Inglaterra, 1973.


Músicos:
Jon Anderson: Vocais
Cris Squire: Contra Baixo & vocais.
Rick Wakeman: Teclados.
Alan White: Bateria & Percussão.
Steve Howe: Guitarras, violão Acústico & Vocais.


Faixas:
01 - The Revealing Science of God-Dance of Dawn (20:27).
02 - The Remembering-High The Memory (20:38).
03 - The Ancient-Giants Under The Sun (18:34).
04 - Ritual-Nous Sommes Du Soleil (21:35).

 

Words by Anderson-Howe, Produced Yes & Eddie Pfford.


Subgênero: Sinfônico.


 

Yes

Tales From Topographic Oceans

 

Dados da resenha:
Autor: Gabriel Camargo Rodriguês (Gabriel Schmitt); recebida em: 21/03/2005.
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Este foi o último álbum que contou com a presença de Rick Wakeman nos teclados, porque no álbum seguinte Relayer 1.975 Wakeman sairia da banda para se dedicar a sua carreira solo, voltando só em Going For The One 1.977.
O Yes nesta época estava em uma excelente fase com o disco Close To The Edge, e depois do álbum ao vivo Yessongs 1.973 que fez muito sucesso. Tales Fron Topographic Oceans, seria também a estréia em estúdio do baterista Allan White, depois da saída do baterista Bill Bruford, que foi sentida por muitos fãs.
Tales from Topographic Oceans tem um conceito diferente do que até então o Yes já tinha feito, pois o álbum se resume a uma suíte dividida em vários momentos, o Jethro Tull fez algo parecido com isso no álbum Trick As A Brick 1.972. Diz uma lenda que Jon Anderson gostou do resultado de Trick As A Brick e pensou em fazer algo igual ou parecido mas sempre incorporando às letras suas tendências espiritualistas; dessa maneira Jon Anderson compões Tales from Topographic Oceans.

Tales from Topographic Oceans foi lançado em uma época de grande importância no rock progressivo em que todos as bandas do gênero lançavam discos de grande repercussão no mundo do rock em geral, Pink Floyd The dark Side Of The Moon, Gênesis Selling England By The Pound, Jethro Tull A Passion Play. Diante de tantos discos importantes na história do rock progressivo o Tales from Topographic Oceans ficou meio apagado. Por causa disso revistas especializadas em música da época como a Showbizz taxaram o Tales como um dos 20° piores discos de rock de todos os tempos. Eu não concordo com isso, pois acho Tales um dos melhores discos do Yes como vocês descobrirão comigo a seguir.

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01 The Revealing Science of God-Dance of Dawn:

Essa música começa extremamente estranha. Logo de cara você ouve Anderson executando as letras com uma voz bem baixa apenas com o som do teclado acompanhando ao fundo. Você se sente preso à música nessa parte, só é assim por alguns segundos. A música se torna crescente é difícil acompanhar as letras nessa parte até Anderson citar a Frase “Our Endless Carasses For The Freedon Of Live Everlasting”, a música toma outra forma onde o teclado de Wakeman se torna majestoso; Cris Squire faz ótima atuação nesta parte da música. Até a música abaixar como um belo riff de contra baixo, Anderson entra novamente com seus vocais de maneira marcante na música citando a seguinte frase “Take To The Sunlight Caller, Soft Summer Mover Distance Mine”; aliás um dos destaques desta música é a bela atuação de Anderson.
A partir daí a música se torna calma e espiritualista bem característico de Anderson e do próprio disco, a música segue assim com o ótimo desempenho de todos os músicos.
Após citação do refrão da música, a temática da música muda para um de seus pontos mais agressivos caracterizados pela guitarra de Howe e pelos vocais agressivos de Anderson na execução do trecho “Star Light Movement, Reasons Release Forward Tallest Rainbow Sun Shower Seasons Life Flower Reasons”, a música depois disso se torna bem calma e uma parte interessante feita pelo teclado, bateria, até a entrada dos vocais de Anderson “They Move Fast, Tell Me...”. A música a partir daí novamente te prende em uma atmosfera de tensão até um dos trechos mais bonitos desta música “Getting Over Overhanging Trees...”; a música se caracteriza muito pelo Teclado e pelos vocais de Anderson nesta parte. Após isso a música volta a ficar destorcida com um piano que parece estar sendo massacrado por Wakeman. Howe novamente aparece com sua guitarra em meio ao teclado e a os vocais de Anderson, que estão bem agressivos e até estridentes na execução desta parte “Skyline Teacher...”. Após o término deste trecho, Howe aparece com um tão esperado solo de guitarra acompanhado por Wakeman nos teclados. São trechos bem agitados e destorcidos desta música, alguns dizem que este trecho serve para acordar o ouvinte rs, a música aí já está na casa dos quatorze minutos, se você estiver ouvindo a música bem baixa parece ter terminado, mais não são só os instrumentos que ficaram com o volume mais baixo, a música aí da uma arranhada em uma batida de Blues caracterizado pelo contra baixo de Squire “And Through The Rhythm Of Moving Slowly...”, Anderson executa este trecho com uma voz bem amena, depois o ouvinte é surpreendido por um coral junto à guitarra e teclado fazendo uma excelente harmonia que logo é quebrada por um solo de mini Moog, a entrada dos vocais de Anderson após esse solo de mini Moog é marcante repetindo um trecho anterior desta música “They Move Fast, Tell Me...” é como se a música estivesse sendo repetida, isso se torna claro na repetição do trecho “Getting Over Overhanging Trees...”. Novamente impecável, acho até que melhor do que o primeiro, a música aí segue uma escala crescente até a repetição do refrão “What Happened To This Song We Once Knew So Well Signed Promise For Moments Caught Within The Spell We Must Waited All My Lifes For This”, sem a repetição da palavra Moment a música se aproxima do seu final terminando com um trecho bem baixo feito com teclado e vocais bem baixos terminando a música com a frase “For You And You And You”.

The Revealing Science of God é uma excelente música. Aliás, na minha opinião umas das melhores do Yes, mais parece que só agora o Yes percebeu isso tocando ela em turnês recentes como no DVD Keis To Assencion.

02 The Remembering-High The Memory

The Remembering para mim sempre funcionou como uma continuidade de The Revealing Science of God. É uma música muito bonita, o mestre Wakeman dá um show à parte nos diversos Mellotrons, Pianos, Mini Moogs e vai saber o que mais, porém Anderson parece ter perdido parte da inspiração que encontramos na música anterior. O desempenho dos demais músicos ficou satisfatório sem exaltações a não ser pela atuação de Wakeman que está impecável.
A música em si começa com uma introdução feita por Wakeman que se estende por boa parte da música, os vocais de Anderson entram bem macios para executar as letras na segunda estrofe os vocais aparecem com mais força “High The Memory Carry On While The Moments Start To Linger...”, ela se segue assim por grande parte da sua duração, até uma mudança de ritmo a partir do refrão “ And I Do Think Very Well”, onde a música parece acordar e os vocais de Anderson melhoram. A partir daí a música se transforma em algo bem diferente do que o Yes fez até então, algo bem mais melódico do que Fragile 1.970. Diria que The Remembering é a música que traduz melhor a mensagem que Anderson quis passar em Tales from Topographic Oceans.
Depois de execução do trecho “Whispers Of Clay Alternate Ways”, Wakeman nos presenteia com um belo solo de teclado, na minha opinião um dos melhores do Yes. A entrada dos vocais de Anderson funciona como um elemento a mais na música “Softer Messages Bringinhg Light To A Truth Long Forgotten On...”, eu sempre tive a impressão que Anderson está cansado nesta música ou algo parecido. A partir daí os vocais melhoram muito, mas ainda assim nem tão bom quanto a sua atuação em The Revealing Science of God. Nos trechos mais agitados desta música que começam quando Anderson executa o trecho “Out The City Running Free...”, onde a música marca uma mudança de ritmo saindo do macio e melódico, e entrando em algo mais vivo e com mais presença, Wakeman surge novamente com mais um excelente solo nas teclas como sempre rs. A temática da música novamente muda radicalmente com a entrada dos vocais de Anderson acelerados e bela atuação de Howe no violão acústico “Don The Cap And Close Your Eyes Imagine All The Glorious Challenge...”. Essa parte é umas das mais progressivas do disco principalmente pelo trecho “Will We Reach Winds Allow Other Sky Lines Other Skylines To Hold You”. Agora Howe abandona o violão e parte para as guitarras, é interessante a execução deste trecho porque Anderson Fala uma palavra Relayer por coincidência, ou não é o nome do álbum seguinte Relayer 1.975. É uma bela atuação de Howe na guitarra, é um trecho muito bonito também caracterizado pelo vocal de Anderson com bem mais presença nesta parte da música. É uma boa música e fica confirmado quando Anderson executa o trecho “Safe Now”, logo em seguida excelente parceria Howe Wakeman, só pode dar nisso. Depois desse trecho muito agitado a música volta a sua forma inicial, com a repetição do trecho “Out The City Running Free...”. É como se ela em seus vinte minutos nesse final volta a seu começo com vocais macios e um belo teclado o Yes encerra o primeiro disco de Tales from Topographic Oceans.

03 The Ancient-Giants Under The Sun

Considerada por muitos a ovelha negra do Tales From Topographic Oceans, já que até o tecladista da banda Rick Wakeman reclamou do resultado final de Tales From Topographic Oceans por causa de The Ancient devido a sua encheção de lingüiça e parafernália de percussão que afetou a qualidade dessa música.
The Ancient é uma suíte semi-instrumental com 18:34 de duração sem muito destaque para Anderson, o destaque principal desta música vai todo ou quase todo para Howe. Mais concordo que em certos pontos a música se torna irritante, por exemplo, aquele trecho cantado por Anderson “Sol Dhoop Sun Ílios Naytheet Ah Kin Tonatiuh Qurax Gunes, Grian Surje Ir Samse”, parece que a voz de Anderson está enroscada em meio a os instrumentos; é bem irritante. Vai se levando assim até seus doze minutos de duração. Daí a entrada de Howe em sua melhor forma toca um violão que tem uma sonoridade de música cigana muito bonito, Anderson na pouca letra que tem para executar incorpora muito sentimento em sua voz em um belo refrão, e após isso Anderson termina com uma lalalalala. Quando a música se aproxima de seu final Howe nos presenteia com um excelente violão. Para terminar esta obra dos tolos, Howe apresenta uma excelente guitarra para dar a música por encerrada.

The Ancient é uma bela música, mas seria muito melhor se ela não fosse tão grande com quinze minutos ela poderia se muito melhor. Agora não sei se sou o único a pensar isso mais sempre que ouço essa música não acredito que aquela barulheira é a mesma música deste refrão “And I Heard A Milion Voices Singing Acting To The Story That They Had Heard About Does One Child Know The Secret And Can Say It Or Does It All Come Out Along Without You Along Without You Along Without You”.

04 Ritual-Nous Sommes Du Soleil

Nos pertencemos ao sol, perece que esse é o significado da frase em francês Nous Someus Du Soleil e We Love When We Play em inglês quer dizer nós nos amamos quando tocamos.
Ritual com certeza é a música mais conhecida de Tales From Topographic Oceans, também é a maior música do disco com 21:35 de duração. Existe uma versão desta música na apresentação do show Yesshows que ela chega a quase trinta minutos de duração.
Ritual é uma música extremamente bem feita com muitos arranjos superbem feitos e progressiva. Ao contrário de The Remembering, Anderson nesta música está excelente. Em compensação Wakeman que teve tantas performances ótimas em quase todo o Tales From Topographic Oceans fica bem apagado nesta música. O show fica por conta de White e Squire, que estão ótimos nesta faixa, mais na introdução de Ritual, Howe dá um show a parte nos diversos solos de guitarras executados por ele que dão vitalidade à música. Após uma introdução bem animada a música assume uma forma bem calma com a entrada excelente dos vocais de Anderson gritando as frases Nous Sommes Du Soleil We Love When We Play várias vezes. A atuação de Anderson nesta música está muito boa, parece que ele encontrou novamente a inspiração de The Revealing Science of God. Na primeira parte de Ritual que termina no refrão At All At All... Anderson dá um show de afinação. Esse critério de partes é muito usado parte definir Ritual em Yesshows já que ela ocupa praticamente o segundo vinil inteiro; isso nos antigos discos de vinil no Cd tudo corre normalmente, mais isso são outras historias. Depois da belíssima atuação de Anderson temos uma bela performance de Howe Squire e White que estão excelentes nesse longo trecho instrumental. Também temos Wakeman fazendo sua parte que nessa música se resume a pequenos solos de mini moog e um piano acústico no final. A parte de percussão desta música pode parecer para alguns uma barulheira sem sentido, mais é uma excelente a atuação de White. Depois Howe faz mais uma aparição em sua guitarra super afinada. A música aí já esta migrando para seus últimos minutos, mas ainda com muita coisa para se ouvir. Anderson executa as letras nesta última parte mais ameno que na primeira parte mas ainda assim muito bem na execução da última frase Nous Sommes Du Soleil. Anderson parece avisar ou dizer mais alguma coisa além de uma frase, tudo bem pode ser piração da minha cabeça mais é o que eu acho, a música se aproxima do seu final para finalmente fechar Tales From Topographic Oceans com a guitarra de Howe e com o baixo de Squire. A os seus últimos segundos ouvimos o baixo de Squire e o teclado de Wakeman com um coro de vozes ao fundo ficando cada vez mais baixo até encerrar esta obra do progressivo.

O Tales From Topographic Oceans começou excelente com The Revealing Science of God-Dance of Dawn e termina fechando com chave de ouro com Ritual Nous Sommes Du Soleil esta obra prima do Yes e do progressivo.


Algumas curiosidades sobre Tales from Topographic Oceans:

*Esse álbum é baseado nos conceitos e livros espiritualistas de Jon Anderson.
*Esse álbum foi gravado em 1.973 nos estúdios Morgan em Londres com a colaboração da A & M gravadora dos discos solos de Rick Wakeman.
*Na época o álbum recebeu criticas extremistas tanto boas quanto ruins por parte do público e da critica.
*A capa mais uma vez foi feita pelo super ilustrador Roger Dean.

Notas:

Eu fiz essa resenha de Tales from Topographic Oceans porque é um álbum que adoro, um dos melhores do Yes, e para compartilhar com a confraria do Sound Chaser a minha opinião.
Essa é minha primeira resenha aqui no Sound Chaser.
A inclusão de trechos das letras na resenha “Our Endless Carasses For The Freedon Of Live Everlasting” foi incluída na resenha para melhor compreensão dos confrades do Sound Chaser.

Saudações minhas a todo o Sound Chaser.

Gabriel Schmitt.

 


 

Autor: Izaias Arruda (ia);

Em 1973 o Rock Progressivo estava com toda força, o G7 do Progressivo Inglês lançava obras-primas: King Crimson(Larks’Tongues In Aspic), Genesis(Selling England by the Pound), ELP(Brian Salad Surgery), Pink Floyd(Dark Side of the Moon) , Jethro Tull (A Passion Play), Gentle Giant(In A Glass House) e o Yes lançou o Tales From Topographic Oceans.

O Yes, neste ano, estava em turnê internacional. Durante essa turnê, enquanto estavam no Japão, Jon Anderson leu o livro “Autobiografia de um Iogue”, do mestre hindu Paramahansa Yogananda, e simplesmente viajou nos belos ensinamentos ali contidos.

Anderson nunca escondeu suas tendências espiritualistas, inclusive no disco Time and a Word existe uma música que narra uma viagem astral (Astral Traveller), que é uma experiência onde a pessoa percebe-se fora do corpo manifestando-se nas dimensões espirituais.

Influenciado por sua busca espiritual, Jon Anderson escreveu “Tales From Topographic Oceans”.

Anderson e Howe amam este álbum, Wakeman e Squire não gostam. Algumas pessoas acreditam que foi esse o motivo da saída de Wakeman da banda. Wakeman não concordou com a temática do disco e achou que havia muita “encheção de lingüiça” nas músicas. Além disso, outros fatores contribuíram para saida dele, como por exemplo, o sucesso dos seus discos solo. Mas, esse descontentamento não diminuiu o brilho nas seções de teclados, aliás ele é o grande responsável pelo clima etéreo de vários trechos da obra.

Os fãs também se dividiram, e o disco, que vendeu muito nos primeiros dias após o lançamento, decepcionou alguns deles. Além disso, o disco, duplo, continha quatro faixas enormes, o que dificultou sua execução nas rádios. Eu acho um disco sensacional, possui todas as características de um Yes clássico. Pena que Bill Bruford se foi. Esse é o disco de estréia do Allan White na bateria.

Músicas:

1. The Revealing Science of God – Dance of the Dawn – Jon Anderson inspiradíssimo, a voz dele é um dos destaques desta música. Destaque também para Steve Howe e Rick Wakeman. Voltou a ser tocada ao vivo em turnês recentes.

2. The Remembering – High The Memory – O mestre Rick Wakeman apavora aqui.

3. The Ancient – Giants Under the Sun – Muita percussão. Nessa música a “encheção de linguiça” que o Wakeman reclamou torna-se clara. A música torna-se irritante em alguns pontos.

4. Nous Sommes du Soleil – Acho que é música mais conhecida deste disco. Aqui Chris Squire aparece mais e Wakeman fica mais “apagado”. Mais uma vez, destaque para Jon Anderson.

Duas curiosidades sobre o disco:

Foi escolhido como o melhor de 1973, pela revista Time.
Foi escolhido como um dos 20 piores discos do Rock, pela revista Showbizz.

Observação:

Muitas informações deste review foram retiradas do Fanzine Metamusica, edição 009.