Sérgio Hinds (guitarra e vocal). Edu Araújo (guitarra e vocal). Max Robert (baixo). Beto Corrêa (teclados). Daniel Baeder (bateria).


Faixas:
1. Smile in a wave
2. Beyond the real
3. O homem do tempo
4. Spiral words
5. Sete
6. My universe
7. Balão
8. The song
9. Crucis
10. Pregnant
11. 1974


O Terço - Spiral Words (1998)
 

Após um disco totalmente MPB (Compositores, de 1996), a formação de então (com o fundador do grupo Sérgio Hinds, o tecladista Luiz de Boni, o baixista Fernando Fernandes e bateristas convidados) se desfez. Após um breve hiato, Sérgio Hinds reformulou a banda, trazendo para o grupo músicos jovens e talentosos.
Das sessões de gravação surgiu um disco mais voltado para o fusion, com uma pegada bastante técnica e bastante superior ao disco que o antecedeu. Muito disso se deve aos novos integrantes, já que o Sérgio Hinds assina apenas duas faixas (sendo que em uma delas, Pregnant, divide a autoria com Daniel Baeder e Edu Araújo). As letras, a exemplo do disco Time Travellers (de 1992), são em inglês, visando o mercado externo.
Uma característica interessante desse disco é o grande número de instrumentais (cinco). Três dessas faixas (O Homem do Tempo, Sete e Balão) são bem fusion, e abrem espaço para a banda demonstrar sua técnica. As outras duas são regravações de músicas do próprio Terço. Uma delas é Crucis (do já citado Time Travellers, uma homenagem ao grupo argentino Crucis), e a outra é 1974 (do disco Criaturas da Noite, com resenha aqui no Sound Chaser). Regravações sempre levam à comparação com as versões originais. Neste caso, as versões foram executadas competentemente, com alterações bastante sutis em relação às originais, porém não conseguem superá-las (principalmente 1974), dando a impressão de estarem lá apenas para dar um toque mais progressivo ao disco.

Vamos às outras faixas:

O disco abre com uma cover de Miles Davis, Smile in a wave, que mostra a vocação jazzística do "novo" Terço. Uma pena que os vocais não tenham ficado bons, pois o instrumental é matador.

Beyond the real tem uma levada mais tranquila, com violões ponteando a boa voz de Edu Araújo (que é, sem dúvida, a melhor surpresa do disco).

Spiral Words tem arranjos bem feitos, sem pirotecnia, agradável aos ouvidos. Bom instrumental, principalmente o trecho que lembra um pouco o The Police.

My universe: Uma música menos elaborada, com um esquema verso/bridge/verso/bridge/refrão/ solo. Desaponta justamente pela simplicidade, embora não seja de todo ruim.

The Song: Essa é a mais Time Travellers do disco, com todas as qualidades e defeitos dessa fase d'O Terço. Tem boas idéias, mas chega a cansar um pouco.

Pregnant: das cantadas, é a melhor. Guitarras mais pesadas, uma boa introdução, o interessante contraponto das vozes de Sérgio Hinds e Edu Araújo, arranjos mais elaborados, vê-se o dedo do dono na mesma.

Em resumo, embora o bom e velho Terço progressivo tenha ficado no passado, é um alívio perceber que a banda ainda faça música de qualidade e, mais ainda, tenha saído do caminho emepebístico que estava tomando até então.