Edgar
Froese: Mellotron, mini moog, guitarras, baixo, órgão Hammond, grand piano.
Chris Franke: Percussão, mini moog, órgão Hammond, loop Mellotron, cravo.
Peter Baunmann: Mini moog, Mellotron, piano elétrico, project electronic rhythm computer.
Faixas:
1. Stratosfear — 10:35
2. The Big Sleep in Search of Hades — 4:26
3. 3am at the Border of the Marsh from Okefenokee — 8:49
4. Invisible Limits — 11:24
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Tangerine Dream - Stratosfear (1976)
Em 1976, o Tangerine Dream já havia completado um ciclo de bons discos instrumentais com a formação Froese/Franke/Baunmann, a melhor nos mais de 30 anos de carreira da banda. Albums como Phaedra e Stratosfear alcançaram relativo sucesso comercial, com Phaedra entrando no TOP 10 inglês em 1974. O Tangerine Dream, neste momento, era referência para o uso de instrumentos eletrônicos, sem contar para teclados, os quais a banda usava todos, dos mais clássicos aos mais modernos. A banda já estava utilizando também sequencers rudimentares, como o project electronic rhythm computer, além de percussões eletrônicas em 1976 ! A questão é que, após albums extremamente introspectivos, sinistros e bem viajantes, com elementos naturais e texturas bastante exóticas (o que o ouvinte percebe bem em Atem, Phaedra e Rubycon) o TD passou a se interessar por elementos que, em pouco tempo viriam a se chamar NEW AGE. É o que ocorre em Stratosfear. Em momento algum considero o TD pré 76 NEW AGE, os sons são muito mais densos, sinistros, e lotados de detalhes extrasensoriais que o pessoal NEW AGE apresentaria de uma forma um pouco diferenciada, tanto em recursos técnicos como instrumentais. Em, Stratosfear por exemplo, Froese utiliza pedais de guitarra com chorus, reverb e outros efeitos pouco utilizados anteriormente na banda. Os teclados estão com sons mais plásticos, como a droga do ARP synth, que mesmo assim não foi utilizado NESTE album. As percussões eletrônicas dão aquele clima NEW AGE, meio Enya, que não combinam com quem, há dois anos, tinha feito maravilhas em Phaedra ! Mas vamos ao assunto: Stratosfear é um excelente album e, para a grande maioria dos fãs, o ultimo grande album da fase áurea do TD.
A faixa título é sublime, com um clima misterioso e denso que cresce continuamente com uma base de mellotrons e moogs cercada de percussões electrônicas por todos os lados. A guitarra de Froese está melhor do que nunca, e realmente é o destaque da faixa, que, infelizmente tem apenas 8 mins ! Não deixa a dever aos grandes clássicos do TD, mas já soa um pouco 80's demais...
The Big Sleep in Search of Hades é um curta e delicada faixa com belos sons de flauta retirados do Mellotron. Extremamente agradável e relaxante. Se Yanni chupou coisas do Tangerine começou por aqui... Ela conta com a base Mellotroniana da faixa anterior, o que a deixa com a cara do TD clássico que conhecemos muito bem...
A faixa seguinte, e talvez a melhor do album, é 3am at the Border of the Marsh from Okefenokee. Essa é TD como nos bons e velhos tempos. Um início sobrenatural, com delicados sons eletrônicos, como gotas d'água que crescerão em um aterrorizante Mellotron, que por alguns segundos lembra ZEIT, de 72. O restante são variações minimalistas de moog com um lindo tapete de Mellotron ao fundo. Simplesmente FANTÁSTICO. Para mim é assim que o TD deve soar, SEMPRE ! O surgimento, poucos minutos depois de sons de flauta e de um ritmo sequenciado levam o ouvinte a uma viagem interplanetária digna do título da faixa e do disco. Não há mais o que comentar...
O disco se encerra com a mística Invisible Limits. Bela faixa que segue o padrão central de Stratosfear. Ela parece ser um pouco mais "plástica" que a anterior, mas costumo achá-la muito bonita. O tema é realmente muito cativante. A guitarra de Froese reaparece mesclada à moogs bastante etéreos. É a faixa mais psicodélica do album, com um ritmo bastante excitante em seu meio, e um belo solo de guitarra. O restante são incursões virtuosas por sintetizadores e mais sintetizadores... O belo final ao piano e à flauta-Mellotron é um detalhe simplesmente lindo...
Statosfear sem dúvida é uma marco na carreira do TD, e encerra sua fase áurea com chave de ouro. Até que o álbum Sorcerer vale a pena ser ouvido (trilha sonora gravada pelo TD em 77), conta com performances individuais clássicas da formação Froese/Franke/Baumann sem pré-NEW AGE. Se você curte NEW AGE e quer conhecer o TD pelo caminho mais acessível, aposte em Stratosfear. Mas saiba que, por trás desse som, há coisas muito mais misteriosas, rebuscadas, obscuras e Mellotronianas do que pode supor a sua vã filosofia !
Guabiraba
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