Peter Gabriel: Vocais,
Percussão e teclados. Larry Fast:
Teclados, sintetizadores. Tony Levin:
Baixo. Sid Mqcguiness: Guitarra. Robert
Fripp: Guitarra. Jerry Marrota:
Bateria e Percussão. Phill Collins:
Percussão.
Faixas:
1. Moribund the Burgermeister
2. Solsbury Hill
3. Modern Love
4. Excuse Me
5. Humdrum
6. Slowburn
7. Waiting for the Big One
8. Down the Dolce Vita
9. Here Comes the Flood
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Peter Gabriel - Peter Gabriel I / Car
(1977)
Após sua traumatica saída do Gênesis em
meados de 1975, Peter Gabriel decidiu passar um
tempo recluso, cuidando da saúde de sua filha
Jill (que no fundo seria o estopim final de sua
decisão de sair do grupo) e pensando se deveria
continuar ou não no meio musical.
Nem bem se acostumou com a decisão, Gabriel
sofreria um duro golpe. Seu ex-grupo lançaria o
primeiro álbum sem ele "A Trick Of the
Tail" no inicio de 1976, e a banda
atingiria a partir daí um sucesso comercial e
artístico muito maior do que quando Gabriel
estava no grupo. Isso, como ele mesmo diria anos
depois, atingiu seu ego, pois percebeu, de uma
forma não muito agradável, que ele não era a
força principal do grupo, como a imprensa entre
1973-75 colocava de forma contundente, e que
agora deveria repensar seriamente como deveria
ser sua carreira solo, caso ele quisesse
retornar ao meio artístico.
Ironicamente, foram os ex-colegas de grupo
(Collins e Hackett principalmente) que o
estimularam a voltar a encarar os estúdios e os
palcos, e no final de 1976, em rápidas sessões
de gravação, Gabriel produziria (com o ótimo
produtor Bob Erzin) seu primeiro álbum solo,
lançado em meados do ano seguinte, chamado
simplesmente de Peter Gabriel (ou Car, como os fãs
o chamariam).
É interessante ver como Gabriel foi cauteloso e
ao mesmo tempo ousado e radical ao iniciar sua
empreitada solo. Cauteloso chamando colegas e
amigos talentosíssimos que seguiriam
posteriormente com ele no decorrer de sua
carreira (destacando o próprio Collins, Robert
Fripp, Larry Fast, Jerry Marrotta e o seu mais
fiel escudeiro, o excelente baixista Tony
Levin), coordenando e evitando que excessos
sonoros pudessem ser cometidos. Ousado por
privilegiar os mais diversos tipos de ritmos e
sons, em especial batidas africanas e sons
latinos, em detrimento do som progressivo. E
radical por abdicar quase que por completo das
temáticas longas e complexas que fazia no gênesis,
seja em seus discos, seja em seus shows. Claro
que isso iria acarretar perdas,mas por outro
lado daria uma característica mais original ao
seu som, aliás Gabriel é considerado por
muitos críticos um dos precurssores da world
music.
Nesse trabalho, percebe-se que Gabriel começa
sua carreira com o lado direito. Temos a clássica
Solsbury Hill, um sincero, porém indireto,
desabafo de sua saída do Gênesis, e de ter de
certa forma recomeçar alguns aspectos de sua
vida, essa música alias se tornaria um de seus
maiores sucessos. Temos a estranha porém
cativante moribund the burgeimester, onde se
percebe ainda alguns traços de seu ex-grupo,
mais especificamente em colony of slippermen, no
seu som. Waiting for the big one, nos brinda com
uma ótima batida de blues. Temos também as
empolgantes modern love, down the dolce vita e
slowburn, e ainda a ultra intimista here comes
the flood , intercalando o piano de Gabriel com
pitadas da guitarra de Fripp.
A turnê que seguiria esse disco em 1977,
mostraria que Gabriel pretendia se distanciar de
vez do som e da postura que assumia no gênesis.
Nos shows, apenas uma música da banda (Back in
NYC) era tocada e ainda víamos Gabriel abdicar
das altas doses de teatralidade que tanto fez
deslumbrar os fãs de sua ex-banda entre
1972-75, e mostrando a eles que iria
literalmente recomeçar sua carreira, agora sob
a forma solo .
Depois desse disco, Gabriel se distanciaria cada
vez mais do progressivo (com exceção de seu
segundo álbum solo de 1979, sob a produção de
Fripp), caindo de cabeça na world music e em
sons eletrônicos, atigindo o ápice da
criatividade no excelente SO de 1986.
Ótimo álbum, mostrando como um artista
consagrado em uma banda deve fazer para
conseguir sobreviver na difícil empreitada
solo, onde somente uma minoria consegue se
manter sem fazer um constante flashback ao
passado.
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