Daniel
Denis - bateria,
percussão, teclados, harmónio. Michel
Berckmans - fagote, oboé, trompa inglesa,
canto. Eric Plantain - baixo eléctrico.
Bart Quartier - marimba, carrilhão.
Convidados:
Christophe Pons - guitarra acústica
(f.1,3,5) Aurelia Boven - violoncelo
(f.1,5,9) Bart Maris - trompete
(f.6,10,12) Dirk Descheemaeker -
clarinete baixo (f.7) Ariane de Bievre -
flauta, flautim (f.2) Louison Renault
- acórdião (f.1)
Faixas:
01.
Terres Noires [6:06]
02. Rêve Cyclique [5:53]
03. Rouages: Second Rotation [3:38]
04. The Invisible Light* [3:09]
05. Phobia [5:31]
06. Zorgh March [3:23]
07. Zébulon [2:19]
08. Forêt Inviolée* [2:19]
09. Shangaï's Digital Talks* [4:48]
10. Emotions Galactiques [5:47]
11. Waiting for the Sun* [3:16]
12. The Fly-Toxmen's Land [4:50]
13. Rêve Cyclique [0:50]
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Univers Zero - Rhythmix (2002)
Com uma carreira desenvolvida ao longo de quase
três décadas, os Univers Zero constituem hoje
uma das mais sólidas instituições do rock
progressivo. A excelência musical que este grupo
belga tem patenteado em todas as suas produções
discográficas acaba por funcionar, para os
entusiastas da sua obra, como garantia de
qualidade sempre que é anunciada uma nova
criação do colectivo.
Rhythmix, o mais recente álbum dos Univers Zero,
lançado a 7 de Maio pela Cuneiform Records, foi
recebido com enorme interesse pelos seguidores
da banda, quando ainda decorriam as gravações do
mesmo, em Outubro do ano passado.
Tamanha expectativa, alimentada também pela
própria escassez de realizações do grupo - o
último disco, apareceu em 1999, após um jejum de
mais de uma dúzia de anos -, não foi defraudada,
uma vez que, numa primeira audição, Rhythmix
surge, pelo menos aos ouvidos do escriba que
esta recensão assina, como um prolongamento de
The Hard Quest, o álbum que o precedeu.
Neste novo trabalho, mantém-se o excelente nível
da escrita musical do multi-instrumentista
Daniel Denis, que assina quase todo o álbum, com
excepção de três das treze composições que o
integram, nas quais, tal como acontecia já em
The Hard Quest, conta com a colaboração de
Michel Berckmans. A complexidade, a sofisticação
das peças, continua a emanar de uma engenhosa
combinação da música clássica do século XX, as
influências de Bella Bartok e Igor Stravinsky
encontram-se bem patentes, com elementos
provindos do jazz e do rock, como sempre
constitui a imagem de marca dos Univers Zero:
constantes alterações de ritmo, multiplicidade
dos temas, dissonâncias e contraponto.
Todavia a escrita denisiana dos anos mais
recentes, dos dois últimos álbuns portanto,
contrasta pelo seu estilo suave e redondo com a
fase sonoramente mais violenta e obscura, e, no
dizer de alguns, também mais arrojada, dos
discos das décadas de 70 e 80 - precisamente num
tempo em que a banda ainda se não tinha tornado
num projecto pessoal de Denis e este partilhava
responsabilidades compositivas com Roger Trigaux
ou Andy Kirk.
A suavidade dessa fase recente manifesta-se
paradigmaticamente em Rouages: Second Rotation.
Esta peça, que retoma uma outra homónima,
Rouages, publicada em The Hard Questt, evoca
sonoramente um ambiente de revolução industrial,
de pesadas máquinas, movidas a vapor e com
grandes rodas dentadas. Todavia a aspereza desse
período perde-se nas neblinas do próprio vapor e
na inserção romântica de melodias ao gosto
medievo-renascentista.
Não se pense porém que, por Rhythmix se filiar
no actual "dolce stilo" de Denis, ele constitui
um repositório de música soporífera. Nada de
mais errado. O álbum não permite que o ouvinte
adormeça, pois exige dele uma atitude activa na
descodificação da sua complexidade, ao mesmo
tempo que o incomoda com momentos de grande
dinâmica como em The Fly-Toxmen's Land.
Relativamente a The Hard Quest, Rhythmix também
apresenta algumas diferenças, sendo as
principais de ordem tímbrica. A discreta
presença do violoncelo de Aurelia Boven em três
peças somente, numa delas em "pizzicato" até,
não faz esquecer o relevante papel antes
atribuído ao violino. Esse papel cabe agora às
percussões de Bart Quartier, especialmente à sua
marimba. Os teclados acústicos, o piano
sobretudo, perderam em importância para os que
reproduzam amostras sintetizadas,
qualificando-se agora Denis como o seu exclusivo
executante. Novidade absoluta na instrumentação
de obras dos Univers Zero serão o trompete,
executado em três composições por Bart Maris, e
a flauta, que aparece tocada por Ariane de
Bievre em uma peça apenas. Finalmente
registem-se as colaborações de Eric Plantain no
baixo, de Christophe Pons na guitarra acústica e
de o inevitável Dirk Descheemaeker, que neste
álbum limita a sua execução no clarinete baixo a
uma única faixa.
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