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Ricardo
Soulé - guitarra, voz.
Willie Quiroga - baixo, voz. Rubén
Basoalto - bateria. Jorge Carlos
Godoy - guitarra, voz.
Faixas:
1.
Introducción
2. Génesis
3. Moises
4. Las Guerras
5. Profecías
6. Libros Sapienciales
7. Cristo (Nacimiento)
8. Cristo (Muerte y Resurrección)
9. Apocalipsis
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Vox Dei - La Biblia (1971) Por
guitarzeus
Vox Dei iniciou por volta de 1967 no subúrbio de
Quilmes, Buenos Aires, como uma banda típica de rock
e blues com traços do psicodelismo vigente na época,
cantando em inglês, logo passou a cantar apenas em
espanhol e após alguns singles gravou um disco com o
sugestivo nome de "Caliente", formando uma pequena
legião de fiéis seguidores mas sem maior
repercussão.
O ano era 1970, os argentinos do Vox Dei
experimentavam, ainda que de forma bastante tímida
com uma obra conceitual contendo elementos de
orquestra e música clássica neste que seria o ápice
na carreira da banda, com ênfase no hard rock,
psicodelismo, influências de The Who, acrescendo a
isso um pouco do modelo que o Deep Purple em faixas
como Hallelujah e do Concerto for Group and
Orchestra. La Biblia tem traços do prog italiano,
mas não acredito que tivesse qualquer relação com a
obra-prima que o também argentino Luis Bacalov
idealizara na Itália, na mesma época, com o
'Concerto Grosso Per I New Trolls' mesclando rock e
música barroca.
A intenção do Vox Dei e o formato nem de longe se
assemelham a um concerto, a orquestração se faz
presente em poucas músicas, mas serve para ressaltar
uma obra inovadora e arrojada principalmente para o
que se poderia esperar do rock latino-americano no
início dos anos 70, um dos protagonistas a formar os
alicerces do rock e progressivo argentino.
La Biblia, como o nome sugere, é um disco conceitual
que narra com motivos próprios algumas passagens
interessantes da Obra Sacra, sendo que a poesia
contida nas letras de Ricardo Soulé é muito bela e
inspirada, mas um tema que causaria algum
desconforto em uma nação predominantemente católica
que respiraria ares de ditadura e repressão
(1976-1983). Mesmo assim, teve as letras revisadas
pelo bispado argentino, que acabou inclusive
recomendado o disco.
La Biblia teve grande êxito e foi apreciado por
público e crítica que o saudaram com entusiasmo e
mesmo grandiloquência em algumas publicações.
Destaque para a introdução da orquestra com fagote,
violinos, percussão, além das faixas
Genesis,
Moises (que
abre com um belíssimo coro, vozes sobrepostas em
uníssono para depois atingir um clima épico),
Libros Sapienciales
(nos moldes do The Who), a ênfase na orquestração em
Cristo (Nacimiento)
e a emotiva Cristo
(Muerte y Resurrección), além da
'hendrixiana'
Apocalipsis.
Logo após La Biblia, Godoy partiu para carreira
solo. Vox Dei se manteve forte no cenário argentino
até o ano de 1976 gravando vários discos nesse
período, teve sobrevida até o ano de 1981, mudanças
de formação e conflitos judiciais em torno do nome
acabaram por enfraquecer a música e a vitalidade da
banda que resultaria em várias pausas, reuniões e
separações, deixando-a ativa ainda que no
ostracismo, ficando mais conhecida apenas como a
'lendária' banda que gravou La Biblia.
La Biblia teve ainda uma produção em 1974 de Billy
Bond com participação da Ensemble Musical de Buenos
Aires e de músicos ilustres como Charly Garcia mas
sem a participação de integrantes do Vox Dei, além
de uma gravação ao vivo de 1986 (La Biblia según Vox
Dei) e em 1998 foi recentemente regravada pelos trio
remanescente de Soulé, Quiroga e Basoalto com
participação de Andrés Calamaro, Fito Páez e
Alejandro Lerner.
fontes:
Vox Dei - Site oficial
La Historia del Rock Argentino
Arquivos do
Clarín Digital
Marcus
27/01/2003
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