
Inglaterra, 1976.
Peter Hammill:
Vocal, Guitarra, Piano
Hugh Banton: Órgão, Baixo, Guitarra
David Jackson: Saxofone, Flauta
Guy Evans: Bateria, Percussão
1. Pilgrims 7:12
2. Still Life7:24
3. La Rossa 9:52
4. My Room (Waiting for Wonderland) 8:02
5. Childlike Faith in Childhood's End 12:24
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Van der Graaf
Generator
Still Life
Dados da resenha:
Autor:
Rodrigo
Guabiraba (Guabiraba);
recebida em:
25/04/04.
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Após a "retirada" de 3
anos para carreira solo de Hammill e a volta
triunfante em "GoodBluff", de 75, o Van Der
Graaf Generator (VDGG) entrou novamente em
estúdio em 1976 para gravar um álbum sólido,
extremamente rico em letras, e recheado de
órgãos e saxofones como de praxe. Neste momento
Hammill já se destacava como um dos grandes
vocalistas de rock de todos os tempos. Teatral,
emotivo e muito criativo, Hammill encantava e
puxava a massa apreciadora de progressivo de
vanguarda para se aventurar pelo som bastante
polido e cabeça do VDGG. É inegável que discos
como Pawn Hearts e H to Who..., ambos do início
da década de 70, foram álbuns chave para o
progressivo a ser gravado no decorrer da decada,
mas a parada no meio dos anos 70, no auge do
sucesso, querendo ou não, deu uma esfriada na
carreira do VDGG. Não tenho duvidas que a
intenção possa ter sido essa. Sem discutir os
méritos da parada (estratégica ou não) nem a
filosofia de vida de Hammill e sua visão do que
é rock'n roll, o que vale é discutir a
discografia desta banda muito autêntica e
cativante.
O VDGG não contava com músicos virtuosos,
solistas graduadíssimos ou figuras
aberrantemente excêntricas. A banda era
econômica, fazia progressivo limpo, com acordes
repetitivos baseados em saxofone, baixo e órgão,
que serviam de apoio para a voz doce e ao mesmo
tempo agressiva de Hammill. Afinado, Hammill
transparecia o conteúdo altamente rico de suas
letras com variações sutis, quase dramáticas, de
sua voz, incluindo suspiros, gritos, e belos
graves. O progressivo do VDGG ia do épico, com
pelo menos 5 variações e 20 minutos de duração
(como em Pawn Hearts) ao dramático-romântico com
4 a 5 minutos (House with no Door, do H to Who...).
Tudo com excelência instrumental, entrosamento
nota 10, cozinha competente e surpreendentes
melodias que ficam aderidas ao cérebro por
alguns bons anos... A formação que gravou Still
Life é a clássica, e se desfaria no album
seguinte. Os músicos estavam perdendo o fio da
meada, Hammill já apontava para outra direção, e
o que vimos foi basicamente um album solo.
Mas de qualquer forma, em 76, Hammill, Banton,
Jackson e Evans se juntaram em estúdio, vindos
da boa turnê do GoodBluff (casas lotadas, boa
recepção da crítica, apesar da mudança para um
progressivo mais seco, menos experimental, como
no início da década) e gravaram o belo Still
Life.
O álbum é mais suave que o GoodBluff, e também
menos experimental e ousado que Pawn Hearts.
Tudo, diria eu, fazia parte de um amadurecimento
natural. Para muitos, Still Life é mais maduro e
melhor álbum que GoodBluff. Ambos se assemelham
em instrumental e marcação rítimica básica, mas
aponto para o melhor conteúdo das letras em
Still Life.
Still Life abre com Pilgrims. Faixa memorável,
clássico eterno da banda. Bela letra, lindos
acordes iniciais ao órgão, onde a voz suave de
Hammill delicadamente encanta o ouvinte. Jackson
acrescenta belo sax ao fundo, e a musica evolui
basicamente com o órgão, bateria e a voz de
Hammill. Mais que suficiente. A melodia cresce
em um tema grandioso e realmente, como um bom
amante de progressivo, tenho vontade chorar.
Clássico. A simplicidade dos arranjos, somente
os quatro instrumentos básicos, que acompanharão
o ouvinte através do album, se completam
estupidamente bem. Progressivo limpo, simples e
emocionante.
Still Life, faixa-título, traz um tema pesado na
letra, e Hammill transmite uma melancolia
escancarada em cada frase. O órgão de Banton
parece chorar ao fundo. Um tema mais agressivo
irrompe a melancolia e traz um órgão rançoso
acompahnado por riffs de sax e uma voz
ironico-agressiva de Hammill. Cozinha forte,
bateria marcada, rouca. Bela faixa novamente.
Outro clássico.
La Rossa é um longo tema, mais uma vez Hammill
inicia a faixa com vocais dramático-teatrais. O
clima é mais misterioso que anteriormente.
Baixo, bateria, órgão e sax brincam ao fundo e
os vocais agressivos e irônicos de Hammill
passeiam por letras de cunho filosófico bastante
profundos. A faixa segue em uma marcação
envolvente por alguns minutos. Há algumas
paradas, quebras de ritmo afiadas e bons riffs
de sax e flauta. Ponto para Jackson e Banton,
excelentes instrumentistas. Uma das faixas mais
complexas até o momento. Excelente.
My Room (Waiting for Wonderland) fala de
solidão, e a voz melancólica de Hammill é a
melhor escolha para a letra. A melodia é
simplesmente deliciosa. Belo e memorável tema de
sax, lindos solos durante a faixa. Um piano base
tocado por Hammill serve de tapete para as
delicadas incursões de Jackson e do restante da
banda. Há um repetição do tema, que parece
crescer na cabeça do ouvinte a cada audição.
Suave e instigante, uma faixa para relaxar. Está
entre as mais conhecidas da banda.
Childlike Faith in Childhood's End encerra o
album como uma bela pancada na cabeça. Longa e
repleta de belos temas, do início ao fim. O riff
central é grandioso e prova mais uma vez que, ao
gravar Still Life, Hammill e cia. estavam 100% e
o fim do VDGG talvez nunca tenha se justificado
realmente. Letristicamente a faixa é perfeita,
como todo o album. Jackson brinca com a flauta e
com o sax em diversos trechos, contribuindo para
o que talvez seja a faixa mais rica e dinâmica
do album, apesar de um pouco menos acessível que
as duas primeiras.
Still Life é parada obrigatória para quem curte
progressivo da segunda metade dos anos 70. Seco
e econômico, mas extremamente bem arranjado e
executado. Para quem não conhece VDDG, comece
por Pawn Hearts ou H to Who... Se achá-los em
demasia inacessíveis (e podem parecer em um
primeiro momento), tente o GoodBluff e mesmo o
Still Life. Vale dar uma parada também na
carreira solo de Hammill e tentar prestar
atençao em cada verso deste grande letrista do
rock.
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