Suécia, 1973.


Banda:

Coste Apetrea: guitarras, vocais (exceto track 11)
Hasse Bruniusson: bateria, percussão, vocais e copos
Lasse Hollmer: pianos elétricos e acústicos, vocais

Lasse Krants: contrabaixo e vocais

Henrik Öberg: congas (11)


Faixas:

1. Dundrets fröjder (10:43)
2. Oförutsedd f¢rlossning (3:10)
3. Den återupplivade låten (5:53)
4. Folkvisa i morse (2:07)
5. Syster system (2:27)
6. Tärningen (3:33)
7. Svackorpoängen (3:11)
8. Minareten (8:21)
9. Værelseds tilbud (2:26)
 

Bonus tracks on CD:
10. Minareten II (4:44)
11. Circus apparatha (6:07)
12. Probably the probably (3:55)
 

Total: 57'23''


Samla Mammas Manna 

Måltid

 
Dados da resenha:
Autor: Flavio (Grobsch); recebida em: 28/10/2004.
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Nasci homem, morri menino. A frase escolhida por Fernando Sabino para a lápide do próprio é tão simples e comum quanto máxima. Já antes disseram similares sentenças geniais artistas como Pablo Picasso, e tanto outros assim adaptaram a inimaginável qualidade da obra a natureza infantil, como sendo aquela uma resposta natural para o melhor do melhor.
No reino universal da música são poucos aqueles que podem se considerar crianças brincando de soltar pipa, de bola-de-gude, de bambole, em se tratando de musicalidade, e se tantos gênios se consideram meninos brincando de fazer arte, gênios são os mais infantis protagonistas do rock progressivo, e sim, maravilhosos gênios, daqueles que nascem as poucas dúzias em cada século.
E Maltid tem todo o gosto de brincadeira de criança, e de homenagem a uma velha tia do interior, daquelas que preparam bolos e tortas e fazem sonhar acordado com um mundo juvenil, bucólico e fantástico.
E Maltid é uma das maiores e mais completas obra-primas do reino musical progressivo.

Este segundo disco da fantástica fábrica de molecagens chamada Samla Mammas Manna é uma obra obrigatória a qualquer discoteca.

E a brincadeira de gente grande abre com Dundrets Fröjder, suíte auspiciosa e cartão de visita perfeito. Como uma brincadeira de roda, vai e volta, musicalmente sem se prender a nada, traz jazz, jazz rock, progressivo, zeuhl, folclore, canterbury, e acima de tudo, maravilhosos momentos quebrados por outros maravilhosos momentos. Músicos brilhantes - nesta especialmente o baterista dá um show a parte - vozes infantis, guitarras, e mais a batida, o ritmo, a sinceridade da simplicidade, a síntese da antítese do progressivo, a elevação da magnitude musical em toques delicados e infantis, meticulosos, distribuídos sem um senão, um sequer atributo negativo. São pouco mais que dez minutos de absoluto progressivo, em gênero, número e grau.
Se assim terminasse o disco já este seria clássico, mas vem a seguir mais brincadeira, mais originalidade, mais da melhor salada progressiva, da genialidade. Outforsedd Forlossning é pequena canção, divina, perene, eterna, centrada na linha melódica base, quase folclórica, nas guitarras, nos teclados e na voz de menino.
A caravana da alegria, o circo, o pular corda, jogar queimado, o por-do-sol no interior, o cheiro delicioso dos bolos de tia Maltid. E temos a noite, sombria nesta terceira canção, Den Aterupplivade Laten, um descanso, séria como o olhar repreensor de um bonachão tio, uma quebra do ritmo sem perder a qualidade, especialmente instrumental, detalhada em pequenos momentos de teclados, guitarras, baixo e bateria, com apenas um tanto pouco do lado infantil, como se os meninos já sonhassem com o dia seguinte, e neste sonho, entre a correria, até um copo deixam quebrar.
Folkvisa I Morse, leve, como um copo de chocolate quente pela manhã, reaviva a sonoridade infantil. A quinta canção, Syster System, é a criançada liberada para correr, pular, saltar, gargalhar. Tarningen, outra pequena canção que se segue, é a algazarra matutina, como pássaros recebendo os meninos no jardim. Svackopoagen é já o pega-pega, o pique esconde, o auge da molecagem deste disco, linda, quase saltitante, entre pianos fortes e vozes.
Outra suíte é Minareten, canção para todos, para o fim da manhã, para aquele gostoso momento do almoçar, da despedida dos amigos, do intervalo, é portanto, mais viajante que as demais, sempre com o habitual fantástico trabalho do baterista, porém nesta viagem a mente infantil brinca até quando em descanso, e logo a linha melódica retorna na voz e no divertimento intrínseco as notas das guitarras e teclados, de leve, para não atrapalhar o apetite, ao menos até o final. Vaerelseds Tilbud é a espera dos amigos insatisfeito, carregada, como se uma sombria nuvem viesse cobrir a tarde, como se o tecladista quisesse que o mundo soubesse que crianças também se decepcionam, com pinceladas generosas em teclas negras e alvas, com sombria delicadeza e brilhante melodia adulta.
Três bônus foram acrescidos no cd. Minareten II é o ponto desconcertante, de nuances únicos, lembra krautrock, lembra zeuhl, lembra fusion rock, lembra folclore, lembra das doideiras infantis, saltar da ponte, caçar passarinhos, zombar dos vizinhos, é de natureza alucinante.
E chega o circo à terra de tia Maltid, é Circus Apparatha, como uma grande pantomima, uma volta naquele calhambeque dos palhaços, expelindo fumaças coloridas nas sonoridades, na melodia, lindos em cinco minutos, viajantes e amalucados.
Probably the Probably encerra este fantástico álbum mantendo a soberba qualidade.

Um disco seríssimo no que tange a qualidade instrumental e musical, porém com toda a natureza folclórica quanto possível, como um grande fim-de-semana no campo, na casa de tia Maltid. Um memorável trabalho destes memoráveis músicos suecos que fizeram na música a carreira inversa, nasceram homens e compuseram como meninos.
Se existe um pedaço de cada estilo musical e ainda qualidade dentro de um disco, é neste, a prova viva da universalidade do rock progressivo.

Para adultos e meninos, para todos, para ouvir e se divertir.