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Peter Hammill - vocais, guitarras e piano.
Hugh Banton - teclados, piano e vocais de apoio.
Guy Evans - bateria e percussão. David Jackson - saxofones e flautas.
Faixas:
1. The Undercover Man
2. Scorched Earth
3. Arrow
4. The Sleepwalkers
Tempo
total: 35:51
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Van
Der Graaf Generator
- Godbluff (1975)
Por f
Primeiro álbum
após a obra-prima "Pawns Hearts",
"Godbluff" traz um Van Der Graaf
reformulado após um período no qual Peter
Hammill se dedicou com mais empenho em sua
carreira solo que por definição trata de temas
mais pessoais; talvez por isto mesmo, este álbum
conceitual volta ao questionamento filosófico que
marca as letras do VdGG. Desta vez o tema central
das parábolas sci-fi de Hammill é a eterna busca
humana por uma "verdade divina"...sempre
com muita ironia, sarcasmo e metáforas, marcas do
poeta, a inicar pelo próprio título do álbum.
A sonoridade desta nova banda porém traz muitas
diferenças das proposta anteriores deles. Menos
solos, o que dá ao som um senso de conjunto muito
grande, com alguns momentos em que se sobrepõem
os maravilhosos fraseados de Hugh Banton e os
solos marcantes de David Jackson. Músicas mais
diretas e com mais raiva, que encaixam
perfeitamente com os vocais mais que expressivos
de Hammill. Guy Evans prossegue ótimo mantendo os
climas sem sobressair-se. As passagens dissonantes
ainda estão lá, o que aumenta a criação de
climas de desconforto, exatamente a perfeita
trilha para o que está se tentando passar ao
longo dos quase quarenta minutos do cedê.
O disco produzido na crueza já característica
deles segue a linha lo-fi o que pode levar os mais
perfeccionistas a reclamarem de má equalização,
etc...porém, esta falta de esmero deixa mais
evidente ainda a capacidade dos músicos de
transmitirem seus sentimentos, ainda mais
lembrando que esta banda reformulada gravou o
disco com apenas quatro meses juntos.
The
Undercover Man [7:00]
(Hammill)
Da monotonia cíclica de uma mesma nota da flauta
de Jackson contrapondo o órgão de Banton surge a
voz de Hammill para numa melodia belíssima quase
que declamar suas dúvidas. A bateria marca o
tempo precisamente com algumas incursões caóticas
apenas..Para num momento magestral a banda inteira
entrar música adentro e o você se ver perdido
entre os mais diversos temas que se sobrepõem. Ou
talvez no meio do diálogo de Hammill com o
espelho, o seu "Homem Disfarçado".
Quando cessa a letra, você se vê num momento de
solo, onde o saxofone melancólico contrasta com o
"baixo"agressivo. Após, a poesia, num
momento raro, retorna com otimismo e esperança na
busca humana. Finalizando, a voz de Hammill cede
espaço a um solo ainda mais emocionante de
Jackson, desta vez em consonância com o órgão
de Banton.
Scorched
Earth [10:10]
(Hammill/Jackson)
A música mais "Desconfortável" do
disco fala dos resultados da busca inconsequente
pelas neuroses humanas, e de agir sem questionar.
É possível perceber alguns trechos melódicos
bem semelhantes aos de Arrow, o que faz um certo
jogo de trocadilho das letras entre as músicas.
Os vocais triplicados, já conhecidos da banda se
mostram e desta vez ainda mais confusos, o que
para uns pode soar estranho...mas exatamente este
estranhamento é o que confere a eles o seu mérito.
Durante o solo de órgão de Banton, a bateria de
Evans, numa de suas batidas caóticas supera-se.
Para finalizar, a música acalma, num clima pacífico
para depois voltar à dissonância e concluir num
eco de microfonia como não poderia deixar de ser
para encaixar com a frieza do último verso.
Arrow
[8:15]
(Hammill)
Flecha de acordo com o próprio Hammill é
"a... eterna necessidade humana de buscar
metas...". A música começa com um trecho de
improviso maravilhoso da banda que conclui
inesperadamente, para a entrada de um dos temas
mais marcantes do roque progressivo e neste clima
soturno a música segue até a entrada gritante de
Hammill que nesta música mostra porque é um dos
maiores vocalistas de todos os tempos no
roque..fala duma "busca insana na qual até o
motivo dela é esquecido". Até que amúsica
entra num crescendo, com a bateria de Evans em
rufos, o baixo pulsando para toda a banda
explodir..."ARROW" ele grita com agonia,
raiva, angústia e um amontoado de sentimentos que
chegam a dar arrepios o clima alterna para uma
maior crueza. Um pequeno solo de Jackson aparece
para pôr mais angústia nos relatos da música
."Quão estranho meu corpo me é, empalado
nesta flecha" logo antes de mais um solo
maravilhoso que se segue até a intensidade da música
baixar a zero e terminar.
The
Sleepwalkers [10.26]
(Hammill)
Rasgando a música começa com o definitivo solo
de progressivo de Banton, entram o vocal de
Hammill concluindo sua pequena fábula a falar de
sonâmbulos que passam a vida sem se questionar e
dos outros sonâmbulos que questionam, todos
fadados a, sem tempo, morrer sem saber o porquê
de sua condição. Na entrada do segundo verso
quando entram o saxofone e a bateria, a música
toma vida de verdade. Há então, uma parada, no mínimo
inusitada mais dançante, quase cômica que depois
se torna angustiada e cheia de raiva. A música
entra depois num momento de melancolia para cair
num tema de sonho do órgão de Banton que na
ciclicidade hipnotiza o ouvinte. Depois a música
retorna a um solo de sax que dá corpo ao som com
um duelo consigo mesmo em overdub. Ao retornar,
Hammill se encarrega de pôr ainda mais raiva ao
seu relato anti-alienação. Para explodir e
tornar ao tema do sonho de banton e neste clima onírico,
a dúvida prossegue quanto aos questionamentos
propostos, como sempre se vê nos trabalhos da
banda que se nega a vender ideologias.
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