John Wetton - baixo, voz
Eddie Jobson - violino, teclados
Allan Holdsworth - guitarras
Bill Bruford - bateria, percussão


Faixas:
1. In the Dead of Night (Jobson, Wetton) - 5:38
2. By the Light of Day (Jobson, Wetton) - 4:32
3. Presto Vivace and Reprise (Jobson, Wetton) - 2:58
4. Thirty Years (Wetton. Jobson. Bruford) - 8:09
5. Alaska (Jobson) - 4:45
6. Time To Kill (Jobson. Wetton. Bruford) - 4:55
7. Nevermore (Holdsworth, Jobson, Wetton) - 8:09
8. Mental Medication (Holdworth, Bruford, Jobson) - 7:31


UK  - UK (1978)

Por guitarzeus

Virtuosismo é a palavra que mais apropriadamente pode definir o UK. Formado por músicos talentosos e já consagrados dentro do rock progressivo, este grupo lançou apenas dois álbuns de estúdio e um ao vivo mas que renderam extensivas turnês pela Europa, América do Norte e Asia, além de vários bootlegs. Apesar de ser uma superbanda, eu não vejo qualquer apelo comercial neste disco, muito pelo contrário.

A técnica refinada e incomparável da guitarra fusion de Allan Holdsworth, a estelar performance de Eddie Jobson, a aveludada voz e o elegante contrabaixo de John Wetton junto com a bateria de Bill Bruford são capazes de dar vazão a temas altamente intrincados e complexos como possivelmente nunca antes tenha sido feito na história do rock, tudo isso aliado a excelentes composições.

Segundo algumas fontes, a idéia de formar o UK surgiu quando John Wetton e Bill Bruford - ambos saídos do King Crimson - juntamente com Rick Wakeman, se reuniram durante seis meses e mantiveram contato trocando informações. Músicas como Thirty Years e Belzebub (do disco Feels Good To Me de Bruford) são atribuídas a esse período. Problemas com a gravadora impediu que Wakeman prosseguisse, foi quando Eddie Jobson e Holdsworth foram convidados.

In the Dead of Night (tocada no compasso 5/8) é minha favorita, a mais conhecida, tem um forte apelo e certamente figuraria entre as grandes músicas já feitas na história do progressivo. Além desta, minhas favoritas são a atmosfera densa e viajante obtida na sequência de Alaska e Time to Kill (com que a banda costumava abrir seus shows), além de By the Light of Day e Presto Vivace and Reprise onde os destaques são a bateria de Bruford e Jobson usando sintetizadores CS80.

Bons momentos também se encontram em Thirty Years e Nevermore. Em determinados instantes é difícil acreditar que Bruford, Jobson e Holdsworth possam criar melodias, harmonias, ritmos e solos tão "impossíveis" quanto os que são ouvidos.

Mental Medication traz a assinatura de Holdsworth e difere completamente das demais por dissonâncias que a tornam etérea, desprovida de emoção e sem sentido que também marcam a fase mais fraca da carreira solo deste genial guitarrista. O problema é que ele parecia querer tornar música em matemática!

Lamentavelmente Bruford e Holdsworth foram demitidos por pressão da gravadora após este álbum atendendo a uma direcionamento mais comercial. Isso é perfeitamente compreendido no momento em que se observa que as tendências progressivas de Wetton e Jobson e as jazzisticas de Bruford e principalmente Holdsworth criam uma grande tensão dispersando muito do potencial da banda e este UK não soa coeso como deveria. Além disso, o único senão deste álbum é que a produção e mixagem poderiam ser melhores pois dá um ar de fragilidade a algumas canções.

Certamente um clássico, este não é um disco de fácil audição. Quem aprecia música mais acessível deve manter alguma distância, mas é essencial e indispensável na discoteca de quem aprecia progressivo, fusion e virtuosismo em boas doses.

Marcus