Bélgica,
1986.
Músicos:
Daniel
Denis: Bateria,
Percussão & Voz.
Michel
Delory: Guitarra.
Dirk
Descheemaeker: Clarineta
& Saxofone Soprando.
Christian
Genet: Baixo.
Patrick
Hanappier: Violino
& Viola.
Andy
Kirk: Piano,
Sintetizador & Voz.
Jean-Luc
Plouvier: Piano,
Sintetizador & Voz.
Faixas:
1.
Heatwave 8:34
Kirk
2.
Chinavox 4:49
Denis
3.
Bruit Dans Les Murs 8:25
Denis
4.
The Funeral Plain 20:24
Kirk
Tempo
Total: 42:12
Informações
Técnicas:
Gravado
Em: Junho
& Setembro de 1.986, por Didier Roos nos estúdios
Daylight Belgica.
Mixado
Por:
Univers
Zero, & Didier de Roos.
Capa
Por:
Marie-Noêlle
Dufromont.
Subgênero: R.I.O/Avant
Prog.
|
Univers
Zero
Heatwave
Dados da resenha:
Comente e veja outras opiniões
aqui.
Este não é nenhum disco do UZ que eu indicaria para conhecer a banda.
Heatwave deve ser ouvido e apreciado por quem já está acostumado com a
banda em outros álbuns.
Dois anos depois do bem sucedido “Uzed” 1.984 o Univers Zero nos
presenteia com mais um disco. Em 1.986 é lançado “Heatwave”. O disco
segue a mesma formula sonora do Uzed, porem aqui muitas coisas mudam.
Inclusive a formação da banda, até o som da banda parece ter mudado
bastante nesse álbum. Se em Uzed o problema era exatamente a formação
da banda, em Heatwave esse problema parece resolvido. Aqui contamos com
todos os competentes músicos da formação do disco anterior. Porem
velhos conhecidos retornaram a banda. Patrick Hanappier, o violinista
dos álbuns Heresie e Ceux Du Dehors, está de volta a banda. E Andy Kirk
volta aos teclados do Univers Zero, e volta a compor junto com Denis.
Nesse álbum a banda conta com um poderoso duo de teclados, Andy Kirk e
Jean Luc Plouvier, fazem à festa no disco. Apesar da presença,
Hanappier tem sua perfomance bem reduzida nesse álbum. O destaque dado
à guitarra em Uzed aumenta aqui. O Baixo e a guitarra estão mais
poderosos enquanto a postura de câmara da banda parece estar cada vez
menor. Como no Uzed a adição do Saxofone de Dirk Descheemaeker, faz bem
a banda. No geral Uzed e Heatwave são bem parecidos, em poucos álbuns
da banda vemos tantas semelhanças, já que nos primeiros álbuns eles
sempre estavam evoluindo e literalmente atirando para tudo que é lado
para acertar de vez sua sonoridade. Do ponto de vista técnico da
formação da banda, Heatwave é superior a Uzed!
Então, o disco teria tudo para ser um excelente trabalho do UZ,
mantendo sua tradição? Errado. Não seria nenhuma heresia se Uzed fosse
melhor que esse álbum, porem em Heatwave poderíamos esperar que a banda
conseguisse manter o nível, tal como foi de Heresie para Ceux Du
Dehors. Em Heatwave isso não acontece. Daniel Denis antes tão virtuoso
como compositor e instrumentista, nesse álbum se mostra apagado. Suas
composições soam sem inspiração, e ele já esteve bem melhor na bateria.
Apesar de todos os músicos tentarem levar a banda a gloria, é difícil
para uma banda mesmo de músicos competentes fazer um grande trabalho
com composições fracas. As composições do Heatwave não são fracas, mais
a muita coisa que poderia ser melhor trabalhada. Heatwave ainda é um
excelente disco, mais ele precisaria ser mais bem trabalhado. Tenho
impressão que foi nessa hora, constituir uma composição, e trabalhar
melhor ela, até chegar a um resultado melhor, que a banda errou.
Simplesmente fizeram à música e não a trabalharam como deviam gravaram
e lançaram. Uzed na banda foi um marco histórico que criou um novo UZ,
Heatwave veio para seguir essa formula porem ao tentar emular o Uzed, o
álbum fica aquém do esperado. Não estou descendo lenha no disco, muito
menos falando que ele é um completo desastre, como eu disse o disco
consegue ter ótimos momentos. O Heatwave foi um dos primeiros trabalhos
da banda que eu conheci e digo ele me surpreendeu positivamente. Porem
ao conhecer a discografia da banda totalmente como eu conheço hoje, eu
vejo que o álbum não é tão grandioso assim. Mesmo assim nutro carinho
pelo álbum, que junto com o Heresie me introduziu não só na sonoridade
da banda mais também em todo um universo de prog vanguardista, que eu
pouco ou nada tinha explorado até o momento.
Heatwave: E começamos por ela
mesma. A faixa titulo do álbum Heatwave escrita por Kirk, no alto de
quase 9 minutos abre o álbum. A faixa começa com um arranjo de teclado,
logo em seguida o trabalho de percussão de Denis aparece. Gosto dessa
introdução, o andamento da percussão é bastante curioso. Aprecem mais
teclados e um sax assim, a faixa segue. Eventualmente isso pode lembrar
a Presage do Uzed, talvez pelo sax. Esse andamento é quebrado com quase
2 minutos de música. Quando surge um eco sintetizado na faixa, que é
acompanhado por um violino. Quando a faixa volta, ela volta muito bem.
Com um daqueles andamentos quebrados com bastante percussão. Os temas
de sax se repetem em algumas partes. A faixa se desenvolve, a trechos
que a guitarra aparece, mais a faixa e recheada de teclados e de
percussão. A faixa encontra seu auge depois dos cincos minutos em meio
a uma melodia de suspense, surge uma guitarra bem gritante e um baixo
bem agressivo. A faixa se torna cada vez melhor. Nessa aqui você vai
ver que a formula do Uzed deu certo. Eu acho essa faixa muito depois
dos cinco minutos. De 6 a 7 a trechos muito bons. A faixa no final ira
primar pela percussão, e a guitarra que está presente nessa hora. A
faixa se desfaz em um rápido e surpreendente tema.
2. Chinavox: O tema oriental
que ronda toda essa faixa é simplesmente ridículo! Uma composição de
Denis poderia ser muito melhor. Se Heatwave consegue impressionar o
ouvinte, Chivavox prima pelo sono. É praticamente uma daquelas faixas
que fala para você “pulem para a próxima”. O tema de abertura faz você
se sentir em uma feira chinesa, mais essa feira deve ter algum peixe
estragado. Depois ela fica repetindo esse tema por um bom tempo. Quando
ele acaba vem outro tema. Mais chato ainda. Nesse Denis fica batendo
uns gongos e um sintetizador tiiiiiiinnnnnnnritin ecoa em toda a faixa.
Estamos mais ou menos em 2 minutos de duração, quando o tema de
abertura volta a ser reprisado, uma parte pequena do tema dos gongos e
a faixa se encerra emendando com a próxima faixa. A faixa é dois temas
bem chatos que se repetem entre si. Não é nada essencial na carreira da
banda, o UZ tem coisa muito melhores para se ouvir nesse disco mesmo.
Chinavox, uma faixa do UZ que me decepciona.
Bruit Dans Les Murs: Uam
excelente faixa totalizando mais de 8 minutos. Porque afinal Denis
precisa se recupera da música anterior. Bruit Dans Lês Murs, se não me
engano gira em torno de histórias de fantasmas, ou contos
Lovecraftianos, pelo menos parece ser essa a intenção de Denis nessa
faixa. A faixa começa com uma bateria quebrada, e surge sintetizadores
com uma atmosfera alienígena. Denis surge quebrando tudo, junto ao uma
camada de sintetizadores alienígenas e uma atmosfera tenebrosa. Mais a
bateria do cara é fora de serie. Quando surge um saxofone bem vamos
dizer anunciador na faixa, e tudo desaparece. Para alguns segundos
depois a faixa voltar e Denis voltar em uma boa performance. A faixa
aos 2 minutos e meio entra em um outro tema que lembra a introdução da
faixa titulo desse álbum. Tudo se acalma bem quando novamente o sax
surge. A faixa basicamente trabalha em cima do tema do sax, e fazer uma
desenvoltura para a bateria do Denis que toca o tempo todo nessa
música. Na estranhe repetições, porque afinal elas estão ai para serem
apreciadas! A faixa se concentra entre momentos calmos com outros de
agressividade caracterizadas pela bateria. Porem mesmo em momentos mais
calmos Denis continua a tocar, só que com mais elegância, como diriam
pro ai cool. Aos 5 minutos a faixa até então calma, começa a entrar em
uma paranóia crescente. E tudo começa a se desfazer em uma loucura
crescente. Bom trecho, quando a faixa do nada volta ao tema principal,
com poucas variações. Agora porem muito teclado. Uma sonoridade
meditativa toma conta da faixa. É impressionante como antes agressiva
agora bem leve. Essa sonoridade feita pelo teclado vai encerrar a
faixa. Boa faixa, creio que esteja no mesmo nível da Heatwave, talvez
uma das melhores faixas do álbum até agora. Engraçado é que eu sempre
achei uma similaridade entre essa faixa e Emmanations do álbum anterior
ambas trabalham no desenvolvimento de um tema que aprece como o central
da faixa. Muito boa.
4. The Funeral Plain: Porem
todas as faixas anteriores são apenas introduções perto dessa aqui. Se
o álbum não o impressionou até agora, vire rapidinho o disco e veja o
que te espera. Aqui a tudo que o UZ precisa para ser o UZ. Faixa
comprida sombria, impecavelmente bem executada. The Funeral Plain (Os
Planos do Funeral), é a melhor faixa desse disco, sem duvidas. A faixa
começa com efeitos atmosféricos de ruídos e outras bizarrices sombrias.
Essa longa seção atmosférica é substituída por um teclado que faz a
faixa caminhar por caminhos bastante obscuros. Como a composição é de
Kirk, era de se esperar que o teclado fosse a principal estrela da
faixa, nessa faixa é trabalhado o efeito de dois teclados. O teclado
atmosférico e o Piano tocado por Kirk e Plouvier. Não sei quem está
tocando o que ai. O misterioso piano é sensacional, uma viagem mórbida
por cantos obscuros de algum lugar... Aos 3 minutos e 15 a faixa, da
lugar unicamente ao piano. Os acordes tristes e sombrios fazem uma
atmosfera de terror. Eles começam muito baixos, porem logo irão contar
com a presença do violino, tudo é muito discreto mais impressiona. O
sax entra muito discretamente na faixa. Essas partes me lembram aquelas
partes mais calmas de Combat. Nada como ouvir belos acordes de violino
e piano em uma combinação tipicamente erudita, que muito me agrada. A
faixa nesses momentos tem como único objetivo desenvolver pequenos
acordes de piano. Ela fica muito tempo em acordes bem simples. De 6
minutos pra cima a banda começa a levantar a música, de uma maneira bem
macabra, surge bateria, e agora parece haver dois teclados tocando em
tempos e timbres alternados a mesma melodia. A música se encaminha para
uma marcha, quando se torna um turbilhão sonoro bem conturbado,
explodindo em um tema magistral com muito teclado bateria e
intervenções de guitarra. Quando ela volta aos mesmos ruídos macabros
do seu inicio. Fazendo uma continuação sombria pra música. Uma parte
que sempre me despertou curiosidade, é a seguinte. Nessa tudo fica
sobre um sintetizador, aliais tudo aqui é sintetizador, repetindo um
tema hipnótico, e MUITO repetitivo, ouve algumas coisas ao fundo eu não
sei identificar bem o que é. Com 12 minutos e meio a música volta a ser
tocada por todos. Agora o UZ vai conduzir a música por temas sempre bem
evolutivos e crescentes rumo a um grandioso gran finale! As sonoridades
mórbidas, aqui vão lembrar 1313 em Ronde Heresie em Vous Lê Saurez Em
Temps... Realmente a música se torna fantástica. Aos poucos um baixo
pulsante e novamente bateria muito bem tocada conduzem a música. Aos 15
minutos acontecessem passagens de muita energia que se espalham por
toda a música a trechos de guitarra bem distorcida, que lembra um pouco
Celesta do álbum anterior. A guitarra grita aqui nessa parte! Esse tema
se torna cada vez mais crescente e louco. Até que é interrompido por um
órgão fúnebre, que vai te conduzir a saída desse labirinto. Esse final
é uma das melhores passagens da banda, é realmente fantástico. Eu quase
cai do sofá ao ouvir isso pela primeira vez! A música aprece agora
querer fazer o mesmo final rápido e dissonante da faixa titulo, surge
barulhos de água ao fundo e Denis batendo loucamente sua bateria. A
música termina com o eco de água ao cair no chão. Pronto à viagem está
encerrada, aqui o UZ termina uma de suas melhores músicas, o álbum já
valeria e muito só por causa desta faixa.
Após Heatwave a banda encerraria as suas atividades. De 86 a 99 a
banda ficaria em total silencio, voltando em 99 com outra formação e
com um novo disco lançado The Hard Quest. Mais afinal, se o UZ não
retornasse em 99, seria Heatwave um final brilhante, ou um final
faiscante? Não minha opinião, sim seria um final brilhante. O que
aconteceria com o UZ seria isso, eles teriam lançados álbuns clássicos
dentro de sua proposta musical, teria inventado constantemente em cima
de sua obra, chegaria a um bom resultado em Uzed, e seguiria a formula
no álbum seguinte, que foi o Heatwave. Teria sido um final brilhante
para uma banda igualmente brilhante sim. Heatwave encerrou a primeira
fase da banda, banda essa que voltaria 13 anos depois com novos músicos
e nova formação. Heatwave imprime sua marca como mais um excelente
disco do Univers Zero, mesmo que aquém dos anteriores, o UZ teria que
descer muito mais muito o nível para ter um disco seu chamado de ruim.
Felizmente o UZ é daquelas bandas que conseguem manter em longo prazo,
uma produção artista respeitável, com poucos erros, nesse disco se
encontram alguns desses erros, mas o disco deve ser ouvido e respeitado
como todos seus antecessores.
Gabriel Schmitt.
|