Inglaterra, 1983.


Músicos:
Peter Gabriel - vocais principais, sintetizador e piano
Jerry Marotta - baterias, percussão e vocais de apoio
Tony Levin - baixo, stick e vocais de apoio
David Rhodes - guitarras e vocais de apoio
Larry Fast - sintetizadores e piano


Músicas:
1. The rhythm of the heat – 6:26
2. I have the touch – 4:49
3. Not one of us – 5:44
4. Family snapshot – 4:58
5. D.I.Y. – 4:10
6. The family and the fishing net – 7:33
7. Intruder – 4:47
8. I go swimming – 4:59
9. San Jacinto – 8:24
10. Solsbury Hill – 4:39
11. No self control – 5:00
12. I don't remember – 4:12
13. Shock the monkey – 7:14
14. Humdrum – 4:22
15. On the air – 5:20
16. Biko – 6:48


Peter Gabriel

Plays live

 
Dados da resenha:
Autor: Ricardo (Steve Hillage); recebida em: 30/08/2005.
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10 anos. Este foi praticamente o tempo de espera que os admiradores de Peter Gabriel tiveram de se contentar para tê-lo em suas mãos através do álbum “Plays live”. O “Plays live” é nada menos que o então álbum aguardado pelo público de Gabriel em se tratando de sua carreira solo e o “segundo álbum ao vivo” que Gabriel havia registrado algo de frente a uma platéia. “Segundo álbum ao vivo” porque na realidade como muitos fãs sabem Peter Gabriel foi um dos fundadores do “Genesis” no final dos anos 60 e em contrapartida o primeiro álbum ao vivo da banda foi o “Gênesis live” lançado em 1.973 que ainda estava presente o músico, antes que ele saísse do grupo em 1.975. Se 10 anos de espera foram uma forma de judiar da ansiedade dos fãs tanto de Gabriel como do “Genesis”, imagine que o segundo álbum ao vivo de Gabriel, o “Secret world live” só sairia 11 anos depois deste trabalho, só em 1.994 e no caso do “Genesis” ao vivo com Peter Gabriel só 25 anos depois em “Genesis Archives Volume 1: 1.967 – 1.975” sendo lançado em 1.998!!! Esperas inclusive que foram muito aguardadas, mas ai são outras estórias... Este álbum, entretanto mesmo com a demora de 10 anos já compensa por ser duplo (o “Genesis live” é simples), pois também pudera é o resultado do decorrer de 5 anos de carreira solo com 4 discos lançados durante este período que abrange os anos de 1.977 até 1.982, embora a versão ao vivo que se destina aqui neste caso foi o resultado de uma turnê norte americana feita por Peter Gabriel durante o ano de 1.982 tanto quando ele gravava e lançava o seu quarto álbum solo, o “Peter Gabriel 4” (1.982), ou o também chamado “Security”. Quando Peter Gabriel lançou este álbum duplo que saiu na metade de 1.983, ele também aproveitou o embalo com o lançamento do disco pra promovê-lo fazendo uma pesada turnê que se estenderia até o finalzinho de 1.983 que pelo visto foi uma atitude muito esperta tanto de Gabriel como da gravadora.

Lançado pela gravadora Charisma Records (a mesma que o “Genesis” também pertenceu), Geffen Records e mais tarde pela Virgin Records, o “Plays live” saiu em edição nacional tanto naquele ano de 1.983 como também vieram outros relançamentos do álbum em 1.988 e 1.989, embora é muito mais compensador ter a edição original do ano porque contem 2 encartes ilustrativos onde ficam dentro deles seus respectivos discos o que já não ocorre da mesma forma dos relançamentos; já a versão em CD nacional apenas saiu em 2.002 quando a gravadora Geffen resolveu relançar mundialmente a remasterização completa dos álbuns de Peter Gabriel também no mesmo ano (no caso, importados a grande maioria) em que saia o último álbum de estúdio, “Up”. Mesmo assim o disquinho saiu lá fora em 1.984 e em 1.999. Embora muitos admiradores desta compactação sonora sejam fieis a seus ouvidos, os mesmos recomendam em sua grande maioria em adquirir a caríssima edição japonesa porque lamentavelmente as outras edições não possuem uma pureza de som como a deste caso, e pra desgosto e desprazer do ouvinte assíduo de Peter Gabriel, a edição de 2.002 (que vale também no caso da nacional) retirou 4 faixas para que o disquinho ao invés de ser duplo, passou a ser uma edição simples, o chamado edição “lite”, onde é encontrado o nome “Plays live Highlights”, ou seja, das 16 faixas encontradas (8 faixas em cada álbum original do vinil) serão observadas 12 faixas. Mesmo com a presença de fotos e ilustrações inéditas, acredita-se que obviamente isso foi puramente uma jogada de marketing da gravadora (ou será que de Gabriel ?) por ter investido pesadamente na remasterização completa de todos os seus álbuns mais o “Up” que era novidade de estúdio na época. Talvez a edição simples foi com o intuito de que aquelas pessoas que não conheçam bem Peter Gabriel possam ter um disco (mesmo sendo ao vivo) com a finalidade de comprar por motivos de custo (já que não seria um disco duplo) e de conhecer uma parte da carreira do músico, se tornando ao mesmo tempo uma coletânea, o que não é o caso, pois Gabriel lançou a sua primeira coletânea “Shaking the tree: Sixteen golden greats” (1.990), e que é muito bem aceita por muitos ouvintes.

O “Plays live” como todo disco de um artista também teve seu objetivo ao ter sido lançado: primeiramente porque era sabido que Peter Gabriel já continha um material abundante gravado em estúdio anteriormente e a turnê dos anos de 1.982 e 1.983 em si para promocionar este álbum, fatores inclusive já comentados anteriormente. Outros motivos também podem reforçar a este disco ter saído como os prejuízos que Gabriel teve no ano de 1.982 ao excursionar em apresentações (algumas das quais estavam inclusos até mesmo o hindu Ravi Shankar, instrumentista mundialmente conhecido em tocar cítaras) pelo WOMAD (World of Music, Arts and Dance – Mundo da música, arte e dança) e isso antes mesmo do lançamento de “PG4” que o músico já havia tido com estes prejuízos por estes determinados festivais. O outro fator também pode ter somado com a idéia tanto de Peter Gabriel como do “Genesis” no ano de 1.981 em que foi a elaboração de um determinado script para formalizar um possível filme entitulado como “The lamb lies down on Broadway” (o último álbum de Peter Gabriel que lançado em 1.975 e que participou no “Genesis”) em que a banda se reuniria com Gabriel para regravando as faixas deste trabalho e Gabriel se apresentaria como o personagem principal (obviamente!!!) interpretando o Rael. Gabriel e o “Genesis” procuraram aceitar a idéia num investimento girando em torno de 5 milhões de dólares até que todos entraram numa situação muito frágil perdendo o patrocínio nos investidores das filmagens naquilo que pretendiam criar, tentando até executar eles próprios, mas acabaram cedendo, desistindo e perdendo esperanças em que tanto desejavam.

Na época desta turnê de Gabriel até aconteceu algo muito sonhado pelos fãs do cantor e do “Genesis”; eles se reuniram na tão “famosa” reunião ocorrida em 2 de outubro de 1.982 no Milton Keynes (o resultado gerou um álbum triplo ao vivo pirata, objeto muito raríssimo, e um vídeo da época ambos de grande procura para os colecionadores destes artistas). Esta apresentação também teve a presença do guitarrista Steve Hackett (que saiu do “Genesis” em 1.977) e dos músicos Chester Thompson nas baterias (substituto de Collins nas baterias em apresentações ao vivo) e Darry Stuemmer nas guitarras e baixo (substituto de Rutherford com seus instrumentos). Foram apresentadas músicas que eram dos tempos de Gabriel no “Genesis” desde “The musical box” do “Nursery crime” (1.971) até “Back in NYC” do álbum “The lamb...” assim como algumas do “Genesis” sem Gabriel como “Follow you, follow me” por exemplo, do álbum “And then there were three” (1.978) e além de outras de Gabriel em carreira solo como “Solsbury hill” do “Peter Gabriel I” (1.977), “On the air” do álbum “Peter Gabriel 2” (1.978) e outras mais. Para a alegria de todos aqueles espectadores Gabriel fez encenações teatrais de alguns de seus sucessos na época que estava no “Genesis”. Falando inclusive em encenações teatrais neste período desta turnê solo de Peter Gabriel era possível observá-lo maquiado completamente no rosto e sendo provavelmente suas únicas aparições desde então, ele também era observado durante em suas observações em algumas canções caindo de costas e segurado pelo público próximo ao palco para delírio de seus admiradores (as fotos de encarte do álbum “Plays live” tanto a capa como a contra capa confirmam estes detalhes).

Este trabalho ao vivo também resultou na elaboração de 5 compactos e mesmo sendo duplo chegou ao Top 40 americano e na 13 posição das paradas inglesas. Gabriel já nesta época era um músico muito maduro que se apresentava naturalmente como qualquer um outro, mas durante aquele ano de 1.983 Gabriel precisou ser muito firme e forte emocionalmente porque ele estava se divorciando de sua esposa, a Jill Gabriel, que a conheceu ainda jovem desde os tempos do Chaterhouse namorando, casando e tendo duas filhas neste relacionamento, Anne e Melaine. Jill Gabriel compôs uma faixa durante a carreira solo do músico chamada “Mother of violence” que está no “Peter Gabriel 2” (1.978). A família abandonou Peter Gabriel porque Jill não agüentava mais o músico longe de casa e ter a responsabilidade de cuidar dos afazeres domésticos e das 2 crianças e isso sem contar que como todo o artista também tem uma quantidade enorme de fãs do sexo oposto (no caso jovenzinhas e mulheres) que deviam causar uma neura de ciúmes para Jill Gabriel ainda mais quando estaria fazendo turnês em outros países senão o seu de origem (falando em traição diga-se que Gabriel foi traído por Jill Gabriel que estava grávida do primeiro filho do músico por um de seus melhores amigos), na Inglaterra. Na verdade esta não foi a primeira vez que Gabriel se conscientizou que precisava estar mais ao lado de sua família; na época ainda que ele se se encontrava no “Genesis” e especialmente no período frutífero do grupo próximo das gravações do álbum “Genesis live”, Gabriel estava sendo muito pressionado pela esposa em dar um tanto mais de atenção a ela e a seus futuros filhos (Jill Gabriel perdeu um filho durante a sua gravidez ainda quando Peter Gabriel fazia as gravações de “The lamb...”). Imagine como estava psicologicamente Gabriel nesta situação, alguém que tinha pais que pensavam em si próprios (o pai sempre atarefado, ocupado e preocupado com seus negócios de trabalho, a mãe que dava mais atenção pra irmã de Gabriel), a frustração e agonia de estudar no Chaterhouse e entre outros; algo que não é qualquer um que consiga ter cabeça suficiente para aturar a tudo isso, mas pelo visto a convivência de Gabriel com a música foi sem sombra de dúvidas um dos melhores remédios e relaxantes para ele.

Neste mesmo ano de 1.983, o único integrante que poderia se igualar em termos de quantidade de álbuns (o “Plays live” como se sabe é duplo) seria o outro fundador do “Genesis”, Tony Banks, que gravou 2 discos, “The fugitive” e “The wicked lady” (um lado do disco são composições do filme em referência do título, enquanto que o outro lado do mesmo disco são composições da época do lançamento de seu primeiro álbum solo chamado “A curious feeling” de 1.979), mas é muito óbvio que os 2 álbuns somados não chegaria próximo em termos de quantidade de vendas e de classificação de paradas de sucesso igual ao “Plays live”. Outros membros como o guitarrista Steve Hackett gravariam também resultando em “Bay of kings”, o guitarrista original e fundador do “Genesis”, Anthony Phillips resultando em “Invisible man” e o próprio “Genesis” com um álbum entitulado simplesmente como “Genesis” (vale lembrar que no ano anterior, em 1.982, a banda gravou também um álbum duplo ao vivo chamado “Three sides live” – seria uma espécie de concorrência entre Gabriel e o “Genesis” ?).

Os músicos que Gabriel selecionou foram aqueles que mais colaboraram em seus 4 primeiros álbuns e se identificaram com a música do cantor de uma maneira geral e estes seriam: Tony Levin no baixo e vocais de apoio, sendo este o único dos participantes presentes que mais colaborou nestes 4 discos de estúdio de Gabriel, Larry Fast nos teclados e sintetizadores também estreou junto com Tony Levin no álbum de estréia de Gabriel em “Peter Gabriel I” (1.977), embora presente nos 4 álbuns de estúdio, estava sempre dividindo seu espaço para mais um outro tecladista e conseqüentemente não participando em todas as faixas em determinado álbum que Gabriel gravava, Jerry Marotta nas baterias, percussão e vocais de apoio que estreou com Gabriel em “PG2”e finalmente David Rhodes nas guitarras e vocais de apoio que estreou com Gabriel em “Peter Gabriel 3” (1.980). Praticamente aqui é uma equipe que realmente foi de bom tamanho para o cantor e com o passar do tempo só estariam gravando com o mesmo apenas Levin e Rhodes tanto em estúdio como em apresentações ao vivo no decorrer dos anos.

O que temos em “Plays live” ? Já comentado anteriormente é nada menos que tudo aquilo correspondente da carreira solo de Peter Gabriel de seus 4 álbuns solos relacionados em um período de 5 anos. O ouvinte que tiver esperanças que irá encontrar algo como uma “cover” do “Genesis” pode já pensar em desistir porque não há interpretação alguma que lembre Gabriel em seus tempos no grupo, tirando a salvo de possíveis faixas que ele gravou no álbum de estúdio em sua estréia no “PG1”, mas ainda assim o ouvinte que já conhece este disco percebe que o caminho que Gabriel trilha é bem diferente do “Genesis”, isso sem contar ainda mais conforme ele vai avançando com o passar do tempo gravando com os outros 3 álbuns posteriores, quando este álbum duplo saiu Gabriel já estava fazendo 8 anos que não fazia parte da banda; a diferença daqueles 10 anos depois que o álbum “Genesis live” saiu é muito enorme em termos de música, criatividade e sonoridade. Temos então aproximadamente 22,5% (2 músicas) do “PG1”, 20% (2 músicas) do “PG2”, 60% (6 músicas) do “PG3” e finalmente 62,5% (5 músicas) do “PG4” e uma inédita no meio de todo este material do “Plays live”.

No meio deste vastoso repertório e considerado muito satisfatório pelo público e crítica e um dos pontos fortes e positivos do álbum fez ainda com que Gabriel espertamente colocasse ao meio presenteando aos ouvintes uma faixa inédita já gravada em estúdio, mas só agora sendo lançada. Não muito diferente de “Genesis live”, Gabriel também é observado conversando em alguns intervalos com os espectadores (a gravadora juntamente com a produção musical do álbum excluiu alguns momentos do músico conversando com o público, o mesmo que ocorreu naquele álbum ao vivo do “Genesis”) o que demonstra uma verdadeira aproximação, fidelidade e carisma com o seu público. A improvisação não é também muita, mas existe sim até que determinada diferenciação destas faixas ao vivo em relação com as originais de estúdio. Um outro aspecto, às vezes incomum de certos artistas é de não valorizar o álbum de estréia (como no caso das bandas “Yes”, “Van Der Graaf Generator”, “Supertramp” e até mesmo o próprio “Genesis” que teve Gabriel como fundador) assim como o segundo álbum respectivamente: diferente do que acontece da qual o músico até procurou abordar alguma coisa destes seus 2 álbuns já que a quantidade de material gravado era até que relativamente grande o suficiente resultando em um álbum duplo. O único empecilho é da mais recente série remasterizada em CD tendo que reduzir 4 faixas a menos do original e uma destes 2 primeiros álbuns foi tristemente retirada (mesmo que se tivesse os seus prós e contras por ela estar originalmente inclusa), só que aqui graças a edições de vinil e a edição japonesa em CD (recomendada pelos fãs de Gabriel) não tem esse incômodo. Finalmente pode ser considerado como uma alternativa para aqueles ouvintes que querem escutar Gabriel (com a finalidade de apenas conhecer sua música seje o disco com o formato duplo ou simples) em uma fase pela qual ele estava saindo dos anos 70 e entrando nos anos 80, década que para o público apreciador do rock progressivo (em que Gabriel colaborou nesta categoria musical no início de sua carreira e durante o tempo que permaneceu no “Genesis”) não foi muito agradável para o ouvido destas pessoas, mas Gabriel conseguiu com uma razoável tranqüilidade vencer com a conquista de sua criatividade até mesmo ouvintes que apenas gostam de sua música, mas muitas vezes nem sequer sabem que ele foi pertencente a um grupo muito conceituado no mundo do rock.

A capa do álbum volta novamente com a notória aparição de Gabriel, já que no álbum anterior, em “PG4”, ele acabou não aparecendo diferente dos outros seus 3 álbuns restantes. Não há nada de novidade, exceto pelo que já foi comentado anteriormente é observado na capa Gabriel em foco com a maquiagem em seu rosto (como se lembrasse seus tempos no “Genesis”) e sendo visto desta forma de se apresentar mesmo em shows provavelmente pelas últimas vezes e na contracapa do disco que se percebe Gabriel deitado de costas sendo carregado pelo seu público próximo do palco. A edição também imprensou um bichinho, parecido com um cachorrinho, mas parece ser uma mascote, identificando algo que o ursinho de pelúcia que Gabriel mostrava ao público ao vivo na turnê do álbum “PG2” em que o músico chegou a registrar uma música inédita chamada “Me and my Teddy bear” que significa “Eu e meu ursinho de pelúcia” em inglês. Para os colecionadores de Gabriel a edição inglesa na época lançou uma pequeníssima quantidade do álbum das quais as prensagens de capa vinham com o autografo do músico. As fotografias foram tiradas e organizadas por Armando Gallo, um fotógrafo italiano de reportagens que durante no decorrer dos anos 70 seguia tanto o “Genesis” como Peter Gabriel insistentemente que ele acabou até realizando livros autobiográficos ilustrativos do grupo e um exclusivamente de Peter Gabriel lançado em 1.986. Gallo também colaborou na arte tanto fotográfica de outros artistas como a banda “Le Orme” de sua terra nativa no álbum “Smogmagica” (1.976), no álbum duplo ao vivo do “Genesis” em “Seconds out” (1.977) e entre outros. O fotógrafo foi reforçado neste trabalho ao vivo de Gabriel com o auxílio de Margaret Maxwell.

A produção pela quinta vez consecutiva sofre novamente mudança e desta vez quem acaba sendo o responsável pela elaboração no que compete à parte de sonoridade musical deste disco é realizado por Peter Walsh que havia trabalhado com o “Simple Minds”, “Kissing the Pink”, “Heaven 17” e entre outros. Walsh recebeu também o auxílio de Neil Kernon que já era um tanto mais experiente em currículo tendo já atuado ao lado de “Headstone”, “Random Hold”, “Kayak”, “Hall & Oates”, “Kansas”, Mick Ronson (guitarrista de David Bowie durante os anos 70 e faleceu em 1.993), “Brand X” (banda fusion formada pelo baterista Phil Collins, do “Genesis” na metade dos anos 70).

“The rhythm of the heat” – a primeira faixa que originalmente abre este álbum no primeiro disco apresenta logo de cara lamentavelmente na versão em CD que foi remasterizada em 2.002 e editada em versão simples (retirada 4 faixas do original) nada menos que a ausência desta faixa. As perguntas são: aonde estavam as cabeças dos responsáveis em ter retirado das 4 músicas, justamente esta que abre “Plays live” ? Por ser uma das faixas mais adoradas do álbum “PG4” (do qual originalmente é pertencente esta música) pelo público, será que realmente merecia ser retirada deste trabalho ? Como que uma faixa igual a “The rhythm...” que na turnê do álbum “PG4” fazia parte do set-list de Gabriel e era a qual servia de entrada na abertura das apresentações do músico teve que ficar de fora neste CD ? Pelo visto é o resultado que um admirador de Gabriel imagina sem pensar duas vezes: gravadoras que preferem se preocupar com os lucros do disco do que com o público do artista. E por final mais uma pergunta cruel: será que Gabriel também foi o mentor principal desta idéia absurda ? Só o tempo irá responder. Esta aí um dos fortes fatores que a pessoa que queira adquirir este CD simples reflita se vale a pena ou não pagar menos por não ter justamente esta adorável faixa, assim como as outras 3 restantes. Com a retirada desta faixa neste caso é o que para os fãs mais radicais de Gabriel provavelmente fez perder muito mais toda a exuberância do verdadeiro álbum original. Em relação à faixa original e embora aqui no caso tenha sido acrescentado um minuto de duração a mais, praticamente estão relativamente parecidas a salvo de que por se tratar de uma versão ao vivo é possível observar o público logo de cara muito empolgado e cientes dos primeiros acordes iniciais da melodia que vão batendo palmas e assobiando até que Gabriel dá sinal de sua voz “OOOOoooooooooooooooooooooooo” o que desperta ainda mais a empolgação deste público ao vivo ali presente sendo que logo em seguida ele vai citando os primeiros versos da faixa. As partes mais emocionantes de destaque são a última frase que Gabriel grita (que os admiradores gostam muito de fato) como que se não tivesse a intenção de finalizar “The rhythm has my sooooooooooooooouuuuuuuuuuuuuuuuuuuullllllllllllll” e mesmo não tendo a participação dos percussionistas do “Ekome Dance Company”, a banda e Gabriel faz uma espécie de “trovoada percussionista” (onde vão surgindo aos poucos e progressivamente as percussões) a dar de entender que aqueles músicos tocam percussão insistentemente como se não quisessem finalizar a faixa (lembram como que o “Gentle Giant” em palco quando todos os músicos faziam sua parte musical dando uma ênfase muito forte com a percussão ajudando geralmente o baterista do grupo) até que Gabriel cessa a faixa com um brado ao fundo como se ele fosse um regente de uma orquestra. Algumas versões ao vivo desta faixa chegavam facilmente a casa dos 10 minutos, mais devido aos temas das partes introdutória e próxima ao final da música. Como era uma música que pertencia ao set-list de aberturas da época, geralmente era possível ver Gabriel entrando e maquiado da mesma forma como ele está na foto da capa do álbum. Observe que originalmente da mesma maneira que esta faixa faz abertura no álbum “Plays live” (o disco duplo) a de estúdio também é a que inicia o álbum “PG4”. Ainda sendo bastante adorada pelo público lamentavelmente Gabriel retirou de seu set-list após a turnê de “PG4” (mais um outro motivo de ter desgosto de esta faixa ter sido retirada do CD remasterizado). Além da faixa que foi lançada em estúdio, Gabriel também elaborou uma outra versão para a sua primeira trilha sonora entitulada “Birdy – Asas da liberdade” (1.985) que contem os atores Nicholas Cage e Matthew Modine. Bem de um estilo musicalmente e tipicamente tribal retrata sobe estudos de psiquiatria do suíço Carl Gustav Jung a respeito da paranóia humana que vai progredindo a uma tal maneira de deixa o ser humano muito louco. Detalhe: a música foi substituída por uma outra chamada “Across the river” encontrado numa coletânea chamada “The best of music and rhythm” (1.983) onde participam o Ekome Dance Company e pode ser encontrada em “Secret world live” de Gabriel.

“I have the touch” – Logo em seguida vem uma outra faixa pertencente ao álbum “PG4” que retrata a respeito sobre a necessidade humana de se tocarem uns ao outros, isto é, o contato físico entre as pessoas, independente qualquer que seje a forma de contato físico. O nome da faixa já procura definir isso que significa “Eu tenho o toque” em inglês, fora as frases que Gabriel diz ao longo da música: “I´m wanting contact” e “I need contact”que significam “Eu estou esperando contato”, “Eu necessito de contato” em inglês. Esta foi uma das faixas que durante ao longo do decorrer dos anos 80 teve outras versões diferentes da original de estúdio. Depois que Gabriel é aplaudido no final da faixa anterior ele já executa o programming de percussões eletrônicas (até um tanto diferente da original, apesar de que a estrutura musical em si não tem muita diferença da original) e diz um “Hi” ao público onde logo em seguida anuncia o nome da faixa aqui em referência ao público. Para quem já era acostumado com o álbum duplo original estranharia muito da forma como iniciaria o “Plays live” no CD remasterizado, pois esta faixa é a que faz abertura no disquinho. Lembra um estilo meio que techno-funk (eletrônico em especial), chegando ser dançante às vezes e também era considerado no álbum “PG4” uma das músicas mais pop deste disco. Em termos de set-list é um outro caso praticamente parecido com a anterior, embora foi tocada uma única vez na turnê do álbum “So” (1.986) em novembro daquele ano. Chegou a ser lançada em trilhas sonoras “Phenomenon” que tem o ator principal John Travolta e Robert Duvall e “The Craft – Jovens bruxas” (1.996) e aqui é interpretado pela banda “Heather Nova”.


“Not one of us” – pertencente ao álbum “PG3”, é outra faixa que foi retirada do CD remasterizado, apesar de que possui outrora um público extremamente dividido sobre a sua simpatia e foi tocada durante toda a década de 80. O detalhe é que originalmente o ouvinte perde um pouco a oportunidade de perceber Gabriel conversando um pouco com o público e citando o nome da faixa antes que ele inicie a música, coisa que no disquinho isso precisou ser cortado, da “I have the touch” ele parte para a faixa seguinte, a “Family snapshot”. Pouco se diferencia da original, mas é possível perceber que existe um pouquinho da presença de partes metálicas das baterias executadas por Marotta sendo que o álbum “PG3” em todo o seu contexto foi evitado que fosse tocado esses artifícios do instrumento, mas a sonoridade está um tanto seca e crua. O destaque vai mesmo nesta versão ao vivo para o tema final que se torna de forma meio crescente e lembrando um trem chegando. O mesmo tema final foi reutilizado na trilha sonora “Birdy”. É relacionado sobre alienação e exploração de um grupo ou raça que se possam interagir com outros dizendo a respeito de alguém separado ou excluído de um grupo ou multidão por causa de sua raça, crença ou por pensar completamente diferente de toda a humanidade no mundo.

“Family snapshot” – também é pertencente do “PG3 ”, considerada a “balada” deste álbum e muito adorada tanto pelo público de Gabriel que adora este disco de estúdio ou não tanto que foi tocada até aproximadamente a turnê do álbum “Us” (1.992). Possui uma letras mais trabalhadas porque não há repetência de frases e versos retratando inclusive algo baseado em uma estória verídica de um psicopata chamado Arthur Bremmer que planejou um atentado planejado contra o governador do estado do Alabama nos Estados Unidos em 1.972 durante um comício, não devido a fins políticos mas sim pela obsessão de se tornar uma pessoa famosa. Cada verso que Gabriel cita é como se fosse na narrativa cada passo do maníaco possessivo. Antes que Gabriel inicia a faixa, ele em meio do público bastante empolgado onde pode até escutar algumas pessoas gritando pelo nome do músico, cita então o nome da faixa que é decerto muito bem recebido pelo público em um puro silêncio repentino quando ele faz os primeiros toques ao piano elétrico e citando a primeira fase da música tendo o restante da banda aos poucos o acompanhando. Apesar de ter uma estrutura relativamente muito simples e que não incomoda nem um pouco aos fãs, não existe muita diferença entre a original a não ser pela ausência do saxofone que era tocado por Dick Morrissey. A mesma faixa foi reaproveitada na trilha sonora do álbum “Birdy”.

“D.I.Y” – alem de ser a menor faixa tanto do primeiro disco como de todo o trabalho com pouco mais de 4 minutos de duração, Peter Gabriel inicia o lado 2 do disco 1 onde esta música é pertencente ao álbum “PG2”. Isto quer dizer que aqui temos aqui Gabriel com o seu material retornando aos anos 70 (não da fase do “Genesis”!!!!!!), pois este disco de estúdio foi lançado em 1.978 (apesar de ter sido no final da década). Antes que Gabriel comece a faixa ele anuncia o título da mesma e então entram os sintetizadores de Fast do tema de abertura desta música; observe que as baterias não entram já em ritmo como na original, isso porque no “PG2” vai ao embalo da anterior que se chama “On the air”. Gabriel é puramente roqueiro na melodia desta faixa do início ao fim e ao mesmo tempo meio punk. Próximo do final desta música ele brinca um tanto com o seu vocal quando cita inúmeras vezes o título da mesma que retrata a maneira do indivíduo em desenvolver suas próprias coisas e acreditar nelas. “D.I.Y” é o significa de "Do it yourself", ou seja "Faça você mesmo".

“The family and the fishing net” - é a maior faixa do álbum do disco 1 com pouco mais de 7:30 minutos de duração, apesar de que não houve modificações com relação a original de estúdio, presente no “PG4”. A sonoridade característica desta música é meio que associado ao experimentalismo musical e até que tranqüilamente poderia ser inclusa no álbum “PG3” onde há a existência demasiada deste tipo de forma de ser fazer. O destaque de momento aqui fica por conta do guitarrista David Rhodes que por coisa de minutos ele lembra uma sonoridade muito parecida com o que Robert Fripp costuma fazer na sua carreira musical (lembrando que Fripp foi participante dos 3 primeiros álbuns de Gabriel, tanto como músico e produtor musical), e é a seção mediana instrumental da faixa que demonstra muito esse experimentalismo musical e ainda mais neste álbum ao vivo. O enfoque desta faixa é relacionado descriminação e preconceito sexual, escassez, relacionamento e reunião familiar destacado a algo associando a uma espécie de sacrifício e ritual. Foi mantida no set-list de Gabriel durante a década de 80 além de existir uma versão gravada pelo grupo “Primus” no álbum “Rhinoplasty” (1.998).

“Intruder” – outra faixa pertencente do “PG3” e a segunda que foi retirada do mais recente CD remasterizado. Isso significa que apesar de originalmente foram inclusas 6 músicas do álbum original ao vivo e pertencentes ao álbum de estúdio “PG3”, foi em contrapartida pelo obvio o q mais no caso do disquinho, o “PG3” foi teve de ser retirado e nesse caso, a gravadora ainda pode ter afetado a dinâmica de todo o conjunto das faixas selecionadas, pois é considerada pela grande parte do público que aprecia este álbum de estúdio, uma das faixas mais adoradas, seria como se retirasse a “The rhythm of the heat”, também como aconteceu na abertura do “Plays live”, já que originalmente a “Intruder” é a faixa de abertura do “PG3”. Parece estar diferente um tanto da original em relação aos vocais de Gabriel que interpreta ao público de uma maneira mais nervosa e dramática com uma grande vontade de gritar e resultando em um vocal um pouco mais alto do que a do “PG3”. A última frase da faixa “I´m the intruder” é uma prova disso. Os mesmos recursos e artifícios sonoros que são percebidos pelo ouvinte de algo sendo “rasgado” no início da faixa em meio das baterias de Marotta foram devidamente mantidos o máximo possível. Foi uma das faixas que esteve no set-list de Gabriel até a turnê do álbum “PG4”. Na época de seu lançamento Gabriel iniciava as apresentações aparecendo na parte de trás em meio à multidão junto com o restante de sua banda em espaços de cor branca com lanternas debaixo do queixo e vestido de roupas escuras (mantendo inclusive o ambiente sonoro da faixa que é bastante sombrio). Retrata a respeito a algo puramente assustador originando medo, temor, invasão e como o próprio nome já sugere é um “intruso, invasor”. Existe uma versão da banda roqueira chamada “Primus” que fez uma “cover” desta faixa encontrando-se em um EP chamado “Miscellaneous Debris” (1.992).

“I go swimming” – a última faixa do disco 1 é considerada como uma faixa até que inédita para muitos admiradores de Gabriel, é, sobretudo uma música que Gabriel compôs na época do álbum “PG3” e que era originalmente instrumental e depois recebeu letras e só lançada agora neste álbum ao vivo. Fica aqui uma dúvida em relação ao CD masterizado: será que a gravadora tinha como intenção tirar 2 faixas do “PG3” porque esperava que os fãs de Gabriel descobrissem que era um material inédito nunca incluso naquele álbum de estúdio e equilibrando a perda (ou seja, ao invés de 6 faixas que foram propostas no álbum original ao vivo do “PG3”, seriam ao todo 7 – sendo assim o álbum que mais possuiria material apresentado dos trabalhos já gravados por Gabriel)? Ao que tudo indica a faixa retrata a respeito do elemento água que se encontra presente (“water” em inglês) assim como outras que associam a mesma como o título que significa “Eu vou nadar” em inglês, “river” (rio), “sea” (mar), “pool” (piscina), “fishes” (peixes), “to drink” (beber) ao longo das letras. Ainda que retrate sobre algo referente a líquidos, Gabriel parece querer dizer de alguém que não quer ser inibido socialmente em atividades tipicamente sociais e “nadar” contra a forma que as outras pensam a respeito de determinado assunto, se sentir livre o suficiente para ser ela própria, como é o que acontece quando existe debaixo d´água a sensação de liberdade ao nadar e não apenas por ter uma forte adoração pela água. A forma estrutural musical desta música é bem de um estilo meio que de boogie-woogie, lembrando parcialmente aquelas “baladas” dos finais dos anos 50 e início dos anos 60 quando o rock estava começando a surgir com mais presença no mundo. O tema final vai ficando crescente e empolgante e é interessante observar a forma como Levin predomina no baixo nesta faixa inclusive na introdução da mesma meio que de uma maneira “nervosa”. Gabriel aqui também antes que comece a música conversa um pouco com o público e então cita o nome da faixa. O resultado permitiu na época que saísse também um compacto desta faixa (ao vivo, claro) junto com a música “Kiss of life” que originalmente é do “PG4” e resultou também em versão ao vivo já que não pode ser inclusa neste trabalho ao vivo por espaço insuficiente nos 4 lados dos 2 discos (será que não seria mesmo possível uma música a mais ?).

San Jacinto – iniciando o disco 2 do “Plays live” está é a maior faixa tanto do segundo disco como também do trabalho tendo quase 8:30 minutos de duração, ficando inclusive 2 minutos a mais que a original de estúdio que no caso é pertencente ao “PG4” e às vezes em algumas apresentações chegava tranqüilamente na casa dos 10 minutos de duração. O público de Gabriel considera que ficou melhor esta versão do que a original. Estranhamente não tem tanta diferença entre ambas, talvez por possuir uma introdução ou o tema final um pouquinho mais extensos que a original ou a maneira que Gabriel passa mais energia e emoção ao público presente (e que realmente possui). Além disso, na parte final da faixa nas turnês da época era possível observar Gabriel a partir da frase “We will walk” com a iluminação completamente apagada a exceção de um único foco de luz se direcionando a ele que ficava brincando com o público refletindo este foco de luz sobre eles por meio de um espelho, momento memorável e inesquecível para aqueles espectadores. Estruturalmente é meio que tribal num esquema inicial em que os instrumentos (sintetizadores) lembra uma espécie de carrilhão que aos poucos vai progredindo até que a faixa vai ficando calma em especial no último tema desta música. Retrata a respeito de raça (indígena, em especial) com seus sentimentos perdidos ao longo do passar do tempo e tendo seu espaço sendo desrespeitado e tomado conta pela raça branca. Detalhe: San Jacinto é o nome de uma cidade americana do estado da Califórnia. A música também foi utilizada parte de seu tema final para a trilha sonora de “Birdy”.

“Solsbury hill” – pertencente originalmente ao álbum de estréia “PG1”, aqui observamos que Gabriel demonstra valorizar algo que gravou de seus primeiros discos. Quando Gabriel estava no “Genesis” nem sequer o álbum de estréia da banda “From Genesis to Revelation” (1.969) tinha faixas que fossem tocadas nas apresentações do grupo, mas no caso da carreira solo de Gabriel ele já não vacila e apresenta algo de um trabalho de estréia que em contrapartida foi um disco que uma espécie de transição, já que ele como se sabe ele havia saído do grupo depois do álbum duplo de estúdio “The lamb lies down on Broadway” (1.975) e só retornaria estreando novamente na música no início de 1.977 com o lançamento de “PG1” (Gabriel escreveu logo após o nascimento de sua filha Anna Gabriel). Esta faixa é tocada até nos dias atuais da carreira de Gabriel e pode até que ser considerado como que um hino do cantor, ao mesmo que também um épico que gravou deste álbum. Foi lançado em 9 compactos na época de lançamento do álbum de estúdio (obviamente o primeiro compacto de sucesso solo do músico naquela época) e 3 dos quais saíram no lançamento deste álbum ao vivo, sendo que vinham junto com a música “Kiss of life” do “PG4” e não pode ser incluso aqui em “Plays live”. Existem vários argumentos do porquê desta música ter sido gravada com relação a suas letras. O primeiro sobre o nome do título da faixa no qual Solsbury Hill é na verdade o nome de uma pequena montanha da Inglaterra chamada Solsbury que fica acima de um vilarejo chamado Batheaston em Somerset, próximo de uma cidade conhecida como Bath (e a cidade natal de Peter Gabriel). Algumas pessoas confundem o nome Solsbury Hill por Salisbury Hill mas neste caso não tem nada a ver porque fica em lugares diferentes. O topo da montanha é rodeado por um forte antigo e um lugar que já ocorreu alguns protestos e podendo ser observados numa rodovia abaixo como uma das principais do pais. A montanha de Solsbury foi um possível local onde ocorreu a Batalha de Monte Badon entre britânicos e saxões. Parte do público admite que é a maneira de como Gabriel esclarece ao “Genesis” o motivo de sua saída, além disso, existe uma reportagem de época da revista musical “Rolling Stone” em que Gabriel concede uma pequena entrevista para falar do disco e diz que é como que uma autobiografia própria onde esclarece sobre um integrante que fez parte de um grupo (ou uma banda) e se torna um artista solo, o que o músico sentia com relação a respeito do grupo que fundou chegando a ser uma banda de grande renome “I walked right out of the machinery” que significa “Eu direcionei a maquinaria corretamente” em inglês (a “maquinaria” seria o “Genesis”) ponto em que para Gabriel não dava mais para continuar por como na frase “Which connection I should cut” que significa “Pela qual conexão eu deveria cortar” em inglês (a saída de Gabriel no grupo). A conexão seria a liberdade de estar mais presente como um marido, um pai de família, e também a chance de ter mais facilidade em ter o seu trabalho musical próprio (lembrando que em Gabriel escreveu todas as letras e a estória do encarte interno do álbum “The lamb...”). Detalhe: se por um lado Gabriel dedicou por meio das letras de uma música a sua saída na banda, o “Genesis” também fez o mesmo adeus a Gabriel que pode ser observado na faixa instrumental “Los Endos” do álbum “A trick of the tail” (1.976) no verso “There´s an angel standing in the sun, free to get back home” que significa “Há um anjo permanecendo no sol, livre para voltar para casa” em inglês (a mesma frase que originalmente faz parte do último tema da faixa “Supper´s ready” do álbum “Foxtrot” (1.972). É possível que Gabriel tenha escalado na montanha em referência “Climbing up on Solsbury Hill” que quer dizer “Subindo na montanha Solsbury” em inglês e o próprio musico fazendo uma referência de si mesmo com a visão em um lugar alto que possa se perceber todas as coisas que se passaram na sua vida “Eagle flew out of the night, He was something to observe” que significa “O águia voou noite afora, Ele estava por observar alguma coisa ” em inglês. A outra parte do público cita que a faixa é puramente relacionada ao aspecto religioso agradando tanto católicos como cristãos relacionando o ser humano estar ao lado ou ir a direção de Jesus Cristo e Deus como na frase “They've come to take me home” que significa “Eles vieram para me levar em casa” em inglês. Muitos fãs de Gabriel também se identificam com a frase “My heart going boom boom boom”, que significa a pessoa (com o seu coração) muito feliz, excitada ou entusiasmada por algo que faça ela se sentir bem. Mais tarde, algumas canções de caráter religioso que Gabriel compôs vieram ao longo do tempo como a grande parte da trilha sonora “Passion” (1.989) ou “Blood of Eden” e “Love to be loved” ambas do álbum “Us” (1.992). Musicalmente é uma melodia com uma estrutura muito simples e frágil; as primeiras notas do violão acústico já acusam a simplicidade da mesma que irá do inicio ao fim desta música, entrando em seguida o baixo e as percussões e para completar os teclados que tem um solo meio que lembrando como se fosse uma flauta (instrumento adotado por Gabriel nos tempos do “Genesis”). Pode até ser que esta seje uma das únicas faixas que ainda contém elementos musicais que recordam a sua banda, mas mesmo assim estão um tanto meio longe de serem uma canção genesiana e conseqüentemente sendo a única também deste álbum ao vivo. Pode se observar Gabriel anunciando o nome da faixa depois que ele finaliza a “San Jacinto”. Mais tarde seria incluída outra versão ao vivo no álbum “Secret world live” (1.994) desta música, alem de que foram utilizadas nas trilhas sonoras dos filmes “Vanilla Sky” (2.001) dirigido por Tom Cruise (que atua como ator ao mesmo tempo), e tendo Cameron Diaz e Kurt Russell e mais recentemente no filme comédia “In Good Company” (2.004) que tem o ator Dennis Quaid.


“No self control” – pertencente ao “PG3”, por um lado é tida por ter uma sonoridade de uma estrutura musical que lembra a “Intruder” da maneira como são tocados os instrumentos, mas por se tratar de uma versão ao vivo, não ficou muito parecida com a original, a entrada em si, por exemplo, começa com uma percussão que parece ser um programming executado por Gabriel (o que tornou um ritmo meio que repetitivo, além de substituir as marimbas) e depois que vem as baterias aos poucos, e não contém aquela guitarra meio que selvagem tocada inicialmente por Rhodes no “PG3” (chega às vezes a lembrar um trompete nos riffs principais). Gabriel também não parece passar aquele temor de selvageria e agressividade como na original, ele está até espontâneo e simples demais, meio que sem sal, mas é claro que os espectadores o recebem bem, mas a boa parte dos ouvintes preferem a versão de estúdio visto que a faixa também é adorada pelos admiradores do músico. As letras abordam a respeito de alguém que sofre de OCD (Desordem compulsiva obsessiva) e somado com problemas sérios da natureza mental humana como a paranóia, esquizofrenia, alucinação o que torna fora de descontrole em si mesmo (que é o significado da faixa em inglês). Gabriel executou esta faixa durante toda a década de 80 e fez parte de uma trilha sonora num seriado criado em 1.994 da NBC chamado “Homicide: Life on the Street” do diretor Barry Levinson.

“I don´t remember” – novamente o repertório do álbum de estúdio “PG3”, ainda continua firme neste trabalho ao vivo. Ao finalizar a faixa anterior, Gabriel anuncia que irá executar a “I don´t remember”, mas o público já é capaz de identificar ainda assim devido as primeiras linhas de baixo que Levin executa na faixa (que é o destaque desta música e é um baixista muito adorado pelo público no mundo do rock) tocando de um modo como se fosse um loop em formas de riffs repetitivos. Logo aos poucos entram as baterias, as guitarras (que originalmente são feitas por 2 guitarristas, mas Rhodes dá conta com muita tranqüilidade aqui) e Gabriel fazendo murmúrios e depois citando as letras da música. Se Gabriel incluísse a instrumental “Start” que é pertencente ao “PG3” e é uma espécie de introdução desta faixa, provavelmente os fãs não teriam motivo algum de reclamar ou se decepcionar sobre o “Plays live” e ainda em se tratando de material do álbum “PG3”. E ainda que ele manteria coincidentemente parte da seqüência que é composta do álbum de estúdio. Gabriel também deve ter feito muito bem ter incluso esta faixa no “Plays live” porque ao acaso se os fãs não sentiram muita firmeza em “No self control”, aqui em “I don´t remember” Gabriel apresenta de uma maneira muito mais enérgica e com mais disponibilidade compensando o resultado da anterior, e isso sem contar que a versão ao vivo ficou até melhor do que a original de estúdio em que uma grande parte dos admiradores acreditam nesta hipótese. Nem mesmo o final que Gabriel não incluiu os ruídos de um alarme da original não deixou esta faixa perder o seu charme musical se tratando de uma versão ao vivo. Saiu na época um compacto com esta versão ao vivo junto com a “Kiss of life” (também ao vivo) e que não pode ser inclusa em “Plays live”. O assunto principal que retrata a respeito desta música é sobre um indivíduo que sofre de amnésia ou de alguém que se preocupa com si (ou não ?) sobre seu passado e sendo perseguido pelas autoridades, o título inclusive já determina a questão sobre o que Gabriel cita na música citando diversas vezes o nome da faixa porque “I don´t remember” significa “Eu não me lembro” em inglês. Um australiano chamado Daryl Braithwaite gravou esta faixa de Gabriel que está num álbum entitulado como “Edge” (1.988). É a menor faixa do disco 2 de “Plays live” com pouco mais de 4 minutos de duração.

“Shock the monkey” – pertencente ao “PG4” é um dos “hits” pop de Gabriel (e também do “Plays live”) em plenos anos 80 não poderia ter deixado de ser incluso neste álbum ao vivo ainda que naquela época se enquadraria no Top 30 americano e sendo indicado para a premiação do “Grammy” do ano de 1.982 como melhor canção e isso sem contar que era uma das faixas mais adoradas do álbum de estúdio com relação a todos os demais álbuns que Gabriel já havia gravado antes de “PG4” em termos de música pop. Tanto que este registro ainda nos dias atuais é incluso nos set-lists de Gabriel em pleno terceiro milênio. Há uma possibilidade ainda de que boa parte dos espectadores daquela turnê da época deveriam ir às apresentações de Gabriel (deviam apenas conhecer Gabriel unicamente por ele ter gravado esta canção) apenas para curtir o músico executando esta música. O resultado desta versão incluiu quase q 2 minutos a mais, onde o destaque é o próprio público que participa na canção junto com Gabriel sendo ajudado mais ao final, e onde inclusive o músico consegue cantar bem as notas altas que deveriam ser executadas por Peter Hammill, que era do “Van Der Graaf Generator”, banda pertencente ao selo Charisma Records, o mesmo do “Genesis” que curiosamente a banda onde naquele tempo continha Gabriel fazia a abertura de shows para o pessoal do “VDGG”. Aparentemente também há uma diferença sucinta desta versão com a original e facilmente percebida no quesito do programming, mas em resto foi mantida (a exceção do improviso final do coro junto com o público). Fast esbanja muito o CMI Fairlight (Computer Musical Instrument), sendo provavelmente uma das faixas que Gabriel já gravou na sua carreira que mais contem este instrumento musical. A narrativa é um tanto duvidosa, Gabriel relata algo a respeito de experiência com macacos, fuga ou escapar de algo de rotina; e ao mesmo tempo ciúme (a Jill Gabriel que se divorciava na época de Gabriel tinha fortemente este sentimento) e identificação sexual. Há 2 versões de tributos que foram gravadas nos álbuns “Leaves from the tree” (2.002) e “The string quartet tribute to Peter Gabriel” (2.004).


“Humdrum” – pertencente ao “PG1” é novamente Gabriel em seus dias iniciais como musico solo. Sempre foi inclusa desde que Gabriel estreou em carreira solo e tocada até na turnê do lançamento de “Plays live” e aqui reforça o set-list dos álbuns iniciais, especialmente do primeiro disco. É uma faixa que é semi-adorada pelo público que aprecia o músico, mas mesmo a versão ao vivo feita em meio de muito esforço, a grande parte dá a sua preferência pela original de estúdio. Apesar de ser pequena em extensão (está na casa dos 4 minutos de duração), está dividida em 2 temas, a primeira parte é muito tranqüila e simples tendo Gabriel citando os primeiros versos da faixa e repentinamente muda com um ritmo meio que de tango e twist isso especialmente quando entra a percussão e baterias que são tocadas por Marotta, mas uma pena que não foram tocadas as castanholas que contem na original. A segunda parte e que vai ao encerramento da faixa já aparenta ser mais um tanto melodramática e melosa visto que é tocada de uma maneira meio que lenta tendo Gabriel cantando a melodia a uma escala de uma oitava acima e se o ouvinte perceber com muita calma em frases como “Come the tadpole, with the dark soul...From the white star, come the bright car” que lembra o mesmo modo de cantar a melodia (só que de um jeito mais lento) de “Not one of us” do “PG3” quando ele cita especialmente a frase “It´s only water”. Na mudança de seções entre os 2 temas Gabriel cita as frases Empty my mind - I find it hard to cope, Listen to my heart - don't need no stethoscope” de um modo meio que falando as palavras de forma separada como em forma de sílabas. Ele escreveu uma melodia ainda naqueles finais de anos 70 que lembra esta faixa como “Indigo”, ou “White shadow”, ambas do “PG2”, álbum posterior e também na música “Eldorado” do cantor Neil Young que está no álbum “Freedom” (1.989). Pelo que Gabriel relata nesta faixa associa algo como o nascimento do homem que provem da barriga da mulher como sugere a frase “Out of Woman, come the man, spends rest of his life getting back where he can” que significa “Fora da mulher, vem o homem que gasta o resto de sua vida retornando de volta de onde ele puder” em inglês. Como o homem não pode parir um filho, ele procura outras formas de gerar um outro ser humano nos dias atuais como é o caso das experiências de clonagem e sem contar as altas tecnologias de cirurgia plástica para mudança de sexo, e além disso, no nosso cotidiano ouvimos falar da “Mãe natureza”. E há também o conceito de nascimento, o milagre da vida ou algo surgindo ou sendo criado e em oportunidade também observado como na frase “From the blackhole, come the tadpole” que significa “A partir do buraco negro, vem o girino” em inglês. Apenas uma curiosidade o nascimento da segunda filha de Gabriel, Mellaine, foi muito sério e problemático, o músico confidenciou q a menina quando apareceu parecia como se fosse um caroço verde (a analogia de girino que forma um sapo, animal que é da cor esverdeada). Imagine como este fato tenha deixado Gabriel completamente doentio e transtornado, parece que existe algum indício de ele ter feito uma dedicação para a menina como é observado na última frase da faixa em “My little liebe schoen” que significa “Minha pequena linda querida” tanto em inglês como em alemão (em sueco significa “uma forma nojenta de chamar a namorada”). Outras pessoas que gostam desta faixa associam algo sobre a depressão e ansiedade que podem acompanhar a repetição do cotidiano individual que lhe é permitido, lembrando que “Humdrum” significa “monótono, monotonia” em inglês. A pergunta é: quem é a Valentina em que Gabriel se refere na primeira frase do terceiro parágrafo em “Hey Valentina, do you want me to beg?” ? Curiosamente também para quem não sabe a mesma palavra JFK (a referência é possivelmente retratando sobre o aeroporto americano John Fitzgerald Kennedy que fica em Nova Iorque) na primeira frase da música “I saw the man at J.F.K.” existe também numa frase “I'd just cleared immigration J.F.K.” de uma música chamada “Big wedge” do álbum “Vigil in a wilderness of mirrors” (1.990), primeiro disco do cantor Fish, quando iniciou a sua carreira solo, após a sua saída na banda escocesa “Marillion” (lembrando que muitos fãs do “Genesis” e de Gabriel acusam este grupo sendo uma espécie de clone da banda que surgiu nos anos 80), coincidentemente o “PG1” já comentado anteriormente foi o primeiro álbum de Gabriel após a sua saída do “Genesis”.

“On the air” – pertencente ao “PG2” é a quarta faixa que a edição “highlights” retirou do álbum original. O fator ruim é que acabou retirando uma música onde Gabriel justamente procurou valorizar os 2 primeiros álbuns de sua carreira, e um fato que alguns artistas nem sempre fazem esta mesma valorização. A pergunta aqui vale novamente para uma outra boa reflexão para quem quer adquirir o “highlights”: será que vale a pena ter esta edição onde 4 faixas foram retiradas do álbum original apenas pelo fato do CD masterizado ser simples ao invés de ser duplo como no original ? Neste caso, o disco 2 é que menos sofreria com retirada de música que neste caso seria apenas uma. É outra faixa meio que em estilo próximo da “D.I.Y” onde se observa um Peter Gabriel bem roqueiro e até meio que hard, mas com uma tendência em estilo “new wave” e punk melodioso. No meio da introdução dos sintetizadores feitos por Fast, Gabriel anuncia o nome da faixa; os destaques, entretanto é de Rhodes que toca as guitarras elétricas tentando aproximar sua sonoridade com as distorções que foram feitas originalmente por Sidney McGinnis e Robert Fripp e a colaboração do público com ao citarem o nome da faixa (que é como se fosse uma espécie de manifesto) fazendo um coro com muita energia e onde próximo do final da faixa antes que Gabriel a banda encerrem a mesma ele agradece a participação do público. A versão está muito parecida com a original. Liricamente a faixa retrata algo a respeito de uma estação de rádio e um personagem chamado “Mozo”, um DJ, que é um indivíduo desclassificado pela sociedade e a estação de rádio se torna uma alternativa para que o DJ possa fazer a sua justiça através dos ouvidos das pessoas.

“Biko” – pertencente ao álbum “PG3” é considerado como um dos épicos da carreira solo de Gabriel e com uma vital importância porque além de incentivar o músico a desenvolver os seus trabalhos relacionados com a música do terceiro (embora não apresenta os corais iniciais e finais da faixa original, aqui tem uma melodia puramente africana possuindo uma percussão e mais o coro próximo do final da faixa) mundo também foi como que uma espécie de protesto e manifesto que se tornou mundial no mundo da música relacionado como o rock (a estrutura musical em si, não tem nada a ver com o puro rock). Assim como a “Shock the monkey” é um outro exemplo onde as pessoas que conhecem o músico ou não, gostam muito e provavelmente devem ter ido em apresentações do cantor apenas para vê-lo executando ao vivo. Desde que redigida por Gabriel e executada em “PG3” foi tocada desde a época de seu lançamento de estúdio e apresentado na maioria das turnês que o músico organizou e é tocada nos dias atuais, e quase que obrigatoriamente executada numa época em que ocorreu uma representação de Gabriel estando no show da Anistia Internacional iniciado na metade de 1.986 (nessa época Gabriel havia lançado o álbum “So”) e estendendo no ano posterior (o Brasil também recebeu Gabriel nesta época). O tema de “Biko” retrata sobre um atentado e ao mesmo tempo um trágico assassinato que gerou uma polêmica mundial sobre um líder e ativista africano chamado Steven Biko (quando os músicos iniciam as primeiras batidas de percussão Gabriel anuncia o nome da faixa) que foi torturado e assassinado dentro de uma cela de prisão (Biko já tinha sido preso por autoridades policiais identificado como um “baderneiro” em favor das causas humanitárias da raça negra, o chamado movimento “Apartheid”). Musicalmente a faixa tem uma estrutura praticamente muito simples com uma percussão que se inicia numa forma rítmica simples que será repetitiva a partir de então até o final da faixa e recebendo Gabriel nos vocais com acordes de guitarras bem selvagens citando nos 3 refrões. Detalhe: “Biko” originalmente é a última faixa do “PG3” que coincidentemente é a ultima do disco 2 de “Plays live”.