, por
outro lado é uma pena isto ter acontecido, mas
isto deve ter acontecido pelo fato de que o
conteúdo sonoro do material é devido ao
resultado que se escuta com boa presença da
música de terceiro mundo (que em determinados
momentos lembram até algo feito por comunidades
tribais, mesmo com a presença de música
eletrônica). A capa foi na verdade um resultado
de vídeo elaborado por David Gardner, Malcom
Poynter possivelmente sugerido pelo próprio
Gabriel ao mesmo tempo em que foi auxiliado a
montagem gráfica por Ron Hart.
“The rhythm of the heat” – Gabriel começa o
álbum com uma faixa que tem uma estrutura
musical completamente bem de um estilo tribal. A
primeira música que pode vir à cabeça do ouvinte
quando escuta pela primeira vez este álbum é a
“Biko” do álbum anterior. Tudo isso é devido já
que há a presença de percussionistas da Ekome
Dance Company que só gravaram esta faixa, assim
como também a “Across the river” que havia saído
em um compacto e editado numa coletânea chamada
“The best of music and rhythm” (1.983). Não se
sabe sobre o paradeiro destes músicos, apenas
que são africanos, de Ghana, país britânico que
teve sua independência em 1.957 com uma forte
presença de tradição tribal cultural e
especialmente religiosa. Além dos
percussionistas serem o destaque principal da
faixa Gabriel ora contrabalanceia os seus vocais
junto com um coro vocal da frase “Drawn across
the plainland” até “Help open to the sun”
ajudado por Rhodes e Ellis que citam inúmeras
vezes o nome da faixa e ocasionalmente de forma
sussurrada. Gabriel mantém uma expectativa muito
grande para o ouvinte à medida que ele vai
cantando as letras da música de uma maneira
muito introspectiva e que inclui em algumas
frases o músico declarando por meio de sussurros
no segundo refrão. Sem contar a palavra “soul”
que significa “alma” em inglês que é por meio de
grito por 2 vezes e em especial na segunda vez
na última frase da música “The rhythm has my
sooooooooooooooooouuuuuuuuuuuuuuuulllllllllllllllllll”
parecendo não querer terminar de completar a
palavra em seu brado, esta é inclusive uma das
partes que mais emocionam os ouvintes que gostam
desse álbum (a frase significa “O ritmo tem
minha alma” em inglês que se subentende que é
como se Gabriel “disponibiliza-se” a sua alma
para a música que é justamente o meio pelo qual
ele sobreviveu), e também da faixa que é uma das
mais adoradas do trabalho visto porque em coisa
de aproximadamente 1 minuto de duração a
sonoridade soa de uma selvageria e agressividade
tamanha que parece interminável visto que os
percussionistas predominam na música nestes
instantes finais como que se fossem uma
orquestra sinfônica de apenas a predominância de
percussões tanto acústicas como as eletrônicas
(ora se esquecem que não há a presença da
percussão eletrônica programada por Gabriel e
Fast) lembrando como se fosse uma furiosa
tempestade de um ritual de percussão aclamando
por uma forte rajada pesada de chuvas, raios e
trovões (parece algo que como se fosse um
inferno e lembrando que “heat” significa “calor,
fervor, quentura” em inglês) até que
repentinamente elas se cessam abruptamente de
vez finalizando a faixa (Gabriel e Marotta tocam
surdos). Estão presentes também Marotta, Levin,
Fast. O início da mesma que inicia de uma forma
muito lenta e um tanto calma que apresentam
percussões discretas lembrando algo como que uma
máquina industrial em funcionamento e que aos
poucos vão ficando crescente em meio a um baixo
(é tocado por diversas vezes na mesma nota e no
mesmo tom da música) e aos poucos o ouvinte vai
percebendo que ela tem uma estrutura bem de um
estilo tribal africano e também quando a melodia
vai dando espaço quando Gabriel cita por algumas
vezes o nome da faixa próximo do meio da faixa
depois de citar a primeira vez em grito a
palavra “soul” que não é tão exagerado o
prolongamento do que há existente na segunda
vez. Observe que quando Gabriel cita a terceira
frase da faixa em “High up on the red rock” ao
fundo tem um ruído que lembra um código morse.
Gabriel se baseou na escrita desta faixa através
de um estudo de um psiquiatra suíço conhecido
mundialmente como Carl Gustav Jung, falecido em
1.961 que estudou culturas aborígines e sobre a
paranóia humana que é vista crescendo de uma
forma a ponto de deixar o ser humano
completamente louco. Parece que o propósito de
Gabriel é justamente este da maneira que ele
cita a palavra “soul”; o mesmo convida o ouvinte
a entrar num mundo de valores espirituais,
testemunhos de sobrevivência seria alguém do
mundo ocidental viver e sentir como é ser alguém
do mundo oriental e especial da África. Uma pena
Gabriel não ter feito com que ela resistisse em
seu set-list depois da turnê de “PG4” e que
ganhou pelo menos uma versão ao vivo em “Plays
live” e uma outra para a trilha sonora de “Birdy”.
Alguns espectadores que assistiram a época que
Gabriel fez a turnê de “PG4” comentam que
chegava na casa dos 10 minutos de duração visto
que era a primeira música das apresentações onde
se observava uma parte introdutória um pouco
mais tensa, densa e estendida e fora o solo de
percussão mais próximo do final que tinha o
dobro do tempo da original.
San Jacinto – depois de um destaque de
percussões do final da faixa anterior, Gabriel
segue o seu repertório em “PG4” agora em direção
a uma outra tribo; a de índios nativos
americanos. A faixa retrata a respeito de uma
raça que tem os seus sentimentos sendo perdidos
de sua própria cultura americana (os Estados
Unidos no passado possuíam durante o decorrer
dos séculos uma quantidade enorme de índios que
foram perdendo espaço para o homem branco, e
ainda continuam perdendo!!! – a mesma coisa que
ocorreu (e ocorre) no Brasil desde a época de
seu descobrimento em 1.500, sem contar no
restante de toda a América Latina antes mesmo
dos europeus chegarem no outro lado do
Atlântico) e fora a perda de identidade e eles
se vêem sendo invadidos cada vez mais pela
modernização e industrialização do homem branco.
No enredo desta faixa, Gabriel faz o papel de um
velho índio nativo (no primeiro tema da música o
músico cita as frases como se estivesse fazendo
uma simples conversação) e vai contanto e
lamentando o declínio de seu povo e a perda de
sua sagrada e santa terra para a cultura moderna
até que o mesmo aclama a frase “I hold the line”
que significa “Eu mantenho a linha (divisa)” em
inglês por algumas vezes, induzindo no futuro
que acredita na esperança, este nativo vai
dramatizando em seu enredo a forma como a
modernização vai tomando conta de seu espaço ora
conquistado num outro tempo indo de carro ao
encontro de uma montanha num táxi e percebendo o
desenvolvimento de casas com piscinas e homens
brancos atualizando o local para receberem
turistas em lojas de nomes intitulados como
"Bull Steakhouse" ou “Geronimo´s disco” Será que
a modernização do homem branco através dos
séculos ajudou a paises que tinham uma
predominância indígena muito forte a terem
esperança? A frase “We will live” que significa
“Nós viveremos” em inglês dá a entender que a
raça nativa na ocasião interpreta que persistirá
e preservará o seu estilo próprio de vida da
qual está em sintonia com o mundo natural.
Percebe-se mais uma vez como Gabriel tem um
sentimento humano muito grande, em se preocupar
com causas humanas, já abordado em especial no
álbum anterior. Na época da turnê de “PG4”
comenta-se que quando Gabriel antes de executar
esta faixa (que é ainda tocada em algumas
apresentações até hoje) esclarecia ao público
presente que foi um índio que lhe contou a
história de seu povo e então resultando a
gravação de “San Jacinto”. Algumas palavras
demonstram o quanto a faixa é relacionada a algo
de indígenas nativos como em “...buffalo robe...
Red paint - eagle feathers - coyote calling” que
significa “...roupão de búfalo...pintura
vermelha – penas de águia – coiote uivando” em
inglês. Para os curiosos San Jacinto é uma
cidade americana que fica no estado americano da
Califórnia a (detalhe: chefiada nos dias atuais
pela prefeita Chris Carlson-Buydos) 128
quilômetros de Los Angeles e 144 quilometros de
San Diego e próximo do Aeroporto de Palm Springs.
Além disso, é o nome de um rio texano e da
segunda montanha mais alta do sudoeste da
Califórnia e nos pés da montanha existem muitas
reservas indígenas que moram até hoje por lá. Um
outro aspecto que também pode estar associado a
respeito do nome é a batalha de San Jacinto que
ocorreu aproximadamente em abril de 1.836 quando
ocorreu um conflito entre mexicanos e americanos
para consolidar a independência do estado do
Texas para beneficiar o continente americano. Os
componentes que participam desta faixa são Levin,
Marotta, Ellis, Rhodes, Fast e nos vocais de
apoio, Jill Gabriel, esposa de Gabriel que pode
ser percebida o seu vocal especialmente entre as
frases “Letting go of life” e “Medicine man...”
dizendo palavras de algum idioma possivelmente
da língua nativa. A faixa é razoavelmente
estruturada com a abertura de sintetizadores de
Fast junto com o teclado CMI que Gabriel também
toca lembrando algo como um carrilhão que
predomina numa forma seqüencial em mais da
metade da faixa e meio a uma sonoridade de riffs
chineses. O tecladista Patrick Moraz que
participou do álbum “Relayer” (1.975) do “Yes”
gravou um álbum solo chamado “Human interface”
(1.987) onde na faixa “Light elements” lembra
muito parecido a estrutura principal destes
elementos sonoros. O “Genesis” também gravou uma
introdução na música “The grand parade of
lifeless packing” do álbum duplo “The lamb lies
down on Broadway” (1.975) um tanto parecido, sem
contar que na faixa “Ballad of Big” do álbum
“And then there were three” (1.978) tem um
relacionamento sobre tribo indígena. Observe que
também Levin lembra em alguns toques e riffs de
baixo algo que ele fez gravou no “King Crimson”
no álbum “Discipline” (1.981) na faixa “The
sheltering sky”. No tema final da faixa (a mais
tranqüila) percebe-se Gabriel fazendo um vocal
lembrando alguém idoso (o nativo que faz o
enredo de “San Jacinto”), e nas apresentações ao
vivo era possível ver Gabriel a partir da frase
“We will walk” com toda iluminação apagada
exceto uma única luz se direcionando ao músico e
o mesmo brincava com o público refletindo a luz
sobre eles em um espelho; momento memorável pelo
visto (e a música que é também muito adorada
pelos fãs de Gabriel), e em algumas
apresentações a música chegava na casa dos 10
minutos de duração. Algumas canções ao longo do
tempo que foram gravadas por Gabriel também tem
momentos que dividem uma proximidade com a “San
Jacinto” como “Mercy Street” do álbum “So”
(1.986) ou “Come talk to me” do álbum “Us”
(1.992). Há uma versão ao vivo que foi
registrada em “Plays live”, uma outra que serviu
de material para o filme “Birdy”, e outra que
saiu em um tributo chamado “Leaves from the tree”
(2.002).
“I have the touch” – a equipe musical é composta
por Levin, Fast, Marotta, Ellis, Rhodes e
Gabriel. Em termos de sonoridade é praticamente
um tanto repetitiva do início ao fim visto que
há um programming de percussão eletrônica
elaborado por Gabriel onde o acústico que é
muito discreto é feito por Marotta. Apesar de
ter elementos eletrônicos percussivos é uma
faixa que mantém uma simpatia dos ouvintes de
Gabriel lembrando um estilo meio que techno-funk
(eletrônico em especial), chegando ser dançante
às vezes, pois é considerado uma das melodias
pop deste álbum e lembra até algo que o “Devo”
fez, por exemplo, em “Speed racer” no álbum “Oh
no, it´s Devo” (1.982). Diz a respeito sobre a
necessidade humana de se tocarem uns ao outros,
isto é, o contato físico entre as pessoas,
independente qualquer que seje a forma de
contato físico. O próprio nome da faixa procura
definir isso e significa “Eu tenho o toque” em
inglês, fora as frases “I´m wanting contact” e
“I need contact”que significam “Eu estou
esperando contato”, “Eu necessito de contato” em
inglês. Imagine um indivíduo envolto a um
ambiente onde ele não possa fazer tais contatos,
isso faz com que ele possa acabar ficando
doentio e uma ameaça à sociedade. Alguns filmes
que retratam personagens que vivem sozinhos em
florestas, fins de mundos e até aprisionados são
alguns exemplos típicos (ao mesmo tempo que para
eles a sociedade também é uma ameaça sob a sua
forma de pensar e agir). Algumas pessoas que
usufrui métodos de meditação onde o objetivo é
estar isolado chegam a ficar neuróticas porque a
um dado momento sentem a necessidade de contato
físico com outros seres humanos. Algumas
pesquisas sobre a respeito do assunto chegaram a
algumas conclusões curiosas onde existem certos
povos chegam a se tocarem uns aos outros por 200
vezes num intervalo de almoço enquanto que os
britânicos realizam a proeza em apenas 2
vezes!!!! Um outro aspecto que pode ser
interpretado em relação as letras da música é
sobre a sedução onde o homem procura criar meios
de tocar a pessoa que deseja utilizando formas,
tentativas e vícios como em especial no quarto
refrão “Pull my chin, stroke my hair, scratch my
nose, hug my knees, Try drink, food, cigarette,
tension will not ease , I tap my fingers, fold
my arms, breathe in deep, cross my legs, Shrug
my shoulders, stretch my back - but nothing
seems to please” que significa “Puxe meu queixo,
acaricie meu cabelo, arranhe meu nariz, abrace
meus joelhos, Experimente bebida, comida,
cigarro, que a tensão não aliviará, Eu bato meus
dedos, dobro meus braços, respiro fundo, cruzo
minhas pernas, Encolha os ombros meus ombros,
estire minha parte de trás - mas nada parece
agradar” em inglês. Curiosamente Gabriel faria
algo falando a respeito de vícios e mudanças
posteriormente em “Sledgehammer” no álbum “So”.
Sobre as versões desta faixa: saiu em um
compacto na época, além de sair em uma versão ao
vivo em “Plays live” (foi tocada apenas na turnê
de “PG4” e uma única vez em novembro de 1.986),
uma que saiu em 1.985, outra em 1.987, além das
trilhas sonoras “Phenomenon” (neste caso aparece
até com letras extras) que tem o ator principal
John Travolta e Robert Duvall e “The Craft –
Jovens bruxas” (1.996) só que nesse caso é
interpretado pela banda “Heather Nova”.
“The family and the fishing net” – é a maior
faixa do álbum com pouco mais de 7 minutos de
duração. Tem uma característica meio que
lembrando experimentalismo musical e que
tranqüilamente poderia ser adequada no álbum
anterior “PG3” se houvesse espaço para incluí-la
no álbum além de Gabriel se ele já havia
composto na época (foi elaborada depois do
lançamento de “PG3”). O mais engraçado é que
seqüencialmente ela está entre as 2 faixas mais
pop do álbum, “I have the touch” e “Shock the
monkey”. O destaque aqui fica por conta dos
guitarristas David Rhodes e John Ellis que por
coisa de minutos eles lembram uma sonoridade
muito parecida com o que Robert Fripp costuma
fazer na sua carreira musical (lembrando que
Fripp participou dos 3 primeiros álbuns de
Gabriel, tanto como músico como produtor
musical), a seção mediana instrumental da faixa
demonstra muito isso e pode ser considerada a
mais experimental do álbum. Musicalmente Gabriel
retorna de uma maneira bem tribal que logo de
início da introdução da faixa os teclados e
sintetizadores são tocados de uma maneira
lembrando flautas de tradição etiopianas e ao
longo da faixa ela vai ficando aos poucos
crescente com a entrada dos outros músicos e
tendo Gabriel que mais dá uma sensação de que
está narrando do que cantando. A pergunta é:
onde está o saxofonista Roberto Laneri ? Esta é
inclusive a única faixa da qual nos créditos do
álbum indicam que ele está presente, o detalhe,
sobretudo é que em meio de uma “tonelada” de
tratamentos sonoros, especialmente pelo uso do
instrumento CMI que Gabriel recorreu em especial
neste álbum, fica muito difícil de saber ao
certo onde ele está tocando o seu instrumento. O
outro fator é que é provável que os timbres do
saxofone sofreram tratamentos sonoros o que
dificulta ainda mais a sua presença. Estão
presentes Marotta, Fast, Levin, Stephan Paine
reforçando os tratamentos sonoros e Peter
Hammill ajudando nos vocais de apoio em uma boa
parte dos refrões e coro. Repare que o título
tem uma mesma palavra no título, “family” que
está presente no “PG3” com o nome “Family
snapshot”, embora os assuntos que retratam as
faixas não tem nada uma ver com a outra. Aqui
neste caso são sobre problema de descriminação e
preconceito sexual, escassez, relacionamento e
reunião familiar, mas voltada a alguma espécie
de sacrifício e ritual como na frase “Vows of
sacrifice, headless chickens, Dance in circles,
they the blessed” que significa “Votos de
sacrifício, galinhas sem cabeças, Dança em
círculos, eles os abençoados” em inglês e também
em casamento “Icing on the warm flesh cake... In
the darkness, till the cake is cut, Passed
around, in little pieces” que significa
“Resfriando o bolo morno de carne. Na escuridão,
até o bolo é cortado, Passado ao redor em
pequenos pedaços” em inglês, lembrando que este
“bolo de carne” que Gabriel se refere é um bolo
de casamento. Aqui no caso do enredo um bolo de
casamento não quer dizer necessariamente se seje
doce, salgado, com sabor ou não. Observe que
também entre as frases “And the talk goes on,
Memories crash on tireless waves” lembra uma
sonoridade muito parecida com a faixa “One these,
hope” do álbum da trilha sonora “Passion – A
ultima tentação de Cristo” (1.989). Existe uma
versão que foi registrada no álbum ao vivo
“Plays live” e Gabriel manteve esta faixa em
suas apresentações durante a década de 80.
Existe uma versão que foi gravada pela banda
“Primus” no álbum “Rhinoplasty” (1.998); alías o
“Primus” deve gostar de Gabriel, pois eles
gravaram uma versão de “Intruder” do “PG3” no
álbum “Miscellaneous Debris” (1.992).
“Shock the monkey” – praticamente é o “hit” do
álbum, foi lançado em 6 compactos e um em edição
alemã (todos eles na boa maioria vinham com uma
outra faixa inédita chamada “Soft dog”), chegou
ao posto americano do Top 30 e foi também
indicada para a premiação do Grammy de 1.982
como melhor canção sem contar que é uma das
faixas adoradas do álbum e do público de maneira
geral em relação aos trabalhos que Gabriel já
lançou em sua carreira, além de que desde a sua
publicação o músico vem executando em
apresentações ao vivo nos dias atuais. Tanto o
público que conhece Gabriel assim como o
desconhece tem simpatia por esta melodia e a boa
maioria se identifica muito em trechos quando
Gabriel arrasta a palavra “Shhhhhhhhhock” por 3
vezes consecutivas nos refrões que contém a
mesma, assim como próximo do final que Gabriel
junto com Hammill dizem repetidamente “Shock the
monkey to life – Shock the monkey”. Tem até que
uma estrutura musical bem definida; como Gabriel
investiu neste álbum no instrumento CMI, ele não
perdoou a faixa do início ao fim em usufruir do
instrumento e o resultado alcançado foi que é
provavelmente a música que Gabriel já executou
que contém mais presenças deste instrumento, a
melodia em si demonstra o instrumento querendo
até “cantar a música” e o acorde principal é o
que mantém a melodia muito gostosa e ora até
dançante (lembrando que o álbum “PG4” possui
grande quantidade de elementos eletrônicos e
percussivos) não desperdiçando um único segundo.
A mesma melodia principal até que poderia ter
sido substituída por uma seção de metais, que é
justamente os que os teclados do CMI sugerem na
melodia, mesmo assim isso não desfavoreceu
Gabriel em seu propósito ao gravar esta música;
faixas como “Sledgehammer” do “So” e “Kiss the
frog” do “Us” (1.992) seriam algumas melodias
“seguidoras” a exemplo no que resultou a “Shock
the monkey”. Estão presentes: Levin, Marotta,
Fast, Rhodes e Hammill (em alguns refrões, no
coro e em especial próximo do final da faixa
onde Gabriel é observado fazendo “falsettos”
dizendo insistentemente o nome da faixa). Tanto
esta faixa como “I have the touch” não tem
característica que associa a sonoridade de
terceiro mundo visto que possui uma melodia
puramente pop. Liricamente é um tanto meio
confusa a sua narrativa, parece dizer algo
relacionado sobre experiência com macacos
(demonstra também o quanto Gabriel e ativista e
se preocupa com a natureza), mas ao mesmo tempo
também ciúme (que faz parte da natureza animal)
e identificação sexual como nas duas primeiras
frases “Cover me when I run, cover me through
the fire” que significa “Cubra me quando eu
correr, cubra me através do fogo”, as mesmas
frases também sugerem algo relacionado a uma
fuga, ou alternativa de escapar de uma rotina.
Parece que também Gabriel fez um aparato nestas
letras da mesma forma como em “The rhythm of the
heat” sobre o relacionamento do psiquiatra Carl
Jung. Há também uma conotação muito suspeita
sobre o “shock” era na verdade a palavra “spank”
pois caso o nome da faixa fosse “Spank the
monkey” isso significa na gíria masculina “Bater
uma punheta” em inglês. Hilário, mas nada que
impedisse que fosse assim que Gabriel quisesse
entitular o nome desta faixa nesta maneira, mas
ele poderia correr um sério risco de gravar uma
música que as pessoas achassem legal e a censura
inglesa impedir que chagassem aos ouvidos das
pessoas. Foi lançado uma versão em “Plays live”
assim como há 2 versões de tributos gravadas nos
álbuns “Leaves from the tree” (2.002) e “The
string quartet tribute to Peter Gabriel”
(2.004).
“Lay your hands on me” – uma das faixas que para
desgosto do público foi executada até as
apresentações do músico em 1.988 e foi retirada
então do seu set-list. É uma das poucas músicas
deste álbum de Gabriel que o público se
identifica em termos de estúdio; isto é, os fãs
de Gabriel gostam dela ao vivo, tanto quem já
foi em apresentações ao vivo de Gabriel como já
assistiram em vídeo puderam conferi-lo caindo
deitado nos braços do público próximo ao palco
(há uma foto na contra-capa de “Plays live” que
pode ser observado este detalhe e provavelmente
deva ser a “Lay your hands on me” que estava
sendo executada e foi lamentavelmente não foi
inclusa neste álbum ao vivo). Gabriel não
“voava”, se jogava ou se atirava ao público como
outros roqueiros, ele já realizava a proeza
desde os tempos da turnê de “PG2”, ficava na
extremidade do palco próximo do público, se
virava de costas, amolecia o corpo (que deveria
estar muito relaxado) caindo de uma forma muito
espontânea como que se fosse alguém desmaiando e
caindo ao chão de costas. Para o público isso
representava que Gabriel confiava e acreditava
nas pessoas, passava energia positiva como se
ele pretendesse fazer parte das vidas destas
pessoas e ainda mais para aqueles espectadores
que estavam próximos de Gabriel e até mesmo para
aqueles que o seguravam, imagine a emoção grande
destas pessoas que puderam ter esta sensação bem
de perto. No caso de “Lay your...” geralmente
ele caia no público nas últimas frases da música
bem como o título que demonstra esta confiança
de Gabriel como seu público, pois “Lay down...”
significa “Ponha suas mãos em mim” em inglês,
assim como I am willing - lay your hands on me,
I am ready - lay your hands on me, I believe -
lay your hands on me, over me, over me” que
significam “Eu estou disposto - ponha suas mãos
em mim, Eu estou pronto - ponha suas mãos em
mim, Eu acredito - ponha suas mãos em mim, acima
de mim, acima de mim” em inglês. Os elementos de
terceiro mundo estão presentes nesta faixa,
apresentando a persistência de instintos
primitivos e rituais, Gabriel quando interpreta
passa a idéia de ser uma espécie de um pai de
santo (um curandeiro, ou coisa parecida) logo
nos dois refrões da música; na primeira frase
ele também passa a impressão de que como se
estivesse cantando numa forma de um músico de
rap (mais tarde em “Ovo” (2.000) Gabriel
executaria uma melodia chamada “The story of
Ovo” que é puramente algo relacionado ao meio
rap), mas não de forma excessiva ou exagerada
porque pode ser interpretado como se ele apenas
estivesse conversando normalmente do que
cantando. Diz a respeito de desespero, depressão
e esperança onde todos estes temas são
construídos por uma melodia de música em que
novamente as percussões junto com parte das
baterias que vão se tornando muito triunfantes à
medida que vai se encontrando aos momentos
finais da faixa. Marotta é ajudado por Pert que
se apresenta a partir desta sexta música do
“PG4” (assim como na última faixa do álbum) e em
contrapartida é a única faixa do disco que não
está presente o tecladista Larry Fast onde já se
encontra no caso tocados os sintetizadores David
Lord junto com Gabriel. Estão presentes Levin,
Rhodes (que reforça no coro junto com Peter
Hammill e obviamente Peter Gabriel).
“Wallflower” – é praticamente a “balada” do
álbum, sendo uma das favoritas dos ouvintes de
Gabriel do “PG4”. Foi tocada apenas na turnê do
álbum “So” e editada em um compacto na época do
lançamento do álbum. Estão presentes os músicos
Marotta, Fast, Lord, Levin, Rhodes ajudando
Gabriel a manter uma melodia muito maliciosa e
tranqüila praticamente do início ao fim da faixa
que se inicia muito calmamente devido a grande
quantidade de teclados tendo até um deles que
surge com um ruído lembrando até uma flauta
executado por Lord e tendo Gabriel tocando o
piano e vai ficando muito pouco crescente, mas
não exageradamente à medida que vai surgindo a
sua melodia aos poucos. É provavelmente uma das
faixas que não contem muitos elementos
percussivos eletrônicos e sim acústicos.
Liricamente pelo que Gabriel descreve na faixa é
relacionado a algo sobre tortura e
aprisionamento, alguns fãs do músico associam
como que desde presos políticos, soldados
rendidos por tropas inimigas, pessoas doentes e
presidiários inocentes que foram julgados no
lugar de indivíduos errôneos como nas primeiras
linhas das frases “6x6 - from wall to wal,
Shutters on the windows, no light at all, Damp
on the floor you got damp on the bed” que
significa “6 por 6 - de parede em parede,
Venezianas nas janelas, nenhuma claridade total,
Umedeça o chão você se umedece na cama” em
inglês. O “6 x 6” é como se fosse o tamanho do
aposento onde se encontra o torturado. Sobre
presos políticos, diga-se de passagem, que foi
baseado em cima do polonês anticomunista chamado
Lech Walesa, nascido em 1.943 que durante o
início dos anos 80 foi líder da solidariedade
polonesa negociando com o governo polenês muitas
concessões na união dos trabalhadores e muito
perseguido pelas autoridades radicais polonesas,
algo muito parecido como Stephan Biko, na África
do Sul que foi assassinado em 1.977 (e Gabriel
dedicou uma faixa de muito sucesso que se
encontra no álbum “PG3”). Detalhe: Walesa foi
também um ex-metalúrgico (seria uma espécie de
Luis Inácio “Lula” da Silva, atual presidente
brasileiro ?), e em 1.983 ele ganhou o premio
Nobel da Paz daquele ano pelo seu trabalho em
dele assegurar o direito dos trabalhadores para
estabelecer as próprias organizações. As letras
da música também sugerem evocar sentimentos de
desespero e fracasso, mas no final das contas
inspira esperança e dever como na última linha
"I will do what I can do" que significa “Eu irei
fazer o que eu posso fazer” em inglês.
Futuramente algumas canções próximas de
“Wallflower” viriam como “Don´t give up” do
álbum “So” ou “Blood of Eden” do “Us” (1.992).
Existe uma pequena versão instrumental que foi
aproveitada para material na trilha sonora que
Gabriel fez em “Birdy”, a capa inclusive do
álbum parece ser muito representativa em relação
a esta faixa.
“Kiss of life” – é a menor faixa do álbum com
pouco mais de 4 minutos de duração. Nunca foi
tocada no set-list de Gabriel e foi editada em
um compacto na época de “PG4”, mas foi uma faixa
que com mesmo esta tentativa de ser lançada em
compacto foi muito esquecida com o passar do
tempo. É uma das mais contraídas do álbum com
uma estrutura de melodia bem de um ritmo
caribenho, mas tem uma “levada” bem dançante
meio que de lambada, salsa e lembrando algo até
mesmo a nacionalidade brasileira, alguns fãs
associam também a ritmos puramente brasileiros
visto que Gabriel já chegou a gravar uma parte
do álbum “So” no pais tropical. Os fãs de
Gabriel de uma maneira geral aparentam não
gostar muito desta faixa porque ela “fugiu” um
pouco do esquema que Gabriel se conteve mais aos
elementos africanos e tribais as outras demais
faixas. Os participantes são Rhodes, Levin,
Marotta, Pert, Fast, Lord e Ellis. Há um bom
entrosamento entre as guitarras tocadas por
Rhodes e as baterias e percussões feitas por
Marotta e Pert. Aparentemente a faixa retrata
algo relacionado ao beijo de uma mulher como
logo de início nas frases “See me a big woman,
big woman look how you dance, See me a big woman,
big woman caught in a trance” que significa “Me
veja uma grande mulher, olhar de uma grande
mulher como você dança, Me veja uma grande
mulher, a grande mulher estava em transe” em
inglês. As letras também aparentam transmitir
outros sentimentos como toque, criação, amor e
criação. Observe que futuramente Gabriel
gravaria uma faixa que teria um título muito
parecido como esse no álbum “Us” que no caso a
música se chamaria “Kiss the frog”. Há também um
relacionamento entre esta faixa com a
“Wallflower” e “The rhythm of the heat” pois as
mesmas coincidentemente contém a palavra
“spirit” que significa “espírito” em inglês.
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