
EUA, 1996.
Maynard James
Kennan - Vocal
Adam Jones - Guitarra
Justin Chancelor - Baixo
Danny Carey - Bateria
Lista de Faixas:
1 - Stinkfist
2 - Eulogy
3 - H. (no encarte está erroneamente grafado "Useful
Idiot", a correção consta no site oficial da
banda)
4 - Useful Idiot (no encarte: H.)
5 - Fourty Six & 2
6 - Message to Henry Manback
7 - Hooker With a Penis
8 - Intermission
9 - Jimmy
10 - Die Eier Von Satan
11 - Pushit
12 - Cesaro Summability
13 - Ænema
14 - IONS(-)
15 - Third Eye
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Tool
Ænima
Dados da resenha:
Autor:
Rafael
Deangelo (Deangelo);
recebida em:
26/04/2005.
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Ouvindo este álbum, em
princípio, não pude notar nada de excepcional
nele. Um Heavy Metal alternativo, com certos
elementos do Grunge, feito na mesma métrica de
sons progressivos. Mas, aos poucos, o som foi se
apoderando de mim, tornando-me seu refém e
imergindo-me num entretenimento que chegou a
tontear-me.
O estilo das músicas é básico: começam com um
baixo introduzindo, num tom mórbido e sinistro,
então eis que surge a voz insurretuosa de
Maynard James Keenan (na minha opinião, o melhor
vocalista da década passada), uma voz
angustiada, que traduz um forte sentimento, a
música evolui pouco-a-pouco até que se explode
no refrão principal. É o caso de belas canções
como EULOGY, FOURTY SIX & 2, JIMMY e PUSHIT.
O álbum é incrementado com ruídos eletrônicos
que conferem às letras ainda mais vida. A faixa
que o abre, STINKFIST, é uma síntese disso tudo,
embora seja, na minha opinião a radiofônica.
EULOGY é uma viagem de depressão que se converte
em fúria, assim como H., a música seguinte. Em
HOOKER WITH A PENIS há um forte vestígio do
primeiro EP da banda (OPIATE), quando ainda
imatura eles faziam um DEATH METAL regido por
letras obscenas e agressivas. JIMMY é uma
obra-prima como poucas, maravilhosa, fantástica,
das melhores que meus ouvidos já puderam
degustar, introduzida por um cômico e inocente
ruído que lembra um realejo que se desmancha
quando despenca um riff pesadíssimo,
posteriormente atenuado com a inserção da suave
voz, que nos conduz a um clima único. DIE EIER
VON SATAN é uma sátira, que quando compreendida
provoca risos. Trata-se de uma receita
culinária, ditada por um alemão chamado Marko
Vox (uma espécie de Cid Moreira não religioso),
conclamada em tom de exorcismo, acompanhado de
um coro popular que o reverencia, a cada pouco
reforçado pelo locutor: UND KEINE EIER! (e sem
ovos!), o título em alemão, assim como a letra,
significa “Os Ovos (bolas) de Satanás”.
PUSHIT, a 10.º faixa, com dez minutos de
duração, nivela-se com JIMMY. Uma obra-prima, a
melhor música do TOOL e, a exemplo dessa, uma
das melhores que já ouvi, e como sempre,
incrementada com efeitos especiais.
A faixa título do álbum ÆNEMA (com “e”)
constitui-se como a mais sinistra do álbum, um
peso avassalador, o tom sarcástico de MJK nos
conduz à irracional fúria e sadismo, cujas
sementes se encontram fincadas nos terrenos da
solidão e depressão, letra apocalíptica que
recai em ofensas e numa expressão otimista de
que o mundo vai acabar.
THIRD EYE, faixa que encerra o disco é de nível
inferior às demais faixas, sobrecarregada de
ruídos, uma música de 15 minutos com diversas
mudanças de nuances. A versão ao vivo, lançada 4
anos mais tarde se mostra bem superior a esta de
estúdio.
Por fim, afirmo com plena convicção: o TOOL é
uma banda de HEAVY METAL sim, porém muito
superior a qualquer outra sua contemporânea. E
ÆNIMA é o seu melhor álbum, ao lado de Lateralus
(2001). Até por que está desligada dos vícios
que estagnam as bandas deste gênero. Não é
aquele HEAVY-METAL veloz, como Metallica ou
Motorhead, tampouco aquele melódico forçado,
péssima tentativa de se produzir um ROCK
erudito, nossa banda em apreço é um misto de
depressão e fúria, um som pesado porém lento,
sem aquela afobação das bandas supracitadas. Um
som totalmente único e inclassificável, não é
possível englobá-lo em nenhum dos estilos já
catalogados. Diferente também das demais, pelo
fato de não ser mais um bando de cabeludos
fazendo aquela esdrúxula cara de mau e que, de
tão alienados, só sabem falar de diabo, “o diabo
vai te pegar”, “O Senhor das trevas está
presente”, blablablá, etc.e tal...e nem aquelas
letrinhas românticas e babacas (não que eu seja
um anti-romântico), submetidas a poesia barata e
meticulosa. O TOOL é diferente, e por estar
desligada de velhos clichês é que é mal aceita,
principalmente entre os metaleiros, até por que
é preciso acostumar primeiro os ouvidos poder se
envolver pelo som deles. Uma prova disto tudo
está nos vídeo-clipes da banda, que podem ser
vistos no site
http://toolshed.down.net/video (é
necessário estar equipado com o Real One para
poder executá-los).
O som do TOOL rebaixa qualquer outra banda de
HEAVY-METAL ao nível de POP descartável
(afirmação de Terence Machado, no programa
“Alto-Falante” da TV Rede Minas). ÆNIMA é algo
sublime, em seus 75 minutos de duração consegue
transpor o ouvinte para o plano do irracional,
único. Creio que nenhum ser humano admirador de
Rock tem o direito de morrer sem antes ouvi-lo.
ÆNIMA alterou totalmente o meu gosto musical, e
os clipes do Tool, fez com que odiasse aqueles
que não passam de artistas tocando em qualquer
ambiente, mais nada (é o que acontece em 98%
deles), me transformou totalmente...
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