
Brasil, 1977.
Integrantes:
Benatti (Bitão): Guitarras e voz
Marinho: Teclados e voz
Malagutti Jr. (Lee): Baixo e voz
P. Fernandes: Bateria e voz
Faixas:
1. Panorama
2. Imigrantes
3. Somente Rock & Roll
4. Solidão
5. Águas Passadas
6. Metrô-Trem
7. Anoiteceu
8. Dr. Silvana
9. Pra Ser Mais Eu
10. Luzes, câmera, ação
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Pholhas
Pholhas
Dados da resenha:
Autor:
Pedro Ivo
Araújo (Willy
Wonka);
recebida em:
17/05/2005.
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O quarto álbum dos
Pholhas, para quem conhece os anteriores, é, no
mínimo, surpreendente. Com a entrada do novo
tecladista, o Marinho, ex-Casa das Máquinas, o
grupo tentou buscar novas orientações musicais.
Nada mais natural para a época, pois sons como
Pink Floyd, Deep Purple e Sabbath conquistavam
os ouvidos da molecada brasileira, e os Pholhas
não escaparam da onda. Pena que não escaparam
dos clichês e emulações das idéias estrangeiras
O que chama a atenção logo a princípio são as
letras, cantadas em português, ao invés do
inglês característico da banda. Mas nesse caso
seria melhor que fosse em inglês mesmo, pois a
capacidade literária do grupo é sofrível. Mas
isso é de certa forma compreensível, pois a
cultura roqueira que havia na época colocava a
poesia cantada em segundo plano. Ao menos a
banda tem o mérito de não se deixar levar pelo
misticismo/espiritualismo, tão em voga na época.
“Pholhas” nos presenteia com pelo menos dois
clássicos do cancioneiro progressivo brasileiro:
Imigrantes e Águas Passadas.
Panorama
– “...Na
cidade os pobres se agasalham muito mal...”
A música de abertura do disco tem muito ainda do
Pholhas original. É nítida a influência de
Beatles, com aquele ritmo gostoso que parece não
ter pressa que a música acabe. A letra
encaixa-se perfeitamente à canção, de tão tola e
inocente que é, embora o tema seja o cotidiano
agitado da cidade.
Imigrantes
– “Eles
chegaram, vieram confiantes. De malas na mão,
são os imigrantes...”
A introdução bem progressiva dessa música já
mostra que ela destoa completamente da anterior.
É uma canção de ritmo um tanto forte, que nos
remete instantaneamente ao som do Rush, graças
ao baixo Rickenbaker marcante, e,
principalmente, ao vocal (é engraçado imaginar
que é o Geddy Lee cantando em português!). A
letra pueril não evita que ‘Imigrantes’ seja um
dos melhores números do álbum, e até mesmo uma
das melhores da época (creio que não se tinha
feito nada parecido no Brasil no período).
Somente Rock &
Roll –
“...Tenho uma casa que é quase um lar, só falta
você para podermos dançar somente Rock & Roll”
Não obstante o riff de pegada progressiva que
pontua toda a música, esse terceiro tempo é
dedicado, como bem diz o título, a um roquinho
bem à moda da época, com vocais em um vibrato
engraçadinho.
Solidão
– “A solidão é
um modo de viver, é o caminho do prazer...”
Mais uma boa música. Tem uma levada swingada,
que me faz lembrar o tema principal de ‘Watcher
of the Skies’ do Genesis, mas sem , é claro, a
elegância britânica. Pontuando a canção há um
riff à la Deep Purple. Os vocais são no típico
vibrato das bandas brasileiras.
Águas Passadas
–
“...Sinceramente, quero lhe desejar sorte com os
novos amigos...”
Sem dúvida a mais pretensiosa do disco, com seus
mais de seis minutos de duração distribuídos em
três temas distintos. O primeiro é baseado num
riff bem sinistro, no estilo Black Sabbath que
desemboca num trecho onde Marinho demonstra seu
talento com o mini-moog. O segundo tema é
baseado em mellotrons bem climáticos,
“empréstimo” de Tony Banks. O clímax dessa parte
também é “genesiano”, com direito a coro de
vozes e até de uma guitarra bem veloz. O último
tema é um hard rock legal, só que a banda abusa
da influência e copia descaradamente “Smoke on
the Water”, do Deep Purple, na parte vocal, mas
o resto é muito original, incluindo um solinho
de guitarra de muito bom gosto. A letra é tão
fraca e inocente que é quase impossível não
achar graça na historinha do amigo que é traído
por outro (androginia?). Para o encerramento,
volta o riff da introdução, muito bem colocado
no final da canção. “Águas Passadas” disputa com
“Imigrantes” o título de melhor do disco, mas
ambas são tão diferentes que até parecem de
bandas distintas. Fica aí mais um clássico pro
rock nacional.
Metrô-Trem
–
“...Ao sair da escada logo se dá de cara que é
proibido fumar nesse trem...”
O lado B do LP começa no mesmo clima do início
do disco. Assim como “Panorama”, “Metrô-Trem” é
uma canção bem inocente e bonitinha que
dificilmente deixará de agradar algum entusiasta
dos Beatles.
Anoiteceu
– “Anoiteceu,
o dia parou pra dormir...”
Mais um roquinho básico, para ouvir sem
compromisso. Destaque para Marinho que executa
ótimos arpeggios.
Dr. Silvana
– “Dr.
Silvana, me ajuda, por favor, o meu pulso está
parando...”
Um hardão “paulera” (para os padrões da época),
com bons arranjos de bateria (mesmo muito mal
gravada nessa música), guitarra e principalmente
teclados. Marinho, apesar de não ser lá um mago
dos teclados, segura bonito no seu mini-moog,
executando um solo bem veloz. O grande defeito
dessa música é a gravação muito mal feita,
principalmente do baixo e da bateria. Apesar de
tirar o brilho da canção, essa má captação do
som dá um ar cult de “progressivo de garagem”.
Pra Ser mais Eu
– “...O
vento frio que me gelou me aconselhou e
convenceu a ser mais eu...”
Uma balada paupérrima conduzida por uma guitarra
com um efeito flanger de gosto duvidoso. Não
merece nem uma audição descompromissada.
Luzes, Câmera,
Ação –
“...Saí pra natureza olhar, levei câmera pra
filmar: Luzes, câmera, ação”
Essa música e a anterior deixam no ouvinte a
impressão de que sobrou espaço na fita da
gravadora e a banda gravou isso para encher
lingüiça. Um roquinho medíocre que não consegue
nem ser engraçado com certeza não seria a música
mais indicada para encerrar o disco. Mas
infelizmente, assim o foi.
Resenha por: Pedro Ivo
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