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Elias
Mizrahi - Teclados, violão e Vocal. Gustavo
Schroeter - Bateria, percussão e
backing-vocal. Lincon
Bittencourt - Contra-baixo e backing-vocal.
Participação - Marcelo Sussekind Guitarra base e
solo
( 3ª e 7ª faixa )
Faixas:
01 -
Coisa Linda (3:03)
02 - O Poeta (3:21)
03 - Veludiando (7:08)
04 - A música que vem do céu (4:29)
05 - Império Romano (5:21)
06 - Cigania (3:37)
07 - La Sonata Claríssima (5:37)
08 - Come to me (2:30)
09 - Teu Foco (2:30)
10 - Portas do céu (6:38)
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Veludo
- A Re-Volta (2002) Por
Cavalo
Alado
Trata-se
do primeiro e único registro oficial, até aqui,
em estudio dessa lendária banda, que volta a
compor e se apresentar novamente, trazendo o
melhor do progressivo em momentos de profunda
inspiração.
Para se entender o lançamento se faz necessario
um 'revival', pois a história da banda carioca
Veludo surgida no inicio anos 70 é tão obscura
quanto a qualquer outra banda surgida naquela época
como Modulo 1000, A Bolha, Vímana , Peso e
Scaladacida. Éra um tempo onde a juventude queria
ir alem do Tropicalismo, que era mais acessivel, e
beber das fontes importadas de bandas que fora
estavam em constante acensão, como Yes, ELP e
King Crimson. Enquanto no Brasil, os unicos grupos
que tinha um certo reconhecimento como Mutantes e
Terço só se apresentavam mais pelo interior do
estado, havia tambem outros que ganhavam muito
dinheiro cantando em Ingles e se apresentando em
TV e nas capitais como o Pholhas e Menphis
seguindo a linha de Morris Albert (cantor de
Fellings).
Em contrapartida a esses fatos surgiria em 1974, o
Veludo, sobre a liderança do tecladisda e
compositor Elias Mizrahi, tinha ainda em sua formação
o guitar-hero Paulo de Castro e o ex-Bolha,
considerado por muitos como o melhor baterista
carioca, Gustavo Schoeter (que depois tocaria na
Cor do Som) e no baixo Pedro Jaguaribe. Antes
disso se chamava Veludo Eletrico, e chegou a ter
entre seus integrantes Lulu Santos e Fernando Gama
(que sairam para formar o lendário Vímana ), Rui
Motta, Tulio Mourao e Luciano Alvez (que passaram
pelos Mutantes liderado por Serginho Dias).
Fernando Gama integraria depois o Boca Livre,
Tulio Mourão tocaria com Milton Nascimento entre
outros, e Luciano Alvez nos primeiros discos de
Pepeu Gomes e lecionar teclado.
O som do grupo nessa época era basicamente
calcado no hard-rock, talvez com toques de Deep
Purple, e muito improvisado, embora muitas vezes
parecer que estão tocando tão alucinados que irão
se perder no meio dos temas. Natural, pois o
Veludo Eletrico fez muitos shows pela Rio de
Janeiro tocando Rolling Stones, mas a proposta do
agora "Veludo" ja se destanciava ja
bastante da original. Contudo, a fama da banda se
espalhava com enorme repercurção, diversas eram
as dificuldades naqueles anos (1974-1975) , pois
nenhuma gravadora estava disposta a leva-los para
o estudio e investir como teve Mutantes e Terço e
quase tiveram o Vímana, já que o som do Veludo
éra muito mais experimental. Alias, de
experimental no Brasil, só o Hermeto Pascoal
conseguiu alguma coisa, mesmo assim teve que sair
do pais.
Por causa disso, alguns fãs levavam gravadores
para as apresentações afim de obter registros em
que pude-sem ser ouvidos na hora em que bem
entender e assim, anos depois, no início dos anos
90, surge o disco 'Veludo ao Vivo (1975)' gravado
no projeto Banana Progressiva impulsionado pelo
multimidia Nelson Motta, fruto dessa atitude
inusitada, onde um fã teve a coragem de prensar
2000 cópias e assim, prestar sua valiosa
contribuição para a história do rock nacional.
Apesar da baixa qualidade técnica da gravação -
o que é perfeitamente compreensivel. (veja
resenha deste disco aqui site).
Bom, tanto rodeio foi necessario para explicar o
que se segue:
Esse lançamento estimulou os remanecentes,
principalmente Elias Mizrahi, a voltar a cena e
ver no que dava, este chamou Gustavo Schroeter,
outro ex-Veludo, e o baixista Lincoln Bittencourt,
ex-integrante d'A Bolha para voltarem a gravar
material novo, mesmo depois de um 'terço de século'
(!!). Num estudio no bairro do Botafogo, entre
madrugadas adentro, durante meses a fio, e que
originou inspirações suficientes para gravar até
mesmo um 'album triplo' !. Ao saber disso, um fã,
Claudio Britto, amigo do Veludo, decidiu produzir
e lançar o material . Ainda teve a participação
do tambem produtor Marcelo Sussekind na guitarra
(ex-Erva Doce).
O Titulo 'A-Revolta', externa tudo o que Elias
gostaria de dizer, um desabafo, diante as
dificuldades de um lançamento da banda, que
curiosamente (ou ironicamente !), talvez se não
fosse por boas atitudes de fãs, jamais teriam
trabalhos com acesso ao grande publico.
Basicamente, o som dos teclados é que dita as
regras, mas isso não chega a fazer do disco algo
'sufocante' nem 'pastoso', muito pelo contrario,
é um disco legitimamente de rock progressivo
nacional, como poucos, com elementos que vai do
classíco a´la Mozart´a Emerson, Lake and Palmer
sem soar tipo 'forçando a barra' , ouvindo
atentamente, nota-se a preocupação com a
sinceridade em manter um formato, um conjunto de
musicas que se interligam, mas com elementos únicos
em cada uma delas.
'Coisa linda' - É uma canção para cima, algo
como quem está comemorando, feliz da vida, é o
que sente Elias cantando firme e se fazendo
contente envolvido com o som, o instrumental é
conciso e bem entrosado como todo o disco. Poderia
entrar perfeitamente no repertório do grupo
"A Cor do Som".
'O Poeta' - A letra fala sobre o medo do futuro,
desilusão, algo sobre os finais dos tempos, sobre
o medo da bomba de Hidrogenio detonar, '....O
poeta está sofrendo por não ter com que
sonhar....'. Ótimos teclados estilos John Lord
(com um timbre parecido com o usado no classíco
Burn !).
'Veludiando' - É um tema instrumental,
sintetizado, com uma bateria empolgante, que faz
qualquer um bater os pés no chão, a linha
melodica da guitarra não compromete, mas não é
o ponto forte da musica, o baixo é discreto.
Novamente, Elias mostra roubar a cena com seu
teclado virtuoso como poucos no Brasil.
'A música que vem do céu' - A letra não chega
agradar logo de cara, mas a medida em vai chegando
em seu final o ouvinte acaba se envolvendo com
ela, como diz a letra '... sinta a musica que vem
do ceu...' .
'Império Romano' - Ótimo início, o que leva o
ouvinte associar o som com as musicas do disco
Tarkus do ELP. Dá vontade de ouvir ao vivo, é
sem sombra de duvida um dos melhores momentos do
disco. Viagem progressiva em poltrona especial !!
'Cigania' - Esta musica parece ter sido escrito
para um disco da banda A Barca do sol tamanho a
caracteristica do som dos instrumentos. ouve-se
violões, algo tipo castanholas, alem é claro de
teclado que parece simular um arranjo de cordas.
'La Sonata Claríssima' - Começa com uma
sequencia de acordes menores que modulam para uma
guitarra gritante, que lógo depois, fica mais
interessante quando quando sómente o teclado e a
bateria vão levando a canção. Mais para o
final, a guitarra acaba entrando bem no assunto da
conversa. Ótimo tema instrumental .
'Come to me' - Uníca com letra em ingles. Esse
som é totalmente Marilion.
'Teu Foco' - Pequeno e belo tema, gravado sem
bateria.
'Portas do céu' - Fecha o disco com uma viagem
sonora, em sua maioria é um tema reflexivo, mas
com surpreendentes surpresas durante sua audição.
Mostrando o poder que uma super-banda substimada
é capaz de fazer. |