Bélgica,
1984.
Músicos:
Daniel
Denis: Bateria,
Percussão & Sintetizador.
Dirck
Descheemaeker: Saxofone
Soprando & Clarineta.
Christian
Genet: Baixo
& Guitarra.
André
Mergen: Cello,
Alto Saxofone & Voz.
Jean-Luc
Plouvier: Piano
Acústico/Eletrico, Sintetizador, Strings &
Percussão
Michel
Delory: Guitarra.
Marc
Verbist:
Violino.
Faixas:
1.
Présage (9:48)
2.
L'Etrange Mixture du Docteur Schwartz (3:52)
3.
Célesta (For Cantal) (6:55)
4.
Parade (6:57)
5.
Emanations (15:43)
Tempo
Total: 43:14
Todas
as composições por Daniel Denis.
Gravado Em: Setembro & Outubro De
1.984, por Didier de Roos nos Estúdios Daylight,
Bélgica.
Mixado
Por: Univers
Zero & Didier de Roos.
Capa
por: Guy
Denis.
Subgênero: R.I.O/Avant Prog.
|
Univers
Zero
Uzed
Dados da resenha:
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aqui.
Para pessoas que eventualmente não conhecem a obra do Univers Zero
“UZ’, esse pode ser um dos seus melhores exemplos, de álbuns
introdutórios. O som da banda é difícil de ser apreciado de primeira,
mais Uzed 1.984 parece ao meu ver, uma das alternativas, mais sadias, e
com maiores chances de sucesso.
Este é o primeiro disco totalmente inédito lançado pela banda desde
Ceux Du Dehors 1.980 (visto que o Crawling Wind, é um EP, com alguns
incrementos ao vivo em sua versão em CD). Bem o que dizer... Esse disco
mostra que mesmo com o fim da dita ‘fase clássica’ do grupo que abranje
os três primeiros discos a banda continua a manter uma excelente linha
de lançamentos. Em “Uzed” o grupo prova isso. As composições, todas de
autoria de Denis, são riquíssimas como de costume cheias de climas
sombrios bateria muito bem trabalhada, como bem manda o perfil do UZ.
Comparando com o Ceux Du Dehors, o álbum está alguns pontinhos abaixo.
Aqui em minha opinião começa a parecer que Denis domina todos os outros
músicos. O álbum não conta com a presença de Andy Kirk o que torna mais
evidente esse ‘domínio’ de Denis com o UZ. Lembrando que Kirk voltaria
no álbum seguinte “Heatwave”, fazendo um belo trabalho com a banda. Ao
contrario do que poderia se afirmar esse disco está abaixo dos
anteriores? NÃO. Esse álbum é tão magistral quanto um Ceux Du Dehors,
um Heresie. Sossegado entre os melhores do UZ. Isso de cair o nível
musical não aconteceu aqui, porque de uma maneira ou outra, o UZ sempre
foi de Denis, mesmo que em álbuns anteriores ele viesse a dividir o
trabalho de composição das músicas com Andy Kirk ou Roger Trigaux nos
primeiros discos. Em minha opinião esse disco é bem superior ao
posterior “Heatwave”, no sentido de ser melhor mesmo! O álbum
logicamente surpreende o ouvinte! Eu devo agradecer a um confrade amigo
nosso aqui do Sound Chaser por me presentear com essa maravilha
musical. O brigado Bruno “Preto”.
Dito sobre a parte de composição, vamos agora para a
instrumentação. Os timbres clássicos nesse álbum diminuíram bastante se
comparados aos anteriores. A um destaque maior em baixo, bateria e
piano, enquanto outras coisas que marcaram o perfil do UZ em outros
trabalhos como sopros e violino ficam em segundo plano. E visível à
mudança de timbres nesse álbum! Pela primeira vez na história da banda,
foram colocados saxofone e a guitarra aqui chegar a ter destaque, tendo
algumas das passagens de gloria de instrumento coisa que pouco se vê na
banda, inclusive na época de Roger Trigaux. A um nome no disco que
parece querer se destacar, Dirck Descheemaeker (sax, clarineta), faz
uma contribuição brilhante para banda nesse período, em Uzed fica clara
a atuação desse músico. O único por menor do disco fica sendo a
ausência de Andy Kirk (teclados), no álbum. Não tanto pela parte
instrumental, pois Jean-Luc Plouvier, apesar de ter um estilo diferente
do de Kirk, não faz feio. A ausência de Kirk pode ser sentida
principalmente na parte das composições. Kirk mostrou ter um estilo de
composição único e peculiar, que fez a coisas que estão entre os
melhores momentos da banda como “Combat” do disco Ceux Du Dehors. Não
digo que as composições de Denis sejam inferiores, mais a contribuição
de Kirk nesse álbum, só faria ele crescer mais ainda. Talvez crescesse
a um ponto perigoso para quem sabe, superar a tríade inicial da banda.
Será? Lembrando que essa pergunta pode ser respondida (em parte),
ouvindo o álbum posterior “Heatwave” 1.986, com Andy Kirk, que parecem
ter tentado junto com Daniel Denis continuar a mesma formula de Uzed,
porem sem a mesma repercussão.
Estamos em 1.984 e não existe em meu conceito musical época mais
famigerada para que qualquer coisa musical que prestasse surgisse. Essa
que era a época do balão mágico da Madona, da onda Pop 80 que corrompeu
com a música. Realmente 80 comparada com 70, é um dos maiores pastelões
musicais que existe! E não é que nessa época vamos dizer ‘ruim’, para a
música o UZ oriundo de algum lugar da Bélgica lança um torpedo sonoro
chamado Uzed! Esses caras devem ser amaldiçoados porque mesmo depois
dos sônicos 1313, Heresie e Ceux Du Dehors, lançam isso. É muito bom,
ver que mesmo depois de conhecer quase tudo de uma banda, ouvir um
trabalho de nível tão elevado quanto esse.
1. Présage: É difícil! É muito
difícil definir a melhor música nesse disco. Afinal todas as faixas
estão em um nível elevadíssimo, e todas são muito boas. Porem se é para
dar o veredicto final, a faixa de abertura “Presage”, juntamente com o
encerramento do disco em “Emanations” fazem o pelotão de frente do
álbum! Não a maneira melhor de começar a descobrir a complexidade
elaborada em Uzed, que se deixar levar pelo clima dessa excelente
música. Presage e longa com 10 minutos e prende o ouvinte a sua
atmosfera de suspense. Com o seu magistral piano do inicio aliado aos
sopros de sax fazem o manto meditativo para logo depois a música ser
tomada por muita velocidade. A música tem vários trechos introspectivos
junto a trechos de bastante velocidade. A algumas repetições de um tema
de piano que parece ser a central da faixa. Lá para 2 a 3 minutos a
preste a atenção no trabalho do sax e do piano. E veja como ela se
desenvolve, veja a dança mórbida que ela se transforma com os arranjos
chorosos do violino. A fúria de um sax que parece querer dominar toda a
banda. Você vê como ela pode ser furiosa, ou pode ser bastante leve.
Mais o que predomina na faixa é mesmo o ótimo desempenho da banda.
Presage é uma música que pode relaxar o ouvinte, mais ela relaxa
estranhamente, porque é preciso atenção para ela. Lá pros 7 minutos a
música cansa de ter velocidade, e entra em um nato ritualista, com uma
excelente atuação do piano. É melodia bem jazzista, porem isso dura
pouco. Um baixo poderoso se manifesta na música, novamente levando a
faixa aos céus. Porem o céu do UZ é muito caótico e de difícil
compreensão. Com isso nos momentos finais você tem a impressão que a
música não ira caber na sua duração de 9:48, os músicos tocam como se
não quisessem parar mais. Porem a faixa acaba no tempo estabelecido,
sem mais alardes se encerra. Assim é Presage, assim Uzed nos seus 43
minutos de duração conduz você por excelentes músicas.
2. L'Etrange Mixture du Docteur Schwartz:
A segunda faixa é a menor música do álbum, com menos de 4 minutos. Mais
a segunda faixa pode ser uma das mais curiosas do trabalho. Um longo
titulo para uma faixa bem curta. Ao olhar o titulo você vê a palavra
“Docteur”, isso não te lembra nada? Não ira te lembrar a distante
Decteur Petiot, do primeiro disco da banda “1313” 1.977. Pois é,
lembrou? Isso por alguns foi considerada falta de criatividade dos
músicos da banda, para o nome de suas composições. Mais e daí,
infelizmente não domino o idioma francês para dar uma tradução literal
para esse titulo nessa resenha, mais creio que a faixa deve estar
relacionada algum conceito, mais isso não vem ao caso. Só por
curiosidade, essa faixa teria alguma semelhança com a faixa do primeiro
disco? Bem acho que não, apesar das suas terem um considerável trabalho
de pianos e sintetizadores. A faixa musicalmente apesar de curta,
transite seu recado. Belo trabalho de piano na introdução, é uma
melodia bem nos moldes do UZ. Lembra um pouco músicas como Tonjours
Plus A Rest do Crawling Wind, talvez pela intenção jazzista, ou até
mesmo uma peça curta e experimental nos mesmos moldes de uma Bonjour
Chez Vouz do álbum Ceux Du Dehors, quebrada repetitiva e rápida. Lá
pelos 2 minutos e 40, a música entra em um outro tema somente com
piano. Mais veja que o piano aqui é MUITO parecido com o de um trecho
de The Funeral Plain do álbum posterior Heatwave. É impressão minha ou
realmente aparecem murmúrios e ruídos no fundo dessa faixa, acho que
tem alguma coisa no estilo sim. É a faixa some, quando você espera ela
voltar você olha no aparelho e vê que já se passaram os 4 minutos de
sua duração e se encerra. Boa faixa, não decepciona, mas Uzed ainda tem
muito a mostrar.
3. Célesta (For Cantal): E esse
mas, você nem vai precisar esperar. Porque ele vem logo em seguida, na
terceira faixa. A espetacular Célesta for cantal. Está apesar de ter
duração intermediaria no disco com 7 minutos, arrasa. Talvez uma das
músicas mais digeríveis desse álbum. Para quem não conhece de primeira
pode gostar muito dessa. Um momento de simplicidade (mesmo que muito
duvidosa ao gosto de cada um), genial! Celesta começa clama, com uma
clarineta sombria e um piano melancólico. A música é bastante
depressiva. Essa tem uma intenção mais erudita. Principalmente o
violino em um dos seus momentos de maior presença em todo o disco. Mais
realmente o piano é um destaque, nessa emotiva composição. Aqui Denis
mostra que pode fazer belas peças melancólicas, sem perder a identidade
do álbum. Pelo contrario Celesta, cai como uma luva na proposta de
Uzed. Em toda a sua duração a faixa tem uma melancolia obscura, calma
em toda a sua duração, se diferencia muito de experimental música
anterior. Celesta revela a outra fase de Uzed. A nível erudito a faixa
pode não ser nada, mais não a como negar, que a faixa tem uma forte
cadencia clássica. É praticamente um piano e outros instrumento ao
fundo. Mais, ta bom que o UZ ia passar uma música inteira sem dar um
susto no ouvinte. Esse susto se releva aos 5 minutos, quando a faixa
passar a ter um andamento marcial, e bastante industrial. A uma
guitarra extremamente distorcida, mostra uma habilidade incrível do UZ,
em fazer climas pesados. Assim se vai pelos 2 finais da faixa até ela
ficando mais baixa se encerrando. Com ela se encerra uma das melhores
faixas do álbum com certeza.
4. Parade: Aqui começa o lado
dois em discos de vinil, como sugerido na capa do disco. “Parade”, me
parece ser a música mais experimental de todo o álbum. Está no mesmo
patamar da “L'Etrange Mixture...”, Porem aqui as coisas de desenvolvem
mais a faixa tem quase o dobro da duração, e se diferencia de todas as
outras faixas do álbum. Até aqui Uzed seguia um padrão que parecia mais
ou menos estabelecido, mais com Parade, esse padrão parecer não querer
dizer nada. Seria essa faixa desconexa? Não porque se for “L’Etrange
Mixture...”, varias passagens em “Presage” e em “Emanations”, também
são. Pó o UZ é uma banda de vanguarda que tem que ter experimentalismo,
não deixar o álbum cair em uma rotina que você ouviu uma faixa e todas
as outras são iguais. Por causa disso, essa faixa cai perfeitamente bem
no conceito do álbum. A faixa é bem bizarra. Destacasse principalmente
o trabalho de percussão de Denis, a vários momentos comedidos na faixa.
Porem isso me parece uma comedia muito estranha para querer rir. Na
verdade a faixa tem uma tendência a um lado até circense, mais na
verdade é bem complexa. Não a como negar Denis está muito bem nessa
aqui. Porem a atmosfera de comedia (falsa), se deve ao piano e aos
sintetizadores. A vários tema com poucas repetições. A um momento aos 3
minutos que a música parece se converter em uma marcha, com aspiraçãoes
de agressividade comedida. Pó tem até um apito nessa parte! Aos 4
minutos a mais sintetizadores e violino ao fundo. A bateria de Denis
está bem nervosa, mais mostra muita elegância, até mesmo na hora de
quebrar tudo. Putz, o que é isso? Mais ou menos nos 5 minutos a faixa
se torna muito bizarra, lembrando um pouco o Art Zoyd. Vários
sintetizadores, coisas caindo uma melodia hipnótica e repetitiva. Eu
achei bastante estranho quando ouvi pela primeira vez, mais gostei
hehehehe. “Parade” se encerra repetindo com algumas variações o mesmo
tema do seu inicio. Enfim, excelente música
5. Emanations: É a maior faixa
do álbum com quase 16 minutos de duração. Essa música está com certeza
entre as melhores peças da banda. Realmente uma bela música. Como
diriam por ai: Aqui a casa cai! Como de costume o UZ faz questão de
encerrar um disco, que está entre os mais equilibrados da sua carreira,
como eu disse é difícil eleger a melhor, mais essa deve estar entre as
melhores. Com um ritual hipnótico, clima bastante sombrio feche seus
olhos e deixe essa música te levar, por uma estrada surrealista......
Emanations, começa apenas com um teclado climático, um piano
silencioso, e assim o suspense se forma. Não chego a 1 minuto de música
gente espera ai. Quando chega uma nota de piano solitária vai lá do
fundo, e surge do nada crescendo por si mesmo. E a bateria de Densi da
a arrancada. Que belo tema que se segue, ouvimos a forte presença do
baixo, junto à bateria e ao piano. Tem uam partes que aspiram até ser
um pouco cósmicas. Mais tudo se acalma, logo a música assume uma
daquelas conhecidas posturas do UZ mesclando climas sombrios que mexem
com o nosso subconsciente. Tem alguns momentos que podem ser encarados
como jazzistas. Mais a vários temas e principalmente um crescente
sombrio. Nisso o baixo acha seu lugar ao sol, com sua melhor passagem
em todo o disco. Porem a música sempre volta a um tema de Denis na
bateria, para quando retornar voltar diferente. Engraçado é essa música
lembra bem o estilo do álbum posterior Heatwave. Em especial a faixa
Bruit Dans Lês Murs, só que essa do Uzed é muito melhor. Aos 6 minutos
parece um barulho que lembra aquela parte bizarra de Parade. Aqui é
mais fácil identificar o que é o barulho. Parece duas espadas se
raspando, envoltos por uma atmosfera bastante industrial. Isso logo é
substituído, mais uma vez pela bateria e a música volta ao seu
andamento normal com aquela levada sombria. Aqui agora aprece um baixo
bastante inspirado reproduzindo alguns temas da música. Denis faz uma
marcha assim dos dois levam a música por algum tempo. Mais não a como
destacar a presença marcante do baixo. A faixa vai ficando cada vez
mais sombria e fechada, dando certa claustrofobia no ouvinte. Porem o
que acontece é que a partir de agora Emanations começa e literalmente
emanar todas as suas forças indo triunfante para uma grande estrada
real. Realmente uma belíssima passagem. Observe o piano o a aparição do
baixo, a excelente bateria de Denis. Tudo se encaixa muito bem, para
constituir um todo de excelente música! A música ao atingir o seu ápice
vai estranhamente para um final tenebroso. Portas se fechando um
repetido sintetizador industrial, fazem uma atmosfera de sombria. Esse
desfecho demora muito uns 3 minutos para encerrar a faixa. Você fica
esperando a faixa novamente voltar triunfante para dia sim se encerrar,
mais não é isso que acontece, e a mórbida atmosfera te envolve nos seus
minutos finais, lembrando mais uma vez o álbum posterior no final da
música “The Funeral Plain”. Ótimo assim você pode voltar a sua doce
realidade o pesadelo acabou.
Com “Emanations” se encerra o disco Uzed, um excelente trabalho de
uma banda igualmente brilhante que em pleno o auge da década de 80 onde
muitos se perderam na tentativa de adaptar o seu som a exigências de
mercado, o UZ continuou firme no que sempre fez. Assim mesmo em discos
recentes como “Implosion” e “Live”, a trupe de Daniel Denis mostra que
soube fazer muito bem a sua lição de casa, sempre com ótimos músicos e
lançamentos sempre coerentes.
Gabriel Schmitt.
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