
Jon
Anderson - vocais.
Peter Banks - guitarra, vocais de apoio.
Bill Bruford - baterias. Chris Squire
- baixo, vocais de apoio. Tony Kaye -
teclados, órgão. Tony Cox - arranjos
de orquestra.
Faixas:
1. No
opportunity necessary, no experience - 4:45
2. Then - 5:40
3. Everydays - 6:01
4. Sweet dreams - 3:45
5. The prophet - 6:31
6. Clear Days - 2:08
7. Astral traveller - 5:50
8. Time and a word - 4:30
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Yes - Time and a Word (1970)
Por
Steve Hillage
Depois do lançamento do album de estréia "Yes"
(1.969) que não teve muita aceitação por parte
do público e da crítica a banda não desiste e
começa nos fins de 1.969 e entrando em pleno ano
de 1.970 para tentativa de um outro segundo
trabalho que seria entitulado como "Time and a
word" e sairia na metade daquele ano. Vale
lembrar que ainda nos fins de 1.970 o Yes
iniciaria sua primeira troca de integrantes
sendo o virtuosissimo Steve Howe ocupando o
lugar de Peter Banks na obra "The Yes album" que
sairia no ano de 1.971, mas ai são outras
estórias. Naquele ano de 1.970 o rock passava
também em algums fatos que repercutiram muito
como as mortes do guitarrista Jimi Hendrix e a
cantora de blues Janis Joplin. Miles Davis
também gravaria uma obra muito importante que
aproximava o conceito jazz junto ao genero rock
em "Bitches Brew", o que fez com a banda Soft
Machine aderisse ao fusion a partir do
fabulosissimo album "Third". A era "Tropicália"
no Brasil era fortissíma naquele ano contra a
ditadura militar e o Brasil para a felicidade
dos brasileiros se tornaria tri-campeão mundial
da Copa do Mundo. Veja que alguns fatos desses
foram tomados em conta neste ano no cenário
cultural musical, mas e o Yes que tem a ver com
isso tudo? Muito !!!! Naquela época o mundo de
modo geral passava por um confronto que no final
dos anos 60 até a metade dos anos 70 seria
noticiado mundo afora, e era a Guerra do Vietnã.
Esse segundo trabalho teve como a idéia básica
retratar de maneira geral a paz, o amor, a
harmonia, a união em redor do ser humano, a
esperança. Mas desta vez seria elaborado de uma
maneira diferente, muito mais melódico, mais
elaborado e mais construtivo. Aqui neste caso, o
Yes deixa de ser aquela banda que ainda parecia
"perdida" no album anterior sobre qual caminho
iria tomar em relação ao que competia o rock. Em
"Time and a word" embora apenas um "pinguinho"
perdida, mas praticamente já tomada como
decidida no que fariam no album posterior e que
o mais incrível é que parece que a banda, o
público e a crítica de modo geral induz que no
decorrer do tempo não dar muito valor a esse
trabalho pelo menos aparentemente ao vivo, passa
uma leve impressão de que é um trabalho ignorado
e esquecido. Por que? Observe a discografia da
banda: de maneira geral só a faixa título é
tocada nos shows. Foi só no ano de 1.998 é que o
Yes lançou um trabalho muito interessante que
abrangia os dois primeiros albums de shows
feitos entres os anos de 1.969-1.970 com a
primeira formação em "Beyond and before" (mas
para muitos não passa de uma coletânea de
versões ao vivo) e aproximadamente 31 anos após
"Time and a word", em "Magnification" (2.001)
sai um trabalho muito parecido no mesmo conceito
deste que é o caso aqui envolvendo orquestra e
conjunto embora com a formação já diferente mas
com dois membros fundadores do Yes; Jon Anderson
e Chris Squire. A grande maioria dos fãs do Yes
certas vezes nem citam este trabalho como o
favorito em suas discotecas, mas evidente que é
uma questão muito pessoal. O propósito era
combinar a música clássica com o rock em algumas
partes de jazz em desenvolver e expandir a
sonoridade da banda por meio de cordas através
de um instrumento como o melotrom, mas a
sugestão não foi muito aceita por Tony Kaye que
preferia o uso de seus órgãos que já adquiria e
por também não se enquadrar muito neste
desenvolvimento, ou entre outras palavras
acompanhar o trabalho como um todo e o jeito foi
então convidar uma orquestra para acompanhá-los
com Tony Cox sendo o responsável pelos arranjos
da orquestra. Pode parecer um tanto estranho
essa combinação para muitos mas veja que o
Genesis também do gênero de rp estreiou no "From
Genesis to revelation" (1.969) (mesmo ano que o
Yes gravava seu primeiro album) com arranjos de
orquestras. O The Nice, liderado por Keith
Emerson, do Emerson, Lake & Palmer já tinha
experimentado também a tendência que foi
comprovada em "Five bridges" (1.970) e o The
Moody Blues em "Days of future passed" (1.967)
(talvez a primeira banda de rp a iniciar esta
experiência). O mais ainda engraçado é que o
Genesis no caso no album posterior "Trespass"
também lançado em 1.970 provavelmente já definia
que rumo iriam tomar. Mas tudo isso são apenas
detalhes...Em "Time and a word" tem um excelente
nível de som quanto do primeiro agradando aos
ouvidos das pessoas, claro que para quem não
conhece ou quem também conhece deve ter muita
dedicação e atenção para ouvi-lo pois existe uma
sincronia muito perfeita com a orquestra feito
com muito esforço e a banda devido a forma de
como os arranjos de orquestra foram muito bem
elaborados sem nenhum compasso do tempo
desperdiçado e é possível que este trabalho
induziu o Yes se enquadrar no gênero sinfônico,
prova disto seria a crescente criatividade que a
banda empregou posteriormente em albums como
"Fragile" (1.971) e "Close to the edge" (1.972).
Foi o trabalho já citado anteriormente que
contribuiu também com a saída de Peter Banks por
ter ficado insatisfeito com a aparição da sua
guitarra que foi posto em segundo plano, mas
existem também argumentações de que a banda o
expulsou por estar totalmente desinteressado com
a gravação do mesmo e demonstrando preguiça em
exagero. No ponto de vista de Banks até que é
verdade pois além dele "competir" com o baixo de
Squire, tem também que "competir" cruelmente com
os arranjos da orquestra o que as vezes
dificulta ouvir o ruído de seus instrumentos no
decorrer das faixas. O próximo passo de Banks
seria numa banda chamada "Flash" onde gravaria
em 1.971 o primeiro trabalho juntamente com Tony
Kaye (Kaye deveria estar se aproximando de seu
momento máximo em sua carreira com a
apresentação deste album, veja como ele se
entende muito bem com a orquestra) que mais
tarde tambem seria expulso da banda após "The
Yes album" sendo substituido pelo ilustríssimo
Christopher Richard Wakeman. Existem rumores de
que Peter Banks faria um show na turne do album
"Union" (1.991), sendo o qual seria barrado por
Steve Howe, sendo este desconhecendo o fato na
ocasião. Coincidentemente no album anterior
apresentava duas faixas covers e este também
apresenta a mesma quantidade sendo uma de Richie
Havens e outra de Stephen Stills (do "Crosby,
Stills & Nash"). É um trabalho que foi produzido
por Tony Colton com o auxílio de Eddie Offord (o
mesmo que auxiliaria no mesmo ano o album de
estreia do Emerson, Lake & Palmer) e saiu com
duas capas diferentes sendo a primeira com uma
mulher nua deitada sem mostrar o rosto com o
corpo parece que saindo de um comodo de alguma
casa e no fundo com o peito esquerdo formando um
elemento de paisagem lembrando uma pequena
montanha. Essa mesma mulher apareceria desenhada
pelo artista plástico que mais tardar a banda
contrataria, o Roger Dean, e estaria estampada
na coletânea "Yesterdays" (1.975) que inclusive
estão presentes 4 faixas de "Time and a word",
ou seja metade do album. A capa da outra edição
deste trabalho, americana por sinal, é um pouco
polêmica que poderia causar alguma informação
errada até mesmo para aqueles que gostam do Yes
e especialmente daqueles que ainda não conhecem
bem a banda, pois foi editada a foto da banda
com o guitarrista Steve Howe e este não
participa especificamente deste trabalho já que
Howe já fazia parte da banda quando foi lançado
"Time and a word" nos Estados Unidos. Uma
atitude muito anti-ética e desrespeitosa para
com Peter Banks que provavelmente não deve ter
gostado nem um pouco e infelizmente para o
artista neste caso tem que "engolir" essa
postura posta naqueles que se envolveram na
elaboração desta capa.
"No opportunity necessary, no experience needed"
- A primeira faixa e também cover de Richie
Havens inicia com a entrada de Kaye no órgão e
posteriormente entra a orquestra que vai se
mantendo em arranjos quando é interrompido
subitamente pelo baixo de Squire entrando as
primeiras batidas da bateria de Brufford e Kaye
coodernando junto com Squire os arranjos a
medida que Anderson vai citando as letras nos 2
refrões. Geralmente a guitarra de Banks dá
poucas aparições e só aparenta na parte musical
solo, vindo posteriormente o solo da orquestra
retornando ao tema inicial que é feito o
terceiro refrão e terminando a faixa. Possui
também vocais de apoio bem apresentaveis de
Chris Squire.
"Then" - é uma faixa razoavelmente complexa.
Inicia-se bem calmamente com o volume do Hammond
de Kaye aumentando que vai surgindo intensas
rápidas batidas de caixa na bateria de Brufford
até que entra o vocal de Anderson junto no meio
desse ritmo de batidas de Brufford com arranjos
de Kaye junto da orquestra que Squire também
acompanha e Anderson vai fazendo a faixa se
tornando crescente a medida que vai fazendo os
dois refrões e a guitarra de Banks se apresenta
muito pouco também nestes refrões, quando entra
outro tema com toques acelerados de Squire sendo
acompanhados por Brufford, a orquestra e o
teclado de Kaye, Banks também tem pouca aparição
neste tema com arranjos muito tímidos e simples.
Observe como Kaye demonstra muito entusiasmo
nestas partes instrumentais da faixa. Quando
retornam ao último refrão junto com Anderson
todos os integrantes estão sincronizados numa
tranquilidade muito grande em alguns curtíssimos
momentos Banks faz alguns "choros" em sua
guitarra e quando Anderson termina de citar a
letra total da faixa é finalizada pela
instrumentação da orquestra.
"Everydays" - é a outra faixa "cover" composta
por Stephen Stills num estilo de melodia Buffalo
Springfield e meio até jazzistica em boa parte
da faixa, muito bem elaborada e bem explorada
sem desapontamento para os ouvintes. Vários
arranjos de orquestra lembram um pouco do
clascissista Igor Stravinsky. Inicia muito
calmamente e tranquilamente com toques de baixo
de Squire e alguns acordes de Kaye q vão
acompanhando os vocais de Anderson nos dois
refrões quando no final do segundo Brufford
começa a surgir com o ritmo da bateria que
estava numa tranquilidade absoluta nestes dois
refrões e vai acelerando seus passos crescendo
relativamente lembrando uma mesma sonoridade que
possui na minuscula faixa "five per cent for
nothing" composta por ele próprio do album
"Fragile" (1.971) e é onde se encontra um ritmo
bem free-jazz e o tema instrumental da faixa que
no acompanhamento de Brufford vem Squire, Kaye e
Banks que só neste momento que é perceptivel os
sons do guitarrista com boa execução solo que
inclusive toca um trechinho do barroquista John
Sebastian Bach em "Jesus, alegria dos homens"
quando retornam ao terceiro refrão novamente
calmos e tranquilos com as linhas suaves que
iniciaram a faixa até que Anderson termina de
citar os vocais e Brufford volta a fazer o mesmo
ritmo que daria inicio a parte instrumental da
faixa onde se enquadra o free-jazz da faixa
encerrando de vez a música.
"Sweet dreams" - é uma das faixas também
composta por David Foster e até então colega de
Jon Anderson nos tempos do "Warriors" bem antes
do Yes surgir. É de uma melodia muito simples e
agradavel e que ainda é tocada nas rádios numa
alta harmonia elaborada em conjunto da banda e
chegou a fazer parte no repertório do Yes até o
lançamento do album "Relayer" (1.975) e
retornando na turne de "Anderson, Brufford,
Wakeman, Howe" em 1.989. Inicia com simples
acordes de guitarra de Banks, entrando Squire
com baixo e Brufford na bateria e Kaye vai
surgindo inclusive acompanhando os vocais de
Anderson quando termina os 2 refrões numa
melodia até que meio crescente junto ao coro de
vozes de Squire e Banks. É possível observar
alguns acordes em piano de Kaye sendo executados
que posteriormente serão feitos os mesmos
acordes por Banks. Veja como ao longo da faixa
Squire se encaixa com o ritmo de Brufford
especialmente no bumbo da bateria ao longo da
faixa. Detalhe: a orquestra não está presente
nesta faixa.
"The prophet" - é a maior faixa do album com
aproximadamente 6:30 de duração e a única
inclusive que tem como participação Chris Squire
como um dos membros da banda na elaboração da
faixa já que a maioria é composta por Jon
Anderson excluindo as duas faixas "covers". Por
incrível que pareça mas timidamente contém
elementos minúsculos que anteciparia o Yes nas
gravações do album "Tales from topographic
oceans" (1.974), só na parte da entrada do órgão
de Kaye já é uma prova disto e o curioso é que
esta parte introdutória da música não tem nada
que sonorize o restante da faixa a partir do
momento que Anderson faz os vocais. Observe com
muita atenção como soa um pouco essa faixa no
tema da "Vila Sésamo" (Sesame Street). Iniciam
numa parte introdutória onde Kaye faz um solo
com seu Hammond acompanhado pela orquestra que
aos poucos vai ficando crescente e
posteriormente entra junto a guitarra de Banks
junto com o Baixo de Squire e as baterias de
Brufford que se sintonizam em alguns instantes
em ritmo de marcha. Posteriormente ficam numa
melodia muito suave com os vocais de Anderson
que vai coordenando a faixa em conjunto tambem
com a orquestra e que em alguns trechos até soam
num ritmo rythym blues.
"Clear days" - é uma pequena balada com
aproximadamente 2 minutos de duração e portanto
a menor faixa do album. Comporta mais
praticamente a orquestra com cordas do início na
música inteirinha, além do piano de Kaye e
obviamente o vocal de Anderson. Na realidade
este tipo de trabalho já tinha sido explorado
por Anderson no album anterior na faixa
"Yesterday and today", mas sem orquestra. A
banda brasileira "Ira" também explorou algo
muito parecido como esta faixa em "Flores em
você" mas ai é outro assunto. A melodia em si é
muito calma, tranquila e suave de modo geral. A
pergunta é feita: aonde estava Chris Squire,
Bill Brufford e Peter Banks (que a esta altura
deve ter muita razão que suas guitarras foram
"desprezadas" neste album)?
"Astral traveller" - um grande momento do album
e é possível que é a única faixa que percebe-se
melhor o envolvimento de Banks na guitarra,
sendo que até no momento o guitarrista parece
estar mesmo "esquecido" no trabalho, tanto que
Banks deve ter uma simpatia tão enorme com esta
faixa que ela foi regravada 25 anos depois num
tributo para o Yes em "Tales from yesterdays"
(1.995) junto com o músico Robert Berry que
também participou ao lado de Keith Emerson e
Carl Palmer (ambos do ELP) numa banda chamada
"3" (Three). Essa boa presença de Banks deve ser
pelo fato de que a orquestra está ausente neste
caso, nesta faixa e justamente por isso que o
guitarrista não desperdiçou segundo algum na
faixa. Começa com arranjos da guitarra de Banks
que vão se tornando crescente com o
acompanhamento do restante dos músicos até que
em determinadas ocasiões Brufford os interrompe
com diversas batidas nas baterias sozinho por um
minúsculo instante recebendo os vocais de
Anderson que em alguns momentos tem os seus
vocais bem distorcidos e acompanhado em coro em
algumas vezes pelos companheiros Squire e Banks
também interrompidos por algumas batidas do
surdo de Brufford nos dois refrões, sendo que na
parte instrumental que é tranquila tomada em
conta pelos teclados de Kaye e dando
oportunidade de Banks mostrar seus solos de
guitarras conforme a melodia vai se tornando
crescente progressivamente (tem até
características semelhantes já exploradas pelo
Genesis em "The knife" do album "Trespass"
(1.970)) e observe Squire como se sincroniza no
baixo em diversos toques repetitivos e Brufford
em batidas diversas em diversos momentos.
Posteriomente retornam ao terceiro refrão onde
finalizam a faixa.
"Time and a word" - é uma balada também composta
por Jon Anderson junto com David Foster é
provavelmente uma das faixas que dão a impressão
de ser mais valorizadas deste album pois ela
está presente no "Yesshows" (1.981) que fazia
parte da turnê do album "Tormato" (1.978), em
"An evening music Yes plus" (1.994) na turnê
feita pelo album "Anderson, Brufford, Wakeman,
Howe" (1.989) e em "Keys to ascension 2"
(1.997). Além disso foi regravada pelo cantor
Fish (ex-Marillion) no album "Songs from the
mirrors" (1.993) junto com o guitarrista Steve
Howe que viria a participar da banda ja citado
anteriormente posteriormente este album. Não é
muito progressiva mas tem boa melodia que pode
emocionar o ouvinte conforme o crescimento da
melodia da faixa e alem disso foi muito certeira
finalizando o album. Inicia calmamente com
arranjos de violão que são acompanhados pela
guitarra de Banks e Anderson começa a citar os
primeiros versos em conjunto com Squire e o
ritmo de Brufford de uma maneira simples nos
dois refrões que ficam numa forma muito
crescente e melódica sendo acompanhado por um
coro vocal de Squire e Banks. Quando retornam ao
terceiro refrão a orquestra fica nitidamente
mais presente no decorrer da faixa até a
finalização da mesma.
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