
Brasil, 1973.
Secos & Molhados:
Ney MatoGrosso
- Vocal
João Ricardo - Violões de 6/12 cordas,
harmônica de boca e vocal
Gerson Conrad
- Violões de 6/12 cordas e vocal
Marcelo Frias - Bateria e percurssão
Músicos:
Sérgio Rosadas
- Flauta transversal e flauta de bambú
John Flavin - Guitarra e violão de 12
Zé Rodrix - Piano, ocarina e sintetizador
Willi Verdaguer - Baixo
Emílio Carrera - Piano
Músicas:
1. Sangue Latino -
02:07
2. O Vira - 02:14
3. O Patrão Nosso De Cada Dia - 03:30
4. Amor - 02:15
5. Primavera Nos Dentes - 04:46
6. Assim Assado - 02:50
7. Mulher Barriguda - 02:35
8. El Rey - 00:57
9. Rosa De Hiroshima - 01:59
10. Prece Cósmica - 02:00
11. Rondó Do Capitão - 01:00
12. As Andorinhas - 00:53
13. Fala - 02:58
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Secos & Molhados
Secos &
Molhados
Dados da resenha:
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Quatro bandejas com
quatro cabeças em cima duma mesa com pães,
bebidas e outras comidas.
Poderia parecer uma ceia digna de Hannibal
Lecter, se não fosse a capa do primeiro álbum
dos Secos & Molhados.
De sucesso meteórico, Secos & Molhados fez um
feito histórico na música brasileira ao vender
300 mil discos ( quanto que na época, um artista
de bom porte vendia em média 30 mil discos ) .
O cérebro do grupo era João Ricardo, mas a voz
teatral/ timbre raro de Ney MatoGrosso deu um
tom excepcional ao S&M, que depois da saída do
próprio, nunca mais foi o mesmo.
São treze músicas de puro lirismo, tanto de voz,
quanto de som e letras.
Vamos as músicas:
''Sangue
Latino'':
Um dos maiores sucessos do grupo. Não podiam ter
escolhido música melhor para abrir o álbum.
Letra arrebatadora.
''O Vira'':
Abre com um solo de guitarra e vira uma ''sátira-sem-tirar-sarro''
da música portuguesa. Também um dos maiores
sucessos do S&M. Acredito que quase todo
brasileiro já ouviu o refrão pelo menos uma vez
na vida, mas não sabe quem toca a música.
''O Patrão
Nosso De Cada Dia'':
Começa com um sino batendo, violão e logo após,
a voz de Ney entra. Melodia melancólica.
Destaque para a última estrofe, onde Ney, num
ato de desespero da letra, levanta a voz para
dizer: ''O patrão nosso de cada dia, dia após
dia''. Termina com o sino batendo.
''Amor'':
MatoGrosso demonstra nessa canção todo seu
potencial na voz.
Interessante o contraste que fizeram ( ouça
acompanhando a letra que dá para entender melhor
) com a voz do Ney, do Gerson e do João.
O baixo e a gaita também se destacam bastante.
''Primavera Nos
Dentes'':
A mais progressiva do álbum. É também a mais
longa, com 04:46. Mais da metade da música é
instrumental e lá para o final entra a voz do
Ney cantando a letra ( aliás, talvez, a melhor
do disco ) ''...E quem tem a força de saber que
existe. E no centro da própria engrenagem
inventa a contra-mola que resiste...''
Destaque para MatoGrosso mais uma vez, por no
final, quando fala ''entre os dentes segura a
primavera'', dá uma espécie de ''mordida
gritante'', como se realmente estivesse
abocanhando, segurando a primavera entre os
dentes.
''Assim
Assado'':
A letra conta uma história muito boa. Aqui se
nota a primeira entrada da flauta no disco.
''Mulher
Barriguda'':
Um tanto quanto progressiva essa música. Letra
onde o mais importante não é falar da mulher
barriguda que vai ter menino, mas sim fazer a
temida pergunta ( principalmente, receber a
temida resposta ): haverá guerra ainda? Tomara
que não.
''El Rey'':
Para mim, umas das mais belas do disco, apesar
ser bem simples: só violões e flauta. A
vocalização do Ney está impecabilíssima! O único
problema é no espanhol ao pronunciar: el rey.
''Rosa de
Hiroshima'':
Pegar um poema de Vinícius De Moraes dá em quê?
Numa obra-prima como esta. Também melancólica a
melodia, mas belíssima. Chega a nos deixar com
água nos olhos.
''Prece
Cósmica'':
Bem calma, quase chegando a ser uma balada.
''Rondó Do
Capitão'':
Tentando ser um baião? Uma flauta de bambú foi
uma excelente sacada para dar o clima certo que
a letra pedia. Poema de Manuel Bandeira.
''As
Andorinhas'':
Poesia muito estranha ( pegue a letra e veja a
construção da letra: completamente inusitada ).
A menor do disco, com 53 segundos!
''Fala'':
Também chega a ser uma quase-balada.
Fecha o disco com chave de ouro.
Eu só vou falar, na hora de falar
Então, eu escuto Secos & Molhados.
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