Bélgica,
2004.
Músicos:
Daniel
Denis: Bateria,
Percussão, Teclados, Samplers, Acordeom & Guitarra.
Michel
Berckmans: Oboé,
Tuba Inglesa & Fagote.
Serge
Bertocchi: Saxofone
& Tubax.
Aurelia
Boven: Cello
Ariane
De Bievre: Flauta,
Piccolo.
Dirk
Descheemaeker: Clarineta
Bart
Maris: Trompete.
Eric
Plantain: Baixo
Elétrico.
Christophe
Pons: Guitarra
Acústica.
Bart
Quartier: Marimba.
Igor
Semenoff: Violino.
Faixas:
1.
Suintement (Oozing) 1:13
2.
Falling Rain Dance 4:12
3.
Partch’s X-Ray 5:21
4.
Rapt D’Abdallah 3:01
5.
Miroirs (Mirrors) 1:18
6. La
Mort de Sophocle 3:11
7.
Ectoplasme 1:07
8.
Temps Neufs
4:56
9.
Mellotronic
4:04
10.
Bacteria 1:28
11.
Out of Space 4
2:52
12.
First Short Dance 0:42
13.
Second Short Dance 0:41
14.
Variations on Mellotronic’s Theme 3:04
15. A
Rebours (In Revers) 1:56
16.
Meandres (Meanderings) 9:38
Informações
Técnicas:
Todas
As Composições por: Daniel Denis.
Gravado
Em:
Fields Studio, Braine L'Alleud, Belgium, entre Agosto e Novembro de
2.003 Por: Didier de Roos.
Capa
Arte & Design Por: Philippe Seynaeve.
Lançado
Em 2.004 pela Cuneifrom Records.
Subgênero: R.I.O/Avant Prog.
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Univers
Zero
Implosion
Dados da resenha:
Comente e veja outras opiniões
aqui.
Aqui se encontra o mais recente disco do UZ. A empreitada da banda que
teve inicio em 2.003 rende seus frutos (bons frutos), em 2.004. Sendo
assim dois anos após Rhytimix, a banda volta a estúdio e dessa ida aos
estúdios é concebido “Implosion”.
O disco foi recebido muito bem recebido pelos fãs que já viam
entusiasmados com a banda com o álbum anterior. Logo de cara o álbum
surpreende sem nem você ouvir pela sua belíssima capa. Um trabalho
gráfico muito bem feito e que realmente combina com tudo que você
encontra no decorrer desse disco. Considero Implosion uma evolução as
sonoridades exploradas anteriormente pela banda. Pro tanto ao meu ver
desde que a banda retornou em The Hard Quest, vem mantendo um padrão
respeitável nas suas produções. Ainda que muitos julguem elas aquém dos
clássicos dos anos 70 e 80, e julgue essa nova fase inferior até mesmo
aos discos novos do Present, o UZ mesmo que me alguns momentos pareça
saturado continua a manter o nível de qualidade. Qualidade essa que é
comprovada no álbum posterior ao Implosion o Live desse ano, que mostra
as novas músicas do UZ em uma roupagem nova revelando que a banda não
ficou presa as suas glorias de outrora, e festeja sua atual qualidade!
De fato o UZ ao meu ver é um dos mais consistentes grupos do rock
progressivo da atualidade. Em um cenário que novas bandas surgem velhas
bandas agonizam ou voltam com seus aclamados ‘retornos’ para depois
cair na escuridão novamente o UZ continua firme e forte.
Porem você ouvinte não espere de Implosion, um disco abismal e
atordoante como visto antes nos primeiros discos da banda. Mesmo que
aqui seja sentida uma evolução aos trabalhos anteriores, esse é um
disco que apenas mantem as sonoridades exploradas pela banda na ultima
década. Implosion é o braço mais desenvolvido da banda nos últimos
tempos, me parece que esse braço foi treinado por Ceux Du Dehors e
Uzed. São os álbuns da primeira fase que eu consigo enquadrar melhor o
Implosion, mas, as principais influencias do disco são mesmo os discos
anteriores. A escrita musical de Denis parece ter se consumado de uma
maneira, e é nessa maneira que ele vai seguir até o fim presumo eu.
Seria interessante ver o UZ fazer um disco nos moldes do Heresie com
músicos muito mais maduros do que no distante segundo álbum da banda.
Alem do mais com os recursos tecnológicos de hoje, produção mais bem
feita alem de ótima gravação. Mas, sinceramente vejo isso como um fator
ilusório. Simplesmente pelo rumo tomado por Denis não só no UZ mais não
suas duas empreitadas solos, Vejo o mastermind
do UZ incapaz de produzir nos dias de hoje um “Heresie part 2”. Também
sinceramente não vejo o que teria de interessante em lançar 30 anos
depois um segundo Heresie, ou um disco nos mesmos moldes desse sendo
que a banda a muito se afastou desse caminho. Eu vejo isso até com
descrédito, sinceramente acho que se a banda hoje voltasse aquele
espírito dark chamber of prog rock,
seria desastroso. Se essa amadurecida orquestra de câmara, voltar a
talhar seus instrumentos em longas suítes e experimentações, grandes
devaneios e densas composições, no mínimo esse disco ficaria
pasteurizado enjoado e artificial. Duvido que os músicos se sentiriam
bem ao fazê-lo. Acredito que isso nunca passou pela cabeça do próprio,
que deseja acima de tudo deixar os mortos em paz. Isso fica bem claro
no Live que quase não tem músicas ‘das antigas’. Enfim deseja ouvir o
Implosion? Então ouça, mas não pense nesse disco encontrar nada da
primeira fase da banda, mesmo que seja o mais retro dos 4 discos
lançados pela banda na sua nova fase. Sobre essas condições, Implosion
se torna um disco excelente!
1. Suintement (Oozing): É a
introdução do álbum. Possui poucos mais de um minuto. Um interlúdio
sombrio, que dá todo o clima do álbum. Aqui a banda já mostra que o seu
novo álbum é bem dark e climático. A música é feita em cima de vários
sintetizadores com sons que te levam a uma atmosfera bastante
industrial e bastante introspectiva. Entre eles o barulho de uma linha
de trem, de maquinas industriais água, entre outras coisas. É uma
introdução para o álbum bem climática e interessante, porem é só uma
introdução, também para a próxima faixa.
2. Falling Rain Dance:
Implosion começa de fato! Essa eu considero uma das melhores músicas do
disco, talvez uma das mais representativas do álbum, visto que ganhou
um registro maravilhoso no “Live”. Começa com teclados para depois
bateria e baixo começarem o show. O fraseado principal da faixa nos
remete a sonoridades mais regionais, feito pelo violino, comenda toda
essa dança. Sim eu diria que Falling Rain Dance é um batuque bem
envolvente. Segue a mesma atmosfera de Xenantaya do The Hard Quest, ou
seja uma compasso do linha de bateria e baixo crescentes, sobre a
hipnose música criada pela banda. A música apesar de ter 4 minutos,
rompe a barreira de sua duração, mesclando sonoridades muito agradáveis
e interessantes. Do meio pro fim, surge piano e mais bateria enquanto o
fraseado principal da faixa continua a desenvolver de forma cativante.
Destaque também para o ativo baixo em toda a música. O desfecho
acontece com todos os instrumentos no seu auge, simplesmente parando,
levando consigo uma excelente música.
3. Partch’s X-Ray: Densa e
sombria, uma faixa realmente interessante. Após um começo intenso com
sinos e percussão aos 3 segundos a faixa se desmancha em múltiplos
sintetizadores. Porem ao se acalmar e novamente voltar, surge sobre um
batuque maligno acompanhado de muitos sintetizadores. Esse tema é bem
repetitivo porem envolve o ouvinte com seu mistério. O termo é simples
para definir essa faixa extraordinária do Implosion. Sua textura
extremamente futurista e alienígena não deixa o ouvinte relaxar em meio
as pancadas sintetizadas da faixa. Até hoje a faixa me impressiona pelo
seu enredo de ficção cientifica. A momentos mais lentos e refletivos,
que se justapõem aos temas mais rápidos e futuristas da música. O
encerrar da faixa se faz discretamente, lembrando inclusive o lento e
demorado desfecho da faixa Emmanations, peça essa presente no Uzed.
4. Rapt D’Abdallah: Essa faixa
de 3 minutos se opõe a pesada atmosfera da faixa anterior. Sua
atmosfera comedida, nos fazem lembrar alguns momentos dos álbuns
anteriores. A na faixa inclusive o destaque da percussão que nos faz
lembrar as sonoridades exploradas anteriormente no Rhytimix. A o uso
considerável de sopros e timbragens mais graves, enquanto
sintetizadores e percussão mostram o outro lado junto ao violino, o
lado mais agudo. Seu enceramento aprece do nada fica mais baixa e
simplesmente some. Boa faixa, mais prefiro as anteriores.
5. Miroirs (Mirrors): É uma das
muitas faixas do álbum que não passam de 1 minuto. Nessa ao encontrados
vários efeitos atmosféricos que podem insinuar arrancar medo do
ouvinte. Para logo depois a faixa ser tomada por estranhas batidas e se
encerrar. É apenas um intervalo entre as faixas 4 e 6, mais serve de
preparação para a faixa 6.
6. La Mort de Sophocle: A faixa
que mais e lembra o Heresie. Em especial e introdução da mítica Jack
The Ripper. Atmosfera densa, com muitos violinos um teclado que lembra
o hamonium usado na banda na época. Um piano silencioso faz as
cerimoniais mais chorosas e dramáticas. Dramático ai está o termo para
se definir essa lenta e introspectiva faixa. Teatral ao extremo, as
harmonias nela cativas, seja pelo piano ou pelo maravilhoso violino que
realmente nos remete aquele clima mórbido do clássico de 79. O tema que
eu disse evolui e se repete varias vezes, sempre voltando ao piano,
piano esse que encerra a faixa. É a única faixa que eu lamento ser tão
curta, poderia se desenvolver muito mais com uns 3 minutos a mais nisso
ai. Porem é uma das faixas que mais me entusiasma em Implosion.
7. Ectoplasme: Mais uma pequena
vinheta de 1 minuto. Essa repete as sonoridades alienígenas encontradas
em Partch’s X-Ray, aliais poderia ser uma música só, pois o tema
tratado parece o mesmo, e serviria bem de encerramento para Partch’s
X-Ray.
8. Temps Neufs: Uma das faixas
mais chapantes do álbum. Temps Neufs, tem uma linha demasiadamente
jazzista, bateria muito potente, e bem trabalhada. Toda a banda se
embala no seu ritmo, acelerado conduzido pela bateria. Na faixa existe
uma adição de trompete que comprova mais ainda a intenção jazzista da
música. Aliais a atuação do trompete nessa música é muito boa, assim
como do baixo e sintetizadores também estão presentes. A trechos em que
surge guitarras, mais tudo acontece mesmo nos excelentes arranjos de
trompete! Não sou muito fã do instrumento, mais aqui ele ficou
maravilhoso. A faixa não para a não ser parto dos 3 minutos que ela se
torna um pouco mais lenta, mais depois volta ao grandiosos tema do sue
inicio. Cada vez mais a banda se entrosa de uma maneira incrível nessa
faixa, a muita velocidade e competência em uma faixa riquíssima. Quer
situar a faixa? Devido a sua grande dinâmica sonora, eu a coloco no
mesmo patamar sonoro de The Fly Toxmen Land do álbum anterior,
principalmente pelo solo de trompete que rola no fim da música. Termina
se emendando com a próxima faixa.
9. Mellotronic: É uma
experiência sonora que como nome pode dizer contem muito mellotron.
Porem não é só a faixa conta com grandiosas passagens de violão
acústico e de bateria. Mais realmente o mellotron está antológico nessa
faixa. As experiências promovidas por Denis nesse teclado junto a um
petardo de percussão e violão. Dois instrumentos que nunca pareceram
muito na banda aqui encontraram espaço, o mellotron e o violão, são o
principal destaque dessa experiência musical. As comedidas marimbas
entre outras coisas que apelam mais para percussão completam o
conjunto. Um faixa muito bonita, e com um excelente momento de
mellotron no disco e na banda. Para quem é fã do instrumento vale a
pena ouvir essa música mesmo você sendo ou não fã do UZ.
10. Bactéria: outra faixa com 1
minuto. Repete um tema atmosférico da Miroirs, agora com outros efeitos
que parecem moscas voando para depois fazer um som macabro de muito
suspense. São só efeitos de sintetizador e a faixa logo acaba.
Introdução perfeita para a próxima faixa.
11. Out of Space 4: Apesar da
banda aclamar essa como uma das melhores faixas do disco eu não acho
nada demais. O começo lembra a Temps neufs, mais está bem superior. Out
of Space (não me pergunte o porque do 4), tem boas baterias e pianos
bem rápidos que me lembram a faixa Succes Dame do The Hard Quest. A
faixa tem boa harmonia e momentos interessantes, porem é superestimada
demais, isso não tira o valor da faixa, só da a ela um titulo que não
corresponde à realidade. Pelo menos para mim Implosion tem faixas
melhores que Out of Space para mostrar. Mais pro incrível que parece
Implosion é um daquelas álbuns que não tem música ruim, por tanto
continua a valer a pena, e muito.
12. First Short Dance: É um
mínimo intervalo de 42 segundos. Como sugere o nome “A Primeira Dança
Pequena”, é uma dança, bem anunciadora, possui um excelente arranjo de
violino e uma coisa bem medieval, alem de percussão. Só o UZ para fazer
algo bom em questão de segundos!
13. Second Short Dance: “A
Segunda Dança Pequena”, é a continuação da música anterior. Tão boa, e
curta quanto com 43 segundos, é um batuque com muita percussão
acompanhado por teclados entre eles mellotron e cravo. É, segundos bem
aproveitados!
14. Variations on Mellotronic’s Theme:
Como o nome diz é uma variação dos arranjos da Mellotronic. Varias
arranjos dessa música se repetem aqui. Mais aqui a adição do trompete e
de piano substitui o mellotron que pouco ou nada parece na faixa. A
também percussões e violino, fazendo uma melodia boa mas que poderia
ser a dispensável do álbum. Porem ao ver Implosion como uma grande
suíte essa é só uma repetição de um tema anterior. Boa faixa, era para
estar no Live mais não sobrou espaço para ela e cortaram a faixa
juntamente com outras duas faixas Dense e Presage.
15. A Rebours (In Revers): In
Revers, porque essa pequena faixa deveria encerrar o álbum depois da
maior faixa dele. Mas não ela faz a introdução para a maior faixa do
disco. A faixa tem quase 2 minutos perturba incomoda com suas
repetições e seus temas quase tribais abordados na música. Se a
intenção era fazer uma introdução, legal, se era encerrar o álbum, não
sei porque não o fizeram assim. Via entender
16. Meandres (Meanderings): A
ultima faixa de Implosion. Meandres, é mais um destaque desse trabalho,
não só pela sua duração, é a maior composição do disco com quase 10
minutos, mais também pela sua riqueza e boa composição que é. Chego a
dizer que essa faixa chega a se destacar como melhor faixa do álbum. A
faixa começa com uma harmonia desconjuntada, que pro incrível que
pareça em primeiro instante lembra a suíte Atom Heart Mother do Pink
Floyd
Mais acho que foi só impressão mesmo. Essa faixa carrega uma cosia dos
clássicos da banda como Malaise Combat e grandes similaridades com o
Uzed. A melodia segue estranha, mais com 1:42 ela deslancha de vez. Os
temas são caóticos bem diversificados, cada instrumento tem sua
independência dentro da música que de espaço a todos. Mais quando entra
o fagote a música parece voltar para os tempos clássicos da banda. Vou
falar viu excelente surpresa foi a minha ao ouvir passagens de fagote
tão inspiradas de Michel Berckmans, músico esse de muito respeito que
há muito tempo ficava apagado nas músicas do grupo. Aqui a faixa com
seu andamento atonal, que é de longe a faixa mais complexa do álbum, da
a Berckmans, a possibilidade de se expressar. Lá pelos 4 minutos rola
uma seção mais mediana a partir da qual a faixa via crescer até o
final, que lembra aquelas partes mais lentas do Ceux Du Dehors. Nessa
seção mediana a baixo piano e violino fazendo uma sonoridade
tipicamente Univerziarana!
Com um apelo mais sombrio e denso, realmente é um belíssimo trabalho.
Pelos 7 minutos pianos tenebrosos assombram a faixa, junto a bateria e
o fagote agora mais discreto que no começo da faixa. Essa parte já me
faz lembrar muito ou Heatwave ou Uzed. De qualquer jeito depois dos 7
minutos temos um dos melhores momentos do disco com passagens ricas
complexas indo diretamente a um crescente estonteante, onde todos
caminham a música para um final que promete ser cada vez mais
grandiosos. No final a faixa simplesmente some. Porem volta de uma
maneira mais densa lembrando seu começo com violino, ficando cada vez
mais baixo até sumir. O violino leva consigo a ultima faixa em estúdio
feita pelo UZ e a melhor faixa desse álbum também. Lembrando que a
faixa ganhou um registro no Live igualmente bom.
Com Implosion o UZ parece se despedir dos estúdios. Porem faço
votos para que depois do Live eles ainda coloquem novamente os pés no
estúdio, porque se a formular do The Hard Quest foi suficientemente bem
explorada nos álbuns seguintes, a nova formula do Implosion também
deveria ser experimentada em outros álbuns. Nutro esperanças que a
banda volte a gravar um novo disco de estúdio.
Gabriel Schmitt.
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