Bélgica, 1980.


Músicos:
Michel Berckmans: Fagote & Oboé.
Daniel Denis: Bateria & Percussão.
Patrick Hanappier: Violino & Viola.
Andy Kirk: Harmonio, Orgão, Piano & Mellotron.
Guy Segers: Baixo, Clarineta & Voz.
Com:
Jean Debefve:
Hurdy-Gurdy
Jean-Luc Aime: Violino.
Ilona Chalé: Voz
Thierry Zaboitzeff: Cello


Faixas:
1. Dense (12:26)
Denis
2. La Corne du Bois des Pendus (8:42)
Denis.
3. Bonjour Chez Vous (3:52)
Denis.
4. Combat (12:53)
Kirk.
5. La Musique d’Erich Zann (3:29)
Berckmans, Debfeve, Denis, Hanappier, Kirk & Segers.
6. La Tete du Corbeau (3:11)
Segers.
7. La Triomphe des Mouches (5:36)
Denis & Kirk.

Tempo Total: 50:09

Gravadas & Produzidas Por:
Etienne Conod, Röbel, Vogel & Univers Zero.
Exceto pelas faixas 3,6,7 gravadas por: Eric Faes & Univers Zero.


Subgênero: R.I.O-Avant Prog


Univers Zero

Ceux Du Dehors

 
Dados da resenha:
Autor: Gabriel Camargo Rodriguês (XMT SchmiTTTro000fromHelL); recebida em: 03/03/2006.
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O final da década de 70, que para alguns foi o inicio do fim para o rock progressivo. Porem ali escondido entre uns e outros, uma nova cena mostrava sua face. O “RIO”, era um movimento formado por varias bandas européias, que tinham a intenção de fazer um som digamos assim ‘de esquerda’. O pilar principal do movimento na época, sem duvida nenhuma foi o Henry Cow, banda excepcional, levava a idéia do experimentalismo jazzista as ultimas conseqüências da vanguarda, músicos de altíssimo nível, realmente, merecem respeito e admiração. O Henry Cow, que já faixa discos dês dos começo da década de 70, abriu as portas para tudo que veio depois dela. Geralmente o som dessas bandas estaria recheado de Nauses, experimentalismos, que as vezes beiram o limite. Por incrível que pareça, esse lado do prog agradou a muita gente. As influencias viam de todos os lados e estilos, o fusion, o neo clássico erudito, a psicodélica inglesa, a cena de Catenbury. É difícil, mesmo para quem conhece, caracterizar o RIO, por uma banda, pois todas são muito distintas, todas a sua maneira faziam RIO, sejam com o que elas tivessem a mão. Talvez uma das tarefas mais árduas, seria definir a face do RIO em uma banda ou artista do gênero. Em março de 1.978, varias bandas do gênero Oposition se reuniram em um grande festival em Londres Inglaterra: O RIO Festival, marcaria como o evento que consolidou toda uma cena musical que renderia os melhores frutos a partir desse evento. Entre os nomes que participaram do festival estavam os grandes do movimento como Henry Cow, Samla Mammas Manna, Storm Six, Etron Fou, e o próprio Univers Zero estavam presentes. Assim ficou marcado na história do progressivo, como o evento que concretizou o nascimento de uma nova cena musical prog: O Rock Im Oposition.

De todas as magníficas bandas do movimento, a que mais me desperta fascínio é o Univers Zero. São poucas os discos ou até mesmo os minutos que me desagradem nessa brilhante banda belga formada no inicio dos anos 70, pelo baterista e compositor Daniel Denis. Eu sempre digo que essa banda deveria ter mais espaço nos comentários e seus discos deveriam ser recomendados para qualquer fã de prog, ou simplesmente para quem afirma gostar de ’boa musica’. Engraçado é que minha relação com as escolas de vanguarda do progressivo, começou do pior jeito possível, eu não tinha entendido nada, tinha achado um bocado desconexo. Hoje eu vejo que até aqueles discos eu
desdenhava, são obras primas do prog. Então conhselho ao ouvir qualquer álbum de RIO, um elemento é fundamental: ATENÇÃO! Voltando ao disco... Por isso mesmo, venho através dessa resenha comentar sobre o som do UZ e suas características que tanto me fascinam. A juízo, apesar do álbum resenhado se estupendo, e ter momentos entre os quais eu qualifico como os melhores da banda, não é o meu favorito. Bem essa já está bem explicado por aqui, então estendendo as coisas e os Horizontes do UZ, alem do ‘Heresie’ 1.979...

Chegamos a 1.980, e o Univers Zero (UZ) se recupera de uma perda. Depois do bombástico ‘Heresie’ 1.979, Roger Trigaux (Guitarra, Teclados e Letras) sai do UZ para formar uma outra banda. O “Present” é formando por Trigaux e no mesmo ano de 1.980 lança seu primeiro álbum intitulado "Triskaidekaphobie" (Fobia do Numero Treze). Mais e o UZ a banda teria terminado? Não. Daniel Denis baterista e letrista de uma vez por todas toma a frente do grupo. Com uma formação remodelada, os músicos remanescentes do UZ, mais alguns convidados lançam mais uma jóia musical. Com nova formação O UZ lança em 1.980 “Ceux Du Dehors”. O álbum continua com a mesma linha sonora do anterior Heresie só que em minha opinião, Ceux Du Dehors é menos sombrio. Um álbum dramático e teatral, por vezes energético, complexo, e instigante. Aqui coisas antes não usadas pela banda aqui mostram presença, como o uso de mellotron, sintetizadores. Uma sonoridade mais eletrônica é abordada pela banda. Pornto o álbum funciona como um verdadeiro divisor de águas na carreira do UZ. Os álbuns anteriores, “1313”, e “Heresie”, são deveras, acústicos, a presença eletrônica neles é bem reduzida se comparada aos posteriores, e o caráter de chamber-rock, nos dois primeiros discos é explorado sem piedade. Em “Ceux Du Dehors”, o grupo se aproximam ais de uma postura de prog Rock propriamente dito, e deixa um pouco de lado a postura neo clássica dos primeiros trabalhos. Em discos como 1313 e Heresie pode-se dizer que Univers Zero estabelece o padrão para uma música erudita contemporânea. É de fato uma empreitada fabulosa. Em Ceux Du Derhors não, a empreitada é igualmente fabulosa, mais agora, muito mais prog rock! Isso me agrada e muito e quando vemos o trabalho de Trigaux no Present, entendemos que nesse período ambas as bandas se direcionavam por caminhos diferentes do erudito assim assumindo uma outra estética nem pior nem melhor apenas diferente. O pessoal costuma considera que Ceux Du Derhors com os álbuns anteriores fecharam o período de ‘Diamante’ da banda. Porem eu vejo o UZ como um todo, uma regularidade incrível, ao meu ver o único álbum fraco a ser lançado pela banda é “The Hard Quest” 1.999. isso to torna o UZ uma banda que cometeu poucos deslizes em sua carreira, sempre mantendo uma regularidade e um bom nível de produção que se estende até os tempos atuais.

Outro ponto que eu observo na banda. A competência musical de todos os integrantes da banda. Os caras têm uma perspicácia, uma técnica, que dá inveja a muita orquestra de câmara, por ai. Eles tocam Bethoveen, e outras músicas clássicas, mais peça para elas tocarem qualquer música do UZ. Elas com certeza vão boiar, tamanha a estrutura e complexidade das composições da banda. A começar por um membro remanescente da formação anterior da banda. Michel Berckmans, excelente instrumentista. Quando se fala em sopros, vem a mente o cara tocando sax, ou flauta. No caso de Berckmans, seu sopros se concentram em Fagote e Oboé. Brilhantes atuaçõaes, apesar que eu ahco que ele perdeu um pouco de espaço aqui, em Heresie o fagote e oboé apareciam muito mais. Porme suas atuações continuam belíssimas, como era de se esperar. E Daniel Denis. Está entre os melhores bateristas prog. Seu estilo ao tocar o instrumento é único, nunca veremos Denis fazer um solado de 15 minutos como um Neil Peart. O que ao meu ver não o torna menos competente, por sua bateria não mostrar muita velocidade. Porque afinal bateria não é só bater nos pratos. Poucos músicos tocam seus instrumentos com tanta classe e competência como Denis ao tocar bateria. Em “Heresie” que talvez seja o álbum mais acústico da banda, vemos bem o estilo de Denis nas multiplas formas da suite La Faulx, onde Denis brinca com gongos percussões controlando todo um chamber-rock de 25 minutos com louvor. Ainda no mesmo álbum estamos em Jack The Ripper, onde Denis faz ótima improvisação nos últimos minutos da canção A arrancada final que tem início no décimo-segundo minuto e explode no encerramento da canção é um bom exemplo disso. Logicamente que com o fim da fase chamber-rock da banda, agora a bateria de Denis encontra o seu auge, se o quesito é força e agilidade. E Ceux Du Derhors, é um exemplo obvio disso. Bem ouça ‘Combat’, e ‘La Triomphe Dês Mouches’, que depois você vai concordar comigo. Patrick Hanappier, é outro músico bastante competente. Sempre esteve no UZ, dês do primeiro disco, é difícil imaginar a banda sem um membro fiel como esse cara. Quanto a sua qualidade técnica sem comentários, Como toda a banda o cara esbanja competência ao tocar seu violino (aliais esse é um dos principais instrumentos do UZ), marca registrada da banda. Mesmo eu um disco mais elétrico o caráter erudito do instrumento, é incorporando, muito bem por Hanappier nas músicas, sem eventualmente destoar a mesma. Pelo contrario, é impossível imaginar o disco sem a presença do instrumento e de Hamappier. O novo membro Andy Kirk, viria em quase todos os aspectos substituir Roger Trigaux no UZ. Sendo responsável pelos teclados da banda. Por toda a década de 80 Kirk, viria a dividir o papel de compositor no UZ junto a Daniel Denis. Um tecladista muito competente, que deu uma nova estética a banda, encarnando no som da mesma Mellotrons, e Órgãos, alem dos já conhecidos Pianos, e o famoso Harmônio, tendência essa que se confirmaria nos álbuns seguintes. Engraçado é que nesse álbum não é usada a guitarra, e mesmo assim é mais Rock que o anterior, mesmo sem usar o instrumento símbolo do Rock. Por fim, mais um membro remanescente da formação anterior. Guy Seggers, baixista. Entrou para a banda depois das gravações do primeiro disco, onde alguns membros saíram da banda, gravou ainda com a banda Heresie e Ceux Du Derhors. brilhante baixista, fez atuações brilhantes nos longos temas instrumentais que a banda faz em todo álbum (lembrando o mesmo é inteiramente instrumental, assim como todos os discos do UZ). Faz atuações realmente empolgantes em todo o álbum. Especial atenção no baixo de La Triomphe des Mouches. O disoc ainda conta com convidados para tocar entre outras coisas Cello, Violino e o exótico Hurdy-Gurdy, instrumento esse que eu nunca ouvi falar. Aidna tem um cara para fazer algumas vocalizações em algumas músicas, nada demais apenas uns Oooooohhhhhhhh em algumas faixas. Essa sólida formação resultaria em, músicas muito boas, aliais TODAS as faixas são muito boas. algumas compridas e algumas curtas ficam na faixa de três minutos, contrastando com suítes de quase 13 minutos. Um álbum muito interessantíssimo, que acima de tudo merece ser ouvido.


01- Dense: Descrever uma música do UZ, pode ser considerada uma árdua tarefa. Isso acontece porque as composições da banda, são extremamente ricas, e complexas complicado de se ouvir, acho que ainda mais de resenhar. Bom, vamos ao que interessa. O disco abre com “Dense”. Bem, o que dizer de tal música? Um clássico da banda. Essa maravilhosa suíte de mais de 12 minutos mostra de uma só vez, toda a competência e técnica dos integrantes da banda. Extremamente teatral a faixa passa por vários temas, que criam camadas de sons na música, que subdivide essa música por pelo menos 3 temas diferentes. Possui uma forma uma estrutura sonora, incrível. E isso pode ser notado nas partes iniciais da música. Em “Dense”, o UZ começa a expressar em parte aquilo que podemos sentir ao longo do álbum. Como o disco está diferente se comparado ao anterior. Aqui o direcionamento mais elétrico da faixa e um show de teclados e pianos dominam a faixa, fazendo um prog rock minimalista, e sem trocadilho, ‘denso’ rs. Os 3 primeiros minutos são dominados por uma performance genial da banda. Todos estão tocando ao mesmo tempo seus instrumentos de uma forma única. Os teclados e pianos constroem uma atmosfera comedida na faixa. Em quanto o fagote ao fundo faz um clima sombrio e opressivo. O trabalho do violino e do baixo são igualmente fortes mais discretos quase que em uma mesma proporção. Mais uma vez como era de se esperar o trabalho de percussão do Daniel Denis é perfeito. Nada se exalta na banda, ou tudo se exalta ao mesmo tempo! Isso ira depender da maneira com que o ouvinte estará entendendo o que ele está ouvindo. Chegando há quase 4 minutos a música para, agora uma melodia sombria toma conta da música. O instrumento chamado Hurdy-Gurdy (que até eu resenhar esse disco nem sabia da existência), é um instrumento com som bem bonito, similaridades com um acordeão em minha opinião. Esse instrumento é responsável por uma atmosfera hipnótica, que prende a tensão do ouvinte por alguns minutos. Ao mesmo passo que o violino e fagote fazendo outro belo trabalho. Aos poucos a música que parecia ter perdido a velocidade do seu inicio, vai aumentando sobre um trabalho de percussão de Denis. A banda aos poucos via voltando, em cima da base sólida feita pelo Hurgy Gurdy. Por volta de 7 minutos e meio, a música volta, explodindo novamente com toda a banda tocando novamente. Porem... Mistério suspense e MEDO!!! Com 9 minutos a música fica solitária em uma nota de piano e alguns sopros como oboé e fagote, fazendo uma daquelas conhecidas atmosferas de medo. Quando entra o violino então nem se fala. A música nos últimos minutos vai voltar a crescer, em uma atmosfera macabra, que ira lembra algumas partes do álbum anterior “Heresie”. Essa é a parte mais clímax da música que chega em seu ápice perto do final, explodindo nos gongos de Denis, e uma atmosfera macabra. Após o clímax, a música se encerra gloriosa. Assim se encerra um clássico eterno do Ceux Du Dehors, e do próprio Univers Zero. Eu nem preciso dizer que eu tiro o chapéu para essa música!

La Corne Du Bois Des Pendus: Outra faixa mediamente longa, totalizando quase 9 minutos totais. Essa música parece querer fazer uma continuação das partes finais de ‘Dense’, e consegue. A música que em toda a sua duração é calma, consegue fazer uma atmosfera sombria, onde lembramos de uma rua escura com muita gente andando. Com um começo maligno com um coro de vozes ao estilo ‘música para morrer’, os corais dão espaço a uma base repetitiva e solista da banda por alguns momentos. No retorno do coral, o clima sombrio volta a assombrar, mesmo que ele nunca tivesse te deixado. Porem aos 2 minutos e meio, entendemos que isso é apenas uma introdução, para uma performance excelente de Denis nas percussões. A um momento solista, que me parece violino (me corrigir se estiver errado). Gera uma cosia até irritante, por volta de 4 e meio acontece uma coisa ‘estranha’. Um barulho e surgem barulhos de uma multidão imensa falando, com a banda ao fundo tocando. Ouvisse buzinas de carros, em meio a uma multidão ensandecida. E um coro no meio “Ahhhhhhh” “Ahhhhhhhhh”. Realmente apavorante. Agora os teclados irão fazer um manto sonoro macabro e denso, ponto para Andy Kirk, em uma bela performance. No minuto 7:45 Kirk faz uma base que parece um daqueles teclados de igreja, junto a um fagote sombrio e as percussões de Denis. Assim no final a música se despede, deixando algo no ar em minha opinião... Os efeitos sonoros e o clima de suspense é o principal atrativo da música. Excelente faixa, como todas do álbum.

3. Bonjour Chez Vous: Essa é uma peça curta e experimental. Eu demorei, muito, mais muito tempo, para entender o que se passava nessa música. Recomendo que quando for ouvir essa, você não esteja fazendo mais nada, porque essa necessita de atenção para escutá-la. Senão como aconteceu comigo, quando ela terminar você vira e fala: Que saco! A música começa com o bater de uma porta, dando lugar a um trabalho de percussão meio quebrado de Denis, junto a um piano, tipicamente Jazzista. Até então, a música quebrada, eis que surge um violino para tênar concertá-la. Mais não consegue não e acaba entrando no espírito experimental da faixa. E minha opinião é mais uma faixa comedida, e teatral do álbum, mais junte isso a um espírito Jazzista, e uma dose de experimentalismo que é a cara do UZ, assim a música se faz. A um momento no seu meio em que a música se equilibra em um belo solo de violino. A música no final vai retornar ao seu tema inicial, bastante improvisado, terminando assim subitamente com uma batida de porta como aquela que a iniciou. Engraçado como o UZ consegui resumir em uma faixa curta, com menos de 4 minutos, coisas como beleza, experimentalismo. Curiosamente essa faixa foi a ÚNICA faixa desse álbum a ser incluída em um recente ao vivo do UZ, aliais o primeiro disco ao vivo deles intitulado simplesmente “Live”. O álbum tem sido alvos de duras criticas, por causa do seu repertório um tanto quanto ‘fraco’, se tivermos um panorama geral da carreira deles. Agora porque incluir essa faixa, em vez de um clássico como “Dense” ou “Combat”? Ou até mesmo “La Triomphe des Mouches”. Sinceramente essa do “Live”, eu não entendi...

4. Combat: Está é a maior faixa do álbum com quase 13 minutos. A única faixa do álbum que não teve participação de Denis na composição. Faixa feita pó Andy Kirk, este é mais um clássico dos clássicos do UZ. De cada 10 fãs da banda, 8 irão colocar essa música pelo menos entre as cinco primeiras do grupo (isso inclui eu mesmo). Também não é para menos. Apesar de achar que a também suíte “Dense”, está no mesmo nível sonoro, “Combat” é unânime, entre os admiradores do UZ. A faixa começa com sintetizadores baixo. A melodia parece mesmo nessa introdução ser bastante militar, ou então anunciar que um combate ira se iniciar em breve! Surge mais baixo e piano fazendo uma espécie de trilha sonora de uma cena de suspense. Assim se via quase 1 minuto de música. Um dos temas que eu mais gosto, está entre as mais belas passagens do UZ na minha opinião. Esse tema que vem agora, é tipicamente erudito, com violinos e pianos fazendo um excelente trabalho. O clima de mistério envolve o ouvinte, apesar da música ser agitada, a um clima de mistério crescente, assim como os instrumentos. O que dizer dessa parte, excelente. O trabalho de violino e piano e sensacional! Mais calma pessoal que ainda não chegamos a 4 minutos de música! Quando chega a música encaminha para outro tema. Para descrever essa, eu vou usar um pouco de sentimento. O que parecia uma trilha sonora tirada de algum conto policial de Edgar Alan Poe, agora se desfaz em um lamento sombrio e fúnebre. Notas de piano solitárias, marcam uma virada na música. Com 5 minutos e meio, a música parece acabar quando surge um violino choroso, que sempre me fez lembrar um trecho solo de violino do disco Lark’s Tongues In Aspic do King Crimson. No caso o disco do King Crimson, seria a primeira parte da faixa titulo, onde David Cross, solo um belo violino. O desenrolar de “Combat”, parece se perder nas dramáticas notas de violino. Agora clarineta soa como uma nova ascensão na música. E uns ruídos mórbidos ao fundo. Quando a música volta, parece que surge um soco, literalmente alguém da um soco na música! E ouvisse uma trinca e um portão se fechando. Sempre me deu a impressão que alguém foi preso nessa parte. É eu sei é paranóia, mais é isso mesmo!!! A faixa a partir daí se desenvolve de uma maneira sombria, que vai lembrar um pouco algumas partes da suíte “La Faulx”, do álbum “Heresie”. Engraçado é que mais uma virada acontece, e essa lembra um pouco o grupo sueco Anglagard (7:41 8:34), mais ou menos. Isso dura até Denis começar a bater sua bateria, e é lógico que ai nós já sabemos que a música, mais cedo ou mais tarde, vai estourar. E isso se torna claro na retomada do piano. Agora porem, temos uma belíssima atuação de baixo e teclados na faixa. É um trecho de velocidade rápido e eficaz. Quando a música chega aos 10 minutos ela volta a manter um andamento calmo. Quando menos se espera a música volta ao tema inicial, aquele totalmente erudito, agora muito mais evoluído e crescente. Quando esse tema chega no ápice a música se encerra. É difícil explicar com palavras. O conselho é unicamente ouvir para tirar suas próprias conclusões. Em minha é CLASSICO SUPREMO!!!

5. La Musique d’Erich Zann: Faixa que mostra toda a veia Lovecraft da banda. É uma faixa curta. Uma improvisação coletiva de vários músicos do UZ. Aqui se destaca o trabalho de violinos da faixa. A faixa envolve toda uma atmosfera de mistério e suspense. Que realmente nos transporta o ouvinte para algum conto de H.P Lovecraft. Eu gosto da faixa pela sua estrutura poço comum. A idéia e a homenagem ao Lovecraft, caíram muito bem no álbum. Porem não chega a ser uma música de fato é uma bela improvisação, mais ainda sim uma improvisação. Engraçado é que os segundos finais da música são dominados por uma penumbra sonora, onde se não estive auto o suficiente você corre o risco de não ouvir nada. Eu diria que essa é um bom exemplo de faixa silenciosa. Tanto essa faixa como a seguinte, são muito sombrias e experimentais, se completam muito bem criando a ponte perfeita no álbum. De inicio pode não parecer ter sentido, porem ouvir com atenção é recompensador.

6. La Tete du Corbeau : Única faixa do álbum a ser composta pelo baixista. Guy Seggers. Menor faixa do álbum com pouco mais de 3 minutos. É um belo interlúdio sombrio, quase sem bateria, muito tranqüilo. Uma faixa que apesar de curta, é de extrema importância no álbum. Engraçado é que sempre ao ouvir a faixa eu tenho a impressão de estar em algum castelo cheio de velas. Cada música desse álbum me da uma sensação diferente, e essa faz isso. Dense me faz sentir em uma floresta. La Corne Du Bois Des Pendus me faz sentir em uma rua cheia de gente. Bonjour Chez Vous eu estou em uma casa gótica. Combat me uma prisão em Londres no século 19. La Musique d’Erich Zann, é um conto de Lovecraft. La Tete do Corbeau, é um castelo de Dracula, e por ultimo La Trionphe Des Mouches me faz sentir um caixão. Eu sei que devo estar saindo do contexto da resenha, mais fã é fã neh. Assim como todas as faixas do álbum La Tete Du Corbeau, é igualmente importante no álbum. Como disse o álbum não tem uma música ruim. E não seria essa composta por Seggers que iria ganhar o abacaxi.

7. La Triomphe des Mouches: Por fim chegamos a música de numero 7. La Triomphe des Moches (O Triunfo das Moscas). Outra música muito boa e muito querida pelos fãs (inclusive eu). Essa faixa se tornou uma espécie de unanimidade entre os fãs do UZ, como uma das suas melhores músicas. Obviamente a música se tornou um cartão de visita para conhecer a banda. Inclusive essa foi uma das primeiras músicas desse álbum a ser feita. Na época de lançamento, a banda até lançou um Single, contendo essa faixa. Se tornando imediatamente uma das maiores raridades e por tanto uma jóia para os fãs ou colecionadores de UZ. A faixa em si apesar de não ser muito comprida, é do outro mundo. Consegue se equivaler as compridas Dense e Combat. Mais é mesmo, essa faixa é muito boa. Começa lenta com o comando de bateria de Denis, ao despencar em um clima mórbido de suspense. Isso se deve a atuação do piano macabra nessa música. Surge umas vozes ao fundo, quando a música começa a sua evolução em uma melodia macabra, que de alguma forma transmite uma sensação Necrofilista ao ouvinte. Ou seja Morte! Seriam por exemplo as sensações das músicas, a sensação de alguém sendo enterrado vivo, ou sendo comido vivo por moscas? Quem sabe. Porem isso se torna meio obvio pra mim, quando surgem sururus em meio a melodia, mesmo que no fundo da faixa, ouvimos sururus de dor ou de agonia. Prestem atenção nisso! A faixa apesar de evoluir muito bem, tem um final que poderia ser mais trabalhado. Quando a música chega no seu ápice, a sintetizadores, e a música se encerra deixando ela mesma no ar. Poderia ter evoluído mais. Porem ainda assim é um belíssimo clássico do UZ. Porem uma ressalva importante: Na versão em CD do disco “Crawling Wind’, de 1.984, existe uma versão ao vivo dessa faixa, com mais de 9 minutos. Em minha opinião, essa versão ao vivo, apesar de ter qualidade de áudio inferior a versão do Ceux Du Dehors..., musicalmente da banho na já excelente versão aqui do Ceux Du Dehors. Então fica a observação, se a versão dessa música aqui, não foi o suficiente, procure pelo Crawling Wind e ouça a versão presente nesse disco.

Agora, só gostaria de fazer mais um comentário: É uma pena usarmos notas de 1 a 10 para um disco, porque, esse com certeza merece um 11!

Gabriel Schmitt.