EUA, 1990.


Músicos:
Screamin' Jay Hawkins / vocais, piano, órgão elétrico
Mike Anthony / guitarra elétrica, banjo
Mickey "Guitar" Baker / guitarra elétrica
Danny Perri / guitarra elétrica
Everett Barkdale / guitarra elétrica
"Big" Al Sears / sax tenor
Sam "The Man" Taylor / sax tenor
Plas Johnson / sax tenor
Heywood Henry / sax barítono
Teddy McRae / sax barítono
Ernie Hayes / piano
Al Lucas / baixo elétrico
Lloyd Trotman / baixo elétrico
Lyle Ritz / baixo acústico
David "Panama" Francis / bateria
Earl Palmer / bateria
Carl "Beef" Gottlieb / vocal de apoio
Deirdre La Porte / vocal de apoio
Thea Marcus / vocal de apoio
Tom Reid / vocal de apoio
Christopher "Egg" Ross / vocal de apoio
Sal Valentino / vocal de apoio


Faixas:
1) I Put A Spell On You (2:29)
2) Little Demon (2:26)
3) Alligator Wine (3:07)
4) I Love Paris (2:24)
5) Person To Person (2:09)
6) Frenzy (2:12)
7) Do You Really Love Me? (2:02)
8) This Is All (2:54)
9) Just Don't Care (2:59)
10) You Made Me Love You (2:02)
11) Yellow Coat (2:25)
12) I Hear Voices (2:40)
13) Orange Colored Sky (2:51)
14) Wamee (On Me), (She Put The) (3:04)
15) Feast Of The Mau Mau (3:29)
16) Move Me (3:09)
17) Constipation Blues (4:32)


Screamin' Jay Hawkins

Voodoo Jive: The Best of Screamin' Jay Hawkins

 
Dados da resenha:
Autor: Alfredo RR de Sousa (Mizutani Takashi); recebida em: 11/05/2006.
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Mr. Jalacy Hawkins (1929 - 2000), mais conhecido como Screamin' Jay Hawkins, é indubitavelmente uma das figuras mais insanas e extravagantes em toda a história da música pop norte-americana. Como seu epíteto decerto já nos tranfigura, Hawkwins guindou a tradição do shoutin' blues sulista aos mais extremos paroxismos de força expressiva e teatralidade maníaca. Com seu canto onomatopaico, pontuado por gritos, urros, gargalhadas, soluços, uivos, lamentos e imprecações diversas, o formidando negão conferiu às suas canções uma aura a um só tempo hilariante e alucinatória, mescla de feitiçaria voodo, deboche irrefreável e cartoon musical ambulante; acrescente-se a isso suas estapafúrdias letras sobre temas como bruxaria, possessão demoníaca, missas negras, canibalismo e sexo animal, de todo ultrajantes para a América moralista dos anos 50, bem como suas impagáveis performances ao vivo com velas, amuletos satânicos, caveiras flamejantes, caixões autênticos e outros 'exus' (isto pelo menos duas décadas antes de entidades como Alice Cooper, George Clinton ou Cramps!), e o resultado é um ícone verdadeiramente singular e imprescindível para os amantes do lado selvagem do rock'n'roll.

A coletãnea em tela, editada sob os auspícios da costumeira competência e bom gosto da Rhino Records, sem dúvida reúne o essencial de Screamin' Jay Hawkins: desde suas abstrusas versões para standards originalmente 'caretas' como I Love Paris (Cole Porter) e Person to Person (McCarthy, Monaco); passando por r&b's frenéticos como Little Demon, Just Don't Care e Yellow Coat; até enfim chegar aos inclassificáveis cavalos de batalha do mestre, fundindo blues trovejante, psicose voodoo à beira de um ataque de nervos e putaria generalizada em maravilhas como Alligator Wine (cuja genial produção evoca a fauna dos bayous no deep south em meio ao desvario vocal de Hawkins), I Put a Spell on You (registrada com a banda totalmente alcoolizada), Frenzy (com a fera devidamente desatinada), (She Put The) Wamee (On Me) (uma das letras mais sacanas de todos os tempos), I Hear Voices (com todas as assombrações do mundo competindo em alopramento com o bluesman n'outra produção memorável), Feast of the Mau Mau (encenando um convescote de canibais numa das teatralizações mais cômicas e desarvoradas de sua carreira) e Constipation Blues (inacreditável sinfonia de espirros, escarradas e soluços em 'homenagem' à gripe!).

Enfim, meus filhos: OBRA-PRIMA