Brasil, 1973.


Secos & Molhados:

Ney MatoGrosso - Vocal
João Ricardo - Violões de 6/12 cordas, harmônica de boca e vocal

Gerson Conrad - Violões de 6/12 cordas e vocal
Marcelo Frias - Bateria e percurssão

 

Músicos:

Sérgio Rosadas - Flauta transversal e flauta de bambú
John Flavin - Guitarra e violão de 12
Zé Rodrix - Piano, ocarina e sintetizador
Willi Verdaguer - Baixo
Emílio Carrera - Piano


Músicas:

1. Sangue Latino - 02:07
2. O Vira - 02:14
3. O Patrão Nosso De Cada Dia - 03:30
4. Amor - 02:15
5. Primavera Nos Dentes - 04:46
6. Assim Assado - 02:50
7. Mulher Barriguda - 02:35
8. El Rey - 00:57
9. Rosa De Hiroshima - 01:59
10. Prece Cósmica - 02:00
11. Rondó Do Capitão - 01:00
12. As Andorinhas - 00:53
13. Fala - 02:58


Secos & Molhados  

Secos & Molhados

 
Dados da resenha:
Autor: Catcher in the rye; recebida em: 07/05/2004.
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Quatro bandejas com quatro cabeças em cima duma mesa com pães, bebidas e outras comidas.
Poderia parecer uma ceia digna de Hannibal Lecter, se não fosse a capa do primeiro álbum dos Secos & Molhados.
De sucesso meteórico, Secos & Molhados fez um feito histórico na música brasileira ao vender 300 mil discos ( quanto que na época, um artista de bom porte vendia em média 30 mil discos ) .
O cérebro do grupo era João Ricardo, mas a voz teatral/ timbre raro de Ney MatoGrosso deu um tom excepcional ao S&M, que depois da saída do próprio, nunca mais foi o mesmo.

São treze músicas de puro lirismo, tanto de voz, quanto de som e letras.
Vamos as músicas:

''Sangue Latino'':
Um dos maiores sucessos do grupo. Não podiam ter escolhido música melhor para abrir o álbum. Letra arrebatadora.

''O Vira'':
Abre com um solo de guitarra e vira uma ''sátira-sem-tirar-sarro'' da música portuguesa. Também um dos maiores sucessos do S&M. Acredito que quase todo brasileiro já ouviu o refrão pelo menos uma vez na vida, mas não sabe quem toca a música.

''O Patrão Nosso De Cada Dia'':
Começa com um sino batendo, violão e logo após, a voz de Ney entra. Melodia melancólica. Destaque para a última estrofe, onde Ney, num ato de desespero da letra, levanta a voz para dizer: ''O patrão nosso de cada dia, dia após dia''. Termina com o sino batendo.

''Amor'':
MatoGrosso demonstra nessa canção todo seu potencial na voz.
Interessante o contraste que fizeram ( ouça acompanhando a letra que dá para entender melhor ) com a voz do Ney, do Gerson e do João.
O baixo e a gaita também se destacam bastante.

''Primavera Nos Dentes'':
A mais progressiva do álbum. É também a mais longa, com 04:46. Mais da metade da música é instrumental e lá para o final entra a voz do Ney cantando a letra ( aliás, talvez, a melhor do disco ) ''...E quem tem a força de saber que existe. E no centro da própria engrenagem inventa a contra-mola que resiste...''
Destaque para MatoGrosso mais uma vez, por no final, quando fala ''entre os dentes segura a primavera'', dá uma espécie de ''mordida gritante'', como se realmente estivesse abocanhando, segurando a primavera entre os dentes.

''Assim Assado'':
A letra conta uma história muito boa. Aqui se nota a primeira entrada da flauta no disco.

''Mulher Barriguda'':
Um tanto quanto progressiva essa música. Letra onde o mais importante não é falar da mulher barriguda que vai ter menino, mas sim fazer a temida pergunta ( principalmente, receber a temida resposta ): haverá guerra ainda? Tomara que não.

''El Rey'':
Para mim, umas das mais belas do disco, apesar ser bem simples: só violões e flauta. A vocalização do Ney está impecabilíssima! O único problema é no espanhol ao pronunciar: el rey.

''Rosa de Hiroshima'':
Pegar um poema de Vinícius De Moraes dá em quê? Numa obra-prima como esta. Também melancólica a melodia, mas belíssima. Chega a nos deixar com água nos olhos.

''Prece Cósmica'':
Bem calma, quase chegando a ser uma balada.

''Rondó Do Capitão'':
Tentando ser um baião? Uma flauta de bambú foi uma excelente sacada para dar o clima certo que a letra pedia. Poema de Manuel Bandeira.

''As Andorinhas'':
Poesia muito estranha ( pegue a letra e veja a construção da letra: completamente inusitada ). A menor do disco, com 53 segundos!

''Fala'':
Também chega a ser uma quase-balada.
Fecha o disco com chave de ouro.
Eu só vou falar, na hora de falar
Então, eu escuto Secos & Molhados.