Alemanha, 1979.


Músicos:

Edgar Froese - teclados, sintetizadores, baixo, guitarra, violão
Christopher Franke - teclados, sintetizadores, percussão eletrônica

Klaus Krieger - bateria


Faixas:

1. Force Majeure (18:21)
2. Cloudburst Flight (7:28)
3. Thru Metamorphic Rocks (14:30)


Tangerine Dream  

Force Majeure

 
Dados da resenha:
Autor: Gustavo (vital-signs); recebida em: 29/05/2004.
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Falar da importância e da profunda penetração deste conceituado trio alemão na corrente musical eletrônica (mesmo fora do contexto progressivo) a partir do começo dos anos 70 em diante é algo, ao meu ver, totalmente desnecessário.
“Force Majeure”, de 1979, poderia ser considerado o trabalho mais diversificado do Tangerine Dream (dentre as obras clássicas dos anos 70), o que exploraria mais avidamente, bem como exporia de forma mais sucinta, os extremos da sonoridade psicodélica, densa e espacial da banda. É também o último álbum antes da entrada de Johannes Schmöelling, que direcionaria gradativamente o som do trio para um formato mais comercial a partir dos anos 80, com influências típicas da década (ainda que em discos como “Pergamon”(80), “Exit”(81), “Poland”(84), dentre alguns outros, ainda perpetuaria-se a qualidade e o alto teor das composições e experimentações).

O disco começa com a fabulosa e etérea música-tema: dissonantes acordes, provindos dos densos timbres da parafernália eletrônica de Froese e Franke, proporcionam uma breve e sombria atmosfera de paranóia que lentamente emenda em envolventes bases de mellotrons e sintetizadores, que por sua vez irão preparar a progressiva entrada da bateria seca de Klaus Krieger, juntamente com um pequeno tema-solo da guitarra de Edgar Froese. Climas soturnos e tensos se alternam com momentos mais vigorosos e proeminentes. Os movimentos sonoros dentro de cada suíte, freqüentemente são criados a partir das fantásticas melodias que se entrelaçam harmonicamente, não raro oriundas nas hipnóticas danças de notas dos futurísticos seqüenciadores, que se tornariam uma marca registrada da banda e que se deu, ainda em estágio primitivo, a partir do sinistro e revolucionário álbum “Phaedra”, de 1974.

“Cloudburst Flight”, o tema mais curto, abre com um pequeno tema de violão de 12 cordas que irá desencadear em novas bases de sintetizadores, pano de fundo para a entrada dos solos pouco polidos e refinados da distorcida guitarra de Froese.

A terceira e última música, “Thru Metamorphic Rocks” se introduz com um tímido e apreensivo som de piano, seguido por um melódico tema de guitarra que irá preparar a sinistra entrada dos sintetizadores seqüenciais que por sua vez, irão desfilar um longo e repetitivo tema, de atmosfera dramática e minimalista, bem ao estilo “science-fiction” do TD, sugerindo momentaneamente pequenas mudanças na dinâmica dos sons e nas vastas variações e oscilações de timbres e ruídos, sintéticos e futuristas ao extremo, também típicos da banda.

Como se compõe, praticamente, toda a obra do TD neste período, este é mais um excelente álbum instrumental, de longas suítes que nos apresentam e desenvolvem conceitos puramente abstratos (algo normalmente comum ao estilo eletrônico). A banda é, sem sombra de dúvidas, uma das primordiais da vanguarda experimental do kraut-rock setentista (juntamente com o Can, Ash Ra Tempel e os primórdios do Kraftwerk, dentre outras) e executa aqui novamente, a mais pura música eletrônica, com conteúdo. Altamente recomendável para aqueles que apreciam este originalíssimo estilo.