Alemanha, 1978.


Músicos:

Edgar Froese - guitarra, violão, teclados eletrônicos, sintetizadores
Christoph Franke - teclados eletrônicos, sintetizadores, percussão eletrônica
Steve Jolliffe - vocais, flauta, clarinete, violino, piano, teclados eletrônicos, sintetizadores
Klaus Krieger - bateria


1. Bent Cold Sidewalk (13.05)
2. Rising Runner Missed By Endless Sender (5.00)
3. Madrigal Meridian (20.32)


Tangerine Dream  

Cyclone

 
Dados da resenha:
Autor: Gustavo (vital-signs); recebida em: 21/07/2004.
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Após a saída de Peter Baumann (depois de “Encore”, ao vivo em 77 nos EUA), o futurista “kraut” Tangerine Dream, além de recrutar Steve Jolliffe para o seu posto (que só gravaria este álbum com a banda), também começaria a fazer um uso mais assíduo e contundente de bateria em sua música (aqui, a cargo do também novo membro Klaus Krieger), além de alguns outros instrumentos acústicos pouco usuais no som do grupo, que talvez não se fizessem ouvir de maneira mais proeminente desde a primeira fase do trio (como por exemplo, nos mais experimentalistas e lisérgicos “Alpha Centauri”, “Atem” e "Green Desert").

“Cyclone” seria o único trabalho dos anos 70 deste (agora) quarteto alemão de progressivo-eletrônico a fazer incursões com vocais e letras - ambos a cargo de Jolliffe: somente no álbum “Tyger”, de 87 (ou ainda em algumas trilhas, como “Shy People”), eles viriam a fazer novamente algo parecido, no caso com vocais femininos em músicas com maior tendência para o pop. De qualquer forma, apesar de características até então incomuns no som deles, estas não vieram tirar, ao meu ver, a qualidade deste trabalho lançado em 78.

A primeira música começa com vocais, bateria e teclados em clima austero, até surgirem soturnas melodias repetitivas vindas dos sintetizadores sequenciais, que servem como pano de fundo para os movimentos de mellotrons e outros timbres sintéticos (incluindo-se aí também flautas e clarinetes). A música é marcada por climas dramáticos, sinistros e apreensivos, como em muitas vezes é de se esperar no som do grupo.

“Rising Runner Missed by Endless Sender” seria o som mais curto do disco e de caráter mais leve, possuindo uma levada, texturas e arranjos de teclados que já pareciam antecipar algumas sensíveis influências para a vertente pop-eletrônica da “new-wave”, que viria a surgir no começo dos anos 80, principalmente através de nomes como Gary Numan (e sua Tubeway Army), Ultravox, Devo etc.

A inquieta “Madrigal Meridian” (único som instrumental), um exercício de experimentalismo eletrônico de pouco mais de 20 minutos, começa ao estilo “science-fiction” bem sombrio e paranóico característico da banda, e logo nos mostra um pouco da viajante e espacial piração “free-electronic” (algo meio Gong) feita por Edgar Froese e Cia: descomedidos improvisos de guitarras e sintetizadores (até violino), em torno de bases harmônicas de mellotrons e repetitivas bases melódicas dos “obsessivos” sequencers, todos marcados pela bateria de Krieger, também com seus momentos de maior exaltação: a trilha-sonora de um verdadeiro ciclone em movimento.

As densas - e por vezes claustrofóbicas - atmosferas deste álbum (assim como outros desta fase) do “sonho da tangerina” (reza a lenda ser esta uma expressão para se definir um estágio da mente atingido quando se ingere certos alucinógenos), parecem já seguir uma linha de desenvolvimento não tão minimalista como um todo, similar à de seu trabalho posterior, “Force Majeure” (excluindo os vocais, que não estão presentes neste). Mas ainda assim, “Cyclone” tem um estilo mais simples e rústico, com menos variações de arranjos e timbres. Em “Force Majeure”, com a saída de Jolliffe, a banda novamente voltaria à sua usual formação de trio.