
Jon Thor Birgisson
– Vocais e guitarras. Georg Holm – Baixo.
Kjartan Svainsson – Teclados. Orri Pall
Dyrason - Bateria.
Faixas:
1. Intro - 1:36
2. Svefn-G-Englar - 10:04
3. Starálfur - 6:46
4. Flugufrelsarinn - 7:48
5. Ný Batterí - 8:10
6. Hjartaõ Hamast (Bamm Bamm Bamm) - 7:10
7. Viõrar Vel Til Loftárasa - 10:17
8. Olsen Olsen - 8:03
9. Ágaetis Byrjun - 7:55
10. Avalon - 4:02
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Sigur Ros - Ágaetis Byrjun (1999) Por
vinimestre
Assim como é muito difícil definir os limites
formais do rock progressivo ou art rock, também é
uma tarefa inglória saber que características,
dentro de um estilo que abrange músicos e músicas
tão diferentes, podem definir a qualidade artística
de um trabalho. Observando aficcionados pelo
prog-rock, construí uma pequena tipologia, de que me
servirei nesta resenha. Basicamente (e muito
grosseiramente também), os fãs de art-rock que
conheço podem ser divididos em três grupos, a saber,
os que se deleitam com a capacidade técnica, os que
apreciam a verve criativa, e os que adentram o clima
da música. É claro que há um imenso intercâmbio de
gosto entre esses três grupos, que são conjuntos em
permanente intersecção. Entretanto, essa divisão
muitas vezes se justifica quando se analisa o escopo
das preferências individuais: os que tendem a
preferir bandas tecnicamente impecáveis são os que
habitualmente cultuam Rush, Gentle Giant, Yes, Dream
Theather e afins; os que admiram a criatividade e a
força inventiva de uma banda normalmente são fãs de
Jethro Tull, primeira fase do Pink Floyd, King
Crimson, Genesis, Radiohead e afins; os que, por sua
vez, gostam de trabalhos com intensidade, sentimento
e profundidade musical, viajam com a fase
progressiva do Pink Floyd, Queen, Kraftwerk.
É a esse terceiro tipo de ouvinte que Ágaetis
Byrjun, obra-prima do Sigur Rós, atingirá em cheio,
na minha opinião. Cada uma das faixas deste trabalho
mescla, com habilidade rara, sensibilidade e
atmosfera própria. Esse grupo de islandeses tem
grande talento para colocar a elaboração dos
arranjos e a criatividade da concepção a serviço da
sensibilidade. Mesmo cantando em um dialeto próprio,
Jon Thor Birgisson faz a emoção transbordar em seus
vocais, graças ao toque de singeleza que imprime. A
sensação de penetrar em um universo sonoro paralelo
perspassa a audição do CD, na medida em que cada uma
das músicas parece ter um "vulto" próprio e remeter
a um determinado espectro de sensações profundas. É
difícil não ser tocado por "Viorar vel til
loftárása" (mais difícil ainda para quem vê o clip).
É difícil não ser conduzido por "Svefn-g-englar", ou
resistir à beleza doce de "Olsen Olsen". "Agaetis
Byrjun", a faixa, e "Ný Batterí" tem em comum (cada
qual à sua maneira) um clima poético e
transcendente. Há, também, faixas mais
experimentais, como "Intro" e "Hjartao hamast", tão
imperdíveis quanto as outras, que fazem o
contraponto psicológico das músicas mais emotivas,
contribuindo para constituir, no todo, uma obra
equilibrada e deliciosa.
Confessando minha admiração, não só recomendo
fortemente a audição atenta deste CD, como considero
que Sigur Rós, em pouquíssimo tempo, mantendo esse
nível de produção, será uma referência canônica e
indiscutível para o rock progressivo em todos os
tempos e atingirá reputação inquestionável entre
todos os três tipos descritos de ouvinte deste
estilo musical.
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