
Alemanha, 1978.
Músicos:
Edgar Froese
- guitarra, violão, teclados eletrônicos,
sintetizadores
Christoph Franke - teclados eletrônicos,
sintetizadores, percussão eletrônica
Steve Jolliffe - vocais, flauta,
clarinete, violino, piano, teclados eletrônicos,
sintetizadores
Klaus Krieger - bateria
1. Bent Cold
Sidewalk (13.05)
2. Rising Runner Missed By Endless Sender (5.00)
3. Madrigal Meridian (20.32)
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Tangerine Dream
Cyclone
Dados da resenha:
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Após a saída de Peter
Baumann (depois de “Encore”, ao vivo em 77 nos
EUA), o futurista “kraut” Tangerine Dream, além
de recrutar Steve Jolliffe para o seu posto (que
só gravaria este álbum com a banda), também
começaria a fazer um uso mais assíduo e
contundente de bateria em sua música (aqui, a
cargo do também novo membro Klaus Krieger), além
de alguns outros instrumentos acústicos pouco
usuais no som do grupo, que talvez não se
fizessem ouvir de maneira mais proeminente desde
a primeira fase do trio (como por exemplo, nos
mais experimentalistas e lisérgicos “Alpha
Centauri”, “Atem” e "Green Desert").
“Cyclone” seria o único trabalho dos anos 70
deste (agora) quarteto alemão de
progressivo-eletrônico a fazer incursões com
vocais e letras - ambos a cargo de Jolliffe:
somente no álbum “Tyger”, de 87 (ou ainda em
algumas trilhas, como “Shy People”), eles viriam
a fazer novamente algo parecido, no caso com
vocais femininos em músicas com maior tendência
para o pop. De qualquer forma, apesar de
características até então incomuns no som deles,
estas não vieram tirar, ao meu ver, a qualidade
deste trabalho lançado em 78.
A primeira música começa com vocais, bateria e
teclados em clima austero, até surgirem soturnas
melodias repetitivas vindas dos sintetizadores
sequenciais, que servem como pano de fundo para
os movimentos de mellotrons e outros timbres
sintéticos (incluindo-se aí também flautas e
clarinetes). A música é marcada por climas
dramáticos, sinistros e apreensivos, como em
muitas vezes é de se esperar no som do grupo.
“Rising Runner Missed by Endless Sender” seria o
som mais curto do disco e de caráter mais leve,
possuindo uma levada, texturas e arranjos de
teclados que já pareciam antecipar algumas
sensíveis influências para a vertente
pop-eletrônica da “new-wave”, que viria a surgir
no começo dos anos 80, principalmente através de
nomes como Gary Numan (e sua Tubeway Army),
Ultravox, Devo etc.
A inquieta “Madrigal Meridian” (único som
instrumental), um exercício de experimentalismo
eletrônico de pouco mais de 20 minutos, começa
ao estilo “science-fiction” bem sombrio e
paranóico característico da banda, e logo nos
mostra um pouco da viajante e espacial piração
“free-electronic” (algo meio Gong) feita por
Edgar Froese e Cia: descomedidos improvisos de
guitarras e sintetizadores (até violino), em
torno de bases harmônicas de mellotrons e
repetitivas bases melódicas dos “obsessivos”
sequencers, todos marcados pela bateria de
Krieger, também com seus momentos de maior
exaltação: a trilha-sonora de um verdadeiro
ciclone em movimento.
As densas - e por vezes claustrofóbicas -
atmosferas deste álbum (assim como outros desta
fase) do “sonho da tangerina” (reza a lenda ser
esta uma expressão para se definir um estágio da
mente atingido quando se ingere certos
alucinógenos), parecem já seguir uma linha de
desenvolvimento não tão minimalista como um
todo, similar à de seu trabalho posterior,
“Force Majeure” (excluindo os vocais, que não
estão presentes neste). Mas ainda assim,
“Cyclone” tem um estilo mais simples e rústico,
com menos variações de arranjos e timbres. Em
“Force Majeure”, com a saída de Jolliffe, a
banda novamente voltaria à sua usual formação de
trio.
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