
Thom Yorke,
vocal, guitarra; Colin Greenwood, baixo;
Jonny Greenwood, guitarra, teclados; Ed
O'Brien, guitarra, vocal; Phil Selway,
bateria.
Faixas:
1.
Airbag
2. Paranoid Android
3. Subterranean Homesick Alien
4. Exit Music (For A Film)
5. Let Down
6. Karma Police
7. Fitter Happier
8. Electioneering
9. Climbing Up The Walls
10. No Surprises
11. Lucky
12. The Tourist
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Radiohead - Ok Computer (1997) Por
Rael
"Ok Computer" é a obra-prima do grupo inglês
Radiohead, tendo sido escolhido pelos leitores da
revista Q, em 1997 (ano do seu lançamento), como o
melhor álbum de todos os tempos. Os outros dois
discos da banda são também muito bons, "Pablo Honey"
de 1993 e "The Bends" de 1995.
Mas não vão muito além daquilo que a banda parecia
propor ser, ou seja, uma banda de rock alternativo
com excelentes músicas, mas todas, digamos, normais
e convencionais, nos padrões atuais (sendo que
nestes dois primeiros discos, o vocalista e
compositor Thom Yorke já mostrava ter talento para
escrever letras tristes e auto-depreciativas).
Mas em "Ok Computer", eles extrapolam tudo aquilo
que já haviam feito. As letras e temáticas continuam
as mesmas, mas, musicalmente falando, é algo muito
superior, e, porque não, a frente de seu tempo.
Belíssimas melodias, músicas com estruturas mais
complexas, uso bem dosado e extremamente harmonioso
(sim, isso é possível!) de elementos eletrônicos,
teclados bem encaixados, atuações inspiradíssimas de
todos os membros da banda (principalmente Thom nos
vocais) e excelentes letras fazem desse disco uma
obra inesquecível.
Vale falar um pouco mais das letras escritas por
Thom Yorke. Elas vão muita além da rebeldia sem
causa mostrada pela maioria das bandas de rock
desses últimos tempos. Thom demonstra nelas certo
desprezo pelo mundo atual, pelo modo de viver das
pessoas, enfim, pelo dia-a-dia típico dos humanos
desse final de século. "As pessoas acordam cedo
demais para sair de casas onde não gostam de morar,
para ir à um trabalho do qual não gostam, em um dos
meios de transporte mais perigosos do mundo
(carro)", disse ele certa vez. Em suas letras ele
quase sempre deixa evidente esse seu
descontentamente, mas de uma maneira meio que
conformada, sempre pregando uma fuga a tudo isso,
para se levar uma vida simples e espiritual (muito
diferente da vida que ele efetivamente leva, sendo
um "rock star").
Praticamente todas as músicas de "Ok Computer"
impressionam pela sua beleza. Começando por
"Airbag", com seu andamento paranóico, baixo
entrecortado, efeitos eletrônicos esquisitos, e que
possui uma letra estranha em que Thom fala de outra
de suas fixações (ligada diretamente com aquela do
dia-a-dia do homem moderno): acidentes de carro. "In
a fast german car, I'm amazed that I survived, an
airbag saved my life", canta ele no final da música.
Não é a primeira música do Radiohead que usa esse
tema. A segunda, "Paranoid Android", é o grande
destaque do álbum: belas melodias (sim, são mais de
uma), excelente trabalho de guitarras e uma
estrutura diferenciada, como se fosse dividida em
movimentos, tendo, inclusive, sido taxada por muitos
como uma típica música de rock progressivo.
"Subterranean Homesick Alien" também é ótima, com
bela melodia e instrumentos bem atmosféricos (outra
característica notada ao longo do disco inteiro), e,
pra variar, lirismo no mínimo curioso ("I'd show
them the stars and the meaning of life, they'd shut
me away" lamenta Thom Yorke mais uma vez mantendo um
distanciamento da humanidade). "Exit Music (For a
Film)" é a canção mais triste do disco, onde Thom
mostra explicitamente sua vontade de fugir de um
mundo no qual ele definitivamente não se encaixa.
Essa faixa tem um clima realmente melancólico e
intimista, com uma belíssima interpretação do
vocalista, que mostra ter controle total de sua voz.
"Let Down" é outra canção extremamente inspirada, de
uma beleza quase palpável, com seu instrumental
envolvente acompanhando de maneira perfeita o vocal,
como se ambos fossem uma coisa só. Nela, mais uma
vez ouvimos Thom Yorke lamentar a vida, e, em um
trecho que deve entrar pra história, dizer "One day,
I'm going to grow wings, a chemical reaction,
hysterical and useless". Nesse momento, toda a
música parece mudar de maneira sutil, e um clima de
"reação" diante de tanta frustração e de quase
imperceptível alegria domina, em nova sintonia
perfeita de instrumentos e vocais. E o ouvinte? Bem,
o ouvinte essa hora está nas altura! A próxima,
"Karma Police", também é linda, com uma base de
violão e piano bem simples. "Fitter Hapier" é a
música (?) mais estranha do disco, mas que é
perfeitamente compreensível conhecendo-se Thom
Yorke. "Electioneering" é bem alegre e empolgante,
além de ser a mais acessível do disco, com cara de
hit radiofônico (sem que isso signifique que ela
seja simplesmente "legal", como a maioria dos hits
comerciais). No contagiante refrão, Thom canta:
"When I go forwards, you go backwards, and somewhere
we will meet". "Climbing the Walls" também é
excelente, com muito clima e andamento hipnótico.
"No Surprises" é uma bela balada que tem na sua
letra o seu ponto ponto forte, pois representa
perfeitamente o que se passa na cabeça do
atormentado vocalista . "I'll take a quiet life.
Such a pretty house, Such a pretty garden. No alarms
and no surprises" chora ele no refrão. "Lucky"
também é belíssima, com um lindo refrão acompanhado
perfeitamente pela guitarra cheia de melodia. Thom
parece ter um acesso de alegria em meio a tanta
tristeza e decepção: "It's gonna be a glorious day!
I fell my lucky could change". "The Tourist" fecha
perfeitamente essa obra-prima: mais uma canção
hipnótica e climática, com letras e vocais
inspirados, melodia triste e cadenciada, outra
música inesquecível.
Resumo da ópera: um disco muito bonito, que vai além
das fronteiras do rock praticado atualmente. Isso
pode não parecer nada simpático, mas esperamos que
Thom Yorke continue sendo um cara muito triste e
depressivo, para que assim continue nos presenteando
com trabalhos como esse!
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