
EUA, 1974.
Banda:
Chick Corea:
Piano elétrico, grand piano, órgão,
sintetizadores, percussão
Al Di Meola:
Guitarras
Stanley Clarke:
Baixo, órgão, percussão
Lenny White:
Bateria e percussão
Faixas:
1 - Vulcan Worlds
2 - Where Have I Loved You Before
3 - The Shadow of Lo
4 - Where Have I Danced With You Before
5 - Beyond the Seventh Galaxy
6 - Where Have I Known You Before
7 - Song To The Pharoah Kings
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Return to Forever
Where Have I
Known You Before
Dados da resenha:
Autor:
Rodrigo
Guabiraba
(Guabiraba);
recebida em:
12/12/2004.
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Obra explosiva do
projeto, que posteriormente veio a se tornar
banda, de Chick Corea, "Where Have I..." é o
primeiro trabalho de Al Di Meola, na ocasião com
apenas 19 anos, junto à Corea, Clarke e White.
Chick Corea, pianista de formação clássica, e
jazz man
nato, participou de excelentes trabalhos ao
final dos anos sessenta, colaborando para a
estruturação do chamado jazz rock / fusion,
compondo por exemplo a banda sensacional de
apoio a Miles Davis em "Bitches Brew". Possui
excelentes trabalhos solo gravados no mesmo
período, como "Sundance".
O Return to Forever foi um projeto onde o músico
expôs parte do que criou junto a toda esta
geração Free-Jazz e pós-Free Jazz / Fusion.
Introduzindo temas latinos e tema etéreos ao
Jazz, com bastante suingue e modernidade, Corea
nunca teve pudores de utilizar todo seu arsenal
de teclados em prol de um
catching
jazz de primeira. Seu primeiro álbum com esta
temática, "Return to Forever", de 72, conta com
a participação decisiva do percussionista
brasileiro Airto Moreira e de sua esposa Flora
Purim (nos vocais). Clarke, companheiro
inseparável a partir deste momento, também
despontaria como referência definitiva para o
contra-baixo no fusion. A entrada de White na
bateria trouxe o brilho e o peso de um Cobham ou
de um Narada Michel-Walden, acrescido de uma
sutileza muitas vezes ausente nestes gigantes
citados. Esta troca foi chave para a mudança de
som da banda.
A sequência de álbuns transformou o som do
Return to Forever, gradualmente, de um jazz
light, baseado em temas bossa-novísticos
recheados de piano elétrico Fender Rhodes para
um fusion de primeira categoria, altamente
virtuoso, elétrico e temperado (4 álbuns em 2
anos, grande sucesso comercial e de público).
Com álbuns como "No Mistery", ganhador de Grammy,
em 75, a banda estava definitivamente
estabelecida, e o toque especial veio com a
entrada de Di Meola, guitarrista absoluto,
detentor de técnica apurada, tanto no violão
como na guitarra elétrica, solista de sucesso
durante e após o término da banda, ao final dos
anos 70.
"Where Have I...", gravado entre Julho e Agosto
de 74 no Record Plant, NY, esta no mesmo patamar
de "No Mistery" e "Romantic Warrior" (talvez o
mais conhecido do grupo, de 76, disco de ouro e
um deleite para fãs de fusion espacial,
caprichado em elementos progressivos e
virtuosismo para dar e vender).
A capa remete sim a um som espacial, e é assim
que Corea guia a banda através das sete faixas.
Em um período de ouro para o Fusion, quando a
maioria das grandes bandas e músicos estavam em
plena atividade, o álbum transpira energia por
todos os poros. O Return to Forever talvez seja
o Mahavishnu Orchestra mais cabeça, menos
nervoso. Sem dúvida mais jazzístico, mas a cada
solo de Meola nos vemos diante de um paredão de
guitarras do mais alto nível, do qual John
McLaughlin sem dúvida um apreciador do trabalho
de Meola, vindo a trabalhar com este anos mais
tarde, reverenciou a empreitada com plena
satisfação. Corea e banda sabem ser jazzísticos
sem deixarem de soar progressivos. Improvisar
sem confundir negativamente o ouvinte. As
harmonias são de uma complexidade muito bonita,
ao contrário de muito do fusion setentista:
complexo e tão preenchido que se torna vago.
Ponto para Corea, compositor de MUITO bom gosto,
conhecedor de uma infinidade de sonoridades,
sempre soube dosar o som do Return to Forever
muito bem.
"Vulcan Worlds" é uma pérola do fusion. O piano
elétrico gorduroso, os slaps de Clarke, a levada
gingada de White. No começo um descompromissado
compasso fusion básico. Uma explosão rítmica de
Moogs, e todo mundo solando. A orgia conta com
Di Meola matador, seja no solo McLaughlinano,
seja no Wah-Wah contagiante. Clarke e White
really cookin'
everything. Aí vemos o Return na sua
essência: virtuosismo requintado e alegre. É
isso aí.
As faixas com título "Where Have I..." são
pequenas composições de Corea, contando
basicamente com piano acústico e com temas mais
standards.
Tirando a faixa 6, que é um Funk matador, com
percussão latina e muito Wah. Groove setentista
a-la Hancock e Stevie Wonder. Funciona muito bem
amigos. Lindo solo do Sr. Di Meola.
"The Shadow of Lo" tem piano elétrico com marca
registrada de Corea e que também remete a
Hancock. Melodia cadenciada, com levada básica
de baixo, black music com apelo espacial. Aos
poucos a composição se enriquece, com o solo
altamente harmônico de Meola e o piano elétrico
simpático de Corea compondo o pano de fundo.
Passagens de Moog com sutileza e bom gosto. A
segunda metade da música é fusion totalmente
killer.
Muito suingue e um belo duelo Corea-Moog
versus
Meola-Guitarra. Falar mais ?
"Beyond the Seventh Galaxy" compete com "Vulcan
Worlds" quanto à faixa mais explosiva. Quebradas
de ritmo desconcertantes, realmente
desconcertantes. E aqueles fraseados em trio:
baixo-guitarra-sintetizadores. Lenny White
simplesmente quebra a espinha do resto da banda,
e Corea cria um gancho melódico ao sintetizador,
aquele que busca o músico do solo mais
hipnótico, trazendo-o de volta à linha mestra,
que se não causa excitação total, causa um
desconforto pela riqueza da construção
harmônica. Meola e Clarke fazem riffs de causar
inveja a muitos Blackmore-Glover. Muito
progressiva por sinal.
"Song to the Pharoah Kings", com seus 14
minutos, traz todos os elementos anteriormente
citados em uma composição muito eclética em seu
formato: Jazz standard, Fusion, Progressivo e
Jazz espacial. A introdução de Corea ao piano
acústico é memorável, e traz um clima bucólico
muito calmo e gentil. Corea brinca com órgãos e
sintetizadores em uma boa parte da composição, a
entrada da banda é altamente intensa: Lenny
White remete a Bruford, Corea desliza pelos
sintetizadores em um som meio que oriental, meio
que espacial. Os solos ao Moog estão entre os
melhores no fusion em todos os tempos. Clarke e
White estão altamente inspirados. A parte
percussiva é agressiva, e os riffs do garoto
Meola garantem uma energia sem precedentes. A
faixa coloca o álbum definitivamente entre os
tops do Hard Fusion, próximo por exemplo ao
Inner Mounting Flame. Talvez seja a melhor do
álbum, porque não? Dizer que é obrigatório
conferir seria redundante meus caros.
Sem dúvida uma obra prima do fusion. Com
elementos fortes de rock progressivo, "Where
Have I Known You Before" é daqueles álbuns que
demoram a sair do CD Player, ou da vitrola, como
preferir. Siga o caminho das pedras e confira
"No Mistery" e "Romantic Warrior" na sequência:
não há arrependimento.
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