Ritchie, Voz, Flauta Transversal e Percussão. Luiz Paulo, Teclados Fender 88, Sintetizadores Mini-Moog, Piano Acustico. Lulu Santos, Guitarra Fender e Rickenbacker 366 de 12 cordas. Fernando Gama, Contrabaixo e violão. Lobão, Bateria.


Faixas:
1. Zebra (lado A)

2. Masquerade (lado B)


Vimana  - Zebra (Compacto) (1977)

Por Cavalo Alado

O Vimana foi formado em 1974, no Rio de janeiro, Brasil, oriunda de outras bandas como: Modulo 1000 (Do qual sairam Luiz Paulo Simas (Teclados) e Candinho (Bateria) e Veludo, antes Veludo Eletrico, (Do qual sairam Lulu Santos (Guitarra/Vocal) e Fernando Gama (Baixo). Em sua segunda formacao, em 1976, sai Candinho e entra Lobao (bateria), e Richard Court (Ritchie), flautista ingles, recem demitido da Barca do sol.

Em 1977, como processo de teste, (a instalação do primeiro estúdio Level de 24 canais do Brasil, que era equipamentos do recém-fundado estúdio da SOM LIVRE) a banda conseguiu gravar um LP inteiro, a convite de Guto Graça Mello, que viu um show no Teatro Thereza Raquel. No entanto, ele nunca foi lançado, "Apesar das masters estarem em algum lugar, nao se sabe onde ate hoje" . O Disco chegou a ser tocado numa entrevista para a Radio Fluminense em 1977, numa entrevista com a banda. (Em pretexto oficial a gravadora disse que não lançaria, pois não haveria publico para o disco. !!").

O disco original (inedito) gravado continha as seguintes musicas:
SPEEDWAY, DAS PEDRAS, PERGUNTAS, CADA VEZ, THE SECRET GARDEN,ON THE ROCK,CALVARY, MASQUERADE e ZEBRA. Todas composicoes propria e influenciadas pelo disco, Close to the Edge do Yes.


Deste disco, a gravadora optou por lançar somente um compacto como carro chefe. O compacto ficou sendo o único registro oficial. As Musicas : Zebra (Lulu/Ritchie/Lobao) e Masquerade (Simas/Ritchie). Recentemente, foi lançado numa coletanea do Lulu Santos, chamada E-Collection. Na época, foi mal divulgado e mal lançado e com alguns erros de mixagem. Estima-se ter vendido no máximo 2000 cópias, naquele ano.
Ouve tambem um atraso no lançamento do compacto. A intenção éra distribuir uma cópia para cada pessoa do publico, num show na MAN, que estava lotado, segundo Paulo Simas, ex-tecladista, que ainda disse em entrevista que o compacto nao mostra nem 10% do que o grupo era capaz de fazer.


Mesmo sendo dificil avaliar o Vimana somente pelo compacto, ainda se pode ouvir um show com a primeira formacao tocando a musica PERGUNTAS no show do Hollywood Rock em 75, onde se pode ter uma ideia de como eram os shows.

Apesar de ZEBRA ser a musica que da nome ao compacto, ela nao chega ter quase nada de progressivo, se compararmos com outras bandas da epoca no Brasil (Mutantes, Casa das Maquinas e Terco). Nem mesmo com a que ficou de fora do compacto, a musica PERGUNTAS (Que tinha um sintetizador no inicio da musica e improvisos baseados em alguns momentos de Keith Emerson, apesar do vocal de Lulu nao ser boa escolha para a musica, dai a entrada de Ritchie depois !). Essa musica so foi escolhida para dar nome ao compacto pelo fato de ser mais comercial que as outras e de facil acesso ao publico, segundo quiz a gravadora.

ZEBRA é um Funk em 3 por 4, swingada, com o vocal de Ritchie as vezes gritante e em outras mais suave, dividindo com o backing vocal de Fernando Gama (hoje do Boca Livre) e Lulu Santos. No final ha um improviso de teclado de Luiz Paulo fazendo um fraseado melodico que se mistura as escalas pentatonicas de Lulu na sua guitarra que nunca foi virtuosas em materia de solos. (O que fez Patrick Moraz (Yes e Mobby Blues) querer a saida dele na banda, depois que este se auto intitulou lider da banda sendo que o lider era o proprio Lulu.) A Bateria de Lobao que na epoca tinha apenas 18 anos, mas estudava violao classico, é competente e se sai bem apesar da producao desta faixa nao ser das melhores de Gutto Graca Mello. O repertorio do grupo misturava musicas em ingles com portugues. Pelo fato de ZEBRA ser em portugues, nao tem como nao perceber que o sotaque do ingles Ritchie, a pouco tempo no Brasil, ainda não era tão perfeito mas quase não se nota este fato. Inclusive sua insistencia em querer cantar no grupo anterior ao Vimana a Barca do Sol (Liderada por Jaques Morelembau) que era um grupo totalmente centrado cancoes liricas e poeticas, fez com que sua demissao fosse certa. A letra da musica tambem não sugere nada que chame atenção em especial, talmes por isso o compacto na epoca tenha vendido apenas 5000 copias (!!)....... 'Queimo e perco em menos que segundos, Jogo tudo na batalha, eu pago p'ra curtir........Canto e danço ao ritmo da lua,Eu não vou ficar no inferno, ninguem vai me ouvir.´


Ja em MASQUERADE, a coisa toma outra dimensão e mostra o lado mais forte do grupo que na verdade ficou perdido junto com o disco inedito, ´arrojado e inspirado´. Começa com um improviso de teclado classico, a ´la Mozart para anunciar o vocal de Ritchie que esta para chegar, junto com os outros instrumenos simultaneamente. A musica é cantada em ingles e possui momentos de uma breve pausa que dá um realce diferenciado e que chama atenção durante a canção. Possui um andamento médio, e em alguns momentos Ritchie canta tão suave e agudo que lembra um vocal feminino mas logo retorna ao seu tom. O contrabaixo se destaca mais nesta canção, mas o grã-finale, quando Ritchie improvisa na Flauta valoriza a musica de uma maneira em que quando terminamos de ouvi-la, temos um amarga decepção de infelismente não poder ouvir mais coisas deles.


Marco Lima
31.07.03