Bélgica, 1983.


Daniel Denis: bateria, percussão, voz e violino;
Dirk Descheemaeker: clarinete;
Andy Kirk: piano, órgão, sintetizador, voz, viola, caixa de música, percussão, harmônio e rádio;
Guy Segers: baixo, voz e Violino;
Alan Ward: violino

Nas faixas adicionais:
Alan Ward: violino (4);
André Mergenthaler: violoncelo (5);
Andy Kirk: teclados (4) e guitarra (4);
Christian Genet: baixo (5);
Daniel Denis: bateria (4, 5) e harmônio (6);
Dirk Descheemaeker: clarinete (4, 5) e Casio (5);
Guy Segers: baixo (4) e percussão (6);
Jean-Luc Plouvier: teclados (5);
Michel Berkmans: oboé (6) e fagote (6);
Patrick Hanappier: viola (6);
Roger Trigaux: guitarra (6).


1. Toujours plus à l'est (D. Denis) 5:29
2. Before the Heat (A. Kirk) 4:03
3. Central Belgium in the Dark (Univers Zero) 9:50

Faixas adicionadas à versão em CD (Cuneiform, 2001):
4. Influences (A. Kirk) 7:36
5. Triomphe des Mouches (D. Denis / A. Kirk) 9:51
6. Complainte (D. Denis) 5:28


Outros dados:
Toujours plus à l'est e Before the Heat foram gravadas em 1983.
Central Belgium in the Dark foi gravada ao vivo em 27 de março de 1982.
Influences foi gravada em 1982.
Triomphe des Mouches foi gravada ao vivo em 31 de março de 1984.
Complainte foi gravada ao vivo em 5 de abril de 1979.


Univers Zero    

Crawling Wind

 
Dados da resenha:
Autor: Davi C. Rodrigues (Davi); recebida em: 29/04/2004.
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O Crawling Wind original (versão em LP, 1983)
O Crawling Wind foi lançado como LP em 1983 pela Eastern Works e exclusivamente no Japão. Rapidamente este se tornou um dos discos mais raros e procurados do Univers Zéro. Este LP era composto por três músicas inéditas e não muito longas, não chegando a totalizar vinte minutos de duração, mas que músicas! Como seria de se esperar, pois cronologicamente está situado entre o Ceux du Dehors e o Uzed, há semelhanças do Crawling Wind com estes discos, mas as três faixas do Crawling Wind não deixam de trazer novos elementos.

O disco abre com Toujours plus à l'est, uma belíssima música moderadamente forte e alegre que mistura influência de música clássica contemporânea com jazz (há um extenso compasso que me lembra Dave Brubeck em especial).

Contrapondo à beleza mais alegre da faixa de abertura, vem outra igualmente bela em intensidade, mas aversa na forma: Before the Heat, uma sombria e triste música bastante etéria, sem tempo bem definido. É interessante notar como estas duas primeiras faixas, embora tão distintas, casam muito bem.

Finalizando a versão original do Crawling Wind, vem Central Belgium in the Dark, gravada ao vivo. Contrariamente às anteriores, esta se apresenta como uma seqüência de vários temas. De início Central Belgium é sombria, lenta e bem "livre"; dá boa continuidade a Before the Heat. Lentamente vai adquirindo mais força e intensidade, torna-se esparsa novamente por pouco tempo e, nos últimos três minutos, entra um baixo distorcido e pesado que, junto do piano, dá mais força e coesão à música. Por fim, chega a sombria e melancólica finalização.


O Crawling Wind em CD (2001)
Acho que este disco, só pelas faixas originais, embora muito curto, já valeria a compra. Felizmente a Cuneiform ainda nos presenteou com ótimas faixas adicionais para a versão em CD. Não chamaria de faixas bônus porque, além de serem muito boas, elas mais que dobram a duração do disco.

Influences é uma música de estúdio que só havia sido lançada em 1982 em uma coletânea da Recommended Records, sendo portanto inédita em CD. Ela ficaria muito bem em meio às músicas intermediárias do Uzed, diria que se destacaria entre elas. A versão de estúdio de Triomphe des Moches (triunfo das moscas) apareceu originalmente em um single da Recommended Records, e posteriormente foi incluída na versão em CD do Ceux de Dehors. A presente versão ao vivo merece destaque, é inédita e bem mais desenvolvida, possui uma mais extensa improvisação tanto no início quanto no fim; nesta o violoncelo é tocado de forma a claramente imitar sons de moscas voando. A Triomphe des Moches do Crawling Wind só perde para a versão de estúdio em termos de produção. Finalizando o disco, temos uma versão ao vivo de Complainte. É muito parecida com a versão que está no disco 1313, porém, curiosamente, a formação foge da convencional (veja notas ao lado). Esta é a única faixa que, fora o valor como curiosidade histórica, não vejo muito propósito de estar neste disco.


Conclusão
O Crawling Wind não é um dos discos mais recomendados para se começar a conhecer o Univers Zéro, e não costuma ser considerado como estando lado a lado com Heresie, Ceux du Dehors ou Uzed, mas acho que qualquer interessado em Univers Zéro desta fase deve acabar por se interessar pelo disco (particularmente, acho sim que o CW está lado a lado com os melhores do Univers Zéro). O Crawling wind não só tem elementos dos discos de sua fase como também traz elementos novos. Quem procura pelas músicas de maior impacto do Univers Zéro, como Combat ou Presagé, não as encontrará neste disco; ele é mais introspectivo, o que, por esse lado, o coloca em maior proximidade com o Heresie.