
Alemanha, 1979.
Músicos:
Edgar Froese
- teclados, sintetizadores, baixo, guitarra,
violão
Christopher Franke - teclados,
sintetizadores, percussão eletrônica
Klaus Krieger - bateria
Faixas:
1. Force Majeure
(18:21)
2. Cloudburst Flight (7:28)
3. Thru Metamorphic Rocks (14:30)
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Tangerine Dream
Force Majeure
Dados da resenha:
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Falar da importância e da
profunda penetração deste conceituado trio
alemão na corrente musical eletrônica (mesmo
fora do contexto progressivo) a partir do começo
dos anos 70 em diante é algo, ao meu ver,
totalmente desnecessário.
“Force Majeure”, de 1979, poderia ser
considerado o trabalho mais diversificado do
Tangerine Dream (dentre as obras clássicas dos
anos 70), o que exploraria mais avidamente, bem
como exporia de forma mais sucinta, os extremos
da sonoridade psicodélica, densa e espacial da
banda. É também o último álbum antes da entrada
de Johannes Schmöelling, que direcionaria
gradativamente o som do trio para um formato
mais comercial a partir dos anos 80, com
influências típicas da década (ainda que em
discos como “Pergamon”(80), “Exit”(81), “Poland”(84),
dentre alguns outros, ainda perpetuaria-se a
qualidade e o alto teor das composições e
experimentações).
O disco começa com a fabulosa e etérea
música-tema: dissonantes acordes, provindos dos
densos timbres da parafernália eletrônica de
Froese e Franke, proporcionam uma breve e
sombria atmosfera de paranóia que lentamente
emenda em envolventes bases de mellotrons e
sintetizadores, que por sua vez irão preparar a
progressiva entrada da bateria seca de Klaus
Krieger, juntamente com um pequeno tema-solo da
guitarra de Edgar Froese. Climas soturnos e
tensos se alternam com momentos mais vigorosos e
proeminentes. Os movimentos sonoros dentro de
cada suíte, freqüentemente são criados a partir
das fantásticas melodias que se entrelaçam
harmonicamente, não raro oriundas nas hipnóticas
danças de notas dos futurísticos seqüenciadores,
que se tornariam uma marca registrada da banda e
que se deu, ainda em estágio primitivo, a partir
do sinistro e revolucionário álbum “Phaedra”, de
1974.
“Cloudburst Flight”, o tema mais curto, abre com
um pequeno tema de violão de 12 cordas que irá
desencadear em novas bases de sintetizadores,
pano de fundo para a entrada dos solos pouco
polidos e refinados da distorcida guitarra de
Froese.
A terceira e última música, “Thru Metamorphic
Rocks” se introduz com um tímido e apreensivo
som de piano, seguido por um melódico tema de
guitarra que irá preparar a sinistra entrada dos
sintetizadores seqüenciais que por sua vez, irão
desfilar um longo e repetitivo tema, de
atmosfera dramática e minimalista, bem ao estilo
“science-fiction” do TD, sugerindo
momentaneamente pequenas mudanças na dinâmica
dos sons e nas vastas variações e oscilações de
timbres e ruídos, sintéticos e futuristas ao
extremo, também típicos da banda.
Como se compõe, praticamente, toda a obra do TD
neste período, este é mais um excelente álbum
instrumental, de longas suítes que nos
apresentam e desenvolvem conceitos puramente
abstratos (algo normalmente comum ao estilo
eletrônico). A banda é, sem sombra de dúvidas,
uma das primordiais da vanguarda experimental do
kraut-rock setentista (juntamente com o Can, Ash
Ra Tempel e os primórdios do Kraftwerk, dentre
outras) e executa aqui novamente, a mais pura
música eletrônica, com conteúdo. Altamente
recomendável para aqueles que apreciam este
originalíssimo estilo.
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